Metodologia do Trabalho de Campo
4.1. Técnicas, Procedimentos e Meios Utilizados
Na Revisão de Literatura, como já foi referido na introdução, privilegiou-se a análise de fontes bibliográficas e documentais referentes ao desenvolvimento de Angola e das FAA. Nesta fase, procurou-se complementar a informação adquirida com contatos informais com Oficiais do Exército Português que realizaram missões em Angola, através da realização de entrevistas exploratórias que serviram para “…encontrar pistas de reflexão, ideias e
hipóteses de trabalhos… ” (Quivy & Campenhoudt, 2013, p.70). Assim sendo, surgiu a
necessidade da realização de um trabalho de campo, que foi concretizado durante a minha permanência em Angola, facto que permitiu um contacto com a realidade social, económica e militar, permitindo assim obter maior perceção sobre a situação atual que me propus analisar.
Para tal objetivo, elaborou-se um guião de entrevista que norteou todas as ações de pesquisa, o que permitiu recolher o testemunho de algumas entidades que estão diretamente ligadas ao processo de reestruturação das FAA. Deste modo, foi possível passar dos conceitos às técnicas de recolha de dados, através da “observação direta35” e da
“observação indireta36”. Ambas só foram possíveis através do apoio do EMGFAA, na
pessoa do Vice-Chefe do Estado-Maior General para as Infraestruturas e Logística, General Abreu Muengo Ukwachitembo “Kamorteiro” e do Chefe da Direção Principal de Preparação de Tropas e de Ensino, General Adriano Makevela Mackenzie. A ação dessas entidades, foi de capital importância para a realização das investigações.
Para além da realização das entrevistas, foram realizadas visitas em algumas U/E/O. Por intermédio da observação direta, foi possível analisar as condições sociais que as mesmas apresentavam. Destacam-se, a visita ao Estado-Maior das FAA, à Região Militar de
35 “A observação direta é aquela em que o próprio investigador procede diretamente à recolha das
informações, sem se dirigir aos sujeitos interessados. Apela diretamente ao seu sentido de observação”(Quivy & Campenhoudt, 2013, p.164).
36 “Na observação indireta, o investigador dirige-se ao sujeito para obter a informação procurada. Ao
responder às perguntas, o sujeito intervém na produção de informação. Na observação indireta, o instrumento de observação é um questionário ou um guião de entrevista” (Idem, 2013, p.164).
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(DOI), onde foi possível verificar melhorias significativas no âmbito das condições de trabalho, assim como algumas obras em curso.
Importa ainda salientar que, no âmbito da visita à DOI, foi possível estabelecer um contacto com o General Muginga, Chefe da DOI, com o Coronel Bartolomeu (Engenheiro Civil), Chefe da Repartição de Fiscalização de Obras e ainda com o Tenente-Coronel Lopes, Chefe de Repartição de Planeamento e Programação, que muito contribuíram com os seus
outputs sobre os projetos em curso, para uma melhor perceção no âmbito dos investimentos
nas infraestruturas das FAA. Salienta-se ainda que, as mesmas entidades, se disponibilizaram para fornecer informação que contribuísse para o esclarecimento de algumas questões que se levantaram no decorrer da pesquisa. Por último, resta ainda salientar que esta mesma Direção (DOI), mostrou o desejo de que este trabalho de campo fosse realizado, nas diversas RM/ZAM/RN do país, mas tal não foi possível, devido a limitação do tempo disponível. Assim sendo, realizou-se apenas a visita à Região Militar de Luanda e ao ISTM.
4.2. Amostra
A aplicação de um Inquérito por Entrevista37 (IE), requer sempre a caracterização de
uma amostra38, e essa por si, requer numa primeira fase, a definição de uma população. Deste
modo, por um lado, uma população “é o conjunto de indivíduos…com uma ou mais
características comuns, que se pretende analisar ou inferir” (Sarmento, 2013, p. 71), por
outro, Coutinho (2011, p. 85) define a amostra como sendo “o conjunto de sujeito de quem se recolherá os dados e de ter as mesmas características das da população de onde foi extraído…é pois um grupo de sujeitos ou objetos selecionados para representar a população inteira de onde provieram”.
Assim sendo, a amostra alvo na presente investigação foi composta, numa primeira
fase por, um grupo de cinco oficiais das FAA, que de acordo as funções que exercem, se
37 Segundo Coutinho (2011, p. 100) o inquérito por entrevista “é o processo que visa a obtenção de propostas
expressas pelos participantes no estudo e pode ser implementado com recurso a entrevistas ou questionários”.
38 Há que referir ainda, que uma amostra pode ser considerada probabilística ou não probabilística. Quando é
possível determinar o grau de probabilidade de um sujeito de uma população pertencer ou não à amostra, considera-se que a amostra é probabilística, e quando isto não se verifica, estamos perante uma amostra não probabilística. Assim sendo, para a realização do presente TIA, recorreu-se ao processo de amostragem não probabilística (Sarmento, 2013).
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estudo. São eles: o Diretor do Gabinete de Intercâmbio e Cooperação Internacional do EMGFAA, Tenente-General Couceiro, o Vice-Chefe da Direção Principal de Preparação de Tropas e Ensino, Tenente-General Chindombe, o Chefe da Repartição de Defesa Anti Aérea, Coronel Pena, o Chefe do Estado-Maior do 197º Regimento de Defesa Anti Aérea, Tenente- Coronel Pedro, e finalmente, não o último, o Adido de Defesa Adjunto de Angola, em Portugal, Tenente-Coronel Ramos da Cruz.
A segunda fase da amostra alvo prende-se com a questão de que uma amostra não é de carácter definitivo, ou seja “a medida que o investigador descobre novos dados para o estudo, novas comparações que importa fazer, vai escolhendo novos elementos para incorporar na sua amostra” (Coutinho, 2011, p. 91). Neste âmbito, à medida que se
efetuavam as entrevistas, surgiu a necessidade de se obter outras perspetivas, que não fossem unicamente de carácter militar. Deste modo, escolheu-se mais um conjunto de cinco entidades civis, que caracterizaram a segunda fase da amostra, e onde se salientam: o Gestor da Empresa Chicoil em Portugal, Doutor Vítor Capingala, dois Oficiais Administrativos do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) de Angola, Doutor Fortunato e o Doutor Quiala, e finalmente, dois Engenheiros da NCR Angola Informática, Euclides Matamba e o engenheiro (economista) Edgard João.
É importante relembrar que a amostra foi constituída por dez elementos, cinco militares e cinco civis39. Das cinco entrevistas realizadas às entidades militares, quatro foram
presenciais e uma não presencial. Quanto às entrevistas realizadas às entidades civis, todas foram realizadas de forma presencial. O Apêndice F apresenta a lista e as funções das personalidades entrevistadas.
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