4.BULGULAR Nicel bulgular;
5. TARTIġMA VE SONUÇ
A gramática funcional está ligada ao Funcionalismo Linguístico, que é uma corrente linguística que estuda a relação entre a estrutura gramatical das línguas e os diferentes contextos em que elas são usadas. Para esta corrente, a língua é um instrumento de interação social e sua função primária é a comunicação, ou seja, a língua existe para o seu uso; sua estrutura é maleável e depende de situações comunicativas. Para estudar a língua é necessário levar em conta a variedade das suas funções e dos seus modos de realização. Entende-se por função uma tarefa atribuída a um elemento linguístico estrutural para se atingir um objetivo comunicativo.
O Funcionalismo não considera a língua um objeto autônomo, pois, conforme afirma Maria Helena Moura Neves (2000, p. 03), esta “não pode ser entendida sem parâmetros como cognição e comunicação, processamento mental, interação social e cultura, mudança e variação, aquisição e evolução”. Este é um dos motivos pelos quais o Funcionalismo se opõe ao Estruturalismo e ao Gerativismo. Ataliba de Castilho (2010, p. 64) explica a visão funcionalista:
A língua é um instrumento de interação social, cujo correlato psicológico é a competência comunicativa, isto é, a capacidade de manter a interação por meio da linguagem. Segue-se que as descrições das expressões linguísticas devem proporcionar pontos de contato com seu funcionamento em dadas situações. A Pragmática é um marco globalizador, dentro do qual se deve estudar a Semântica e a Sintaxe.
O autor esclarece (ibid., p. 66): “A pragmática é a moldura dentro da qual a semântica e a sintaxe devem ser estudadas. A semântica é dependente da pragmática, e as prioridades vão da pragmática para a sintaxe, via semântica”. A estrutura da língua depende tanto da semântica quanto da pragmática.
O Funcionalismo privilegia o método sincrônico. Deve-se analisar todo o complexo de fenômenos que ocorrem simultaneamente durante um ato comunicativo para se chegar a conclusões sobre uma língua. Segundo Maria Helena Moura Neves (2000, p. 03), o propósito do evento da fala, seus participantes e o contexto discursivo são elementos importantes na análise da situação comunicativa.
Sobre gramática funcional, Ataliba de Castilho (2010, p. 68) afirma o seguinte:
A Gramática Funcional procura correlacionar as classes, as relações e as funções com as situações sociais concretas em que elas foram geradas. Para situar a língua em seu contexto social, ela ultrapassa o limite da sentença e avança na análise de textos extensos. Esse ramo de estudos “desencapsulou” a língua de seus rígidos limites estruturalistas e gerativistas, estabelecendo correlações entre os fatos gramaticais e os dados da comunidade que os gerou. Pode-se dizer que a Gramática Funcional reage contra a “pasteurização” da língua sustentada pela atitude formalista, que postula a língua como uma atividade mental ou como um código.
O autor (2010, p. 66-67) esclarece que o Estruturalismo e o Prescritivismo postulam a língua como um fenômeno homogêneo, estudado pela Linguística enquanto ciência autônoma, isto é, sem ligação com outras ciências; o Funcionalismo, ao contrário, vê a língua como um fenômeno heterogêneo, porque, na sua realização concreta, através da interação social, ela é influenciada por muitos fatores extralinguísticos. Nesse caso, segundo o autor, a Linguística não pode mais ser considerada uma ciência autônoma, mas sim interdisciplinar, apoiando-se em disciplinas como a Psicologia, a Sociologia, a Antropologia, a Semiologia, a Ciência Política, a História e a Filosofia.
O surgimento do Funcionalismo foi consequência da limitação do Formalismo que, como afirma Ataliba de Castilho (2010, p. 58), não foi capaz, por exemplo, de tratar a sentença de maneira satisfatória.
A inclusão da sentença nas análises gramaticais tem sido muito trabalhosa. Como unidade gramatical máxima, a Gramática Estrutural encontrou aqui grandes dificuldades, dado que a sentença soma propriedades sintáticas, semânticas e discursivas, que ultrapassam os limites da gramática tal como postulada pelos estruturalistas.
Os métodos de ensino-aprendizagem de língua materna e estrangeira derivados do Formalismo privilegiam o estudo da gramática pura, sem se considerar o contexto comunicativo; esses métodos se mostraram ineficientes no trabalho de desenvolvimento da competência comunicativa dos alunos. A abordagem funcional foi desenvolvida para superar o Formalismo em relação à questão didática; leva em conta os contextos das situações comunicativas e parte da exploração dos sentidos presentes em textos orais e escritos, trabalhando melhor as competências discursivas dos alunos. Atribui à gramática um papel de coadjuvante na construção de significados para a interação.
Ataliba de Castilho (ibid.) afirma que “há vários funcionalismos, preocupados sempre em dar conta dos usos linguísticos”. O movimento teve início na Europa em 1926, com uma corrente chamada Círculo Linguístico de Praga, de inspiração estruturalista, mas voltada para a incorporação de fatores extralinguísticos na análise gramatical. Os principais representantes dessa corrente foram Roman Jakobson, Nikolai Sergeyevich Trubetzkoi e André Martinet. O linguista russo Trubetzkoi, em especial, baseou-se em Saussure para estudar as funções dos sons nas línguas. Analisou as oposições fonéticas e a diferença entre som material e imaterial; defendeu uma separação clara entre fonética e fonologia, determinando que o objeto de atenção da primeira disciplina fosse o som enquanto fenômeno físico, e que o foco da fonologia fosse o som considerado nas suas funções.
Nos Estados Unidos, o Funcionalismo destacou-se na década de 1960 com Dwight Bilinger e ganhou força com a publicação, em 1976, do texto The origins of syntax in discourse: a case study of Tok Pisin relatives (As origens da sintaxe no discurso: um estudo de caso de
parentescos Tok Pisin42), de Gillian Sankoff e Penelope Brown. Destacaram-se também Sandra Thompson, Paul Hopper e Talmy Givón, que desenvolveram uma linguística baseada na observância da língua do ponto de vista do contexto linguístico e da situação extralinguística.
No final da década de 60, destacou-se também o linguista holandês Simon Cornelis Dik, considerado o responsável pelo desenvolvimento da teoria da gramática funcional.
A escola funcionalista de Londres tem como maior representante Michael Alexander Kirkwood Halliday (chamado Mak Halliday). Na década de 50, este linguista começou a desenvolver o que ele chamou de gramática sistêmico-funcional, segundo a qual os componentes essenciais de significado na língua são componentes funcionais. A chamada Linguística Sistêmico-Funcional (LSF) defende uma conexão direta entre elementos lexicogramaticais e contextos sociais. Halliday criou o termo lexicogramatical para indicar que léxico e gramática devem ser considerados juntos. Defendeu quatro categorias fundamentais para a teoria gramatical: unidade, estrutura, classe e sistema. Em relação às unidades da gramática, o linguista estabeleceu uma escala hierárquica de classificação diferente do que já havia sido feito até então com o Formalismo. As unidades definidas pelo linguista foram: sentença, oração, grupo/frase, palavra, morfema. A escala vai de uma unidade mais complexa, a sentença, para uma mais simples, o morfema.
Segundo Halliday (1994), a estrutura linguística é a realização da estrutura social, e não simplesmente o reflexo desta. O linguista afirma o seguinte:
Se nós dissermos que a estrutura linguística “reflete” a estrutura social, nós realmente estaremos atribuindo à linguagem um papel passivo demais. Em vez disso, nós deveríamos dizer que a estrutura linguística é a realização da estrutura social, considerando-a ativa em um processo de criatividade mútua. Porque ela se destaca como uma metáfora para a sociedade, a linguagem tem a propriedade de não só transmitir a ordem social, mas também de mantê-la e modificá-la potencialmente. (tradução nossa)
Para Halliday, a linguagem é um sistema semiótico, no sentido de recurso sistêmico de sentido. Ataliba de Castilho (2010, p. 68) explica a postura dos funcionalistas e a proposta de Halliday:
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Tok Pisin é uma língua crioula, ou seja, uma língua que deriva de um pidgin ou língua de contato, que é um sistema de comunicação
verbal rudimentar, usado por pessoas que falam línguas diferentes e precisam se comunicar. É um idioma falado por cerca de dois milhões de pessoas, das quais quinhentos mil são nativas. Seu vocabulário é baseado na língua inglesa. É uma das línguas oficiais de Papua Nova Guiné, a oeste da Oceania.
Os funcionalistas, com efeito, não escondem seu desgosto quando confrontados com as análises gramaticais que tomam sentenças descontextualizadas como matéria-prima para as reflexões. A esse respeito, Halliday (1974: 98 e ss.) propõe claramente uma mudança de enfoque, mediante a concentração da atenção nos usuários e nos usos da língua, valorizando o emissor, o receptor e a variação linguística no quadro da reflexão gramatical.
O modelo de análise linguística de Halliday, que segue a Linguística Funcional, tem sido aplicado às pesquisas sobre o inglês, o português e outras línguas.
Segundo Ataliba de Castilho (ibid.), os funcionalistas desenvolveram várias reflexões sobre as funções da língua, para embasar a visão desta como atividade social. A formulação do linguista alemão Karl Bühler foi divulgada no Brasil através de Joaquim Mattoso Câmara Jr.. Bühler aponta três funções: a primeira é a representativa, cujo objetivo principal é informar, ordenar e representar a realidade circunstante, e que dá destaque ao assunto; a segunda função é a emotiva, através da qual o falante manifesta seus estados da alma; a terceira função é a apelativa, através da qual podemos influir no comportamento do interlocutor; esta função ressalta o ouvinte. De acordo com Bühler, cada língua natural codifica essas funções a seu modo.
Já Halliday classificou as funções da língua da seguinte forma:
1) Ideacional ou reflexiva: a língua é usada como instrumento para se compreender o ambiente social e o íntimo de cada indivíduo.
2) Interpessoal ou ativa: a língua serve para que os membros de uma sociedade interajam entre si no meio social.
3) Textual: a língua serve para organizar o discurso, a mensagem.
Entre todos os funcionalistas que trataram das funções da linguagem, o russo Roman Osipovich Jakobson ocupa lugar de destaque. É considerado um dos maiores linguistas do século XX e foi pioneiro na análise estrutural da linguagem, abordando inclusive a arte poética. Realizou estudos sobre obras de escritores como Edgar Allan Poe, Fernando Pessoa e Bertolt Brecht. Jakobson revolucionou o campo da Linguística ao apresentar seis funções para a linguagem, com base em seis elementos comunicativos. Nas palavras de Jakobson (1987, p. 123):
O REMETENTE envia uma MENSAGEM ao DESTINATÁRIO. Para ser eficaz, a mensagem requer um CONTEXTO a que se refere (ou “referente”, em outra nomenclatura algo ambígua), apreensível pelo destinatário, e que seja verbal ou suscetível de verbalização; um CÓDIGO, total ou parcialmente comum ao remetente e ao destinatário (ou, em outras palavras, ao codificador e ao decodificador da mensagem); e, finalmente, um CONTATO, um canal físico e uma conexão psicológica entre o remetente e o destinatário, que os capacite, a ambos, a entrarem e permanecerem em comunicação. Todos estes fatores inalienavelmente envolvidos na comunicação verbal podem ser esquematizados como segue:
CONTEXTO
REMETENTE MENSAGEM DESTINATÁRIO ...
CONTATO CÓDIGO
No Brasil, praticamente todos os manuais didáticos de língua portuguesa voltados para o Ensino Fundamental e Médio e as gramáticas da língua portuguesa que tratam dos elementos da comunicação e das funções da linguagem contemplam a teoria de Jakobson. As seis funções da linguagem estabelecidas pelo linguista foram:
1) referencial, informativa ou cognitiva: centrada no assunto ou referente, com foco na mensagem; o emissor se limita a informar;
2) emotiva ou expressiva: centrada no emissor da mensagem, veiculando seus sentimentos, emoções e julgamentos;
3) conativa ou apelativa: centrada no receptor da mensagem, visando a persuadi-lo de algo; 4) fática: centrada no contato, visa à manutenção da comunicação;
5) metalinguística: centrada no código; geralmente apresenta uma definição sobre algo; 6) poética: centrada na própria mensagem; é a linguagem dos textos artísticos.
No Brasil, os estudos funcionalistas surgiram na década de 50, mas ganharam expressão na década de 90. Segundo Maria Helena de Moura Neves (1999), da Universidade de São Paulo, os polos de investigação neste campo estão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre os brasileiros pioneiros na área, Neves destaca Evanildo Bechara, na linha estruturalista-funcionalista de Eugenio Coseriu, Rafael Hoyos-Andrade, na linha de estudos
sintáticos de André Martinet, e Rodolfo Ilari. Neves (1999) também inclui, entre os pioneiros, Ataliba de Castilho, que “sem invocar uma linha específica dentro do Funcionalismo, trabalha, entretanto, desde os primeiros estudos, dentro da consideração de uma interface entre a sintaxe, a semântica e a pragmática, visão que está na base de qualquer teoria funcionalista”.
Vale comentarmos aqui a nossa experiência como professora de Língua Portuguesa da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Lecionando do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental desde 2008, temos participado do esforço da referida Rede por aplicar uma metodologia de ensino de Língua Portuguesa pautada na Linguística Funcional. Na obra Orientações Curriculares: Língua Portuguesa (RIO DE JANEIRO, 2010), encontramos a seguinte declaração:
As Orientações Curriculares de Língua Portuguesa no município do Rio de Janeiro fundamentam-se em teorias linguísticas que embasam o ensino de língua materna, buscando alternativas para além de uma visão prescritiva da língua portuguesa, considerando o ensino da língua como um processo de interação entre sujeitos.
[...] Lendo e produzindo textos, o aluno será capaz de perceber a diversidade de atos verbais que a cada momento se atualizam. Assim, o ensino de língua materna deve estruturar-se, desde o início, em torno de textos, para que os alunos leiam e escrevam com autonomia, familiarizando-se com a diversidade de textos existentes na sociedade.
Em outro trecho da referida obra, afirma-se: “A base para o ensino da Língua Portuguesa em qualquer ano de escolarização serão os textos em suas múltiplas manifestações”. De fato, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro tem produzido e distribuído bimestralmente para os seus alunos cadernos pedagógicos de Língua Portuguesa — como também de outras matérias como Matemática e Ciências — que seguem, de um modo geral, a proposta funcionalista para ensino-aprendizagem da língua materna. Os referidos cadernos trazem, como conteúdo principal, textos de vários gêneros; os exercícios — praticamente todos voltados para esses textos — são sobretudo de compreensão e de exploração dos sentidos dos textos por meio dos seus elementos lexicogramaticais e contextuais; busca-se ainda, através dos exercícios, estabelecer uma ligação entre cada leitura e a vida dos discentes.
Ainda na obra Orientações Curriculares: Língua Portuguesa (RIO DE JANEIRO, 2010), explica-se que as aulas de português devem dar destaque à prática da leitura, “concebendo-a como um processo de atribuição de sentidos que se dá a partir da interação entre o texto e o leitor,
não sendo, portanto, mera decodificação de textos”. Essa prática deve retomar experiências e conhecimentos prévios dos alunos:
Assim, procurar pistas, formular hipóteses, aceitar ou descartar conclusões, utilizar estratégias baseadas no seu conhecimento linguístico, textual e na sua vivência sociocultural, ou seja, em seu conhecimento de mundo, devem fazer parte da leitura. Para tanto, é preciso buscar novas formas de ensino, através de uma unidade básica: a diversidade textual.
Por fim, através de outro trecho da obra, é possível ratificarmos que atualmente as escolas municipais do Rio de Janeiro não privilegiam a gramática normativa:
[...] não se pode entender a reflexão sobre a língua como aulas pautadas na gramática normativa, considerando apenas duas alternativas: certo e errado. Tal concepção impõe à Língua Portuguesa um mito de unidade, valorizando a norma culta como única e desconsiderando as outras variantes. Do ponto de vista sociolinguístico, as variantes linguísticas não são classificadas em boas ou ruins, certas ou erradas, melhores ou piores, pois constituem sistemas linguísticos eficazes dadas as especificidades das práticas sociais e hábitos culturais das comunidades. Sendo assim, é papel fundamental da escola garantir a todos os seus alunos acesso à variante linguística padrão. Entretanto, é fundamental, também, o respeito à existência das diferentes variantes como prática essencial para o exercício da cidadania. [...] Dessa forma, o trabalho com a gramática deixa de ser constituído por “listas de exercícios” – reconhecer substantivos, adjetivos, pronomes; enumerar preposições; nomear; classificar; repetir – abrindo espaço, então, para que o aluno compreenda o conceito do que seja um bom texto, de como é organizado e de como suas ideias são tecidas, permitindo a integração com o leitor.
A Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro, responsável sobretudo pelo Ensino Médio regular, tem seguido praticamente a mesma linha pedagógica da Rede Municipal, pelo menos no que diz respeito ao ensino da língua materna.
A gramática normativa cedeu lugar à gramática funcional não só no ensino-aprendizagem de língua materna, como também, no de língua estrangeira, sobretudo nos cursos de níveis intermediário e avançado. Cabe observar que, em cursos de idiomas em que se adote a gramática funcional, a abordagem comunicativa costuma ser adotada também por ser a mais coerente com a referida gramática. Essa abordagem foca a interação e as funções linguísticas e põe o ensino de paradigmas gramaticais em segundo plano.
Continuemos a tratar, com mais detalhes, da gramática funcional ou funcionalista e, considerando o objetivo deste tópico, da sua relação com os modelos de Análise de Erros e de Interlíngua. É importante lembrarmos que esses modelos são centrados no aprendiz de língua estrangeira e trabalham com a produção oral e escrita dele. A análise dessa produção leva em conta muitos fatores extralinguísticos, ligados sobretudo ao aprendiz e ao contexto de uso da LE. Esse já é um ponto de contato com a gramática funcional. Em relação ao aprendiz, alguns dos referidos fatores são: idade, nível de motivação para uso da LE, estado emocional e psicológico no momento da comunicação através da LE; o tipo de situação comunicativa é outro fator considerado na análise.
Das gramáticas com finalidade pedagógica, consideramos a gramática funcional a mais coerente com as propostas dos dois referidos modelos da Linguística Contrastiva, por muitos pontos em comum, entre os quais destacamos os seguintes:
Seguem o conceito de competência comunicativa; O erro não é considerado um fator negativo;
Consideram fatores extralinguísticos na análise linguística; O ponto de vista é sincrônico;
Defendem a influência dos aspectos culturais e contextuais durante o processo comunicativo. A gramática funcional dá condição para se produzir o corpus para os estudos de Análise de Erros e de Interlíngua, porque estimula a produção oral e escrita espontânea dos alunos. O seu principal objetivo é desenvolver a competência discursiva deles, para que possam participar das situações de interação comunicativa com eficiência.
Essa gramática investiga as relações existentes entre os recursos lexicogramaticais e a constituição semântica dos textos (DUTRA, 2011). Como já dissemos, o ponto de partida das aulas baseadas nessa gramática é sempre um texto. De acordo com Vânia Lúcia Rodrigues Dutra (2011, p. 4298)43, nesse tipo de trabalho, o aluno deve construir o sentido dos textos com base nos elementos que os compõem e os circundam. Deve analisar a materialidade deles, ou seja, a estrutura lexicogramatical, a diagramação, as imagens etc., e o contexto situacional e cultural em
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Professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do Colégio Universitário da Universidade Federal Fluminense (COLUNI-UFF).
que os mesmos estão inseridos. Sobre a associação entre gramática e texto, Vânia Lúcia Rodrigues Dutra (2011, p. 4299) afirma:
É por conta dessa estreita relação entre os fatos gramaticais e a constituição dos textos que não se pode admitir estudar uma língua sem considerar sua gramática. Na perspectiva sistêmico-funcional, a gramática é um potencial para a construção de significados. É preciso, então, analisar, com os alunos, quais são os recursos que a língua oferece, por meio de sua lexicogramática, para realizar a sua função: a produção de significados para a interação.
Os modelos de Análise de Erros e de Interlíngua, assim como a gramática funcional, priorizam a investigação da constituição semântica dos seus respectivos objetos de estudo. O modelo de Análise de Erros busca a interpretação dos erros dos aprendizes para otimizar o processo de aprendizagem da LE por parte dos mesmos. O modelo de Interlíngua interessa-se pelo que acontece na mente do aprendiz de LE, como ele processa os dados desta e com os quais tem contato e como os põe em prática.
A preocupação primeira da gramática funcional não é evitar erros gramaticais, mas sim contribuir para que a interação linguística e o processo reflexivo se estabeleçam. Para esse tipo de gramática e para os dois modelos da Linguística Contrastiva tratados aqui, os erros são vistos como parte do processo de aprendizagem de uma língua, são, portanto, inevitáveis e úteis.