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4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.3 Tasarım (Teknik Özellikler)

Cibele, esse mês eu vou ficar com 13 anos (não se esqueça, he, he, he...), me conte como é ficar com 13 anos, apesar de que você já está com quase 14, né??? (me avise quando os cabelos brancos aparecerem, tá?) (a. 8.4.1991)

a carta traz um adesivo no qual que se lê: “Amar é... ... o despertar

do coração”. amanda também não esquece o aniversário da amiga

“Cibele, mês que vem tem gente que faz 14 anos!!! Eu não esqueci...” (a. 13.5.1991).

e finaliza uma próxima carta com um adesivo que é uma tar- taruga carregando um pequeno bolo com cobertura e uma velinha acesa e os dizeres: “pode demorar um pouquinho, mas estou chegando!”

(a. 27.5.1991). na carta do dia 8 de junho, toda festiva, decorada, três cartas em três envelopes festivos, decorados, mais o cartão que foi completado em cada um dos seus dizeres impressos, e o adesivo da tartaruga avisando que Cheguei! o aniversário de Cibele é em 10 de junho.

Mudando de assunto ficar com 13 anos é legal mas uma idade “meio azarada” é a idade em que você está entrando na adolescência e acaba se tornando um intermediário entre a adolescência e a infância é a “aborrecência” tudo o que tem de ruim para acontecer acontece, é o ano da casa número 8 o ano inteiro você está no seu inferno astral, enfim... como diz a filosofia oriental tudo na vida você pode tirar proveito. Quanto aos cabelos brancos pode ficar sossegada só aparecem mais tarde a não ser que você derrube uma lata de tinta branca na cabeça... (C. 11.4.1991)

Ficamos sabendo que

a professora de E. A. quer fazer um uniforme para a escola que vai fazer 43 anos, (porque a escola não tem uniforme) e quer que a 8a.

série desenhe uns emblemas pra escolher o melhor, você precisa ver os desenhos dos meninos, ou é de guerra ou é de mulher, e pelo visto não vai sair nenhum emblema... (a. 22.4.1991)

não ficamos sabendo o que as meninas desenham...

nesse rol de cartas entre infância e adolescência começa também a preocupação com escolhas futuras, do colegial no próximo ano; qual seria o curso técnico mais apropriado? uns com processo de seleção muito concorrido, ou o de prótese, que não tem na cidade e talvez a leve a decidir por outra profissão. a escola da faculdade, um pouco mais distante desse final de oitava série; do colegial, antes, e visando a “faculdade, que dá até medo só de pensar que eu tenho mais

esse monte de anos pra estudar...” (a. 8.4.1991)

Cibele, você não sabe da maior, eu comecei a fazer aeróbica (eu e a Pat, não tem balé aqui!) é um sarro, a gente já foi 2 dias, o 1o foi o

mais legal, a gente não sabia fazer os exercícios direito, o pessoal ia pra frente, a gente ia pra trás elas batiam palma, a gente batia ou atrasado ou adiantado; e no 2o dia aconteceu a mesma coisa, só uma coisa a

mais, eu chutei um espelho, sorte que ninguém viu... (a. 27.5.1991) E aí como é que está a aeróbica? Você e a Pat sabem mesmo sur- preender-nos, bem com isso, você deve ter ficado um pouco mais alta do que já era, daqui uns tempos ao invés de chutar o espelho, vai bater no teto... Mas vocês irão se sair bem na aeróbica, vocês duas gostam mesmo de dançar, e também é como uma “terapia ocupacional”“ você não vai mais achar que tudo é um tédio... E a escola?? (C. 29.5.1991)

Por aqui está tudo em ordem, ou melhor tudo muito em ordem, porque eu estou super feliz, e sabe o motivo dessa felicidade? Bom, eu vou te contar... eu estava no fim de uma aula de aeróbica quarta- -feira, daí a professora me chamou, e perguntou se eu não quero fazer um solo na ponta de balé no final do ano! (ela também faz espetáculo no final do ano, igual ao “Studium”...) Por isso, hoje mesmo eu já peguei a minha sapatilha de ponta e já ensaiei um pouco... Biscoito, não exagere, eu não cresci tanto, e espero não crescer mais, senão vai acabar acontecendo o que você falou mesmo, eu vou bater no teto...

(a. 1.6.1991)

de fazer em fazer, da aeróbica ao balé, aos ensaios, à escola, não se perdem de vista as modificações físicas, diga-se, o ficar mais alta; tentativas para não se perderem de vista.

Há, ainda, a carta criativa e LINDA escrita para a revista

Capricho para ganhar camiseta. É uma carta em quatro folhas.

Na 1a folha nós escrevemos uma história (tipo conto de fadas) e

escrevemos em grego, hebraico, russo, italiano e inglês; na 2a folha

escrevemos o que fazemos de segunda a domingo sem a camiseta; na 3a folha escrevemos uns 500 “please” (por favor); na 4a folha meu irmão

fez uma folha no computador com desenho, escrito: “Capricho: a nº 1”.

esse assunto rendeu... na carta enviada anteriormente a esta, há desenhos de amanda e Cleusa, uma descrevendo a outra: começam pelo nome, as medidas da altura, peso, cor dos olhos, do cabelo, número do sapato, manequim, como se uma estivesse “avaliando” a outra (amanda e Cleusa) e terminam com apelidos não tão char- mosos como a descrição física. Já estão “vestindo” as camisetas da

Capricho que “vão” ganhar. descrevem-se, avaliam-se e inventam

uma maneira para falarem de si mesmas para a amiga distante (Cibele). Quando tudo indicava já estar pronta a tarefa, nota-se uma seta um pouco maior que as demais e uma

Obs: Não sei se eu te contei que em abril [estamos em outubro] eu igualei o meu cabelo... (a. 22.10.1992)

Por falar em tênis; muito original o que vocês fizeram na última carta; o único “inconveniente” é que quando eu fui ler a carta no meu quarto a “terra” caiu todinha no carpete... Quanto vocês calçam? Eu para tênis 37 e sapato 36; meu pé não é de anjo mas também não sou nenhuma 44! (C. 3.12.1992)

a carta traz as marcas do tênis de amanda e Cleusa, feitas na escola, mandam literalmente um pouco da terra sobre a qual andam, que cai no quarto da outra. À pesquisadora sobram apenas os contornos do tênis no papel. outras marcas revelam o cuidado na elaboração da carta:

assinaturas: dedicam-se a experimentar modelos e instigar a outra a imitar.

apelidos: são tão íntimos e tão familiares que chegam a ocupar o lugar do nome no envelope, ao que tudo indica, sem grandes pro- blemas para o carteiro.

Há delicadeza na busca, no enlaçamento do outro, diga-se, da outra. Há códigos, há segredos compartilhados e uma relação de cumplicidade que vai se estabelecendo.