As coletas de água e sedimento foram realizadas semanalmente em setembro (período seco), novembro e dezembro de 2011 (período chuvoso) totalizando 09 amostragens. Foram realizadas, in situ, medidas de parâmetros físicos e químicos da água utilizando a sonda multiparâmetros da marca Hydrolab e, em laboratório, medidas de dureza total e alcalinidade (Tabela 2).
Para análise de metais totais, as amostras de água foram fixadas in situ com de ácido nítrico concentrado (50%) até redução do pH a 2. Para a determinação de ferro dissolvido foi realizada a filtragem das amostras de água, in situ, em membranas com 0,45 μm de porosidade. Em seguida, as amostras foram fixadas com ácido nítrico concentrado. As amostras de sedimento para análise de metais biodisponíveis, que é a fração relevante do ponto de vista ambiental, foram peneiradas em campo com peneiras granulomértrica de malha 2,0 mm. Em laboratório, foi realizada a extração de metais biodisponíveis em sedimento
119 utilizando ácido clorídrico 0,1M, com as amostras secas, na proporção de 1g de sedimento para 25 ml de ácido.
A análise de metais foi realizada no Laboratório de Metalurgia da UFMG, dentro do projeto INCT-ACQUA, através de Espectrometria de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado (ICP-OES). A análise de arsênio foi realizada por Espectrometria de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado com geração de hidretos. As análises de nutrientes foram realizadas pelo Laboratório de Limnologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG.
As amostras de água para realização de ensaios de toxicidade e análise de nutrientes foram coletadas com galões plásticos e armazenadas em gelo até a chegada ao laboratório, onde foram mantidas refrigeradas a 4°C. As amostras de sedimento para condução dos bioensaios foram coletadas em potes plásticos, considerando a camada superficial do sedimento (6 cm), seguindo os mesmos procedimentos de armazenamento para as amostras de água. Essa amostragem foi realizada quinzenalmente durante os meses citados.
Foi realizada uma caracterização granulométrica do sedimento dos córregos. Para tanto, uma fração de 100 gramas de sedimento seco foi fracionado em uma sequência de peneiras com malha variando de 0,063 a 16 mm com auxílio de agitador.
Tabela 2- Parâmetros avaliados com suas respectivas metodologias.
Parâmetros físicos e químicos Metodologia
pH, OD, Condutividade, T°C, TDS, TB, Sonda Hydrolab
Alcalinidade Mackereth et al. (1978)
Dureza total ABNT-NBR 5761 (1984)
Metais em água e sedimento
Fe, Mn, Cu, Zn, Mg, Ni, Cr, Al, Hg ICP-OES
ICP-OES geração de hidretos
As
Nutrientes
NH4 Koroleff (1976)
NO2, Silicato Mackereth et al. (1978)
P total, PO4 Golterman et al. (1978)
120 2.3. Parâmetros Ecotoxicológicos
Os ensaios ecotoxicológicos foram realizados quinzenalmente. Foram conduzidos ensaios de toxicidade aguda e crônica com amostras de água, utilizando Daphnia similis e
Ceriodaphnia silvestrii, respectivamente, seguindo normas ABNT (2003 e 2005).
Os bioensaios de toxicidade aguda foram conduzidos em tréplicas, em copos plásticos de 50 ml, contendo 20 ml da amostra de água para o grupo teste e 20 ml de água de cultivo para o grupo Controle. Foram expostos 10 organismos em cada réplica, sendo mantidos no escuro, sem alimentação, durante 48h. Ao final do teste, o número de indivíduos imóveis foi contabilizado. Nestes bioensaios, considerou-se efeito tóxico agudo quando a mortalidade ou imobilidade foi igual ou superior a 50% nas amostras, com mortalidade inferior a 10% no Controle. Às amostras cujo efeito agudo não foi detectado, seguiram-se os ensaios de toxicidade crônica.
Os bioensaios de toxicidade crônica foram conduzidos em copos plásticos com 20 ml de amostra de água para o grupo teste e 20 ml de água de cultivo para o grupo Controle, considerando dez réplicas contendo um único organismo. Os organismos foram alimentados no início dos bioensaios e mantidos em fotoperíodo de 12 horas. A temperatura foi mantida em 25 ±1°C. A cada monitoramento, realizado em dias alternados, eram contadas e retiradas as neonatas, a água renovada e os organismos novamente alimentados. Nestes bioensaios, o parâmetro de avaliação foi a reprodução dos organismos ao longo de 7 dias, considerando três reproduções de cada organismo.
Os ensaios com amostras de sedimento (sedimento total) utilizaram como organismos- teste o quironomídeo Chironomus xanthus, para ensaios de toxicidade aguda, e C. silvestrii,
para ensaios de toxicidade crônica, seguindo normas ABNT (2003; 2005) e USEPA (1994). Os experimentos de toxicidade com sedimento foram conduzidos utilizando copos plásticos contendo 5 gramas de sedimento teste e 20 ml de água de cultivo totalizando 10 réplicas. Para
121 o grupo Controle, foi utilizado sedimento dos cultivos de quironomídeos. Em relação aos bioensaios de toxicidade aguda, os organismos foram expostos individualmente e alimentados no início do experimento, sendo mantidos no escuro por 96h. Ao final do experimento o número de indivíduos mortos foi contabilizado. Em relação aos bioensaios de toxicidade crônica, foram seguidos os mesmo procedimentos dos bioensaios com amostras de água, sendo os organismos expostos individualmente em fotoperíodo de 12h e alimentados no início e a cada monitoramento.
Os dados de ensaios de toxicidade crônica foram analisados através do teste de Dunnett (Dunnet, 1964; Zar, 1984; Horning & Weber, 1985; Weber, 1993) que apresenta valor de erro global que leva em consideração as múltiplas comparações com o Controle, ajustando a região de rejeição de modo que a probabilidade de detectar uma diferença estatisticamente significativa entre uma amostra e Controle seja inferior a 0,05. Para tanto, a normalidade dos dados foi verificada através do teste de Shapiro-Wilks (Weber, 1993). A homocedasticidade, ou homogeneidade de variâncias, foi avaliada por meio do teste de Barttlett (Weber, 1993).