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F o n t e : B a s e C a r t o g r á f i c a d o I B G E , 2 0 0 7 . C o m p a n h i a H i d r o e l é t r i c a d o V a l e d o S ã o F r a n c i s c o - C HESF. Estados do Nordeste Linha 2 N São Luis Coelho Neto Presidente Dutra Eliseu Martins Picos São José do Piauí

Piripiri Juazeiro (Sobradinho) Recife Ribeirão Tacaimbó Maceió Penedo Itabaiana Coremas Bom Nome Icó Fortaleza Caucaia Quixadá Tauá Sobral

Canindé de São Francisco(Xingo) Mossoró

Açu

Santana do Matos Natal Teresina

Guadalupe (Boa Esperança)

Petrolandia Angelim Paulo Afonso Miranda do Norte Piritoró Russas Campina Grande Currais Novos Banabuiú Linha 3 Linha 4 Milagres Represa Estação Municípios do Nordeste

A atuação dos governos dos “coronéis” foi decisiva para a aceleração econômica no Ceará e por uma virada na dinamização produtiva em direção às exigências modernas, pois líderes como Virgílio Távora compreendiam a fragilização das elites cearenses em função de estarem dependentes de atividades agrícolas tradicionais, num território de grande incidência de secas. Essa postura confirma o que foi dito por Gondim (1998) acerca da inadequação do termo “coronelismo”, ou “neocoronelismo”, para definir as lideranças políticas cearenses antecessoras aos governos influenciados pelas propostas do CIC: “a ascensão ao poder de um grupo de empresários liderados por Tasso Jereissati não significou o fim do coronelismo, pois este já estava, senão extinto, pelo menos moribundo” (GONDIM, 1998, p. 28).

Na verdade, tanto Virgílio Távora, como Adauto Bezerra e César Cals, os governadores da década de 1970, tinham as patentes de coronéis do Exército brasileiro, o que facilitou o uso freqüente do “jogo de palavras”. Entretanto, o que era sintomático enquanto prática política entre os governadores citados não era o coronelismo, no sentido teórico usado neste trabalho, mas a

persistência de relações clientelistas e a vigência de um patrimonialismo burocrático, isto é, uma forma de dominação política por um determinado estrato social cujo poder não deriva de sua posição no sistema de propriedade e prestígio social, mas do seu controle sobre o aparelho do Estado, que é visto como um patrimônio a ser explorado (SCHWARTZMAN24 apud GONDIM, 1998, p. 28)25.

Um elemento relevante e definidor dos quadros de transformação, no entanto, deve ser notificado. Nos governos do “ciclo dos coronéis”, a intencionalidade das transformações de corte urbano-industrial e capitalista era evidente, mas a forma como se configurou a política e suas práticas, um produto do velho jeito de alinhar as relações de poder no estado, perdeu os rumos do próprio projeto de acumulação que criou, na medida em que as dinâmicas implementadas assumiram uma proporção que exigiu forte renovação administrativa sincronizada com os ritmos de uma plena economia de mercado.

Entre os dividendos da modernização econômica e do território, estava a dívida pública acumulada com a obtenção de recursos necessários para a realização da reestruturação citada. O déficit acumulado pelo estado em função dos inúmeros financiamentos concedidos à propriedade privada, somado as obrigações para a

24 SCHWARTZMAN, Simon. Bases do autoritarismo brasileiro. Rio de Janeiro: Campus, 1982.

25

Neste caso, é preciso reiterar acerca das diferenças entre os conceitos de coronelismo e clientelismo. Como informa Gondim (1998, p. 27), “embora o fenômeno clientelista seja um dos traços constitutivos do coronelismo, não o esgota, nem se esgota nele. O coronelismo é um compromisso entre o poder público e uma ordem privada caracterizada, fundamentalmente, pelo exercício do poder pessoal dos ‘notáveis’ locais, permeado por relações afetivas e, ao mesmo tempo, violentas. Já o clientelismo ‘moderno’ constitui um mecanismo de cooptação política baseado na utilização de recursos do patrimônio público para fins privados dos detentores do poder, onde as relações entre o(s) patrono(s) e sua(s) clientela(s) assumem um caráter acentuadamente mercantil”.

manutenção de um custo altíssimo com a contratação de funcionários, tudo isso em pleno contexto de endividamento externo brasileiro para com os capitais multinacionais, resultou em crise de legitimação do poder dos “coronéis” (MENELEU NETO, 2000). Como a instabilidade política se tornou mais aguda e os próprios “coronéis” não conseguiam garantir a reprodução do seu poder, uma nova elite percebeu que era preciso renovar os instrumentos políticos e criar um quadro favorável para um aumento de acumulação que pudesse atender às demandas crescentes do capitalismo local.

Mas essa transição de poderes, num momento de efervescência política nacional e estadual, se deu de maneira relativamente gradativa e com a participação de diferentes agentes sociais e políticos cearenses, agentes estes não necessariamente convergentes no que correspondia ao projeto socioeconômico desejado para o estado. Como aponta Costa (2005), nem mesmo a burguesia local dispôs de um programa único a conduzir os rumos da mudança e frações dessa classe situaram-se em diferentes posições no encaminhamento das propostas.

Todavia, mesmo considerando a importância de entidades como a FIEC para a

materialização das mudanças em discussão26, esta é conduzida por uma fração empresarial

emergente, “identificada com a linha do empresariado nacional que se colocava contra o Estado-produtor consolidado durante o regime militar” (COSTA, 2005, p. 160). É neste contexto que os empresários-políticos, provenientes do CIC, descobriram novas formas de se afirmarem publicamente no intuito de legitimarem seus interesses eleitorais.

Essa legitimação se deu na esteira de uma maior demanda de mudanças sociais e políticas por parte da população e estes empresários, se posicionando contra a ditadura militar e assessorados por técnicos, cientistas políticos e profissionais ligados à comunicação, se apresentaram como únicos interessados em oferecer respostas a tais demandas (COSTA, 2005).

Os interesses sociais de mudança, manifestados no cenário político e eleitoral, já havia se tornado patente com a eleição para a Prefeitura de Fortaleza em 1985 de Maria Luíza Fontenele, cuja filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT) e a proposta de uma “administração popular”, sugeriam transformações. No entanto, a gestão petista não logrou sucesso e a acusação de inépcia administrativa por parte das elites, das classes médias e dos próprios movimentos sociais implicou em desgaste desse grupo político (CARVALHO, 1999; PARENTE, 2000 e GONDIM, 1998).

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É Costa (2005) quem descreve com detalhes a importância da FIEC e de seu então presidente, José Flávio Costa Lima, na elaboração de diferentes propostas de modernização para a realidade econômica e política do estado no fim da década de 1970. Além disso, informa a autora, que Flávio Costa contribuiu deveras para a própria formação do grupo do CIC, dando-lhes apoio logístico e político. Sobre essas questões ver especialmente o capítulo IV.

Para Tasso Jereissati, esse foi o momento oportuno de legitimação do ideário do CIC como bandeira de transformação política no Ceará:

Eu acho que a Maria Luíza nos deu esse espaço, porque ela ganhou e desperdiçou. A vitória da Maria Luíza significava que a população cearense estava muito adiante das suas elites. E confessando com toda sinceridade, nós não acreditávamos que aquilo era possível; no entanto, a população cearense já vinha dando sinais disso, que não era mais o voto de cabresto, voto de curral (Entrevista a Tasso Jereissati in: CIC27 apud COSTA, 2005, p. 159).

Nas palavras do empresário, a iniciativa da transformação técnica e burocrática encaminhada nas gestões dos governos pós-1986 aparece sempre nos termos de uma ruptura. É preciso evidenciar, entretanto, que a luta pela hegemonia na elite empresarial cearense não configurava uma plena rivalidade entre o grupo que se auto-considerava moderno e os empresários tradicionais. As diferenças eram, sobretudo, circunstanciais, na medida em que defendiam um projeto burguês de valorização industrial pautado no dinamismo econômico e na atração de investimentos.

Mas, não podemos deixar de reconhecer, o grupo proveniente do renovado CIC estava mais disposto a superar tradicionais entraves políticos em função de uma rápida escalada para o crescimento econômico. Em nome disso, incorporavam novas estratégias econômicas e políticas mais rapidamente, principalmente ao configurar um projeto de clara modernização capitalista, com destaque para a acelerada acumulação industrial com base nos preceitos de uma forte competitividade nacional e internacional.

Antes de descrever com mais detalhes os mecanismo que foram utilizados para consolidar esse projeto, é necessário esclarecer em quais premissas econômicas se fundamentavam esse novo grupo burguês. Os seus mais importantes pilares ideológicos se traduziam em quatro componentes (ABU-EL-HAJ, 2002):

1) Uma crítica à estatização e ao intervencionismo do setor público, defendendo uma economia política baseada no mérito empresarial, na eficácia administrativa e na intervenção ágil das instituições. O pilar central aqui apresentado era a implementação de uma modernidade definida a partir de uma ética empresarial que separava o público e o privado, alcançada a partir do desempenho eficiente de uma economia competitiva;

2) A defesa intransigente de uma economia de mercado e da propriedade privada, ao qual seria imputada a tarefa de abertura democrática e de “universalização” dos

direitos sociais. Neste ponto, os empresários-políticos expressavam sua insatisfação com a estatização da economia e com o assistencialismo de governos anteriores, advogando em favor de uma participação estatal que se resumisse ao apoio à acumulação privada de capitais individuais locais e externos.

3) A recusa à visão corporativa patronal e as posições conservadoras da classe empresarial cearense e brasileira, que associadas ao regime militar, assumiam bandeiras ideológicas do Estado autoritário, demonstrando lealdade aos regimes políticos e se beneficiando dos recursos públicos. Ao criticarem os hábitos corporativos de classe, os empresários do CIC assumiam bandeiras universais e fortaleciam o caráter inovador do estilo laissez-faire de conduzir os rumos da política no Ceará e no Brasil.

4) O tratamento da questão territorial e regional como um elemento central da política econômica, sobretudo em relação aos rumos assumidos pelo desenvolvimentismo brasileiro depois de 1950, que na opinião dos empresários-políticos, negligenciaram regiões como o Nordeste em favor da expansão empresarial dos estados do Sudeste. A opinião defendida neste ponto não era a de uma cisão para com os investimentos exteriores ao Nordeste, mas o contrário, uma vez que pregava uma associação estreita com os grandes capitais nacionais, particularmente os de origem paulista. Na verdade saiam em defesa de uma participação estatal que se resumisse à materialização de obras estruturantes e ao financiamento dos capitais, no intuito de gerar uma reação em cadeia que partiria das regiões mais ricas e atingiria o Nordeste, livrando-o das dificuldades históricas as quais estava submetido.

Do ponto de vista operativo, os caminhos seguidos para a reestruturação econômica e territorial pretendidos no conjunto das visões apresentadas, passariam pela recuperação e ampliação da acumulação industrial, ancoradas tanto na atração de grandes empresas industriais nacionais e internacionais, como no incentivo à diversificação industrial através do apoio à pequena e média empresa local (ABU-EL-HAJ, 2002).

Assim, a partir de uma reforma do Estado, seriam construídos os elementos centrais para a montagem de uma nova proposta de acumulação industrial com integração irrestrita ao mercado e à dinâmica da mundialização da economia. Como informa Abu-El-Haj,

O grupo do CIC concluiu que a superação da pobreza e do atraso regional somente seria possível com investimentos da União em indústrias. A novidade é que a intervenção do Estado, nesse caso, teria a forma de parceria entre capital estatal e capital privado. Aparentemente, o novo desenvolvimentismo seria inclinado à lógica do mercado, limitando o papel do Estado ao desencadeamento de mercados consumidores (ABU-EL-HAJ, 2002, p. 89).

Esse projeto começou a ser introduzido em 1986 com a vitória de Tasso Jereissati, mas só gradativamente ganhou materialidade. Em função do ajuste público que demorou todo o primeiro mandato do governador, alterações econômicas de grande monta só foram introduzidas no governo de Ciro Gomes, entre 1990 e 1994 e no segundo e terceiro mandatos de Tasso, de 1994 a 2002. Outros ajustamentos foram feitos nas gestões de Lúcio Alcântara (2003-2006), também do PSDB, e de Cid Gomes (2007-2010), que é filiado

ao PSB28, quando as premissas econômicas inicialmente propostas continuaram a ser

executadas.

Ciro Gomes não era membro do CIC, nem tinha origens empresariais. Proveniente das classes médias de Sobral tornou-se deputado estadual e liderou as articulações de Tasso na Assembleia Legislativa até 1988. Hábil orador e dono de um grande carisma, arregimentou a opinião pública em favor das mudanças gerenciais do setor público até 1988, quando se tornou Prefeito de Fortaleza. Foi o nome preferido de Tasso para assumir também o Governo do Estado em 1990 e já como governador formou um grupo de gestão com marcante participação de um quadro técnico de formação desenvolvimentista, sobretudo aqueles que eram oriundos do BNB (ABU-EL-HAJ, 2003).

Lúcio Alcântara, filho de uma antiga liderança estadual (Waldemar Alcântara), construiu sua trajetória política associando-se a partidos conservadores, sobretudo ao

incorporar o ethos29 do político profissional (CARVALHO, 2008), ligado às origens da sua

terra e caracterizado como um “homem de diálogo” que pudesse, ao mesmo tempo, representar a linhagem tradicional da política cearense e conduzir os rumos da modernização econômica com eficiência. Sua chegada ao Governo do Estado está relacionada ao acirramento das contradições do projeto dos empresários-políticos, quando o desgaste do modelo centralizador de administração de Tasso Jereissati era evidente após os seus três mandatos. Como político que já havia sido prefeito de Fortaleza (indicado pelo Governo Federal nos tempos de ditadura militar, entre 1979 e 1982) e duas vezes deputado federal, Lúcio foi eleito senador em 1994 com o apoio de Tasso. Logo após, se filiou ao PSDB e foi escolhido para representar o partido na eleição para governador em 2002, exatamente por expressar um perfil “aberto”, um político “capaz de levar uma discussão aos últimos limites” (Discurso do programa eleitoral feito por Tasso Jereissati em 2002 apud CARVALHO, 2008, p. 27). Sua política econômica procurou dar continuidade aos projetos

28

Este último, inclusive, comandou o fim da hegemonia partidária do PSDB no governo estadual em 2006, revelando o acirramento das disputas dentro do projeto inicial dos empresários-políticos.

29

Como informa Carvalho (2008, p. 41), corresponde ao “conceito que na análise do discurso refere-se à codificação de imagem de si, construídas pelos interlocutores não tanto pelo que falam, mas, pela forma de falar, de se apresentar”.

de tecnificação do território e atração de investimentos, mas a marca da “regionalidade” e da “interiorização do desenvolvimento” foi uma das estratégias mais divulgadas, de onde se pautou os projetos conduzidos por uma Secretaria de Desenvolvimento Local e Regional.

Por fim, o último governador cearense, Cid Gomes, eleito em 2006 e reeleito em 2010, simboliza, paradoxalmente, a consolidação do projeto econômico de modernização capitalista e a crise política no seio do grupo que assumiu o ideário das mudanças a partir de 1986. Também de formação técnica, graduado em engenharia, e irmão do ex-governador Ciro Gomes, Cid representava a renovação do projeto político do PSDB, tornando-se inclusive referência no partido em função da sua administração na Prefeitura de Sobral, onde os métodos de racionalização da gestão municipal e a modernização da cidade pela via do soerguimento de objetos técnicos foram usados como símbolo da continuidade das mudanças no estado (HOLANDA, 2007). Ocorre que a conjuntura das articulações partidárias no Ceará havia mudado depois de 2002, quando Ciro Gomes assumiu o Ministério da Integração do governo do Presidente Luís Inácio Lula da Silva (2002-2006) e se afastou do grupo político de Tasso Jereissati no Ceará. Até 2010, o afastamento foi apenas formal o que proporcionou nas eleições de 2006 para o Governo do Estado um

fenômeno ambíguo30: mesmo sendo presidente nacional do PSDB, Tasso não apoiou o

candidato do próprio partido no Ceará (Lúcio Alcântara), em função de desavenças internas. A administração de Cid Gomes priorizou a continuidade da atração de empresas via incentivos fiscais e defendeu a efetivação das grandes obras para o estado, com forte discurso de atenção para a interiorização do crescimento econômico.

Desde quando se iniciou a efetivação do projeto, sob o efeito das determinações impostas pela abertura econômica brasileira na década de 1990, o modelo de crescimento

observado no Leste Asiático31 foi utilizado como referência para guiar os rumos da política

econômica. Assim, programas de financiamento público voltados para a atração de grupos industriais caminharam lado a lado com uma reestruturação conduzida por um Estado flexível, enxuto e eficaz, implicando num novo conceito de administração importado da gestão empresarial e privada. Subsídios logísticos e mão de obra barata completavam o conjunto de vantagens para atração de novos investimentos.

Os resultados econômicos rapidamente se tornaram visíveis: de 1987 a 1999 a taxa acumulada de variação do Produto Interno Bruto (PIB) no Ceará atingiu 70,6%. No mesmo

30

A ambigüidade reside no fato de que, mesmo apresentando-se como oposição ao PSDB, Cid não estava credenciado a contrapor o passado da “Era das Mudanças”, divulgada por Tasso e seus aliados. Diante da impossibilidade de demarcação de um “novo ciclo”, até mesmo no âmbito da esfera política e eleitoral, coube a Cid Gomes aceitar de bom agrado o apoio silencioso de Tasso Jereissati, assim como, reproduzir a narrativa dos feitos fantásticos realizados em Sobral, bem ao estilo das campanhas eleitorais do PSDB, carregando o ethos do político jovem, comunicativo, vencedor e de ousadia serena, este último ponto claramente utilizado para afastá-lo das características negativas do irmão Ciro Gomes.

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Ver a edição especial da revista Exame, intitulada “Ceará: a nossa Ásia”, de outubro de 1998; assim como, a reportagem “Como um país asiático no Nordeste do Brasil”, publicada na revista Valor Econômico Estados: Ceará, de setembro de 2008.

período essa taxa no Nordeste cresceu 39,1% e no Brasil 24,7%. Até 1990 o PIB cearense apresentou um movimento sempre oscilante, mas as políticas econômicas começaram a surtir efeito no fim desta década e o desempenho do PIB estadual sobre o PIB federal cresceu consideravelmente, passando de um total de 1,72% em 1985 para cerca de 1,8% em 2000, tendo atingido no ano de 1998 uma participação de 2,0% (IPEA, 2007). Para os anos mais recentes, foi possível perceber que entre 2002 e 2009, o PIB cearense continuou crescendo e acumulou uma taxa de 35,2%, o que significou um crescimento médio anual de 3,8%. O Brasil, no mesmo período, acumulou 27,6%, assumindo uma taxa média de crescimento anual de 3,1% (IPECE, 2010).

Outros números do PIB confirmam que o desempenho de crescimento se difere bastante entre a década que antecipa a efetivação dos programas de reestruturação e as décadas em que eles já demonstravam seus resultados. Se compararmos a taxa de crescimento anual do PIB do Brasil com a do Ceará, percebemos que de 1985 a 1990 a taxa cearense foi de 0,7% ao ano e a nacional alcançou 2,03%. Entre 1990 e 1995, os valores se invertem, com o Ceará crescendo 6,79% e o Brasil 2,86%. Mas é no qüinqüênio de 1995 a 2000, que o salto estadual em relação ao nacional se torna extraordinário, uma vez que o Ceará cresceu 9,06% ao ano e o Brasil apenas 1,69% (IPEA, 2007). Dados apresentados pelo IPECE para os anos recentes informam também que o estado continua crescendo seu PIB numa proporção maior que a brasileira, conforme demonstra a tabela 01.

Tabela 01- Taxas de crescimento anual do PIB – Ceará e Brasil e percentual do PIB cearense sobre o PIB brasileiro (2002-2009)

Estado/país 2003/2002 2004/2003 2005/2004 2006/2005 2007/2006 2008/2007 2009/2008 Ceará (%) 1,47 5,15 2,81 8,04 3,35 7,1 3,1 Brasil (%) 1,15 5,71 3,16 3,97 6,09 5,1 -0,2 Participação do PIB do Ceará no PIB do Brasil (%) 1,92 1,90 1,91 1,95 1,89 1,90 1,96

Fonte: IBGE e IPECE.

Entretanto, inúmeras limitações econômicas não foram superadas e o exercício de estabelecer algumas relações entre os próprios números do PIB expõem essas fragilidades. Apesar dos indicadores favoráveis anteriormente expostos, o percentual do PIB estadual sobre o do país não avança consideravelmente desde a década de 1990. Em geral, desde 2002, a variação é sempre positiva, mas o produto interno cearense nunca atinge um percentual frente ao produto nacional superior a 2,0%, como demonstrado nos sete períodos contemplados pela tabela 01, quando os percentuais variaram entre 1,89 a 1,96%. Os

números revelam pequena oscilação por toda a presente década, o que implica em estabilidade da geração de riquezas no estado, mas, em contrapartida, indica também que os saltos econômicos expressivos, anunciados para justificar a continuidade de várias políticas, apresentam um limite, expondo as dificuldades de se estabelecer um programa econômico que reproduza avanços relativos frente ao país.

Mesmo assim, em relação ao Nordeste, os números do PIB cearense no período em análise apresentaram desempenho favorável. O gráfico 01 indica a taxa de crescimento do PIB do Ceará e da região Nordeste entre os anos de 1985 e 2006. Apesar dos índices de crescimento serem variáveis, os números do Ceará são sempre superiores ao da região, a exceção de 2000, quando o Nordeste revela uma vantagem de crescimento de cerca de

Benzer Belgeler