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2.7. Kanser ve Egzersiz

2.7.2. Kanser Süresince Fiziksel Egzersizin Yeri ve Önemi

Segundo Evanildo Bechara (1999, p. 52), a gramática descritiva é uma disciplina científica que registra e descreve um sistema linguístico em uso em todos os seus níveis — fonético-fonológico, morfossintático e lexical — e nas suas várias formas de expressão, sem se ocupar de estabelecer o que é certo ou errado em relação à norma culta, apenas identifica o que é gramatical e agramatical. Ataliba de Castilho (2010, p. 59) chama a atenção para a importância desse tipo de gramática:

É muito importante entender que toda reflexão sobre a língua começa pela descrição das expressões. Ao mesmo tempo que descrevemos, vamos identificando os grandes processos linguísticos que se escondem por trás da multidão de dados. Sem a Gramática Descritiva, as teorias gerais sobre a língua não teriam avançado. Ela representa um marco não ultrapassável, qualquer que seja nosso interesse específico.

Bechara (ibid., p.52) afirma que a gramática descritiva “se reveste de várias formas segundo o que examina mediante uma metodologia empregada [...]: estrutural, funcional, contrastiva, distribucional, gerativa, transformacional, estratificacional, de dependências, de valências, de usos, etc.”. A gramática contrastiva, portanto, é um dos tipos de gramática descritiva. Aponta as diferenças e as semelhanças entre duas ou mais línguas, como resultado do trabalho de Análise Contrastiva.

É importante destacar que a Análise Contrastiva e a gramática descritiva estão ligadas ao estudo sincrônico da língua. Como já vimos na página 32 desta tese, sincronia, em Linguística, refere-se ao conjunto de fatos da língua correspondentes a um dado momento do seu percurso histórico. Conforme afirma Ataliba de Castilho (2009, p. 43), para fins científicos, é necessário considerar a língua como um organismo estável e constante:

Para assegurar alguns resultados e conclusões, temos de considerar os dados em sua estatividade. O objeto empírico para ser adequadamente descrito deve ser idealizado, e até mesmo congelado por intermédio de algum artifício teórico, limitado em sua extensão, não importando se com isso ele acabe se divorciando do mundo real.

Esta é uma das afirmações que configuram uma ciência clássica. Ataliba de Castilho (ibid.) explica que a gramática descritiva é uma ciência clássica focada no estudo do enunciado linguístico, visto como um produto acabado. Esse tipo de gramática interpreta a língua como um conjunto ordenado de itens, uma estrutura homogênea, composta por signos39, que são identificados através dos contrastes que se estabelecem entre eles. Os signos são distribuídos por unidades, que por sua vez pertencem aos níveis fonológico, morfológico e gramatical. As unidades gramaticais atendem a uma hierarquia. Em ordem crescente, são as seguintes: o fonema, a sílaba, o morfema, a palavra, o sintagma e a sentença. Esta última também é chamada de frase, oração ou período (conjunto de orações). O fonema e a sílaba são estudados pela Fonologia; o morfema e a palavra são tratados pela Morfologia; e o sintagma e a senteça são estudados pela Sintaxe. A composição hierarquizada das unidades gramaticais forma a estrutura gramatical (AZEREDO, 2010, p. 139).

Quanto aos procedimentos metodológicos da gramática descritiva, José Carlos de Azeredo (2010, p. 129) aponta os principais:

[...] se nosso objetivo é, por exemplo, descrever (isto é, explicitar por meios técnicos) certo uso da língua, precisamos de quatro coisas pelo menos: (a) delimitar um objeto de análise, (b) selecionar um corpus, (c) apoiar-nos numa teoria e (d) classificar as unidades e enunciar as regras de seu funcionamento.

39

Conceito criado por Ferdinand de Saussure para designar o elemento, dotado de significante e significado, que representa algo que existe.

A gramática descritiva tem como base teórica o Estruturalismo, que, como vimos na página 20 desta tese, originou-se com o Curso de Linguística Geral, de Ferdinand de Saussure, obra publicada em 1916. O termo Estruturalismo “abrange diversas correntes de pensamento fundamentadas na ideia de que os fenômenos e fatos culturais podem ser analisados como estruturas, isto é, totalidades constituídas de elementos funcionalmente interligados” (ESTRUTURALISMO). Adotado pelas Ciências Humanas, o Estruturalismo gerou um método homônimo, extensamente utilizado para se analisarem línguas, culturas, filosofias e sociedades.

O Estruturalismo Linguístico investiga as relações que se estabelecem entre as unidades linguísticas por meio de oposições ou contrastes. Cada unidade só tem valor e só pode ser definida a partir da sua relação com as demais unidades. O conjunto de relações é que forma a estrutura.

O Estruturalismo é considerado uma corrente do Formalismo, pois faz análise da língua a partir das propriedades internas dela, sem considerar o contexto em que as estruturas linguísticas foram geradas. Dá ênfase, portanto, à forma e não ao conteúdo ou significado.

Além do Estruturalismo, o Gerativismo é outra modalidade do Formalismo. Todas essas correntes estão ligadas ao Imanentismo, doutrina que concebe a língua como autônoma e que foca as relações internas da mesma. São teóricos formalistas Noam Chomsky, Leonard Bloomfield, Zellig Sabbetai Harris40, Celso Cunha e Lindley Cintra.

Interessante notar que a Análise Contrastiva, em sua primeira versão, foi denominada forte, preditiva ou a priori, e o Formalismo também recebeu outras denominações, entre as quais, gramática a priori. Ataliba de Castilho (2010, p. 64) explica como os formalistas concebem, por exemplo, a sintaxe:

A Sintaxe Formal contextualiza a língua nela mesma, isto é, nas suas propriedades internas e nas relações que podem ser estabelecidas entre os constituintes e seus significados [...]. Ela compreende a Sintaxe Estrutural e a Sintaxe Gerativa [...]. Ambas deixam de lado as indagações sobre a criação das estruturas numa dada situação social, concentrando-se nas estruturas cristalizadas da língua. Os dois modelos se unem no silêncio gerado à volta do discurso, e se distinguem em que o estruturalismo postula a língua como uma estrutura composta de diferentes hierarquias, centralizadas na Fonologia,

40

Zellig Sabbetai Harris (1909-1992) foi discípulo de Leonard Bloomfield; destacou-se como linguista sobretudo por seus trabalhos distribucionalistas. Fundou o primeiro departamento de Linguística dos Estados Unidos em 1946, na Universidade da Pensilvânia. Foi professor de importantes linguistas, como Noam Chomsky e Maurice Gross.

enquanto o gerativismo postula a língua como uma atividade mental, em que se buscam princípios universais, sendo a sintaxe seu componente central.

De fato, o Formalismo aborda a Sintaxe de maneira muito limitada, desconsiderando o aspecto semântico e o discursivo, muito importantes para uma adequada compreensão do fenômeno linguístico. A Sintaxe será tratada com mais detalhes no capítulo 4 da tese.

Benzer Belgeler