• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM 1: KAZAKİSTAN MUHASEBE SİSTEMİ

1.2. Muhasebe Sistemi Hesap Planı

1.2.3. Tek Düzen Hesap Planı

No que diz respeito à escolarização, os moradores veem a escola como local de aprendizagem, e como via de ascensão social. Aspiram melhorias e depositam na escola a possibilidade de adquirir os conhecimentos necessários para alcançar profissões mais valorizadas e melhor remuneradas, bem como a formação de condutas e valores exigidos pelo mercado de trabalho nas cidades.

“É importante, né, antes a gente tinha que levar os filhos lá embaixo, agora não, é aqui perto. Sem o estudo, a gente não vai pra frente” (Graça). “Ah, a gente aprende muita coisa, né. Vai pra escola pra aprender” (Rosa). “Eu me esforço, trabalho, faço tudo pra eles estudarem, porque eu não tive muito estudo, a gente não valorizava muito, não tinha aquele pensamento de que o estudo era preciso. Mas hoje eu vejo que sem estudo não consegue nada, se eu tivesse estudado, [...] aí tinha como ter um trabalho melhor, tipo pra trabalhar no distrito; até pro comércio, tem lugar que eles pedem o certificado” (Raquel).

“Espero pra minha filha que ela saiba, que a escola saiba trabalhar a minha filha, pra que ela tenha um bom desenvolvimento na sociedade, que ela, saiba desenvolver, é, os pensamentos que ela tem na cabeça, saiba ajudar, isso, pra que num tenha... que ela tenha um futuro melhor, melhor que eu, né?” (Wilma).

Os moradores não querem que seus filhos sofram por não saber ler e escrever. Não querem a história de exclusão que tiveram. Na medida do possível, empenham-se em manter os filhos na escola, mas sabem que são pequenas as probabilidades de longa permanência, ou de que esta promova mudanças significativas na vida de seus filhos. A expectativa é de que a escola seja veículo de promoção social, para que seus filhos possam conseguir profissão diferente da sua.

“Olha como eu estou, cansada, mão calejada, cara preta de tanto tomar sol [...] Já meu filho, ele pode ter uma vida melhor, arrumar outro emprego na cidade, e não precisar ficar debaixo de sol” (Raimunda).

“Acho que na escola meus filhos podem conseguir mais coisas do que eu, pois vida assim, de dureza, eu não quero pros meus filhos” (Mário).

“Eu me preocupo com o futuro, o futuro de minha filha. Penso que é muito importante pra ela, ter uma vida diferente, e pra isso tem que estudar, né? E o estudo é uma preparação pro currículo da gente. Eu quero colocar minha filha no menor aprendiz” (Wilma).

Os pais referem-se às dificuldades que possuem em acompanhar a escolarização dos filhos, tanto no que diz respeito aos conteúdos curriculares quanto à própria presença física, e remetem à escola esta possibilidade. Principalmente para as mães que trabalham fora de casa, é também uma forma de ocupar os filhos, deixá-los em lugar seguro, que de algum modo possa suprir aquilo que elas não podem fazer.

“A gente ajuda, né, quando pode. Eu tou sempre falando pros meus filho, vocês aproveita tudo o que o professor fala, porque a mãe não pode dar muita atenção, e tem coisas também que a gente não sabe explicar direito”

(Rosinete).

“Eu nunca fui boa em matemática. Até que essas contas aqui eu faço com ela, porque isso eu sei, né, é do primário, e eu estudei até a quinta série, eu posso ajudar. Mas o (filho) lá da outra escola eu já não dou conta” (Rosa). “Até um dia eu falei, conversando com a diretora, se seu pudesse, eu acompanhava meus filho cada aula. Só que eu sou a mãe e o pai, tenho que trabalhá. Mas ali eu estou”. (Raimunda).

“Nossos filhos estão vindo pro colégio, aqui no colégio eles tão bem guardados, porque estão na responsabilidade dos professores, da diretora e nossa responsabilidade também, porque eu sou cozinheira, mas eu estou de olho nos filhos de vocês aqui, né” (Maria).

Suas expectativas também incluem esperar dos filhos que correspondam e possam ter capacidade para estudar. Em alguns depoimentos, os pais instruem seus filhos para obedecer e atentar ao que os professores falam.

“Quando eles chega, eu pergunto, como vocês foram no colégio, às vezes ele diz, a professora fez isso, eu não gostei. Não! Ela ta fazendo o bem pra você, porque você está lá pra aprender” (Raimunda).

“É certo que criança tem que obedecer, tem que respeitar o professor, que ta lá pra ensinar, pra mostrar o conhecimento. Tem gente aqui que o filho chega falando e vai logo acreditando, e ficando brabo, querendo até brigar com a professora, mas a gente sabe que tem menino que apronta [...] Então, eu digo pra minha filha, se o seu colega quer ficar fazendo bagunça, vai, senta em outro lugar, e presta atenção no professor” (Miguel).

Para alguns moradores, a escola é basicamente lugar de aprender a ler e escrever, e isso é questionado quando o aluno não aprende.

“Se meu filho passa o ano inteiro e não sabe, mal seu nome, para que serve ir à escola?” (Graça)

“Aula, ele vai pra aula, mas a professora não da atenção, dá pros outros, né. Ele devia ir mais pra frente, né, que ele, sabe menos que os outros, mas

lá, ele fica lá trás. Aí no final das contas, né, ele ia reclamar, que não fazia nada, nem ligava pro menino, né, eu achava errado isso aí” (Paulo/relato

extraído da fala de um pai, durante o período de observação).

Observou-se a preocupação com a continuidade dos estudos. Em conversas com pais de alunos realizadas durante as observações, emergiu como preocupação o fato de não haver, nas proximidades escola de Ensino Médio. Os pais esperam que seus filhos possam seguir na carreira acadêmica pelo menos até o Ensino Médio, mas comentam sobre a dificuldade de mantê-los, pois aumentam os custos com passagem, alimentação, uniforme e material. Ainda assim, constatou-se no discurso dos pais haver um esforço por parte da família, apostando nesta continuidade, principalmente quando o filho manifesta interesse em estudar, sendo percebido como o que dá pro estudo, o que tem cabeça pra estudar. Em outros casos, fica por conta do próprio jovem manter-se nos estudos, podendo trabalhar durante o dia e estudar à noite. Constatou-se na comunidade a existência de jovens que, em torno dos dezesseis anos já constituíram família e/ou abandonaram os estudos para trabalhar. Os pais lamentam o fato, desejando que o filho um dia volte a estudar.

“Eu to estudando agora, a gente até se diverte bastante na aula. A Ana é que é nossa professora lá. Ela botou a gente pra fazer uma peça (risos) ta muito engraçado. Já falei pra Eliane (sua filha mais velha), cuida logo, vê se estuda, você ainda é nova, deixa os meninos aí que o Mário ta em casa, e a Joseane fica com eles” (Carla).

Apenas uma das mães entrevistadas comentou sobre a continuidade dos estudos em nível superior, e suas preocupações com a dificuldade a este acesso.

“Olha só, eu vejo por mim, que estudei por aqui até a oitava (série). E a gente vê como é que ainda está esse lugar, quem estuda aqui tem muita dificuldade de seguir, o ensino aqui é fraco. Sem falar no sacrifício que é estudar lá pra fora, eu fiz o ensino médio no Brasileiro, pegava ônibus todo dia às cinco, cinco e meia, porque se chegasse atrasada não entrava. Quando o ônibus quebrava era melhor voltar pra casa. Uma vez nós fomos, eu e o filho da Raimunda, e outros lá da Vila, a gente foi no ônibus. Já começou vindo atrasado, aí deu um problema logo ali na estrada [...] demorou tanto que a gente voltou nele, porque... ia fazer o quê na porta da escola? E a gente sabe, quando isso aqui vai melhorar? Eu penso em sair daqui pro meu filho ter mais oportunidade, eu quero fazer faculdade, mas estou vendo, [...] não tenho coragem de fazer o vestibular, porque sei que não vou passar. E hoje em dia, precisa fazer outras coisas, um curso de informática, de inglês, aqui é tudo muito longe” (Erilene).

Neste tópico, observou-se o que pensam pais e agentes institucionais sobre a escola, em termos de sua importância, e as expectativas que nela depositam. O que figura é que uma

boa escola ensina, transmite conteúdos, tem bons professores, trata bem a comunidade. Observou-se a preocupação com as (im)possibilidades na escola rural, com a continuidade dos estudos, e com as dificuldades para implementar esta continuidade.

Benzer Belgeler