1.5. Ahlaki Değer ve Yükümlülük Teorileri
1.5.3. Teleolojik Ahlak Teorileri
Resultado de trabalho entre SUDAM, SUDECO, ministérios – Agricultura, Interior, Transportes, Minas e Energia, Aeronáutica, Educação e Cultura, Saúde, Trabalho e Planejamento –, bem como de governos dos estados e territórios federais, o Programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (POLAMAZÔNIA) foi instituído pelo Decreto no 74.607, de 25 de setembro de 1974. Concebido assumidamente como documento voltado para a preocupação do governo em “desenvolver a segurança nacional e [a] integração econômica” da Amazônia (1976b, p.5-6), problematizando-a enquanto região geopolítica, o Programa (cuja execução estaria ligada à Secretaria de Planejamento, ao BASA, à SUDAM e ao Ministério do Interior) tinha como finalidade “promover o aproveitamento integral das potencialidades agropecuárias, agroindustriais, florestais e minerais em quinze áreas selecionadas e espacialmente distribuídas” na região. Essa quinzena de pólos se espalharia entre os estados e territórios federais da região Norte e também na porção setentrional de Mato Grosso e de Goiás. Com recursos orçados à época em Cr$ 4 bilhões para o período 1975-1979 (aos quais se acresceriam, a partir de 1977, mais Cr$ 2,5 bilhões), provenientes do PIN, PROTERRA, Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND) e FDPI (Fundo de Desenvolvimento de Programas Integrados)28, o Programa ambicionava assentar 5 milhões de cabeças de gado na região – principalmente “nas áreas de cerrado, cerradão e mata fina” – e selecionar lavouras permanentes adaptadas à região amazônica29.
O Programa Especial de Pólos de Desenvolvimento compreendia, na verdade, um dos raios de ação para a “ocupação produtiva” da Região Norte (BRASIL, 1974, p.18), sendo detalhado no II Plano de Desenvolvimento da Amazônia, tal qual transcrito abaixo; na medida em que,
A estratégia espacial do Governo da União será complementada com um projeto especial, em fase de programação pela SUDAM, incluído no II Plano Nacional de Desenvolvimento, referente à criação de pólos de crescimento na Região. São áreas em que ocorreram duas ou mais atividades setoriais [...] Trata-se do programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia – POLAMAZÔNIA – dirigido
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De acordo com o II PDA (Plano de Desenvolvimento da Amazônia), os Programas Integrados para essa região compreenderiam: a) o POLAMAZÔNIA; b) o Programa do Trópico Úmido; c) o Projeto RADAM; d) os chamados “Estudos Básicos” (BRASIL, 1976a, p.87).
29 O Programa era, entretanto, inócuo quanto a qualquer proposta de reforma agrária, tendo concedido apenas
cerca de 14 títulos de propriedade, embora se alardeasse – através do INCRA – a fixação de mais de 400 mil famílias em terras do Norte e Nordeste (PONTES, 1983, p.244).
fundamentalmente à ocupação de espaços vazios e à utilização dos eixos viários articulando-se aos projetos de desenvolvimento social nas áreas preferenciais [...] Centrado principalmente na ocupação econômica de áreas selecionadas, dotadas de potencialidades minerais, florestais, agropecuárias e agroindustriais, o Programa ensejará a necessária concentração de recursos em sub-regiões e em setores que poderão, mais rapidamente, responder aos investimentos programados [...] O Programa prevê a ação coordenada do Governo Federal, dos Governos dos Estados e Territórios e da iniciativa privada em 15 áreas [...] que serão objeto de planos de desenvolvimento integrado (BRASIL, 1976a, p.46).
Essa questão, central para Ministério do Interior em relação à Amazônia, tanto por meio da SUDAM, quanto por meio de sua Secretaria Geral, procurava pôr em execução, portanto, os quinze pólos agro-minerais, como indicados a seguir (ver mapa nº 4).
Entende-se não ser este o momento, no presente trabalho, para detalhar os programas setoriais e regionais complementares ao I e II PNDs, deixando-o para os Capítulos 6 e 7. Assim, neste item será destacado apenas o POLAMAZÔNIA, sem adentrar para a questão dos projetos setoriais específicos, os quais apenas serão citados.
30 Ora, não se pode esquecer que os espaços considerados vazios o eram em função – também – de território a
Mapa nº 4. Pólos Agro-minerais (Conforme o Programa Polamazônia).
Fonte: Berta G. Ribeiro, Amazônia urgente, p.184.
I – Xingu-Araguaia. Localizado no nordeste do Mato Grosso – entre a BR-158 e a BR-08031 –, seria voltado à pecuária de corte, haja vista as “amplas perspectivas” (BRASIL, 1976b, p.6) supostamente existentes para essa atividade na área em questão na tríplice divisa entre (o antigo estado de) Goiás, Mato Grosso e Pará.
II – Carajás. Nesse pólo, além da exploração de minério de ferro – para a qual se criou a “Amazônia Mineração”, associação entre a Companhia Vale do Rio Doce e a US
Steel, além de estrada de ferro ligando a área ao porto de Itaqui-MA –, havia a intenção de
desenvolver um projeto agropecuário, inserido na “conformação [de um] complexo econômico [voltado à] melhoria da cidade de Marabá” (BRASIL, 1976b, p.6).
31 A BR-158 cruza no sentido sul-norte a porção leste do atual estado de Mato Grosso e o sul do Pará, enquanto a
III – Araguaia-Tocantins. Localizado em áreas sob a influência da Transamazônica e da Belém-Brasília – sua função seria dar base ao Plano de Desenvolvimento Integrado do Vale do Tocantins.
IV – Trombetas. Abrangendo os municípios de Monte Alegre, Alenquer e Oriximiná, o pólo estaria fundamentalmente ligado à prospecção de bauxita e às unidades de moagem de calcário, no qual, em segundo plano, viria a exploração da juticultura e da rizicultura.
V – Altamira. Situado na região central do Pará, esse pólo agro-mineral estava destinado à colonização da área de seu município, tarefa que seria promovida pelo INCRA, além de ser um núcleo para “pecuária em áreas selecionadas”32.
VI – Pré-Amazônia Maranhense. Estava em jogo nesse pólo o “fortalecimento” da região de Imperatriz-MA e a colonização ao longo da BR-316 (Belém/Santa Maria-RS)33, bem como a exploração agrícola, madeireira e pecuária (atividade incluída dentre os pólos
agropecuários e agro-industriais).
VII – Rondônia. O pólo rondoniense tinha como objetivo contribuir para a modernização do porto de Porto Velho, enquanto canal de escoamento de minérios a serem exploração na área-programa (como a cassiterita e a ilmenita34) e de culturas “em estudo” no antigo território federal, como cacau, café e cana-de-açúcar. Incluía-se também o aproveitamento hidrelétrico da Cachoeira de Samuel, uma vez constatada a necessidade de aumentar o a produção de energia elétrica na região.
VIII – Acre. Incluída na categoria dos pólos madeireiros e agropecuários, essa área-programa, ocupando praticamente toda a parte central acreana – devia especificamente especializar-se em heveicultura, através do PROBOR, Programa de Estímulo à Produção de Borracha. Igualmente, previam-se incentivos à pecuária e à exploração florestal em geral, além da construção do porto de Rio Branco.
IX – Juruá-Solimões. Também incluído na categoria dos pólos madeireiros e
agropecuários, localizado entre os rios Juruá, Solimões e Coari, esse pólo, “uma área
identificada pelo Projeto RADAM [...] como um dos maciços florestais mais expressivos da
32 No II PDA foi traçado o Desenvolvimento da pecuária em áreas selecionadas (com recursos da SUDAM,
do Ministério da Agricultura, do setor privado, de incentivos fiscais e do BASA), cujo objetivo era alcançar “níveis técnicos e econômicos mais elevados” que os existentes até então, “permitindo que o rebanho regional cresça em, aproximadamente, dois milhões e quatrocentas mil cabeças no período” de 1975 a 1979 (BRASIL, 1976a, p.148).
33 No caso, trata-se de trecho da BR-316 correspondente à Belém-Brasília. 34 A ilmenita é usada como material para produção de pigmentos.
Amazônia” (BRASIL, 1976b, p.7-8), estendia-se, no coração do estado do Amazonas, por uma área de cerca de 8,8 milhões de hectares, devendo ser prioritariamente voltado para a exploração de reservas madeireiras.
X – Roraima. Voltado para pecuária (bovina e suína) e industrialização de carnes, visando também ao comércio com a Guiana, essa área-programa classificava-se dentre os pólos agropecuários e agroindustriais. Tinha dentre suas metas, também, apoiar a construção da BR-174 (Boa Vista/Divisa com a Guiana) (BRASIL, 1976b, p.8).
XI – Tapajós-Xingu. Pólo cuja função principal era dar apoio à construção da hidrelétrica de Curuá-Una e à implementação de lavouras, de pecuária e de agroindústrias, por meio de programas de colonização promovidos pelo INCRA.
XII – Amapá. Seriam priorizadas nessa área as atividades relacionadas com extração de manganês e ferro, sendo prevista a construção de unidades de produção de ferro-ligas. Mencionava-se também o fomento as atividades de pesca e o incentivo à cultura de cana-de-açúcar. Em termos de infra-estrutura, a área em questão compreendia os projetos de implantação do porto de Macapá e a ampliação da usina hidrelétrica de Coaracy Nunes.
XIII – Juruena. Pólo com a finalidade de extração vegetal e colonização agropecuária, atendendo também à complementação da BR-242, no polígono formado pelos rios Teles Pires, Arinos e Juruena35.
XIV – Aripuanã. Situado no município mato-grossense de mesmo nome, ao norte do estado, compreenderia um pólo de 140.000 km2, “com provável existência de elevado potencial de recursos minerais” (BRASIL, 1976b, p.9). Por isso mesmo, estava classificado dentre os pólos agropecuários e agro-industriais, sendo também dirigido à pecuária e às agroindústrias, “destacando-se o programa de pesquisa sobre o trópico úmido, associado ao Núcleo Pioneiro de Humboldt” (BRASIL, 1976a, p.46).
XV – Marajó. Último dos quinze pólos, sua finalidade não estava claramente definida no documento, sendo citado apenas enquanto área de interesse pára a “análise da estrutura fundiária” (BRASIL, 1976b, p.9).
Sucintamente, pode-se afirmar que os “efeitos fluentes” dessas áreas-programa foram bastante modestos. Em geral, os pólos foram concebidos como não sendo mais que
35 Nessa área-programa foram implantados projetos de pecuária de corte, principalmente, em larga escala,
“com espírito empresarial nos empreendimentos” (SUDECO, apud Silvana de ABREU, 2001, p.140), a exemplo de propriedade rural pertencente ao grupo italiano Liquifarm.
pontos geopolíticos estratégicos e/ou locais de entroncamentos rodoviários – as próprias rodovias tendo, como se sabe, igual finalidade geoestratégica. Acreditava-se também serem áreas as quais, depois da construção de infra-estrutura, hidrelétricas principalmente, atrairiam para si investimentos; fluxos. Seus “efeitos de atração”, porém, deram-se à custa de atração desordenada de contingentes migratórios, formando-se, a partir daí, novas cidades ao longo dos eixos rodoviários, em áreas cujo uso do território previsto estava muito menos envolvido com a viabilização de pequenas propriedades que com as grandes empresas fundiárias, gerando, depressa, ou o abandono de projetos ou o refluxo populacional, base de uma urbanização em plena “floresta”, associada ao surgimento de núcleos rurais e atuando na prestação de serviços para as populações rurais e na “circulação de mão-de-obra regional”36.