C- TCK’da yer alan bilişimle ilgili diğer suçlar
1. TCK’nın 135 maddesi “Kişisel verilerin kaydedilmesi suçu”
Na subseção anterior, ao discorrermos sobre a hipótese do modelo causal aqui adotada, comentamos também sobre o desenho da amostra e o tamanho que ela deveria ter, na medida em que estes aspectos representam parte integrante do modelo em si. Nessa presente seção vamos mencionar os passos seguidos para a montagem da nossa amostra, e como ficou a sua estrutura final antes de irmos à campo.
Para a seleção aleatória do grupo do experimento (30 casos) que deveria compor a amostra, seria fundamental o acesso aos cadastros dos participantes desses projetos.
No caso do Projeto Olímpico, o acesso ao cadastro não foi tão imediato e encontramos resistência junto à equipe do projeto, muito embora já tivéssemos autorização da coordenação do Programa Social da Mangueira para conhecer os projetos. A principal alegação era de que os dados eram sigilosos.
.... mas você não vai poder ter acesso ao Cadastro dos Participantes. Assim, se você chega em um banco e pede para ter acesso ao cadastro dos clientes, o banco não vai autorizar. Da mesma forma, se alguém chega na minha academia de ginástica e pede o número do meu celular, a secretária é orientada a dizer que até tem o número, porém não tem permissão para dá-lo a terceiros. Eu mesma, por exemplo, quando fiz uma pesquisa para a faculdade, eu entrevistava aleatoriamente os alunos que encontrava na academia – e isto eu podia fazer porque tinha autorização da academia para poder estar realizando aquela pesquisa lá. ... Isto você pode fazer aqui a vontade. Outra coisa que você poderia fazer seria pedir a cada professor para escolher aleatoriamente alguns alunos para você entrevistar...
(Entrevista com a coordenação do Projeto Olímpico, em 30/01/2003)
Obviamente se aceitássemos esta sugestão - de seleção “aleatória” feita pelo professor - estaríamos incorrendo em viés de seleção (dos casos) de segunda ordem. Ademais, devemos ressaltar que este temor da avaliação não é específico do Projeto Olímpico da Mangueira; podemos dizer que ele é generalizado nos projetos sociais, públicos e privados, desenvolvidos no Brasil.
Frente a essa negativa, partimos para analisar a possibilidade de consulta do Cadastro dos Agentes Comunitários de Saúde da Mangueira e também do Cadastro do Censo Demográfico 2000, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em ambas as alternativas, a pesquisa de campo seria bem mais trabalhosa, pois, além das dificuldades inerentes ao acesso a estas bases, não teríamos a indicação do domicílio em que haveria um participante dos projetos sociais.
Finalmente, fomos informados pela direção do Programa Social da Mangueira de que o cadastro dos participantes do Projeto Olímpico – 2002 havia sido enviado recentemente à
Xerox. Quando solicitado, Monteiro, diretor do Instituto Xerox, prontamente nos cedeu o arquivo.
Na realidade, aquele fora o primeiro cadastro de participantes do Projeto Olímpico que a equipe gestora do Projeto havia enviado para o Instituto Xerox. Até então, as informações vinham em formato agregado. Com base nas entrevistas que fizemos, vimos que os registros do cadastro diziam respeito sobretudo aos participantes do Projeto em 200171.
Essa dificuldade de acesso ao cadastro dos participantes do Projeto Olímpico serviu para elucidar um importante aspecto na condução do projeto social em questão. Quem, de fato, detém o controle das informações referentes ao projeto não é a empresa que o financia, mas sim a organização social que o executa.
Já no que se refere ao projeto CAMP, o coordenador do projeto na Mangueira nos permitiu a consulta à base do cadastro. Pudemos obter, assim, as listagens com os adolescentes matriculados em 2001, que foram as turmas 36 e 37 do CAMP.
Examinando os cadastros recebidos destes projetos sociais, verificamos que foram 1.307 participantes do Projeto Olímpico e 502 participantes do Projeto CAMP. De modo que a amostra pudesse refletir a composição desse universo de participantes (considerado a soma dos participantes dos dois cadastros), adotamos, para a amostra, os mesmos percentuais de participantes por projeto / modalidade esportiva verificados no universo dos cadastros. Seguiu daí que, dos 30 casos da amostra referentes ao grupo do experimento, 22 deveriam ser de participantes do Projeto Olímpico e 8 do Projeto CAMP. O quadro 22 descreve a composição de participantes que a nossa amostra deveria ter.
71 No arquivo que recebemos com os participantes do Projeto Olímpico não havia referência ao ano em que o participante havia cursado determinada modalidade esportiva. Pelas entrevistas que fizemos, percebemos que
Quadro 22 – Projeto Olímpico e Projeto CAMP: composição da amostra de participantes, por projeto e modalidade esportiva, 2001
Projeto / Modalidades Nº de atletas Percentual (%) Amostra
(cadastros) Proj. Olímpico Atletismo 118 6,5 2 Basquete F. 332 18,4 6 Futebol M. 420 23,2 7 Futsal M. 285 15,8 5 GRD F. 27 1,5 0 Natação 125 6,9 2 Subtotal 1307 72,2 22 Proj. CAMP 502 27,8 8 Total 1809 100,0 30
Fonte: Pesquisa de campo
Para termos a garantia de que conseguiríamos efetivamente localizar os 30 participantes selecionados, e com a condição de que eles fossem todos moradores da Mangueira, fizemos a seleção aleatória com uma razoável folga. Importante destacar que, no cadastro do Projeto Olímpico, o endereço só mencionava a rua em que o participante morava, sem referência ao bairro, o que evidencia, como havíamos comentado anteriormente, a não preocupação do projeto em focalizar a sua ação nos moradores da Mangueira. Ao todo, foram 66 selecionados no Projeto Olímpico (guardadas as proporções apuradas do quadro 22) e 32 no Projeto CAMP72 – a intenção era ir realizando as entrevistas seguindo a ordem de geração dos números aleatórios, que fizemos associar ao nome de cada participante nos cadastros.
No que se refere à composição da amostra referente ao grupo de controle, e como havíamos mencionado na subseção anterior, ela deveria ser constituída a partir de indicação dos participantes, guardados os requisitos de idade, sexo e local de residência.
predominava o ano de 2001. Teve caso, porém, em que o participante havia feito a referida modalidade em 1998; e outro caso, por exemplo, em que o participante havia apenas feito a inscrição em 2001, sem fazer o curso. 72 A folga foi maior no Projeto CAMP do que no Projeto Olímpico pois, como do seu cadastro constava o bairro em que o participante morava, percebemos, de imediato, que havia uma proporção muito grande de não-