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Tebligatın Yapılması

C. Rapor ve Kesin Hesabın Sonuçlandırılması

IV. Tebligatın Yapılması

Em face da complexidade da execução penal, que busca punir os transgressores, proteger a sociedade e contribuir para a reinserção social do apenado, já não é possível atingir todos os objetivos preconizados em lei (e esperados pela sociedade) sem a interferência direta de órgãos internos e externos que agem entre si. Portanto, a qualidade do trabalho a ser desenvolvido no interior dos estabelecimentos penais depende, também, da intervenção de uma série de outras instituições externas que, juntas, agem em busca de um objetivo comum.

Nesse bojo, além das instituições diretamente ligadas ao sistema penitenciário, temos ainda as instituições reguladoras, políticas e externas.

144 CABRAL, Sandro. “Além das Grades”: uma análise comparada das modalidades de gestão do sistema

4.4.1. Instituições Reguladoras

As instituições reguladoras são representadas pelo CNPCP, DEPEN e Conselhos Penitenciários.

O Departamento Penitenciário Nacional – DEPEN – é o órgão superior de controle vinculado ao Ministério da Justiça, destinado a acompanhar e zelar pela fiel aplicação da Lei de Execução Penal e das diretrizes emanadas do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – CNPCP. Tem como finalidade especial viabilizar condições, para que se possa implantar um ordenamento administrativo e técnico convergente ao desenvolvimento da política penitenciária nacional e, além disso, é também o órgão gestor do Fundo Penitenciário Nacional, constituído com a finalidade de proporcionar recursos e meios para financiar e apoiar as atividades de modernidade e aprimoramento do sistema prisional brasileiro. Hoje, é também responsável pela coordenação e controle dos estabelecimentos penais federais.

O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – CNPCP - é órgão colegiado do Ministério da Justiça, consultivo e fiscalizador, que tem por escopo sugerir diretrizes para implementação de novas políticas penitenciárias, inspecionar e fiscalizar os estabelecimentos penais no país, com vistas ao aperfeiçoamento do processo de execução penal. É também competência do CNPCP representar ao juiz da execução ou à autoridade administrativa pela instauração de sindicância ou processo administrativo em caso de violação das normas de execução penal, bem como, se for o caso, de representar pela interdição, no todo ou em parte, de estabelecimento penal. O CNPCP é apoiado administrativa e financeiramente pelo DEPEN.

O Conselho Penitenciário reproduz, nos Estados, estrutura e finalidades semelhantes ao seu correspondente no plano nacional, a quem tem a obrigação de enviar relatórios anuais a respeito dos trabalhos desenvolvidos no exercício anterior. Possui, portanto, funções

consultivas e fiscalizadoras e é também responsável pela emissão de pareceres de indulto, comutação de pena e livramento condicional.

4.4.2. Instituições Políticas

São representadas pelo Poder Legislativo e Executivo.

O Poder Legislativo, representado pelo Senado Federal e Câmara dos Deputados no plano nacional e as Assembléias Legislativas, no plano estadual, abrigam em seus meios políticos de diversas matizes, incluindo os que navegam na corrente do direito penal máximo, do movimento lei e ordem, bem como defensores do direito penal mínimo, do garantismo penal, podendo abrigar, inclusive, adeptos do abolicionismo penal.

Ocorre que, pressionados pela mídia e influenciados pela opinião pública, a maioria dos políticos prefere o discurso simples do endurecimento das penas, desenvolvendo a idéia, que atende aos anseios de grande parte da população, de que todo castigo é pouco para o criminoso, esquecendo-se de apresentar soluções pró-cárcere e que venham a contribuir efetivamente, com a ressocialização do recluso.

É bem verdade que o Poder Legislativo vem contribuindo, ultimamente, com a discussão sobre o cárcere, principalmente com as comissões de direitos humanos e, eventualmente, com comissões parlamentares de inquérito, denunciando as más condições dos estabelecimentos penais e recomendando uma série de reformas, algumas úteis e outras de pouca pertinência, visto que dissociadas da realidade.

O mais curioso, contudo, é que já se sabe que, em regra, os estabelecimentos penais no país não vêm cumprindo as suas funções básicas de reinserção social, porém, a despeito disso, pouquíssima coisa mudou, inclusive no plano legislativo, o que, em última análise, contribui para o agravamento da crise penitenciária nacional.

É importante ressaltar que, além das inspeções, denúncias e do trabalho das comissões de investigação, o papel do Legislativo é de fundamental importância no equilíbrio do sistema prisional, cabendo-lhe, por exemplo, aprovar projetos e liberação de verbas para reforma e construção de unidades prisionais, o que pode minimizar o quadro de mazelas que hoje enfrentamos em Rondônia e no Brasil.

O Poder Executivo é outra instituição política com forte poder de influência na evolução ou involução do sistema prisional, destacando-se que lhe cabe administrá-lo. Assim, de acordo com os atores lotados nos cargos de comando e as decisões políticas adotadas, refratárias ou susceptíveis aos pleitos encaminhados, teremos avanços ou retrocessos.

Há de se lembrar também que, em regra, os que ocupam os cargos de comando do Poder Executivo são políticos e, por isso mesmo, vinculam-se às pressões de seu eleitorado que, por vezes, encontra-se influenciado pela mídia, findando por acolher posições que nem sempre são vantajosas para a melhora efetiva do sistema prisional. Portanto, sem o compromisso político dos governantes com a causa da melhoria e evolução da execução penal garantindo aos presos os regramentos previstos em lei, mesmo com empenho e dedicação de membros do Poder Judiciário, as soluções do problema serão muito difíceis. Daí, também, a importância de campanhas esclarecedoras sobre os direitos do preso, sobre as condições a que estão sendo submetidos e, mais importante ainda, sobre as vantagens sociais de se recuperar um criminoso.

4.4.3. Instituições Externas

Diversas instituições externas, geralmente vinculadas à defesa dos direitos humanos, exercem importante influência entre os gestores do sistema prisional, destacando, dentre elas,

a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidades religiosas, Organizações Não- Governamentais (ONG’s) etc.

Organizações classistas como a OAB, ONG’s como Anistia Internacional, Humans Right Watch, Justiça Global e organismos multilaterais como a Organização das Nações

Unidas (ONU) e Organização dos Estados Americanos (OEA) possuem forte poder de influência nos caminhos a serem seguidos nos programas políticos adotados em termos de execução penal.

A OAB, por exemplo, pode contribuir com a fiscalização e controle das atividades desenvolvidas nos presídios. Além disso, pode participar de mutirões, acelerando a concessão de benefícios e regularizando a vida prisional de muitos reclusos.

Sindicatos podem também contribuir para a evolução do sistema. Cita-se, como exemplo, o Sindicato de Agentes Penitenciários que pode orientar o Juízo, promovendo denúncias sobre as más condições a que ficam expostos os presos e os próprios agentes.

Outra importante instituição externa são os grupamentos religiosos, de grande aceitação entre os encarcerados, responsáveis pela mitigação de diversos problemas no interior das prisões, aliviando tensões e propiciando expectativa positiva de ressocialização. Embora se veja, atualmente, forte influência de cultos evangélicos no interior dos presídios, não se pode olvidar a importância da Pastoral Carcerária, ligada à Igreja Católica, precursora na luta e defesa dos encarcerados.

Benzer Belgeler