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Muhasebe Hesap Planlarının Karşılaştırılması

BÖLÜM 3. KAZAKİSTAN VE TÜRKİYE MUHASEBE SİSTEMLERİNİN

3.2. Muhasebe Hesap Planlarının Karşılaştırılması

As escolas ribeirinhas têm as marcas dos habitantes do local, porque a construíram e nela empregaram sonhos, esperanças. São histórias marcadas por lutas, sonhos, projetos e persistências, objetivando o acesso, permanência e êxito escolar de seus filhos.

Nesta comunidade, a construção da escola deve-se em grande parte às reivindicações dos moradores por melhorias para a comunidade, incidindo primeiramente no atendimento ao Ensino Fundamental. Mesmo que não atenda às necessidades de todos os moradores (oferece apenas o primeiro ciclo do Ensino Fundamental), sinaliza um caminho, abertura para novas conquistas. Ter uma escola na comunidade é muito importante, pois agrega valor social, estreita relações com as outras comunidades, e proporciona segurança e comodidade. Sua importância pode ser dimensionada pelo tamanho da área destinada a esta construção, com expectativas de que seja o primeiro dentre outros estabelecimentos públicos.

Concordando com Côrtes (2004), assinala-se que o espaço escolar é duplamente construído: pelo poder público e por aqueles que o habitam. A inauguração deixa marcas e símbolos que remetem a população a um permanente vincular daquele espaço ao poder que o inaugurou, marcas que vão se apagando na mesma medida em que se apaga o compromisso destes atores das instancias executivas. Aqueles que o habitam vão, cotidianamente, construindo, transformando, adaptando-se às práticas e às realidades sociais. É território prenhe de significações, a começar pela possibilidade de assegurar um direito que por muito tempo foi negado aos trabalhadores rurais.

Há considerações interessantes com relação ao espaço físico, sobre o qual se passa a discutir, iniciando pelo entorno da escola e sua área externa. Descolado da exuberante paisagem natural, o prédio aparece em terreno árido, totalmente descampado, num cenário estático, sem colorido, com feições de abandono. É no mínimo curioso que não haja uma árvore plantada ou um pequeno jardim. Um sinal de que destoa da localidade ribeirinha, como se não fosse parte do lugar. A justificativa pela não utilização do espaço externo envolve a ausência de sombras ou coberturas que pudessem minimizar o impacto dos raios solares, e o fato de a escola não ser murada, o que dificultaria o controle sobre os alunos. De modo geral, as escolas ribeirinhas não possuem muros, e o entorno é espaço de circulação da vizinhança e dos momentos de recreio. O cenário parece se modificar em função desta interface rural-urbano, reterritorializando os agenciamentos. Já não se pode mais deixar os alunos circulando livremente, e a produção da existência envolve maior individualização e menor aproximação escola-comunidade.

Trata-se, aqui, dos espaços, portanto, das visibilidades. Conforme Rocha e Uziel (2008), os agenciamentos concretos que se operam na escola envolvem o visível e o enunciável. A pedagogia refere-se ao enunciável como sendo o regime de linguagem que classifica, ordena e traduz o conhecimento. Já a escola diz respeito ao visível: constitui uma visibilidade, ou seja, é um regime de luz antes de ser um prédio concreto, um dispositivo que mistura programas e máquinas, que não se confundem com os objetos ou as coisas; são formas de luminosidades, “formas de luz que distribuem o claro e o obscuro, o opaco e o transparente, o visto e o não visto, etc.” (DELEUZE, 2006a, p. 64).

O prédio foi idealizado num modelo que difere de outras escolas construídas à mesma época, como proposta de espaço e mobiliário para atender à demanda da Educação Infantil.

Ainda que apresente formato diferente, mantém um padrão estético, que acaba por uniformizar a grande maioria das escolas, obedecendo a um jogo de repetições estéticas que impede a constituição de múltiplos e diferenciados agenciamentos concretos, com seus tons, cores, sabores, que possibilitem a cada escola ter sua própria vida. Um elemento que toma visibilidade é a produção de cartazes, murais e ornamentos pelos agentes institucionais, mas principalmente pela direção da escola, sem a participação discente e menos ainda de outros membros da comunidade. A decoração dos ambientes encena os valores estabelecidos: “educar, socializar, criar, organizar, com liberdade e amizade”. “Estimular compromisso,

dedicação, criatividade e solidariedade”. “Não entre! Não faça..., não, não!”. Como

visibilidade, os cartazes marcam as relações saber-poder. “Cartazes de combinados” que podem derivar de uma atividade de construção de autodisciplina, ou de uma prática burocrática envolta em um autoritarismo disfarçado.

Outro destaque refere-se à conservação do prédio e de seu mobiliário, que visibiliza a situação de abandono e indiferença por parte do poder público. A escola, como patrimônio da comunidade, fica à mercê do clientelismo ou de campanhas solidárias.

As grades evidenciam outra característica que parece atravessar as escolas na atualidade, marcadas por espaços fechados e controlados, separada do “mundo lá fora”, com tempos determinados e obrigatórios para entradas, saídas e permanências. As grades chegaram à comunidade como parte da modernidade urbana. No mundo capitalista, torna-se necessária a proteção do patrimônio, e na escola, fundamentalmente, a proteção dos alunos, sob sua guarda e responsabilidade. “A janela mostrando o mundo, o quadro mostrando o

nada”. Ao ver um aluno que segurava as grades e contemplava o lado de fora enquanto a aula seguia seu curso, a escola nos lembra uma prisão.

Os interiores apresentam a dimensão da vigilância e do controle. Foucault (1988) em seus escritos mostrou como o ambiente físico de uma escola pode servir ao controle do espaço, do tempo e do corpo, à ordenação do comportamento e à frustração dos desejos. Comparou a arquitetura das escolas às prisões, que tem o propósito de instituir o trabalho de vigilância, silenciamento e disciplinarização. Como assinala este autor, é o modo de dar, pela arquitetura, a transparência necessária à gestão do poder, possibilitando produzir uma nova coação, substituindo a força física pela eficácia de uma vigilância suave, sem falha, práticas incorporais de disciplina pela sujeição à norma.

A escola, em sua função de vigiar e disciplinar assemelha-se, portanto, ao pan-óptico, uma engenharia do poder, máquina abstrata imanente a todo campo social (DELEUZE, 1994), instituição perfeita do ponto de vista de seu potencial de vigilância.

Uma das características dessa moldagem é o esquadrinhamento do espaço. Para que o processo disciplinar se dê de forma mais proveitosa e intensa possível, torna-se necessário dividir e subdividir ao máximo, delimitando o espaço de dentro e de fora; e em seu interior outras divisões. Outra característica é a regulação do tempo, de modo a torná-lo inteiramente útil. Isto supõe uma economia do gesto, de maneira que, ao torná-lo mais preciso e rápido, será valorizado, medido em termos de minutos e segundos, e mais tarde quantificado pelos exames. É da técnica do exercício que emerge o corpo natural como objeto de saber, o qual deve ser dócil e disciplinado (FOUCAULT, 1988).

Os espaços têm destinação específica; afinal, o que se quer transmitir e ensinar precisa estar delimitado, ordenado e seqüenciado. É responsabilidade de cada professor conter seus alunos nos espaços previstos para que cada atividade aconteça e para que cada pessoa, encaixada em sua respectiva categoria esteja produzindo. O imprevisível ou aleatório não são bem vistos, geram insegurança e incerteza.

O refeitório é o lugar dos fluxos, onde inevitavelmente todos se cruzam, e também onde o vigiar se inscreve de modo contundente. Seu formato hexagonal, se, por um lado, nos lembra os chapéus de palha, os encontros ao fim de tarde para rodas de conversa, momentos de intimidade coletiva, por outro, guarda esta função estratégica de vigilância e controle, pois por ele se acessam os demais compartimentos. Tal modelo possibilita a quem fica no refeitório uma condição de observar todo o movimento externo e interno, incluindo as salas de aula, quando as portas estão abertas. Como lugar de visibilidades, lá frequentemente se encontram os que estão colocados no lugar de vigia (locais de vigilância precisam de cargos de confiança).

Adia-se o uso deste espaço para realização do que denominam atividades diferenciadas, adia-se a fluidificação, o movimento. Os limites do espaço físico, estabelecidos pelo modo como o utilizam, bloqueiam o recreio, mas isto leva a questionamentos: por que, na escola, as crianças têm necessidade de se re-criar? Por que se produziu a necessidade de um espaçotempo circunscrito?

Mesmo nos momentos de maior circulação e liberdade, é preciso controlar os impulsos do corpo. O corpo em movimento, em sua agitação afetiva e criativa, não é permitido, senão em espaços vigiados e observados, onde o professor evita misturar sua autoridade. Côrtes (2004), numa leitura foucaultiana, salienta que os fluxos tornam-se prisioneiros do olhar vigilante cerceador dos comportamentos que podem fugir aos padrões aceitos como normais, olhar que exige dos corpos ocupar os lugares a eles destinados, um local específico, distribuído cuidadosamente para evitar aglomerados confusos e proximidades indesejadas. Na expressão de Foucault (1988), uma arte das distribuições, normalizando corpos, exercendo práticas de individualização através da cuidadosa distribuição dos indivíduos no espaço e no tempo, distribuição que produz certa posição de sujeito, que os identifica enquanto grupo e enquanto indivíduos; máquina de fabricar subjetividades submissas.

Esta arte da distribuição se confere na organização das salas de aula aos moldes tradicionais, nas carteiras dispostas em fila, voltadas para a mesa do professor e para a lousa. O território do saber-poder marca as relações instituídas entre aquele que sabe e aqueles que não sabem; entre os que podem e os que devem falar apenas quando solicitados. E ainda nos uniformes, compondo o espaço e o controle. Como o nome diz, servem para uniformizar os corpos, torná-los todos “iguais”, e impedir a manifestação das diferenças.

Chama atenção a distribuição dos turnos e horários. Alegando contemplar o critério demanda, instituiu-se uma significativa redução no tempo de escolaridade e no descanso de um professor em particular, que ministrava aulas nos três turnos. Entendemos que demandas são produzidas em função de necessidades também produzidas. Assim, questiona-se a que necessidades objetivam atender.

2.1. As picadas por onde escapa...

As normas para o uso dos compartimentos criados, são rígidas e restritivas quanto a determinados aspectos, como, por exemplo, a higiene na cozinha, ou o controle das chaves do almoxarifado e da diretoria, mas não tão rígidas a ponto de impossibilitar que linhas moleculares se rizomatizem, e que sobrevenham formas sutis de transgressão. Há fluxos

distintos às imposições do poder hegemônico e uma miríade de pequenos poderes que atravessam o cotidiano, que fogem às linhas molares.

A sala da diretoria é o espaço da burocracia, e também das conversas mais íntimas, quando se necessita um cantinho reservado, e também das consultas a correspondências eletrônicas ou de elaboração de um material qualquer, pois lá se localiza o único computador da escola, e também dos aparelhos de ar condicionado que chegaram durante o mês de setembro, pouco antes das eleições, mas não foram instalados até o mês de maio do ano seguinte, e também espaço que se articula oposição aos candidatos indicados/exigidos pela gestão administrativa superior...

Uma administração que é preenchida por documentos e curtos prazos, mas se pode prover arranjos para dilatação dos mesmos. Entre matrículas, históricos, declarações e notas fiscais, há o apoio, o acolhimento a alunos e pais, as parcerias com lutas da/na escola- comunidade.

Os uniformes cedidos e exigidos pelo poder público municipal não impedem a entrada de um aluno quando não os utiliza. O chinelo de dedos e sandálias desgastadas, às vezes bem maiores que os pés que as carregam, compõem este uniforme.

Há poucos lugares reservados e como não há sala de professores, cada um reivindica como seu o espaço que ocupa. Mas é preciso dividi-lo com outro colega e o refeitório se faz ponte que atravessa portas.

Há recomendações para que os alunos não faltem ou cheguem atrasados, mas não há impedimento de sua entrada, principalmente por parte da direção. O importante é assegurar ao aluno estar na escola e dela tirar o melhor proveito; deve-se conquistar o aluno para que ele possa gostar de estar lá, impedi-lo de entrar seria opor-se a esta meta.

Não há exigência de filas, não há forma para cantar o hino nacional. Não há classe especial, afinal, de um modo ou de outro, todos já estão incluídos. São linhas que ampliam as fendas dos padrões e, ainda que sob alguns questionamentos, podem privilegiar outras possibilidades.

O controle também não bloqueia o café, espaço de encontro, de troca, de cumplicidade, de conforto e de apoio, em que se está para respirar, reclamar, chorar, falar mal de tudo e de todos, exorcizar demônios e voltar mais fortalecido para o dever, para o trabalho. Diálogos que produzem ações, silêncios, outros diálogos. Momento constitutivo em dispositivo analisador.

Benzer Belgeler