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2.6. İŞ DOYUMSUZLUĞU VE SONUÇLAR

2.6.2. İŞ DOYUMSUZLUĞUNUN ÖRGÜTSEL SONUÇLAR

A nova configuração política erigida no Ceará na década de 1980 nasceu da crise de legitimação das forças autoritárias brasileiras. Enquanto produto de um desenvolvimentismo que estabeleceu fortes laços entre a ação estatal e as forças empresariais nacionais e regionais, os empresários do CIC inverteram os papeis estabelecidos entre a política e a economia e sustentaram seu projeto na crítica progressiva ao regime militar como crítica a restrição da acumulação privada.

Esse estilo de reagir frente às mudanças desencadeadas pela reconfiguração do sistema político brasileiro é o que há de mais peculiar nos empresários-políticos que assumiram a oposição ao sistema de acumulação com forte intervenção do Estado. “O percurso sinuoso de construção de uma nova hegemonia política, veio, portanto, acompanhado da reestruturação capitalista” (MENELEU NETO, 2000, p. 39), que não tinha outro intuito senão o de realizar, no seio do processo de mudança vigente, a produção de outras relações de poder a partir da “morte da velha política”, isto é, a elaboração de uma política feita mais pela imposição da racionalidade empresarial capitalista do que pelos interesses sociais em disputa.

Assim, esses empresários saíram em defesa daquilo que chamaram de um “estilo novo de administrar a coisa pública”, pautado num projeto burguês enraizado no território, mas interessado em estabelecer fortes laços com os agentes exógenos da mundialização, com o objetivo de superar as contradições comuns de um capitalismo periférico como o cearense, que não se mostrava capaz de sozinho realizar altas taxas de acumulação. Ao

assumirem o papel de “sujeito coletivo”35 na imposição das novas práticas governamentais,

realizaram a crítica liberal no intuito de garantir a regulação econômica pela via da política, em pleno contexto de transformações do ciclo da ditadura militar.

As manifestações dessa atitude racionalista na política se dão através de medidas operativas legitimadas logo com a conquista do governo em 1986, quando o poder em questão é ratificado e legitimado. Elas se dividem em três pontos chaves, os quais serão trabalhados neste item, quais sejam: a composição dos quadros do governo e sua concepção ideológica; as dificuldades políticas de se concretizar o ajuste fiscal e das contas públicas; e a construção da imagem pública do território cearense encarnado no “jeito moderno” de fazer política.

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Lemenhe (1997) discute mais aprofundadamente o empenho desses empresários em se apresentarem como responsáveis por uma mudança de caráter burguês no Ceará, dando a ideia de que os mesmos inauguraram um movimento dos industriais como “sujeito coletivo”. Por traz da divulgação dessa imagem estava a concepção de que o Ceará, em função de suas características geoambientais e geoeconômicas específicas, têm problemas igualmente específicos e deve ser tratado pelo Governo Federal e órgãos de fomento de maneira diferenciada, o que justificaria a prevalência de ações coletivas, produzidas por agentes políticos e econômicos que pudessem concretizá-las.

Como informa Abu-El-Haj (2003), no início da década de 1950, Getúlio Vargas convocou Rômulo Almeida para dirigir o BNB e dar um direcionamento à nova instituição que iria proporcionar ao Nordeste um novo rumo de desenvolvimento, afastando-o da imagem de desmoralização econômica e de corrupção política, ao qual estava fortemente vinculado. Após a realização de inúmeros estudos sobre fluxos de capital e a conclusão de que existia uma persistente deterioração dos termos de troca entre o Sudeste industrial e o Nordeste agrário, recomendou-se uma nova política de atração de recursos externos e a fixação de capital regional por meio de programas de incentivo industrial, proposta bastante considerada por Celso Furtado na formulação dos relatórios do Grupo de Trabalho para o

Desenvolvimento do Nordeste (GTDN)36, que instruiu as políticas da SUDENE.

Um dos pontos centrais levantados por Rômulo Almeida, responsável por muito dos rumos da transformação econômica pela via da política, era a formação de uma classe empresarial de mentalidade moderna e a criação de uma elite tecnoburocrática que faria contraposição as heranças culturais e ideológicas da política tradicional clientelista.

Outra meta fundamental levantada com a nova proposta era formar quadros humanos tecnicamente qualificados não só para conduzir medidas de eficiência administrativa e econômica, mas também para operacionalizar a nova mentalidade racionalista. Dirigentes, técnicos, trabalhadores burocráticos, entre outros, passariam a contribuir nas decisões e nas práticas que iriam transformar o perfil do mercado de trabalho. Para isso um novo corpo institucional e agências de desenvolvimento catalisariam as transformações que depois geraria um efeito em cadeia que se estenderia à sociedade e ao território de uma maneira geral (ABU-EL-HAJ, 2003).

A difusão da modernidade, no sentido weberiano de ênfase na racionalidade, obviamente, não logrou sucesso em termos de redefinição política e social no Nordeste das décadas de 1960 e 1970. Mas essa “solução” racionalista técnica, transformou instituições como o BNB e a SUDENE em centros de irradiação da ideologia moderna para outros setores da sociedade, em especial a partir das relações destes órgãos com outras instituições, como as universidades e as organizações de classe.

Em defesa dessas propostas na década de 1960 estavam Celso Furtado, no comando da SUDENE, e Raul Barbosa, a frente do BNB, defensores de uma ação racionalista na região, mas com objetivos e perspectivas completamente diferentes. Como informa Parente (2000), Furtado queria substituir a conservadora elite nordestina por uma mais moderna, de origem empresarial, mas de base regional. Barbosa assumiu o compromisso de criar um banco forte, com reserva financeira regional que permitisse a acumulação de capital e a formação de quadros técnicos para conduzir o desenvolvimento. A proposta deste último era

36 Uma discussão mais detalhada sobre o GTDN e seu papel para a criação da SUDENE, será feita no capítulo

mais conservadora, pois não sugeria qualquer alteração nas bases das elites regionais já instituídas. Ora, com a instalação da ditadura militar, a proposta de Celso Furtado foi simplesmente abandonada e o projeto de Raul Barbosa foi implementado para direcionar os rumos da modernização conservadora no Nordeste.

No entanto, no Ceará, exatamente o estado onde está instalada a sede do BNB, a resposta dada ao estilo politicamente conservador de modernizar a economia assumiu um sentido particular. O grupo de empresários do CIC, que posteriormente ficou a frente do governo estadual, cumpriu alguns objetivos propostos por Celso Furtado no âmbito da formação de uma elite industrial e moderna, interessada na reestruturação da política, da economia e do território, com base num projeto de acumulação pautado nos ideais da economia de mercado. Além disso, os efeitos da política de racionalização econômica e de modernização das instituições no Ceará foram decisivos para uma transformação na estratificação social, sobretudo em Fortaleza, onde uma nova classe média se expandiu vinculada a valores modernos e com formação profissional superior (ABU-EL-HAJ, 2003).

O papel das classes médias numa política de rompimento com os valores tradicionais já havia sido demonstrado em 1985, quando para a Prefeitura de Fortaleza foi eleita a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) Maria Luiza Fontenele. Ao demonstrar um desempenho eleitoral surpreendente para a esquerda numa das mais importantes capitais do país, a prefeita buscou o apoio para sua administração nos movimentos populares, mas sem recursos e enfrentando forte crise de governabilidade, não conseguiu administrar as dificuldades que circundaram o seu governo.

Os problemas na administração petista e o acirramento das disputas entre o ideário “novo” de fazer política do CIC e as práticas dos “coronéis” atraiu a atenção de membros da classe média fortalezense para o projeto dos empresários-políticos. Estes agentes foram imprescindíveis no encaminhamento das propostas de transformação que seriam conduzidas nos anos seguintes.

Já na primeira administração de Tasso Jereissati isso ficou patente através do interesse de implementar o ajuste fiscal no governo. O grupo de secretários montado para efetivar as propostas era composto por membros da classe média oriundos de instituições como o BNB e a Petrobras e pelos empresários do CIC. As ideias desse grupo estavam divididas em duas linhas claras: os que defendiam um projeto desenvolvimentista clássico com maior intervenção do Estado e aqueles que pregavam uma reestruturação política e

econômica pautada em preceitos de orientação mais liberal37, entre os quais estavam os

membros provenientes do BNB (ABU-EL-HAJ, 2003).

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Mesmo identificado por prerrogativas ligadas as liberdades de mercado, o referido grupo não assumiu uma postura inteiramente relacionada aos valores de um pensamento econômico neoclássico. Na verdade, advogaram muito mais em defesa de uma ampliação dos horizontes dos investimentos privados, contrapondo o

Assumindo importante posição no governo de Tasso Jereissati, os desenvolvimentistas mais clássicos foram excluídos da gestão de Ciro Gomes, que priorizou a participação tecnocrática na construção de uma política econômica que ampliassem os investimentos privados em detrimento de uma maior intervenção estatal para as demandas sociais (ABU-EL-HAJ, 2003). Ao demarcar um governo formado basicamente por um grupo originário da tecnoburocracia do BNB, Ciro Gomes aprofundou o projeto de transformação da política com base no predomínio dos interesses econômicos, um modelo que foi reproduzido por Tasso Jereissati nas duas gestões seguintes.

A ambigüidade ideológica quanto ao papel do Estado na relação com os agentes privados, entretanto, ganharia tons mais acentuados na medida em que novos agentes políticos entraram em cena com as eleições de 2002 e de 2006. Na gestão 2003/2006, o Governo do Estado ficou nas mãos de Lúcio Alcântara, um político de características tradicionais e que traduziu, na escolha de seu secretariado, uma maior aproximação entre um projeto clássico de intervenção desenvolvimentista e a influência política de corte regionalista, com uma abertura muito mais ampla nos quadros do governo para os

chamados “políticos profissionais”38.

Entre 2007 e 2010, o Governo Cid Gomes não alterou os rumos de gestão escolhidos por Lúcio Alcântara, muito menos recuperou a base tecnocrática nas secretarias responsáveis pelas decisões econômicas. Por mais que pregasse um projeto de continuidade, pautado na administração de Ciro Gomes, por força das conjunturas e por suas características, nem Cid poderia assumir a mesma postura de seu irmão, nem o contexto político no qual estava inserido permitiu-lhe autonomia para a escolha predominante de nomes com perfis tecnoburocráticos na composição do quadro gestor. O resultado foi a montagem de um secretariado com perfil político, eleito por uma coligação de

ampla participação partidária39, no intuito de contemplar as forças que o colocaram no

governo.

Mesmo assim a necessidade de relacionar as ações do Estado a uma linha ideológica burguesa/empreendedora foi recorrente em todas as gestões supracitadas. Isso se deu, entre outros motivos, porque os questionamentos acerca de uma composição administrativa racionalista-tecnocrática ou político-clientelista, considerando as devidas mediações que esses dois perfis possam permitir, haviam surgido como um dos debates mais acalorados

tradicional corporativismo patronal predominante no Ceará, cuja maior característica consistia numa ampla troca de favores entre Estado e empreendedores locais e regionais.

38 Compreendemos os “políticos profissionais”, tal qual Bonfim (2002, p. 42), como “os possuidores de cargos

eletivos no seu currículo, ou membros da executiva de algum partido político; elites tecnicamente qualificadas que ascenderam pelas fileiras de um partido ou do legislativo; e ocupantes de cargos que oferecem ao governo votos de suas regiões de origem ou obediência de facções políticas vinculadas às suas famílias”.

39 No conjunto da coligação de partidos que apoiaram a candidatura de Cid Gomes para o Governo do Estado

em 2006 estava, notadamente, alguns importantes partidos de centro-esquerda no Ceará, a exemplo do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), além do apoio silencioso de algumas lideranças do PSDB e do PMDB.

no período em que o novo ideário pregado pelos empresários do CIC começou a ser defendido como proposta política no Ceará. A discussão passava principalmente pelo uso privado que as lideranças políticas governamentais faziam da coisa pública, o que, em última instância, correspondia ao debate sobre o modelo de desenvolvimento escolhido para o estado no contexto de uma reestruturação tributária e fiscal de ajuste público.

De 1987 a 1990, o primeiro governo de Tasso Jereissati praticamente centrou todas as suas atenções na tarefa de “enxugar” a máquina pública e conter os extraordinários gastos com as suas obrigações. Esse esforço resultou numa recuperação das finanças estaduais, com efeitos sobre o débito fiscal, que tornou a administração Tasso numa referência de eficácia não só para o Brasil, mas para outros países do mundo, como demonstra a constante visita de técnicos, administradores e pesquisadores na tentativa de compreender

o “ajuste público” realizado40.

As mudanças iniciaram-se com a recuperação do setor público que havia acumulado pesado déficit por razões políticas. A generalização do clientelismo no Ceará, um estado onde as elites e as classes médias têm dificuldades de inserção econômica em função das limitações impostas pelo semiárido, sempre foi uma prática freqüente. Acrescenta-se a isso a necessidade de grupos políticos tradicionais procurarem reproduzir o seu poder através da oferta de empregos públicos no período de abertura democrática da década de 1980. O resultado foi a tentativa de cooptar os setores médios da sociedade oferecendo-lhes cargos, prática que ficou mais patente no início dos anos de 1980, em pleno fim da hegemonia militar na política brasileira.

Segundo Abu-El-Haj (2002), o número de funcionários públicos no Brasil apontados pelos dados do PIS/PASEP em 1985 era de 4,6 milhões, entre os quais mais de 1,3 milhões haviam ingressado no serviço público depois de 1982. No Nordeste a quantidade de contratados no período descrito era um pouco menor, mas a proporção era próxima: a região havia aumentado o seu número de funcionários públicos em 28,4% e o país em 29,5%, num intervalo de três anos. No entanto, para o Ceará, o aumento era exorbitante, pois dos 183.632 funcionários públicos existente em dezembro de 1985, 80.856 ingressaram em 1983, no governo de Gonzaga Mota. Isso corresponde a um total de 44% de ampliação em apenas três anos. Somente de agosto a dezembro de 1985, foi possível observar que 40.316 servidores foram contratados, isto é, 22% do total.

Ao assumir o governo e deparar-se com essa situação, Tasso Jereissati implementou medidas imediatas para conter o déficit público. Na tentativa de diminuir a influência política

40

“[...] quando acabou meu primeiro governo, a visão do Ceará era uma coisa de quase uma revolução. Gente vindo aqui estudar o estado, os jornais do Sul fazendo reportagens e mais reportagens. O que tinha acontecido, qual era o milagre?” (Entrevista de Tasso Jereissati concedida ao jornal O POVO, em 15 de dezembro de 2008).

sobre o desempenho administrativo o novo governador instituiu três medidas em caráter urgente (ABU-EL-HAJ, 2002):

1) Nomeações preferencialmente técnicas, valorizando o desempenho administrativo em detrimento do clientelismo predominante nas ações dos tradicionais políticos; 2) Disciplinamento diário e cotidiano na administração pública, no intuito de pregar a eficácia como instrumento de controle dos servidores e das funções estabelecidas; 3) Recuperação dos recursos e das finanças do estado, a partir de um plano de contenção de gastos e obtenção de recursos.

O governo de Tasso procurou desconsiderar as indicações dos políticos tradicionais e uma estratégia foi montada no intuito de diminuir a influência de prefeitos, deputados, senadores ou outras lideranças que continuavam mandando ao governador a relação de seus apadrinhados. Como informa Abu-El-Haj,

O rompimento com esse padrão foi visto como uma negação a convenções políticas estabelecidas há muitas gerações. A insistência da bancada governista levou o governo a mudar a sede de sua administração do Palácio da Abolição para o Centro Administrativo Virgílio Távora, conhecido por Cambeba, dificultando ainda mais o acesso dos antigos aliados à tomada de decisões. Na Secretaria do Governo, os aliados esperavam horas nos corredores para indicar seus afilhados aos cargos de confiança (ABU-EL-HAJ, 2002, p. 92/93).

O estilo centralizador e hostil proposto por Tasso atingiu até mesmo o corpo técnico envolvido nas reformas e muitas secretarias não puderam realizar a contento os seus programas em função das medidas de austeridade administrativa. Além disso, o corte de gastos se deu também em declínio dos salários reais médios do funcionalismo público, o que ocasionou uma relação de tensão entre associações de servidores públicos (principalmente aquelas que reuniam profissionais ligados as áreas de educação e saúde) e o governo, que reagiu estabelecendo um padrão autoritário de relacionamento com os que reivindicavam melhores salários e condições de trabalho.

Realizou-se, desse modo, a construção social da imagem de um governo eficaz e auto-sustentável, em que a filosofia da administração como reflexo da gestão empresarial privada resultaria numa premissa central para o projeto de modernidade que deveria ser tomado como referência para o Ceará e para o Brasil.

No âmbito da gestão dos recursos, as ações haviam alcançado resultados satisfatórios, considerando os objetivos inicialmente desenhados de ajuste público e fiscal. Os cortes nos gastos públicos e a maior arrecadação de impostos

revelou um desempenho financeiro do governo acima de todas as expectativas. Em 1987, o estado encontrava-se numa situação fiscal desequilibrada. O déficit orçamentário absorvia 44,3% das receitas correntes líquidas, equivalentes a US$ 303,1 milhões. A estimativa de gastos com pessoal chegava a 87,1% das RCL (Receitas Correntes Líquidas) e a 140,18% da arrecadação do ICMS do estado. A partir de 1989, o ajuste do setor público produziu os primeiros frutos. Em 1991, os gastos com pessoal diminuíram para 65,73% e, em seguida, para 45,29% da RCL, permitindo uma expansão significativa da poupança bruta de investimentos. Por exemplo, em 1985, a poupança de investimentos acusou um saldo negativo de US$ 1,87 milhões, tendo, em 1991, evoluído drasticamente para um superávit positivo de US$ 41,6 milhões. Este salto se intensificou especificamente entre 1989 e 1991, quando houve duplicação dos investimentos, de US$ 18,20 milhões para US$ 41,66 milhões (BOTELHO, apud ABU-EL-HAJ, 2002, p. 96).

A continuidade das políticas de ajuste fiscal nas décadas seguintes garantiu o controle sobre as contas públicas, fortalecendo a imagem de administração eficaz de um projeto de governo que deveria ser seguido a partir do modelo inicial introduzido por Tasso Jereissati.

Com Ciro Gomes, por exemplo, 71% das secretarias foram conduzidas exclusivamente por técnicos (a maioria proveniente do BNB) e o esforço de ajuste fiscal, com a implantação de modificações na sistemática de arrecadações dos impostos estaduais e no controle da execução orçamentária, ganhou reforço (BONFIM, 2002). Entre 1991 e 1996, período que inclui a administração de Ciro e o segundo governo de Tasso, os gastos com pessoal em relação à RCL oscilaram entre 28,3 e 37,6%, sendo que nos dois casos, as duas variáveis sofreram acréscimo, como mostra o gráfico 04. Apesar de algumas reduções ao longo do período analisado, o gráfico mostra que a RCL sempre cresceu, alcançando a maior arrecadação em 1996. A despeito disso, os custos com pessoal também assumiram um ritmo de crescimento considerável e a relação entre receita/despesa chegou mesmo a se tornar mais deficitária na medida em que se encerrava o governo Ciro. Ocorre que, mesmo ao considerar esse fenômeno, o total relativo das despesas com pessoal no período em foco sempre correspondeu a índices inferiores aos que eram registrados nas décadas de 1980 e 1970 e isso legitimou tal governo como continuador da política de ajuste fiscal introduzida na gestão anterior.

Fonte: Secretaria da Fazenda do Ceará - SEFAZ – Balanço Geral do Estado.

Gráfico 04- Despesas (mil R$) com pessoal e Receita Corrente Líquida (RCL) do estado do Ceará (1991/1996)

No retorno de Tasso Jereissati ao governo, em dois mandatos que se estenderam de 1995 a 2002, foi chegada a hora de mostrar que o amadurecimento das propostas de controle fiscal e orçamentário tinha dado algum resultado objetivo para a realização de investimentos mais expressivos. Alguns desdobramentos da própria política econômica seguida pelo estado até 2002 demonstraram que certas metas foram atingidas, como a prioridade definida pela gestão Tasso (e mais tarde também pelas gestões seguintes) de executar “projetos estruturantes” de tecnificação do território, com destaque para a realização de uma série de programas de investimento em obras e em infraestrutura. Esses

Benzer Belgeler