BECERİ TEMELLİ TEST - 3 GÜÇ
2. TBMM ile İtilaf Devletleri arasında imzalanan Mudanya Ateşkes Antlaşması’na göre,
Outra preocupação relativa aos nossos estudos é a questão da associação entre o Estado e a nação. Obviamente sendo a comunicação pública on line levada a efeito por agentes do Estado e dirigida à nação, esta relação tem a ver com a formatação, conteúdo, uso das técnicas, enfim, a essência da comunicação pública on line está diretamente ligada ao relacionamento do Estado, que a produz, com a nação, a quem é destinada. Em Modernidade
Líquida (BAUMAN, 2001), o autor expõe a crise atual que está distanciando o Estado da nação. A associação tem sido desfeita a partir do século XXI, já não se configurando mais, como nos séculos anteriores, como sendo o Estado e a nação faces da mesma moeda, uma vez que:
Sob as novas condições, a nação tem pouco a ganhar com sua proximidade do Estado. O Estado pode não esperar muito do potencial mobilizador da nação de que ele precisa cada vez menos, à medida que os massivos exércitos de conscritos, reunidos pelo frenesi patriótico febrilmente estimulado, são substituídos pelas unidades high-tech elitistas, secas e profissionais, enquanto a riqueza do país é medida, não tanto pela qualidade, quantidade e moral de sua força de trabalho, quanto pela atração que o país exerce sobre as forças friamente mercenárias do capital global (Ibid., 2001).
Na percepção de Zygmunt Bauman, houve um rompimento da associação histórica entre Estado e Nação, que está resultando em significativas modificações até mesmo do ponto de vista institucional. O poder do Estado estaria sendo sucessivamente enfraquecido pelos novos poderes globais. O Estado, nas condições atuais, não responde às demandas da nação, mas sim às demandas desse poder global que não admite, de modo algum, que a ação do Estado privilegie a nação ao invés dele. Há uma relação conjunta dos poderes globais em direção ao enquadramento dos Estados que se encontram por ora dissociados da nação. Esta constante fragilização da associação entre Estado-nação seria uma estratégia de dominação do poder global, pois, por esta lógica, quanto mais distanciados Estado-nação, mais facilmente impera o poder arbitrário das elites globais. Eric Hobsbawn, segundo Baumann (2001, p. 219), já havia observado que para as multinacionais, isto é, “empresas globais com interesses e compromissos locais dispersos e cambiantes, o ‘mundo ideal’ é um mundo sem Estados, ou pelo menos com pequenos e não grandes Estados”.
Em vez de cerrar fileiras na guerra contra a incerteza, praticamente todos os agentes institucionalizados eficientes de ação coletiva juntam-se ao coro neoliberal para louvar como ‘estado natural da humanidade’ as ‘forças livres do mercado’ e o livre comércio, fontes primordiais da incerteza existencial, e insistem na mensagem de deixar livres as finanças e o capital, abandonando todas as tentativas de frear ou regular os seus movimentos, não é uma opção política entre outras, mas um ditame da razão e uma necessidade. Com efeito Pierre Bourdieu definiu recentemente as teorias e práticas neoliberais essencialmente como um programa para destruir as estruturas coletivas capazes de resistir à lógica do ‘mercado puro’ (BAUMAN, 2001, p. 36).
Os poderes globais têm logrado tanto êxito neste propósito de minar o princípio de soberania nacional, que não se sentem de forma alguma ameaçados pela possibilidade de que venha a ser organizada uma ordem supranacional capaz de detê-los, algo como “um sistema político global de freios e contrapesos para limitar e regular as forças econômicas globais” (Ibid., p. 220). Estão sendo desintegradas muitas redes sociais, desmanteladas as ações coletivas e de capacidade de pressão dos agentes que tenham algum tipo de ação na esfera pública; nesse sentido, quais seriam os interesses, na condição atual, de os governantes
abrirem espaços, sejam eles quais forem, para uma real participação popular? Estariam dispostos a utilizar o potencial das novas tecnologias de comunicação para emancipação da nação? Neste cenário, e mais relacionado à nossa pesquisa empírica, o que podemos esperar que esteja ocorrendo com a comunicação publica on line? Para Bauman, a probabilidade de os governantes estarem focados em solucionar os problemas que martirizam parte expressiva da população do planeta, tais como a fome, a miséria, a pobreza e a exclusão, assim como a probabilidade de abrir espaços para o debate público sobre estas e quaisquer outras questões, é cada vez mais remota por ser a desintegração social a principal tática da nova técnica do poder global que tenta lançar seus tentáculos sobre todas aquelas partes do planeta que lhe interessam por algum motivo. Ainda, seguindo a linha de raciocínio de Bauman, uma característica da chamada modernidade líquida é o desaparecimento de espaços sociais por onde fluam buscas em prol dos interesses coletivos. O espaço público está cada vez mais vazio:
esvazia-se rapidamente devido à deserção de ambos os lados: a retirada do ‘cidadão interessado’ e a fuga do poder real para um território que, por tudo que as instituições democráticas existentes são capazes de realizar, só pode ser descrito como ‘um espaço cósmico’ (BAUMAN, 2001, p. 49).
A deserção por parte do cidadão é inerente ao processo de individualização também desencadeado dentro deste cenário da globalização e, igualmente, com fins específicos para atender a nova ordem. A modernidade líquida potencializa mais e mais a ilusão de que os indivíduos possuem em suas mãos as soluções para os seus problemas. É uma ilusão, segundo Bauman, porque não há soluções biográficas para problemas sistêmicos. Esta individualização agrava o que Tocqueville já havia detectado, ou seja, que o “indivíduo é o pior inimigo do cidadão’ (Ibid., p.45). O bem-estar individual é colocado sempre à frente de todo e qualquer bem-estar coletivo. Criam-se barreiras para o envolvimento em causas coletivas, em causas comuns. Abre-se cada vez mais um fosso entre as necessidades individuais e as necessidades coletivas. Como ocorreu na modernidade líquida, o enfraquecimento do sentimento de pertencimento de classe, a busca por uma sociedade mais justa torna-se algo sem sentido para a maioria dos indivíduos, até mesmo para os mais empobrecidos. A ação coletiva orientada pela classe vai perdendo cada vez mais terreno. As classes são também espaços sociais e como tal vão perdendo cada vez mais terreno. Resta então cada um por si buscar soluções para os problemas produzidos socialmente.
Sem a crença num destino e propósitos coletivos do todo social são os indivíduos que devem, cada um por si, dar sentido à vida. Tarefa que já não era fácil nos melhores tempos, torna-se verdadeiramente desanimadora quando nenhum sentido pode contar com o apoio seguro – pelo menos não o bastante para sobreviver ao esforço da própria adoção. (Ibid., p. 76).
Para Bauman, o indivíduo e o cidadão enxergam o espaço público de forma diferenciada. Para o indivíduo, o espaço público é o locus em que suas aflições e desesperos são, de alguma maneira, projetados e refletidos. Nada, além disso, uma vez que os indivíduos não veem esse espaço como um local onde seja possível vencer o seu isolamento, seu desligamento de projetos coletivos. Se, por um lado, o indivíduo não consegue formar qualidades coletivas, por sua vez, o espaço público cada vez menos o capacita para tal. Já o cidadão vê o espaço público como o locus em que os interesses coletivos são continuamente redefinidos, reconstruídos em razão dos embates e dos diálogos que os vão dotando cada vez mais com capacidade para ocupar-se do bem comum. O cidadão vê o espaço público como um lugar onde lhe é oferecida a condição de aprendizado, aquisição da capacidade de entender que a ordem social é mutável graças ao engajamento em projetos coletivos.
Obviamente, esta situação vai influenciar diretamente no conteúdo e forma da comunicação pública on line. Os portais oficiais se constituiriam em importantes espaços públicos onde seria possível a realização de todas as aspirações do cidadão: do adquirir conhecimentos para os debates, do se informar sobre as coisas do Estado, do se aperfeiçoar e de debater. Mas como tornar isso possível visto que “o espaço público deixou de desempenhar sua antiga função de lugar de encontro e diálogo sobre problemas privados e questões públicas?” (BAUMAN, 2001, p. 50). A dificuldade de constituição de um espaço público, de fato, e a existência de uma cidadania mutilada pela exclusão social e política, de pronto nos remete à possibilidade de que a comunicação pública on line esteja desprovida de qualquer sentido neste momento. Então, por quais motivos estudá-la? A indagação nos remete a outro pensador, este brasileiro: Celso Furtado. No início da década de 2000, uma de suas indagações mais relevantes era saber quais eram os caminhos para o enfrentamento deste quadro, para que as forças sociais ocupassem os espaços na arena política, para que participassem de fato da luta política. Até seus últimos escritos, Furtado mantém-se convencido de que a história é um processo aberto e que os poderes globais, assim denominados por Bauman, tinham de ser enfrentados. Se há no momento impossibilidade de enfrentamento, é preciso preparar o terreno para que as novas gerações sejam capazes de enfrentar politicamente os dilemas da fragilização do Estado-nação. Necessário se faz abrir os olhos daqueles que, ainda maravilhados com a potencialidade das novas tecnologias, não
enxergam o abismo social que está sendo dilatado, potencializado ao máximo. E, por último, usamos o argumento de Trivinho para justificar nossos estudos. Pretende-se colaborar para contextualizar a,
falácia dos discursos e linguagens doravante vinculados a essa emergente cantilena sociotecnológica e proselitista planetária, o ciberufanismo neo-iluminista (sem mais atmosfera senão o de sua própria subjetivação do mundo), neo-humanista (idem, quando não trans-humanista, inconsciente da inocência estratégica e política de seu próprio discurso), funcionalista tardio e pragmático-utilitário, não raro de tipo místico, a um só tempo neo positivista (tão teleológico e universalista quanto qualquer religião, insuflada pelo desejo de totalidade (sempre pateticamente perigoso), acadêmico ou não, cantilena que, em osmose com as necessidades de reprodução social-histórica do multicapitalismo cibernético e tendo eleito a rede como fonte principal de sua sobrevivência simbólica e imaginária, tem, há tempos, prestado enorme desserviço intelectual à história do pensamento, em detrimento, obviamente, da afirmação de um modelo consistente de universidade - inegavelmente ainda o principal lócus da produção social de conhecimento - em tensão produtiva com as estruturas e tendências tecnoculturais hodiernas. (TRIVINHO, 2007, p. 28).
Diante deste quadro, entendemos importante estudar em que aspectos os problemas expostos refletem na comunicação pública. O corte para a comunicação pública on line justifica-se por ser este o tipo de comunicação que se encontra em melhores condições de proporcionar avanços no relacionamento do Estado com a nação, pelas características já enumeradas, principalmente por ser o único meio de comunicação massivo com possibilidade de interatividade em tempo real. Também, é bom lembrar que o governo consome uma soma de recursos consideráveis visando à eficiência da comunicação e em específico da comunicação on line. Sendo assim, é de imaginar que otimize seus recursos, o que saberemos se está ocorrendo após análise dos resultados.
Para sistematizar a pesquisa empírica, no entanto, é necessário limitar alguns parâmetros desta observação. Como foi dito, analisaremos este material a partir da visão de participação nos modelos teóricos de democracia: liberal, participativa e deliberativa, pelas razões já expostas. Para melhor compreensão da análise, é oportuno recordar a origem de cada modelo e seus principais pressupostos, e também alguns de seus teóricos, mesmo que façamos de uma forma sucinta, resumida, facilitando o entendimento dos parâmetros adotados. É o que faremos nos próximos itens. Vamos enumerar princípios e noções acerca da participação política que seriam fundamentais para cada uma das correntes. O objetivo ao traçar um quadro sucinto dos requisitos de cada modelo é o de criar, em seguida, uma espécie de índice de participação política que guiará a execução da análise empírica, isto é, da pesquisa acerca das possibilidades de participação propiciadas pelos portais institucionais estudados.