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BÖLÜM 2: TÜRKİYE MUHASEBE SİSTEMİ

2.1. Tek Düzen Muhasebe Sistemi

2.1.4. Mali Tablolar İlkeleri

Observou-se que a escola promoveu várias situações consideradas como estratégias de integração/participação, mas esta se restringiu à presença física nas atividades e eventos realizados, e o que figura instituído é que os moradores participem apenas de certos momentos da escolarização dos filhos, como expectadores, e quando solicitados. Mas também se constatou que a presença física nas reuniões aumentou conforme o decorrer do ano.

Nas reuniões de pais, observou-se que a diretora presidia as reuniões, apresentando uma pauta de informações. Iniciava com uma mensagem cujo tema referia-se ao cuidado e acompanhamento dos filhos, solicitando que alguém a lesse em voz alta, abrindo espaço em seguida para comentários. Após esta leitura, iniciava a pauta. De modo geral, as reuniões eram informativas. Foram poucas as vezes em que se trazia para a discussão algum tema a ser debatido e votado. Quando isto ocorria, as propostas eram apresentadas pela diretora, de modo a que ficassem bem esclarecidas, enfatizando-se que aquelas eram as opções mais interessantes no momento. Se alguma proposta diferente era apresentada, o direcionamento era efetuado, mas a diretora ouvia a comunidade e dizia que iria acatar as decisões tomadas pelo grupo, acrescentando que todos iriam assumir a responsabilidade pela decisão. A diretora explicitava seu interesse em que os pais se manifestassem, participassem, embora oferecesse certa resistência a idéias contrárias às dela.

Outro espaço instituído para a participação é o Conselho Escolar. Constituído por representantes de cada segmento da escola, quais sejam, professores, funcionários, alunos e pais, e o diretor, é o foro de decisões da comunidade escolar e da administração dos recursos que a escola passa a receber. O diretor preside o Conselho e seu cargo é vitalício. Os demais membros devem ser eleitos por seus pares em uma assembléia constituída exclusivamente para este fim.

Após a regularização/oficialização da escola, em junho/2008, a diretora empenhou-se em criar o Conselho Escolar. O momento dessa constituição foi marcado por bastante confusão. Dada exiguidade de tempo, a direção da escola convocou alguns pais e agentes institucionais para ocupar os cargos. Não houve tempo suficiente para esclarecer os pais sobre a função dos conselheiros, nem para organização de chapas e divulgação do processo, posto que todo o processo eleitoral deveria acontecer até o fim deste mesmo mês, em função das eleições para cargos públicos municipais. Constituiu-se uma chapa única e no dia da eleição ainda se faziam os preparativos. Os procedimentos não estavam claros nem mesmo para a diretora que, após determinado tempo, precisou explicar que todos os candidatos deviam

receber pelo menos um voto para não invalidar a chapa. E assim, passou-se a indicar quem ainda precisava de votos. O clima era de entusiasmo por parte dos pais presentes, que procuravam colaborar com a diretora, atendendo às suas solicitações, e chamando quem passasse por perto para participar da votação. Os professores mantiveram-se nas salas durante todo este movimento. Durante o período em que estivemos na escola, não houve nenhuma convocação de reunião do Conselho Escolar. Meramente pro forma, todas as decisões foram tomadas pela diretora, após ouvir opiniões de alguns professores, principalmente no que diz respeito à aquisição de material permanente e de consumo, tendo em vista que os recursos eram limitados, e deveriam ser aproveitados da melhor forma possível .

Constatou-se que pais e alunos não participaram de nenhum momento de discussão e decisão sobre os projetos da escola. Também não observamos nenhuma ação no sentido de despertar o senso crítico para a participação efetiva nos problemas da escola. Mas um pequeno movimento se produziu, e é interessante registrar que ações pontuais dos pais, no sentido de sua organização e mobilização, evocaram questionamentos entre o grupo e reflexos nas práticas pedagógicas, o que pode possibilitar a construção de espaços para intervir.

De modo geral, observou-se que pais e professores, embora questionando determinados procedimentos, o faziam nas esquinas, não explicitando este descontentamento nos foros de discussão. Mas houve momentos em que a contestação tomou visibilidade, e destacamos dois movimentos: uma professora que questionava a centralização das decisões por parte da diretora, e pais que questionaram as atitudes de um professor com relação a seus filhos. A professora ficou somente quatro meses na escola, e solicitou remoção, argumentando motivos pessoais e principalmente de saúde. Os pais foram tranqüilizados pela diretora, que reafirmou com eles o compromisso da escola com a educação, acrescentando que todos os professores eram competentes e tinham o mesmo compromisso. Ouvindo atentamente as queixas apresentadas, ficou de averiguar a situação e falar com o professor.

Diante de impasses, a comunidade manifestou-se de duas formas: ou denuncia a escola às instâncias superiores, através do serviço disque-denúncia da Secretaria de Educação, ou retira o filho da escola. O posicionamento da direção é de tentar, pela via do diálogo, estabelecer o entendimento, a conciliação. Se isto não for possível, irá buscar amparo nas instâncias jurídicas. O relato de um professor sobre uma situação que envolve as ausências de um aluno ilustra esta situação:

“Aí se encontra uma faca de dois gumes pra quem é gestor da escola. Porque o que acontece? Você vai brigar contra quem, vai brigar com a comunidade? Você acaba tendo que fechar o olho e aí você também ta sendo

um pouco negligente, no que você deveria salvaguardar do direito que seria da criança, né. Mas você sabe que se você fizer qualquer coisa a comunidade toda cai em peso em cima de você, porque ta indo contra, contra uma coisa, sabe? É uma situação delicadíssima. [...] A diretora, ela conversa muito, ela conversa, ela tenta passar, e a gente tem que ir pisando em ovos, pra não, sabe, é como teve um caso, dum aluno meu aqui que teve quase setenta faltas. E eu mandava chamar, mandava chamar, a mãe não vinha, e aí tive que mandar por terceiro, pra ir atrás da, chamar, aí foi que a mãe apareceu. [...] falei que ele provavelmente já pelas faltas, ele não vai; mas a senhora continue mandando, que ele, por lei, tem direito de estar na escola [...] aí deixou vir uns dois ou três dias e tirou, não mandou mais. [...] quando eu falei, ela (a diretora) disse ta vendo, Jacó, como é que é? A gente não pode nem falar com eles, porque numa situação dessas, eu sei. Retiram, e quem se prejudica é o aluno” (Prof. Jacó).

DISCUSSÃO

Este capítulo refere-se à discussão de aspectos relevantes que emergiram com os resultados, e tem no Institucionalismo e na Filosofia da Diferença o suporte teórico- metodológico para compreensão das questões e objetivos propostos nesta tese.

Percorreram-se trilhas construídas nos diferentes momentos de coleta de dados, misturando-as, envolvendo-se, marcando os entrecruzamentos de conceitos e experiências. Procurou-se organizar esta discussão a partir dos agrupamentos e temas propostos, entendendo que esta divisão não divide; é apenas uma tentativa didática para situar algumas questões que atravessam todo o processo.

Traçaram-se estas discussões considerando-se que esta história não se encerra na última linha, não se decifra na primeira leitura. É uma escrita, dentre tantas outras possíveis, que se faz coletivamente, com muitos interlocutores, desde as diferentes vozes presentes na trajetória da pesquisadora, os participantes que a ela se juntaram, no percurso de todo este processo de pesquisa, aos reencontros com os teóricos que desafinam sua lógica, revirando-a pelo avesso.

Benzer Belgeler