THE EFFECT OF HOSPITAL EMPLOYEES’ PERCEPTIONS OF TOXIC LEADERSHIP AND ORGANIZATIONAL CYNICISM ON
IV. TARTIŞMA, SONUÇ VE ÖNERİLER
Para que haja redenção da pobreza rural é necessária a ação pública que possa estimular a produção. Em uma economia de mercado, como a brasileira, a produção é o meio eficaz para o alcance dos resultados lucrativos que o capitalismo requer. O capital, portanto, é o elemento essencial para que a produção se efetive e o lucro aconteça. Em grande parte das vezes, porém, aqueles que se dispõem produzir não possuem os recursos financeiros necessários ao incremento de suas atividades produtivas, necessitando que outros forneçam o capital de que precisam. Dessa necessidade surgiu o crédito, como propulsor da circulação de riquezas. Os bancos, assim, têm relevante importância numa economia capitalista, pois fornecem o seu principal insumo: o dinheiro. De posse da pecúnia, o produtor ou empreendedor garante a aquisição dos demais insumos que a atividade econômica requer e a produção acontece, gerando riquezas que necessitarão de mais capital para se expandirem, de modo que o crédito está inserido nesse ciclo de crescimento econômico. Os bancos fazem o papel de fornecedores de crédito, utilizando recursos de suas mais diversas fontes para beneficiar a sociedade com a oferta de capital.
As instituições financeiras não se destinam a criar, mas a tornar possível a circulação e a acumulação de riquezas. O crédito é a transferência temporal de poder aquisitivo em troca da promessa de reembolsá-lo, acrescido de seus encargos, em um prazo determinado e na unidade monetária convencionada (REBOUÇAS FILHO, 2005, p. 10). Os valores depositados pelos investidores são transformados em recursos de giro à disposição do banco para aplicação nos seus diversos produtos creditícios, mediante remuneração a ser cobrada de seus clientes. As atividades bancárias recebem normatização do Conselho Monetário Nacional (CMN) e fiscalização do Banco Central do Brasil (BACEN). São operações bancárias clássicas a concessão de empréstimos, o depósito, a conta corrente, o desconto de títulos, a abertura de crédito etc. Todos esses produtos bancários postos à disposição de seus potenciais clientes visam o lucro, que é a finalidade econômica precípua de um banco (ABRÃO, 2008, passim).
Por aplicar os recursos nele depositados por seus investidores e utilizá-lo para fornecer crédito para seus clientes, consumidores, o banco se posiciona como intermediador. A intermediação financeira desempenha um papel relevante no funcionamento do sistema econômico, vez que ela “capta recursos financeiros dos agentes econômicos superavitários e os transfere para os agentes econômicos deficitários” (ALVES, 2011, p. 7). Porém, entre as
distintas modalidades de crédito bancário, o empréstimo pode ser considerado sua figura mais típica. O pacto de empréstimo esboçado na modalidade bancária mais comum é na verdade um contrato de mútuo, cujo conceito pode ser retirado do artigo 586, do Código Civil Brasileiro (CCB) de 2002: “o mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa de mesmo gênero, qualidade e quantidade”. O mútuo bancário possui especificidades próprias, mas, em regra, seu conceito coincide com o trazido pelo Código Civil, sendo que a coisa fungível é específica: a pecúnia. O dinheiro emprestado ao tomador deverá ser restituído ao banco, acrescidos dos encargos contratuais avençados.
Economicamente, a prestação de serviços creditícios redunda em proveito tanto para o banco como para o cliente, tanto que no plano dos interesses particulares, nenhum indivíduo ou empresa pode renunciar os serviços bancários, seja para efetuar pagamentos, seja para obter créditos. Assim, a importância da atividade bancária é tal, que o Estado teve que assegurar seu controle e direção, se tornando banqueiro ele próprio (ABRÃO, 2008, p. 9, 55). Deste modo o crédito tornou-se instrumento para concretização de objetivos de política econômica. Na área rural, essa iniciativa tem papel ainda mais relevante, vez que o Sistema Nacional de Crédito Rural foi criado para propiciar ao setor produtivo rural um ambiente econômico favorável, garantindo ao setor primário condições de produção suficientes para o abastecimento do mercado interno e exportação de excedentes (WILDMANN, 2001, p. 6).
Até meados da década de 1990, o disciplinamento do Sistema Nacional de Crédito Rural facilitou sobremaneira a concessão de crédito para os empresários rurais e os grandes latifundiários. Os recursos fornecidos receberam subsídios governamentais, de maneira a reduzir para os bancos os riscos comumente enfrentados pelas atividades rurais financiadas. O conceito de subsídio, conforme Munhoz (1982, p. 15) é, basicamente, “tudo aquilo que, devido, se permite deixar de pagar; como também aquilo que se recebe sem contraprestação de bens ou serviços”; ou ainda pode ser “aquilo que, de propriedade de terceiros, é utilizado sem a obrigação de uma remuneração correspondente”. O subsídio é uma clara afirmação do desejo ou necessidade de se favorecer alguém em uma relação econômica na sociedade. Todo subsídio representa uma transferência de renda, embora nem sempre o ônus recaia sobre o cedente do benefício, como também nem sempre as benesses tenham como favorecido final o destinatário imediato do subsídio.
Desta forma, houve considerável transferência de renda para os empresários rurais. Ou seja, verdadeira política pública para garantir a produção agrícola, a expansão das
exportações, o equilíbrio da balança comercial e o fortalecimento das commodities. Ocorreu que ficaram excluídos dessa distribuição de recursos públicos os pequenos produtores rurais, em especial os de produção familiar. Aos agricultores familiares não foi garantida qualquer política de inserção bancária, nem criado qualquer programa de financiamento apropriado às suas necessidades. As exigências bancárias, em especial aquelas relacionadas com o lastro dos financiamentos, eram verdadeiros entraves ao agricultor familiar, situação que permaneceu sem grandes alterações até a década de 1990.
O modelo de política de crédito adotado anteriormente pelo SNCR apresentava vários defeitos, entre os quais se podem destacar: a) a intervenção excessiva do Estado, com taxas de juros subsidiadas; b) a crença de que as comunidades rurais de minifúndios eram demasiado pobres para poupar ou para se inserir nos programas de financiamento rural, com inclusão bancária; c) o sistema antigo deixava de lado os mini e pequenos empreendimentos rurais, acreditando que estes estariam em processo de extinção; d) os gastos públicos e financiamentos se concentravam no latifúndio e nas médias e grandes empresas rurais. Durante aqueles anos, aconteceram profundas mudanças na forma de atuação do Governo no crédito rural. A realidade imposta pela necessidade de controle dos gastos públicos, em decorrência da política fiscal, e o esforço de modernização do Estado foram determinantes para que se fizessem alterações substanciais no padrão de atuação governamental (GASQUES; CONCEIÇÃO, 2001, p. 100).
Sabe-se que permanecem e se avolumam no campo os combativos e sempre delicados conflitos possessórios, as discussões sobre o uso inadequado da propriedade rural e o esforço do processo jurídico-pedagógico de instruir o homem na preservação do meio ambiente. Esse cenário está agora superdimensionado ante a necessária orientação do uso racional da água, do ar etc., desafiando continuamente o Estado e as normas que regem o ordenamento jurídico a prosseguir na regulamentação das relações socioeconômicas rurais (PEREIRA, 2009, p. 212). Nesse cenário, o crédito pode ter papel fundamental para minimização dos abismos sociais existentes entre a população rural e a urbana, e, especialmente, para eliminação das exclusivistas divergências econômicas entre os grandes latifundiários e os pequenos produtores. Ao permitir que gerem receita, produzam excedentes e se insiram no mercado, o crédito suscita nos produtores rurais a capacidade de participar do desenvolvimento do país.
As instituições bancárias, públicas e privadas, são repassadoras de recursos e, portanto, cumprem um munus público na consecução do crédito, porém obedecendo aos
princípios legais e constitucionais de ordem pública, para o cumprimento de papel fundamental na ordem público-econômica. Os princípios básicos norteadores do Estado liberal, de liberdade e igualdade entre os homens, não podem ser concretizados sem que o Estado abandone a postura absenteísta e passe a garantir os direitos sociais mínimos da população. Para que os direitos sociais possam efetivamente ser usufruídos, há de se garantir os meios para que isso seja possível (WILDMANN, 2001, p. 6, 9). O papel do crédito rural é conduzir a batalha contra a pobreza no campo por meio do induzimento à pequena produção e aos meios que a façam expandir, melhorando o ganho do trabalhador autônomo, individual ou associado.
Conhecer como a pobreza é produzida e reproduzida é obrigatório para governos e entidades que pretendam criar políticas públicas direcionadas aos pequenos produtores. A redenção financeira dos pobres exige muito mais do que crédito, pois é preciso oferecer-lhes oportunidades seguras de poupança, seguro e diversificação do crédito para diferentes modalidades. As demandas creditícias daqueles que mal conseguem preencher as necessidades básicas de sua família não podem ser encaradas sem que se leve em conta a heterogeneidade no uso que esses produtores fazem do crédito, porque o acesso aos recursos financeiros e suas modalidades são fatores cruciais na própria determinação da renda obtida pelas famílias.
3.4 O PROGRAMA NACIONAL DE FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA