• Sonuç bulunamadı

Tasarı’ya göre ihtiyati haciz tanımı

B. Milletlerarası düzenleme

II- 1999 HacizMS 1 Tarihçe

4. Tasarı’ya göre ihtiyati haciz tanımı

A teoria da perspectiva influenciou diretamente outros tipos de análise de aspectos cognitivos em relação à decisão, incluindo o ponto de vista de definição do que é risco. Surgida de aspectos relacionados ao gerenciamento de crises no relacionamento com a mídia, emerge um novo conceito intrinsecamente relacionado ao peso dos aspectos irracionais no processo: a indignação, definida por Peter Sandman.

Caracterizando como um misto de algumas características já fundamentadas em outras teorias e a inserção de aspectos gerados pela modernidade (velocidade da informação, transnacionalidade de eventos, entre outros), quanto mais indignado estiverem os atores do ambiente, maior será a percepção da possibilidade da perda e, consequentemente, necessária é a adoção de medidas que solucionem o problema (controle da indignação), independente da probabilidade que o risco possa vir a se concretizar.

Para exemplificar: Ao se pensar no risco de estupro dentro de um colégio. A simples menção a palavra não obrigará a direção da escola a tomar medidas imediatas para controlá-lo, mesmo que não haja nenhum estuprador em tela? Qual é o potencial de um boato?

O centro da questão está no que os autores chamam de contabilidade mental, cujo processo se caracteriza por separar os componentes de um quadro total. No exemplo dado, provavelmente, a escola seria rotulada como insegura e acarretaria numa evasão de alunos generalizada. Ora, isto invariavelmente alerta para a possibilidade entre escolhas incoerentes em relação aos aspectos técnicos.

Independente do valor obtido pela abordagem científica sobre o risco, que acarretará num grau de probabilidade de ocorrência do evento, as pessoas percebem situações de uma forma diferenciada (Bazerman, 2004). Esta afirmação conecta-se ao que SANDMAN (1995) apresenta em suas reflexões sobre a definição de risco:

RISCO = INDIGNAÇÃO (a parte intuitiva) + PERIGO (a parte técnica)

“Eu inventei a fórmula para refletir um crescente campo da pesquisa que indica que os povos avaliam riscos de acordo com parâmetros sensitivos, muito mais que parâmetros técnicos: fatores como a confiança, o controle, o acaso, o medo, e a familiaridade (agora extensamente são chamados de “fatores da indignação”) são tão importantes quanto aos impactos propriamente ditos dentro do que nós significamos pelo risco”.

Portanto, ao se propor uma solução do tipo controle de acesso, a pergunta vital para a implantação da solução é a seguinte: a organização percebe esta medida como resposta a uma indignação de um perigo existente e tecnicamente atua na probabilidade de ocorrência do risco?

Assim, Sandman (1998) elencou alguns fatores ligados à indignação que precisam se tornar objetos de análise para se verificar em que grau pesam sobre o contexto e que ponto tornam o ambiente mais ou menos tenso em relação ao risco:

Os eventos que possam ser catastróficos - Um risco catastrófico (por exemplo, uma epidemia) é considerado menos aceitável do que riscos difusos ou cumulativos (uma doença específica, como o câncer);

Riscos marcantes que gerem uma memória - Um risco associado a um evento fora do comum (por exemplo, a tsunami) é considerado menos aceitável do que um que não o seja;

O risco imoral - Um risco avaliado como pouco ético ou imoral é considerado menos aceitável do que um que não o seja20;

Risco assumido ou involuntário - Um risco imposto involuntariamente (por exemplo, a transposição das águas do Rio São Francisco) é considerado como menos aceitável do que um risco assumido voluntariamente (por exemplo, o uso de bebidas alcoólicas);

20

A questão levantada remete a uma organização que se paute nos atributos da ética e de responsabilidade. Obviamente, organizações que não tenham estas virtudes como valores provavelmente terão uma percepção diferenciada da proposta.

O risco incontrolável - A incapacidade de controlar um risco reduz a percepção de sua aceitabilidade e gera uma preocupação que acarreta em pânico generalizado (por exemplo, o surgimento da AIDS ou o vírus EBOLA);

O risco industrial (fabricado pelo homem) x o risco proveniente da natureza - Um risco industrial (por exemplo, a energia nuclear) é considerado menos aceitável do que um risco natural (por exemplo, um raio);

O risco desconhecido - Um risco exótico ou pouco familiar (por exemplo, a colisão de um asteróide com a Terra) é considerado menos aceitável do que um risco familiar (por exemplo, o uso de produtos tóxicos de limpeza doméstica);

O desequilíbrio entre os impactados pelo risco – Quando se acredita que um risco está sendo imposto de forma desigual ou injusta a um grupo específico, é considerado de forma menos aceitável. Este tipo de problema é exacerbado quando se trata de minorias, como homossexuais, crianças, etnias, entre outros;

Desconfiança e incerteza em relação ao risco - Quando a origem do risco é pouco confiável ou o risco é altamente incerto e se sabe muito pouco, aumenta-se o espectro de incertezas e se torna menos aceitável. Este atributo faz relação com a pseudocerteza da Teoria Perspectiva;

Temido - Um risco altamente temido (por exemplo, o terrorismo) é considerado menos aceitável do que um que não o seja (por exemplo, um acidente doméstico).

A análise dos atributos acima pode gerar algumas aparentes incoerências, mas o intuito de apresentação não é de uma análise quantitativa – busca de correlações – e sim qualitativa. Isto quer salientar o fato, em que alguns momentos, por exemplo, o risco industrial também poderia ser associado a um conhecimento sob o problema (gerando um confronto entre risco desconhecido e risco industrial). Ficaria a dúvida, o risco é maior ou menor? Não importa.

O que importa é que a avaliação do problema é fundamentada na medida que pode desencadear um processo de indignação pelo ambiente e este pode começar a se manifestar

(caso não haja nenhum tipo de controle). O levantamento de que este tipo de risco é gerador de indignação poderá suplantar quaisquer tipos de avaliações técnicas obrigando a um controle sobre o fato.

A ausência de conhecimento ou de informação obrigará ao gestor ter habilidade suficiente para desenvolver soluções não só que atendam diretamente a prevenção necessária, mas também deverão ser apresentadas soluções para gerenciar os fatores cognitivos inseridos, já que quando as complexidades envolvidas são significativas e os fatores de causa e efeito são difíceis de serem definidos, a ciência enfrenta dificuldades maiores para prever resultados ou avaliar probabilidades com uma margem razoável certa, a abordagem preventiva tem sido recomendada (Hill e Dinsdale ,2003).

O que isto significa? “Isto nos mostra que os riscos que são controlados são uma fonte menor de indignação do que os que estão além do nosso controle” (Sandman, 2004, p.3). Assim, só por meio de uma gestão da técnica e de valores que influenciam na intuição é que se obtém que as soluções sejam aceitas, acatadas e incorporadas na organização. “As pessoas apostarão em crenças vagas em situações onde se sintam especialmente competentes ou bem informadas, mas preferirão apostar segundo as chances em caso contrário” (BERNSTEIN, 1997, p.281). Isto implica dizer que o gestor deve propor soluções de segurança para controlar o perigo e ao mesmo tempo, tomar outras medidas para controlar a indignação.

Voltando a SANDMAN (2002, p. 5) constata-se fielmente a dualidade da gestão que ora se apresenta:

“Ao dar estas definições, aqui a primeira Lei (talvez a única lei) de uma comunicação de risco: a indignação, não o perigo, dirige reputação. Mesmo os perigos significativos são tolerados geralmente quando a indignação é baixa, e mesmo os perigos insignificantes são rejeitados geralmente quando a indignação é elevada. A distinção do perigo contra a indignação é apenas um exemplo especial da distinção entre a substância e o processo. Uma comunicação é mais importante do que muitas gerências pareçam pensar”.

As pessoas de um ambiente lidam com riscos de uma forma muito particular. As suas avaliações não são padronizadas e, ao mesmo tempo, quanto mais parecidas entre si, mais forte é a aceitação ou rejeição a uma determinada medida. A percepção do ser humano está diretamente ligada a aspectos cognitivos aflorados pela existência do risco. Não obstante, Sandman (1998) é categórico em afirmar que entre o perigo e a indignação, esta confere uma

reação muito mais exacerbada que a outra. Logo, este fator remete ao seguinte questionamento: o gestor deve ser um especialista em tratamento de riscos ou um analista comportamental que deva manter um sensoriamento sobre o ambiente? O caminho é o equilíbrio. A afirmação de SABBAG (2002, p. 15) elucida o problema existente:

“Em muitos projetos, a enorme lista de riscos potenciais, se viesse a ser explicitada, provavelmente alarmaria muitos dentre os ingênuos. A percepção dos problemas em potencial pode ser condicionada pela atitude do gestor: a aversão ao risco pode afetar a amplitude e a classificação dos riscos”.

Invariavelmente, a análise desta teoria implica numa capacitação maior do gestor, pois só conseguirá perceber o que se passa no ambiente se conseguir se comunicar nas várias linguagens da organização: a operacional, a financeira, a de recursos humanos, entre outras.