• Sonuç bulunamadı

5. SONUÇ VE ÖNERİLER

5.1 Class ve Araç ile İlgili Sonuç ve Öneriler

Está tudo tão tranquilo, eu posso ouvir rádio e escrever para você que nada me atrapalha. (C. 31.1.1992). Acabei de tomar banho e resolvi compartilhar com vocês [Amanda e Cleusa] o meu fim de semana bem sucedido, muito bem por sinal. (C. 28.10.1992)

Hoje eu estou te mandando esse papel de carta animado (e o enve- lope também), porque eu estou super animada... Eu fico sempre assim quando recebo carta sua e da Leonarda! (a. 19.4.1991)

nas pistas da escrita não fabricada, constituem-se num elemento bastante significativo os laços de escrita que vão sendo delicada e firmemente lançados em direção à interlocutora. um deles é o “escreva-me urgente”: quem escreve também quer receber. outro são os quase infinitos recursos: adesivos escolhidos em função do assunto ou complementares a ele; os coloridos papéis com ilustrações

variadas, como o do labirinto que traz no balão “ajude o carteiro a

chegar na cidade” e a correspondente completa “só que não é o carteiro que precisa por carta no correio, é você!”. em 1991, Cibele escreveu

49 cartas para amanda; de qualquer modo, é ainda amanda quem ajuda o carteiro, marcando todo o trajeto no labirinto, dando mais uma indicação da resposta esperada.

Há ainda assuntos de interesse pessoal, como as aulas de balé de uma e de música da outra, assuntos e trocas familiares...

E o órgão, está treinando para começar as aulas? (Porque senão fica igual este Smurf do papel de carta, você não ia querer, né?) [enquanto um Smurf toca corneta, outros dois tapam os ouvidos]. Fico feliz por você, porque está ganhando dinheiro tocando em casamentos. Vou terminando por aqui com muitas saudades... ... Amanda. (13.2.1991)

E aí gostaram dos “Simpsons”? Eu achei hilário mas “Extra extra os “Simpsons” são uma cópia exata de uma família brasileira chamada “Moreira” aqui nesta carta mando os verdadeiros nomes dos perso- nagens e uma foto da família “Moreira” falsa família “Simpsons”.

(C. 11.4.1991)

na última (terceira) folha dessa carta há um recorte de jornal com a família “simpsons”, com setas indicativas e os nomes verdadeiros da família “Moreira”, numa reconstituição da família da amiga que ela conhecia tão bem.

Cibele, eu também AMEI a família “Simpsons”, é realmente um retrato falado da família “Moreira”, aqui em casa todos nós já tínha- mos percebido a enorme semelhança entre os “Simpsons” e a família “Moreira”. (a. 15.4.1991)

Há o envio de um cartão que a família “santos” mandou para a família “Moreira”, à época da mudança para ilha solteira,

todos acharam lindo, e agradecem... A gente entrou em casa e o cartão estava em cima do balcão da cozinha... (a. 13.5.1991)

o cartão chegou antes dos novos moradores. Há, ainda, as fichas de telefone que foram compradas por uma das adolescentes, para conversar com a amiga; no entanto, quando liga a amiga não se encontra em casa e quem atende é mãe. uns minutos são gastos para conversar com a mãe que atende, mas a conversa não para aí; a outra mãe entra na ligação e as fichas vão sendo gastas, todas elas, agora, pelas mães...

Há outras formas de estreitar laços, que passam pela aproxima- ção com outras amizades.

Eu já conheço bastante gente aqui, já estou com uma turma, eu só falo de vocês pra elas, a Regina (eu acho) é o teu xerox, tem olhos verdes, cabelo bonito e castanho que nem o seu, ela tem até alergia (igual a sua) na mão, e a Alexandra. é do estilo Vanda e Lucimara. Você entende, né? (Por isso mesmo que eu curti mais a Regina.)

(a. 5.3.1991)

incluem-se aí os apelidos carinhosos dados a uma e outra, que podem ser trocados, complementados com i e ii e servem para ambas (a. 25.3.1991).

Há também os sentimentos compartilhados num parágrafo que parece não ter fim:

Estou te escrevendo, porque me deu vontade, são 11:22 horas da manhã, hoje é sábado, não tenho nada pra fazer, o carteiro ainda não passou, e pelo jeito não vai chegar nenhuma, falando nisso, faz tempo que não chega carta pra mim, essa semana chegaram só duas, uma sua e a outra da Lu (a vizinha da Re), Cibele dá um toque pro pessoal me escrever, porque essa city é um tédio, e uma das únicas coisas que eu tenho pra fazer é ler e escrever cartas, e faz um TEMPÃO que eu não recebo aquele montão da cartas... (a. 6.4.1991)

nessa mesma carta, diga-se, no envelope, o lugar destinado ao endereço da destinatária é ocupado por me escreve urgente.

Mais do que o assunto, porque as cartas continuam chegando, o sentimento de tédio, que não é tão presente em outras cartas, manifesta-se na forma de desabafo, falando quase sem respirar, digo, escrevendo sem parar para verificar pontuação, ritmo etc. etc.

Quando o tédio é muito grande, há o incentivo a novas amizades:

E a escola é grande? Já fez algumas amizades? É sim porque se você só lembrar dos amigos daqui e esquecer os daí é ruim. Faça amizades com a galera daí, como você fez quando chegou aqui, você vai perceber que mudar de cidade não é tão ruim assim. (C. 28.2.1991)

E falando em escola, não tenha vergonha, aí vai uma receita infalí- vel: – entre na escola aí como se fosse o “Sophia” e pense que os alunos somos nós, porque a galera daqui está no maior pensamento positivo para tudo dar certo, pense também que não é só você que vai sofrer isso, mas também a Patrícia e o Marcelo. (C. 16.5.1991)

Há ainda um outro elemento que são as declarações: “te curto,

que bom ter uma amiga como você, fiquei feliz em saber que a minha animação passou pra você” e tantas outras que fazem uma carta ser

especial e ansiosamente esperada.

algumas vezes as declarações ganham forma especial, como a meia página que foi ocupada com frases e expressões recortadas com os dizeres:

O que fazer... ...estava à toa... ...de repente...

...olho quem passa... ...disfarço... ...olho para um lado... ...olho para outro... ...acho que já foi... ...ai, aguenta! Acho melhor confessar... ...te adoro!!!

ganham forma especial porque cada frase ou expressão ganha um sugestivo desenho do “olhar”, dos olhos que se movimentam ao sabor dos dizeres na possível direção para quem são ditos: a destinatária, amiga. ganham forma especial porque a assinatura “amanda” vem “personalizada”, escrita e delicadamente “carica- turizada” (a. 8.4.1991).

Há as seis observações escritas para finalizar uma carta, ou melhor, duas cartas num só envelope, compostas por quatro folhas ilustradas, de tamanho médio, delicadas, com 88 linhas escritas, se bem que respeitando as ilustrações, menos as normas protocolares de data e nome e despedida, menos os recados escritos obliquamente em vários cantos, assim numeradas:

Obs 1: me escreva urgente;

Obs 2: eu sei que demora bastante pra carta chegar, só que parece que você não me conhece, eu sou super impaciente...

Obs 3: Está chovendo muito aí?

Obs 4: Eu estou te mandando de novo o “clip” porque eu tenho 600, e eu te dei esse...

Obs 5: Te curto.

Obs 6: Estou com MUITAS saudades... (a. 22.4.1991)

Há delicadeza de relações que são buscadas, cultivadas, constru- ídas, inventadas...

Quando fazem brigadeiro e escrevem carta para Cibele, man- dam-lhe pó de chocolate grudado no papel da carta (a. 22.10.1992). esta retribui com gotas de chuva no papel da carta (C. 26.11.1992) e aproveita para contar que a chuva estava demais, encharcou-se toda quando foi pôr a carta no correio.