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GİRİŞİMCİLİK ÖZELLİKLERİ ÜZERİNE AMPİRİK BİR ÇALIŞMA: ISPARTA ÖRNEĞİ

TARTIŞMA VE SONUÇ

iante da realidade econômica e do mercado de trabalho global em que hoje vive-se, as ações humanas passam a agregar valores sociais e materiais por meio das diversas formas de trabalhos exercidos pelos trabalhadores no processo produtivo e reprodutivo do capital provocando, desse modo, uma nova divisão social e territorial do trabalho e, por conseguinte, criando e recriando novos espaços, territórios, lugares e cidades adaptadas aos novos modos organizacionais de trabalho.

Nesse contexto, concordamos com o pensamento de Santos e Silveira (2006), quando falam que o trabalho torna-se mais especializado e as formas de cooperação e complementaridade se impõem, sobretudo, entre os espaços e as cidades chamadas a oferecerem respostas à população e ao sistema produtivo.

Contudo, pode-se assinalar que as relações comerciais e econômicas de caráter nacional e internacional se processam cada vez mais rápidas, devido, na maioria das vezes, ao desenvolvimento técnico-científico e informacional para dar respostas ao mercado de trabalho, seja nas formas de organizações ou em função dos mercados consumidores. Buscando entender esse processo Dowbor (2001, p.16), chama a atenção para o fato de que a “globalização econômica é uma tendência dominante no momento atual e desenvolve-se dinamicamente, de forma diferente e bastante intensa”.

E, desse modo, o momento atual, movimenta grandes valores financeiros não só no mercado econômico, mas também no mercado de trabalho numa relação de dependência, funcionando como uma cadeia alimentar, na qual diversos atores sociais participam ativamente. Os movimentos financeiros internacionais, de acordo com o autor citado, ultrapassaram no ano de 2001 uma cifra de 1,8 trilhões de dólares por dia, entre os centros comerciais do mundo e numa base de trocas efetivas de bens e serviços na ordem de 20 a 25 bilhões.

Assim, é fato, que o mercado de trabalho vem adquirindo novas características; pois, a realidade tecnológica, global e informacional a que estamos submetidos se dá em qualquer parte do mundo, mais facilmente aproximando o homem de novas culturas, de novas formas de produzir e de consumir. Dessa maneira, as mudanças por que passa o mundo, vão adquirindo novos rumos e direcionamentos, exigindo, cada vez mais da sociedade, novas formas de se

organizar-se e produzir sejam em micro ou macro escala; nesse processo, começa a ter destaque o número de desempregados. É o que se pode constatar com relação à realidade local.

O censo demográfico de 2000 identificou um a População Economicamente Ativa (PEA) em Natal, na ordem de 318.820 mil pessoas, das quais 261.171 estavam ocupadas na semana de referência, conforme Tabela 01; significando, portanto, uma taxa de desemprego em Natal na ordem de 18,08% ou aproximadamente 58.000 pessoas em situação de desempregadas na cidade.

Outro dado relevante é que o desemprego atinge mais as mulheres que os homens e, atinge também, de forma mais acentuada, uma classe da população mais jovem. No entanto, uma política de geração de emprego na cidade deve preocupar- se não só com esse contingente de desempregados, mas também com o fato de que, por ano, nada menos que 11.000 pessoas em Natal passam a compor o contingente de pessoas em idade entre 15 e 64 anos, já descontando os que saem dessa faixa etária. Do contingente que ingressa anualmente em idade produtiva, ainda é levado em consideração, que pelo menos 7.600 pessoas provavelmente residem nas regiões Norte e Oeste de Natal, justamente nas regiões mais carentes da cidade.

Além da questão da quantidade de emprego que precisa ser gerado, a ação municipal deveria preocupar-se também com a qualidade desses empregos; pois, em Natal, existem quase 115 mil postos de trabalhos precários, dentro de um universo de 260 mil, distribuídos na cidade. Entre estes, estão 56 mil empregados sem carteira assinada; 3.000 trabalhadores não remunerados e outros 55 mil trabalhadores por conta própria esses que, muitas vezes, não estão ocupando empregos precários. Contudo, gerar mais e melhores empregos em Natal, certamente, deve ser o centro das preocupações dos gestores e da população em geral. Contudo, na década de 1990, a cidade de Natal, foi marcada por um processo de precarização do mercado de trabalho. Pelo menos dois indicadores demonstram isso de forma incontestável: o desemprego e as categorias de ocupações (Tabela 1).

Tabela 01 – Índices de empregados e desempregados no mercado de trabalho da cidade do Natal/RN

Ano

1991 2000Ano Variaçãorelativa Projeçãop/ 2005

PEA 237.593 318.820 34,19 363.946 Ocupados 219.104 261.171 19,2 284.542 Desempregados 18.489 57.649 211,8 79.405 Empregadores 7.389 9.584 29,71 10.803 Conta própria 43.765 55.485 26,78 61.996 Empregados 167.035 192.798 15.42 207.111

Fonte: IBGE. Censo 1991/2000 (apud PMN/SMPGE/DEP, 2005).

Entre 1991 e 2000, o número de desempregados em Natal mais do que triplicou e o contingente de pessoas procurando emprego, baseado nos dados do censo de 1991 a 2000 saltou de aproximadamente 18,5 mil pessoas para algo em torno de 57,6 mil indivíduos. Em função disso, é que o número de pessoas desocupadas cresceu num ritmo superior ao de pessoas ocupadas; logo, a taxa de desocupação na cidade subiu de 7,78% em 1991 para 18,08% em 2000. Na década de 1990, de cada dois trabalhadores que ingressaram no mercado de trabalho de Natal, 01 o fez na condição de ocupado e o outro entrou nesse mercado procurando um emprego. Isso significa dizer que a expansão do emprego no decorrer dos anos de 1990, foi suficiente para criar ocupações para apenas metade das pessoas que estavam entrando no mercado de trabalho.

Caso essa tendência tenha se prolongado após o ano de 2000, na próxima década Natal deverá ter, aproximadamente, 80.000 pessoas desempregadas, o que equivale a quase 22% da População Economicamente Ativa (PEA) deste ano. Portanto, 01 em cada 05 trabalhadores estará desempregado ou ingressando no setor informal da economia. Outro indicador importante do mercado de trabalho de Natal na década de 90, é que as ocupações por conta própria crescem num ritmo mais acentuado do que as ocupações de empregados no setor formal e, isso é uma conseqüência do crescente índice de desemprego.

A crescente precarização do mercado de trabalho de Natal, fica clara através dos seguintes indicadores: em 1991 cerca de 27,75% da PEA de Natal estava desocupada ou em ocupação por conta própria; em 2000 esse número saltou para 39,32% e em 2005, mantida essa tendência, a próxima década atingirá 43,11% da PEA. Mostrando, contudo, a tendência de um crescimento desordenado do setor informal da economia.

Assim, é fato que, o mercado de trabalho vem adquirindo novas características dentro de uma realidade tecnológica global e informacional a que estamos submetidos e, que se dá em qualquer parte do mundo, nos aproximando mais facilmente de novas culturas, novas formas de produzir e de consumir. Dessa forma, as mudanças por que passam o país e o mundo vão adquirindo novos rumos e direcionamentos exigindo, cada vez mais da sociedade, novas formas de se organizarem e produzirem sejam em micro ou macro escala.

Nesse processo, começa a ter destaque o número de desempregados, é o que se pode constatar com relação à realidade do mercado de trabalho em Natal/RN. Segundo o censo demográfico de 2000 com projeções futuras, divulgados pela Prefeitura Municipal de Natal (PMN) através da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão Estratégica (SMPGE) e da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (SEMTAS), realizada pelo Departamento de Estudo e Pesquisa (DEP), identificou também que o montante de desempregados atinge mais as mulheres que os homens dentro de uma faixa etária mais jovem, conforme Tabela 2.

Tabela 2 – Desempregados, por faixa etária e sexo, na cidade do Natal/RN Grupos de idades Total Homens Mulheres

Total 57.649 27.858 29.791 10 a 19 anos 14.858 7.521 7.338 20 a 29 anos 21.902 10.190 11.711 30 a 39 anos 11.762 5.133 6.629 40 a 49 anos 5.833 2.925 2.907 50 a 59 anos 2.487 1.555 932 60 anos acima 807 534 274

Fonte: IBGE. Censo 1991/2000 (apud PMN/SMPGE/DEP, 2005).

Entretanto, mais mulheres que homens estão ingressando no mercado de trabalho da cidade do Natal, provocando mudanças significativas. Isso pode ser explicado por vários fatores, dentre outros, a qualificação e a busca, a cada momento, por uma independência profissional e financeira e, obviamente, pelo número populacional de mulheres que também é superior ao de homens.

Mediante os dados divulgados pela PMN, através da pesquisa mostrada, a tendência e que vem se confirmando ao longo desses anos é que o setor informal da economia venha se expandindo progressivamente, servindo como válvula de escape na vida daqueles que buscam, de uma forma ou de outra, suprir suas necessidades.

Dessa maneira, esse setor vem se destacando dentro de um cenário geográfico, econômico-social e global e se projetando como um importante segmento estrutural da economia, nos dias de hoje, seja do ponto de vista da reprodução social, seja do ponto de vista econômico.

Esse fato é uma decorrência das significativas transformações pelas quais vem passando o mercado de trabalho, sendo essas responsáveis pelo intenso desemprego que vem afetando diretamente as mais diferentes classes de trabalhadores. O desemprego ocorre de forma estrutural, provocando subcontratação, subemprego, terceirização; enfim, levando ao surgimento do setor informal e da informalidade. Para que possamos entender todo esse processo é necessário adentrar no entendimento do setor informal da economia

Conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho informal atrai a atenção de estudiosos a partir de informações colhidas no campo de pesquisa realizada no Quênia, no final dos anos de 1960. Por conseguinte, o termo “setor informal” foi selado pela OIT e utilizado, pela primeira vez, nos relatórios sobre Gana e Quênia, elaborados no âmbito do Programa Mundial de Emprego (PME), em 1972.

Uma das principais conclusões alcançadas nesses relatórios foi que o problema social mais relevante naqueles países não era por si só, o desemprego, mas a existência de um grande número de trabalhadores pobres preocupados em produzir bens e serviços sem que suas atividades fossem reconhecidas, registradas, protegidas ou regulamentadas.

Posteriormente outros estudos e pesquisas foram realizados no decorrer do tempo, e outros termos foram surgindo e passando a ser utilizados para identificar as ocupações no setor informal, tais como: “não-estruturado, não organizado e não protegido”. No Brasil, a partir dos anos de 1960, as analises sobre populações pobres foram surgindo devido à integração aos padrões socioculturais e econômicos da sociedade capitalista.

Nesse período, também, a OIT realizou a missão de estudos que analisou o problema do emprego urbano no Quênia, com vistas a um diagnóstico e à proposição de políticas para atenuação do desemprego e do subemprego naquela e em outras regiões subdesenvolvidas. O relatório resultante dessa missão, pela primeira vez, utiliza a noção de “setor informal” da economia que de acordo com Alves e Tavares (2006, p. 441),

Trata-se de trabalho executado sob relações informais, podendo ser parte de uma atividade fabril externalizada, venda de mercadorias, trabalho virtual, etc., cumprindo para o capital a mesma função do trabalho formal. Diríamos que se trata de uma transfiguração da velha forma – ‘setor informal’ –, adequada às atuais exigências da valorização do valor, fato que não é novidade na história do capitalismo. A luta do capital para adequar a base técnico-material ao seu propósito de acumulação não se extingue enquanto não for extinto o próprio sistema.

Segundo o Programa Regional de Emprego para América Latina e Caribe (PREALC) da OIT, o setor informal da economia é composto, principalmente, por atividades urbanas geradoras de renda e que se desenvolvem fora do âmbito normativo e oficial; ou seja, em mercados irregulares. As atividades desenvolvidas nesse setor utilizam-se de pouco capital, de técnicas rudimentares e mãos-de-obra pouco qualificadas; acarretando assim, empregos instáveis de reduzida produtividade e de baixa renda.

A ausência de caráter normativo e oficial é comum às diversas definições dadas ao setor informal. O mesmo não ocorre quando a questão diz respeito a sua denominação. Sendo assim, os debates e discussões sobre o setor informal apontam para denominações como: subemprego, emprego disfarçado, estratégia de sobrevivência, trabalho (não-estruturado, não-organizado, submerso, invisível, não- protegido) entre outras.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor informal da economia é um setor, cujos trabalhadores estão ligados às pequenas unidades de produção e serviços onde, na maioria das vezes, o empregador também é um empregado, podendo haver familiares que os ajude. Portanto, segundo o IBGE (2003), podemos dizer que setor informal é:

A unidade econômica de propriedade dos trabalhadores por conta própria e de empregadores com até cinco empregados. Ainda evidencia que a ausência de registro em carteira de trabalho não deve ser utilizada como critério único para definição do mercado informal, à medida que a lógica do mesmo diz respeito ao modo de funcionamento da unidade econômica e não do seu status legal ou das relações que as mantêm com as autoridades públicas.

Ainda com relação à questão conceitual, chama-se atenção para a definição da compreensão que é dada aos termos informal e informalidade. O “setor informal” da economia é composto por trabalhadores que atuam à margem da lei e dos

segmentos modernizados da economia. Já “Informalidade” refere-se, formalmente, ao não cumprimento das normas de proteção aos trabalhadores sendo, basicamente a ausência da contribuição para a previdência social entre outros fundos financeiros de participação; os quais beneficiam a própria classe trabalhadora valorizando, sobremaneira, sua força de trabalho.

Na prática, o fato ocorre da seguinte forma: uma parcela do setor informal da economia, a exemplo das empregadas domésticas que têm carteira de trabalho assinada ou registrada, contribuem e recebem seus encargos sociais; logo, não estão na informalidade, mas fazem parte do setor informal da economia.

Por outro lado, muitas empresas do setor formal da economia, essas que estão regularizadas e registradas conforme exigências da lei e obedecendo a uma escala maior de produção, utilizam mão-de-obra sem vínculo empregatício e sem qualquer registro em carteira de trabalho; portanto, dessa forma, não recolhem nem contribuem com os encargos sociais e trabalhistas. Logo, essa parcela de trabalhadores encontra-se na informalidade, quando deveriam estar, efetivamente, registradas no setor formal e bem longe da informalidade.

O termo “trabalho informal” pode ser aplicado a diversas atividades, as quais são exercidas à margem ou fora da legislação trabalhista, mas com algumas ressalvas. À medida que aumenta o número de desempregados, aumenta também a quantidade de pessoas em busca de um lugarzinho no setor informal; afinal, é um espaço onde há vagas para todos, apesar das dificuldades que devem enfrentar. Esse setor absorve pessoas de ambos os sexos; com formação escolar ou não; faixas etárias diferenciadas; entre outras pessoas, mas todos com o mesmo objetivo: garantir uma renda financeira.

Entretanto, fazem parte do setor informal da economia diversas categorias de trabalhadores e aqui citaremos algumas delas, conforme Jakobsen (2001): os assalariados, que fazem parte de micro-empresas com até cinco funcionários, trabalham e vivem com um vínculo empregatício assegurado e caracterizado pela legislação trabalhista vigente e, sua jornada de trabalho é prefixada pelo empregador, bem como, sua remuneração que pode ser fixa sob forma de salário ordenado ou incluindo, adicionais por tempo de serviços, cargos de chefia, insalubridade, periculosidade e comissões.

Os empregadores; esses que são pessoas identificadas como proprietários de um negócio e/ou empresa, ou aquelas que exercem uma profissão ou ofício e têm

normalmente um ou mais empregados assalariados, contratado(s) de forma permanente. Os autônomos (trabalham diretamente com o público ou empresas); que são pessoas que exploram seu próprio negócio ou ofício e prestam seus serviços, seja, diretamente, para o consumidor ou para determinadas empresas, ou ainda, para outras pessoas.

As empregadas domésticas que trabalham em casas de famílias e são contratadas para realizarem serviços domésticos, podendo ser: mensalista ou diarista; no primeiro caso, recebendo salário mensal; enquanto que no segundo, a pessoa trabalha em casa de uma ou mais famílias e recebe uma remuneração diária e, os trabalhadores familiares, os quais exercem atividades econômicas em negócios ou no trabalho entre parentes sem receber um salário fixo, em contra partida, recebem uma ajuda de custo em dinheiro ou mesada. Todos esses trabalhadores, entre outros, fazem parte de um setor da economia, que vem tomando conta dos espaços geográficos, criando e recriando inúmeros territórios.

Contudo, não esqueçamos de que o setor informal da economia é muito amplo; nele estão incluídos também os proprietários de pequenos negócios estejam registrados ou não; os trabalhadores individuais e familiares, bem como, os comerciantes com até cinco empregados, desde que caracterizados por uma produção realizada em pequena escala e com um baixo nível de organização. Pois, sendo o setor informal da economia um conjunto de atividades não essencialmente capitalista, mesmo estando inserido nesse sistema visa, num momento oportuno, ingressar no setor formal e tipicamente capitalista.

Contudo, temos também, a figura do trabalhador autônomo ou por conta própria e que é conhecida há muitos anos, estejam esses representados pelos camelôs, donos de pequenos negócios, barraqueiros, feirantes, ambulantes, etc.; o certo mesmo é que, há anos, deparamos com esses conhecidos “donos de calçadas e de espaços públicos” como os são, comumente, tratados.

Com relação à categoria de trabalhadores por conta própria ou autônomos devemos buscar entender sua forma de inserção no mercado de trabalho que pode dar-se através de empregos familiares ligados às atividades artesanais; prestadores de serviços em geral; proprietários de pequenos comércios e os que vivem de atividades ocasionais diversas.

Esses trabalhadores podem ser definidos como um produtor simples de mercadorias ou que conta com força de trabalho própria ou de familiares e, em

alguns casos, subcontratando força de trabalho assalariada. Contudo, de acordo com Alves e Tavares (2006, p. 433), as formas de inserção do trabalhador, por conta própria, na economia informal “não são práticas novas, mas foram recriadas pelas empresas capitalistas como meio de possibilitar a extração da mais-valia absoluta”.

De acordo com Antunes (2006), dentro das categorias de trabalho existem os menos instáveis, os quais possuem um mínimo de conhecimento profissional e que, na maioria dos casos, desenvolvem suas atividades no setor de prestação de serviços, a exemplo das costureiras; pedreiros; jardineiros; vendedor ambulante de artigos de consumo mais imediato como os alimentos, vestuários, calçados e de consumo pessoal; camelôs; empregado doméstico; sapateiro e oficiais de reparos. Existem, ainda, trabalhadores informais ocasionais ou temporários que se encontram desempregados e buscam se encaixar em qualquer atividade do setor informal, mas, seu objetivo maior é o de retornar ao trabalho assalariado. São trabalhadores que, ora estão desempregados, ora são absorvidos pelas formas de trabalho minguado, vivendo numa situação que, inicialmente, era provisória passando a ser permanente.

Todavia, se a presença desses trabalhadores nas ruas apropriando-se dos espaços de uso comum do povo, não é algo recente é; no entanto, um fenômeno igualmente antigo a tentativa de os governantes para resolver tal situação. Quem nunca teve que desviar-se de um vendedor ambulante ou de um camelô nas ruas ou nas calçadas por onde se passa? Ou até mesmo quantos deixam de ficar em uma guarita ou em um ponto de ônibus, devido a que o local esteja ocupado por um ambulante? Hoje, eles estão por toda a parte, chegando mesmo a impressionar com seus trabalhos, formas e maneiras de territorializar os espaços geográficos. Observe, Gráfico 01, alguns dos segmentos ocupacionais dentro do setor informal da economia.

47,61% 16,67% 16,27% 8,75% 5,76% 4,94% Autônom os(trabalhando por conta própria) Em pregados sem carteira assinada

Em pregados dom ésticos sem carteira assinada Em pregados com carteira assinada (em presa com até 5 em pregados) Em pregados dom ésticos com carteira assinada Em pregadores (em presas com até 5 em pregados)

Fonte: Dedecca (2007).

Gráfico 01 – Alguns Segmentos de trabalhos do setor informal da economia

Portanto, as mudanças que vêm ocorrendo no campo social e econômico, especialmente nos espaços urbanos, refletem na vida cotidiana e, dessa maneira, as cidades aparecem como manifestações espaciais e concretas no processo de constituição da sociedade alicerçada pela divisão espacial do trabalho, na ampliação do mercado mundial e na eliminação das fronteiras entre os Estados, devendo-se, contudo, a globalização e, particularmente, aos fluxos de informações que são dadas de forma acelerada e que vêm aquecendo a economia do país e do mundo.

No processo de produção e reprodução do capital, o mercado de trabalho é produzido e reproduzido, contornando os territórios nacionais e internacionais dentro de um único espaço e, sobretudo, nas grandes cidades onde as mudanças são significativas e rápidas, mediante as ações e informações que levam a refletir o quanto é complexa a realidade em que se vive.

Benzer Belgeler