A literatura folhetinesca surgiu na França em resposta a um público consumidor. Lida por todos, aumentou significativamente a tiragem dos jornais em que era publicada, atingindo seu ponto máximo durante o romantismo. O “folhetim histórico” tem sua origem no folhetim francês, uma das formas de publicação vigentes no século XIX que ao ser implementado no Chile permitiu a divulgação de um considerável número de romances europeus e locais que apresentavam um caráter histórico. Em seguida, é usado o termo “romance de folhetim” para definir textos que apesar de não serem publicados de forma fragmentada, conservavam as características de composição que a publicação em fascículos exigia para manter a expectativa do leitor. (VIU, 2007, p.76).
Seu início data da pós-revolução burguesa de julho de 1830, a qual coincide com o estouro do romantismo, já então na fase chamada “romantismo social”. Vai desembocar no não menos romântico estouro da Revolução de 1848, suas glórias republicanas em fevereiro e o massacre operário em junho. Acontece o golpe de 18 de Brumário de Luis Napoleão Bonaparte e o romance-folhetim, censurado por uns tempos, vai ressurgir com a etiqueta pejorativa de “romance popular”.
Como características, o romance-folhetim põe um narrador que conduz a narrativa, e em alguns casos, é parte integrante e conhecedor de todo o enredo. No aspecto formal é comum o uso de repetições, ordem cronológica linear dos acontecimentos e a estrutura binária
de fortes oposições maniqueístas: pobres bondosos e malvados aristocratas. Os personagens tornam-se “tipos”, guardando sempre as mesmas características. A unidade assim conseguida na repetição mecânica permite a leitura rápida sem exigir esforço do leitor.
Entre os romances folhetinescos, os argumentos costumam ser de caráter
“sentimental” quando o eixo principal da narração é um conflito amoroso em que o desenlace
está precedido por um ou vários obstáculos que dilatam ou impedem a união entre o casal protagonista; ou de “aventuras”, em que o protagonista é o eixo que articula uma série de peripécias encadeadas que o colocam em situação de perigo que deverá superar (MEYER, 1996, p.74).
O romance-folhetim se refere a narrativas que têm seus enredos inspirados em acontecimentos históricos, que oferecem aventuras ou mesmo um cenário propício para um conflito amoroso, sem que isso signifique uma reflexão sobre o passado ou as condições sociais ou históricas que deram lugar a esses acontecimentos. Segundo Marlyse Meyer os personagens dos romances de folhetim estão divididos em dois blocos: há o bom nobre e o horrível vilão.
O caráter folhetinesco do romance também provém de que o folhetim era de caráter popular. Um historiador do movimento operário, Edouard Dolléans, situa entre 1830 e 1871 o duro caminho de luta para a organização operária. São esses também os marcos que, a grosso modo, assinalam diferentes aspectos do romance-folhetim. Seu nascimento, elaboração, apogeu, morte e ressurreição, coincidem com três séries de datas 1836 – 1850, 1851 – 1871 e 1871 – 1914. Seus personagens passam por simplificações que os anteriores não conheciam, como a clareza nas descrições psicológicas em determinar bons e maus, e o relato das “tragédias populares”. Rivera Letelier, portanto, se utiliza desse recurso para conduzir seu romance.
Os personagens de Santa María de las flores negra s seguem fieis às suas características do começo ao fim. Olegario Santana com seu traje negro, aves de mau agouro que o acompanham durante sua trajetória simbolizando além do pessimismo que demonstra desde o início da greve, o domínio das autoridades locais e estrangeiras.
Santa María de las flores negras não foi publicado em fascículos, como o folhetim do século XIX, porém, apresenta características deste gênero literário. O uso de uma linguagem mais acessível, histórias e personagens que fazem com que o leitor se identifique com elas, conduzem a um romance de fácil consumo.
Hernán Rivera Letelier utiliza o “folhetim histórico”, um gênero literário em moda no século XIX, abordando em sua ficção um tema sócio-político, o massacre de mineiros no início do século XX, publicando esse texto no século XXI, às vésperas do centenário do massacre e no momento em que o país vive um período de ascensão com Reformas sociais no governo de Ricardo Lagos. A divisão do romance em três partes, como em um folhetim, a epígrafe extraída da letra da “Cantata Santa María de Iquique”, os personagens com perfis determinados: o positivo e o negativo, o bem e o mal compõem o universo da ficção e determinam o público que pretende atingir. “Señoras y señores, venimos a contar/ aquello que la historia no quiere recorda r”.
Tema recorrente na narrativa chilena mencionado por Seymour Menton em seu estudo sobre o romance histórico hispano-americano é o que remete a um passado imediato. A experiência do governo da Unidade Popular com o presidente Salvador Allende seguida pelo golpe de 1973 e a ditadura instaurada, norteiam grande parte dos romances publicados no Chile a partir da década de setenta. A remissão à história do passado é lida como metáfora do presente, para oferecer outra versão, reforçando os laços entre a literatura e mímesis histórica. O discurso da História é um dos impulsores do texto ficcional contemporâneo, principalmente no que se refere ao “trauma” sofrido pelos anos de ditadura nos países latino-americanos.
No caso do Chile, que fez com que sua sociedade sentisse o peso de um regime autoritário, a ditadura do general Augusto Pinochet (1925 – 2006), é considerada como uma das ditaduras mais sangrentas dos países latino-americanos. País que teve grande parte de seus intelectuais, entre eles escritores ativos, forçados ao exílio. Com isto, o imaginário é enriquecido e aprofunda-se ao mergulhar no referente e reescrevê-lo dialeticamente, para assim transgredir os códigos do realismo canônico dialogando com o passado, tornando-o presente, permitindo que a ficção colabore com o fortalecimento da memória e construção da história nacional.
Na visão de Juan José Saer, os escritores que fazem ficção não fazem para confundir o leitor, e sim para assinalar o caráter duplo da ficção que mescla de um modo inevitável o empírico e o imaginário. O paradoxo próprio da ficção reside em que se recorre ao falso, e faz para aumentar sua credibilidade. Em comparação com a historiografia que costuma ser a expressão da ideologia oficial, o romance apresenta possibilidades que ultrapassam as da época (baseada nas verdades “inquestionáveis” do passado). História e ficção são discursos que se encontram por suas práticas, a ficção a organizar a História e esta, uma narrativa em que os fatos são construções de sentido e não acontecimentos irrefutáveis. (SAER, 1997, p.11).
A questão das relações da literatura, através da ficção, com a História, é um dos temas contemporâneos essenciais do processo indagador dos países hispano-americanos sobre um passado que oferece as explicações do presente, e potencializa os caminhos de um futuro. O romancista ao tentar ficcionalizar o discurso da História faz com que suas ideias cheguem de forma abrangente a um grande número de leitores.
Em Santa María de las flores negras, a história e a ficção se entrelaçam, se unem para questionar um presente que já se distancia dos verdadeiros ideais revolucionários vividos em um curto e frustrado período socialista encabeçado por Salvador Allende. Aos moldes
realistas, Hernán Rivera Letelier transporta seu público leitor, composto no início de sua carreira literária, principalmente pelos mineiros e por pessoas que têm suas raízes familiares ligadas a extração do salitre, a um universo imaginário fincado na cultura popular, no folhetim, nas cantatas populares e nas lutas de classe. Hernán Rivera traz ao século XXI um dos massacres vividos pelos trabalhadores no início do século XX e que por muitos anos foi lembrado pela “Cantata Santa María de Iquique”. O tema já é conhecido pelo imaginário
popular, a luta de classes, a exploração dos mineiros pelo capital estrangeiro, a miséria, o total desacordo entre a vida desses mineiros nos acampamentos das usinas e a vida dos trabalhadores do restante do país.
Esteticamente, o realismo propõe que o trabalho do autor tenha correspondência com o real, um esforço por colocar o mundo objetivo, a forma que o representa e a experiência vivenciada pelo leitor no momento da leitura, em um mesmo plano. Em suas origens, o realismo europeu foi uma tentativa de descrever a vida contemporânea, principalmente a vida urbana contemporânea, ainda que retomando características do romantismo, como a pintura dos personagens em situações típicas do espaço geográfico no qual se localizam. O realismo hispano-americano, no entanto, expõe como forte característica sua clara intenção moral, e tem uma grande importância na literatura de protesto, atuando sob a forma documental, ou seguindo uma linha de pensamento socialista que reflete principalmente a luta de classes e a exploração de trabalhadores. (FRANCO, 1987, p.210). Ao representar no seu texto a linguagem popular, a descrição do ambiente, no caso, do deserto de Atacama, tanto aproxima o leitor que não convive com aquele cenário, como também o leva a criar uma imagem do local:
Más allá sólo se extiende la soledad infinita de las arenas y la ilusión fatídica de los espejismos del desierto”; “arriba, en el cielo, dejándose llevar cada vez más alto en las corrientes de aire tibio, los jotes comienzan a alejarse hacia el interior de la pampa en busca de carroña, mientras sus sombras, entrecruzándose en el suelo, van rayando la blancura infinita de las planicies salitreras. (RIVERA LETELIER, 2007, p. 15).
Sete personagens que representam um grupo social específico conduzem o fio narrativo. Cada um com características bem marcadas e traçadas para o desenvolvimento do texto que levará ao que Rivera Letelier propôs para sua obra: uma reflexão sobre o Chile atual aos moldes de um sistema neoliberal que conduz a sociedade ao consumo massivo. Uma sociedade que ao olhar para o futuro prefere deixar esquecidas as verdadeiras lutas sociais, o sentido da revolução trabalhista que levou a morte e ao exílio mártires da revolução socialista. Na construção de sua ficção, Hernán Rivera Letelier em Santa María de las flores negras também se cerca de detalhes da época como quando faz referência ao jornal El Pueblo Obrero que foi incendiado intencionalmente quando era dirigido por Osvaldo López, um grande jornalista, militante e poeta chileno do início do século XX. O mesmo que segundo a voz narrativa do texto, um “sobrevivente do massacre”, escreveu o romance socialista Tarapacá, que “enjuicia al clero y a la oligarquía y se adelanta en el tiempo a este gran sueño de unidad que ahora mismito estamos viviendo los trabajadores pampinos” (RIVERA LETELIER, 2007, p.36). Esse trecho extraído do romance coloca em evidência a intenção do livro e para quem está escrito. Põe a voz coletiva que narra o texto, para contar fatos que foram estopim para o desencadeamento das lutas dos trabalhadores no Chile no início do século XX, e que o leitor contemporâneo, ao estar em contato com esse texto, possa estabelecer evidências e fazer comparações com os dias atuais: o que mudou de lá pra cá? Um olhar crítico ao presente por intermédio de lentes que refletem o passado.
Uma das características do romance realista é a utilização de uma linguagem sem
“rebuscamento”, clara, objetiva e o mais próximo do coloquial. Os romances de Rivera
Letelier possuem um universo próprio: a região norte do Chile, o deserto de Atacama, a vida miserável no interior dos acampamentos das usinas de extração do salitre e a busca incansável de representar em seus textos a linguagem que mais se aproxima da oralidade dos trabalhadores. Um fato importante que já foi mencionado anteriormente, mas que não pode
ser deixado de lado é o de que Hernán Rivera Letelier trabalhou durante sua adolescência em uma usina, e que com isso conheceu de perto as injustiças dessa camada da sociedade que explora em seus romances. Santa Ma ría de la s flores negras explora a linguagem dos
“pampinos”, porém com uma sonoridade poética marcante como no poema recitado por um
dos grevistas o qual é apresentado aos leitores como o poeta cego Rosario Calderón.
Soy el obrero pampino/ por el burgués explotado/ soy el paria abandonado/ que lucha por su destino; / soy el que labró el camino/ de su propio deshonor/ regando con su sudor/ estas pampas desoladas; / soy la flor negra y callada/ que crece con su dolor...” (RIVERA LETELIER, 2007, p.37).
Logo na primeira página do romance é apresentado Olegario Santana, um personagem introspectivo, solitário, que guarda um segredo que só será revelado ao final do romance. Um possível ex-combatente da Campanha de 79, momento histórico frequente mencionado na literatura chilena, cinquenta e sete anos, veste-se sempre de preto e vive na companhia de dois urubus. A única coisa que faz é explodir, triturar e carregar pedras com uma religiosidade jamais vista:
Nadie sabe en qué se gasta lo que gana. El único malbaratamiento que se le conoce públicamente son los cuarenta Yolanda que se fuma al día, y que le tienen los dientes y sus negros mostachos de alambre manchados de nicotina. (RIVERA LETELIER, 2007, p.13).
É pessimista em relação à greve dos mineiros, pois acredita que jamais o poder das oligarquias irá ceder aos pedidos dos grevistas, e que toda reivindicação será inútil. O mais curioso é que mesmo desacreditando na força da revolução, Olegario segue os companheiros em uma épica odisseia pelo deserto de Atacama rumo a Iquique:
De un día para otro, nuestro movimiento de reivindicación proletaria tomaba una fuerza inesperada, se convertía en uno de esos gigantescos remolinos de arena que diariamente cruzaban las llanuras pampinas. Era por fin la unión de los trabajadores salitreros que esperábamos y soñábamos desde hacía años. (RIVERA LETELIER, 2007, p.28).
Uma verdadeira caravana de homens, mulheres e crianças que atravessavam uma das paisagens mais inclementes para exigir seus direitos trabalhistas.
Ufanos de esta gesta proletaria, nuestro paso era el paso ronco de los astros en su tránsito por el universo. Como el trueno de una nueva aurora levantándose libre en las comarcas de la pampa, según recitaría después, llorando de pura humanidad, don Rosario Calderón, el poeta ciego. (RIVERA LETELIER, 2007, p. 47).
Olegario é um observador atento, cauteloso, uma figura racional, e por percorrer toda a caminhada no deserto com seu paletó de cor negra, sem tirá-lo para nada, representa uma simbologia de negatividade, como o voo dos urubus sobre o telhado da sua casa nas primeiras linhas do texto. Do início ao fim sua postura diante da greve é negativa e está certo de que toda aquela manifestação será inútil e acabará com uma enorme tragédia. Sua figura é marcante, um personagem forte que destaca no texto uma determinada linha de pensamento em relação à greve:
Debo decirle que siempre he sido un pesimista del carajo – comienza a confesarse Olegario Santana- . Pero eso me lo ha enseñado la vida. Si estoy aquí es solo por inercia. Todo esto que se está haciendo, la huelga, los mítines, la marcha a través del desierto, querer levantar y unir a la pampa en una gran lucha contra la explotación, me parece un sueño imposible. (RIVERA LETELIER, 2007, p.173).
Domingo Domínguez, cinquenta e dois anos, é um dos personagens mais populares da usina de São Lourenço. Nele, está aflorada a paixão pela música não só popular, mas também erudita, traço marcante na cultura popular chilena e que Rivera Letelier tem a intenção de reproduzir na maioria de seus relatos. Domingo Domínguez é sócio ativo do quadro artístico da Filarmônica, segundo diretor da sociedade de veteranos de 79, porta- estandarte da confraria da Virgem de Carmem, presidente da comissão de ornamentação e limpeza das festas pátrias e representante do time de futebol da usina. Figura emblemática e caricaturesca que não perde o bom humor mesmo diante de tanta miséria. Em seus discursos durante a greve, Domingo Domínguez não se mostra nem pessimista, tampouco otimista. Sua posição é a de que é preciso fazer justiça e para isso ali estão:
Mis palabras son la expresión sincera del obrero que, vegetando en las candentes arenas del desierto, como ha dicho el mismo señor abogado, ha venido aquí nada más que a reclamar justicia. No somos una tracalada de salvajes sin Dios ni ley, ni traemos bandera de exterminio para nadie, sólo queremos algo tan simple como que se nos pague un salario justo, a tipo de cambio de 18 peniques, que es la cosa más legítima del mundo. (RIVERA LETELIER, 2007, p.191).
Com o personagem José Pintor, viúvo, Rivera Letelier abusa da crítica ao clero. O casal de urubus de Olegario Santana é visto por José Pintor como os sacerdotes que sempre se vestem de cor negra. Esse personagem em vários momentos da história refere-se à instituição sempre de forma pejorativa e como uma propagadora do analfabetismo no interior das usinas. Tamanho é o repúdio, que coleciona letras de canções, acrósticos e toda classe de poesias publicadas principalmente na imprensa trabalhista que ridiculariza os sacerdotes. Para José Pintor “el santuario del hombre debe de ser el taller y su incienso el humo de las usinas”. (RIVERA LETELIER, 2007, p.55). Com isso, é dada ao leitor a informação de que no interior dos acampamentos existia um jornal voltado para os trabalhadores, ou melhor, escrito pelos trabalhadores: El Pueblo Obrero, onde estavam as notícias da região e principalmente suas reivindicações trabalhistas.
Na travessia pelo deserto, vários grupos de grevistas se aglomeraram, ou seja, várias usinas como a de Santa Lucía, La Perla, San Agustín, Esmeralda, Santa Clara e Santa Ana, estão representadas formando um único grupo, mais de dois mil mineiros. A greve começou na usina de São Lourenço onde trabalhavam Olegario Santana, Domingo Domínguez e José Pintor. Pelos dois últimos, é apresentado a Olegario, o jovem Idilio Montaño que há poucos meses havia sido o vencedor de um campeonato de pipas. Filho de pai boliviano e mãe chilena, a qual o abandonou quando o jovem Idilio tinha apenas quatro anos. Dois anos depois seu pai desaparece na cordilheira contrabandeando folhas de coca. Idilio a partir de então cresceu com a avó e jamais esteve em uma escola, porém aprendeu a ler sozinho. Durante o trajeto em direção a Iquique muitos morreram, pois seus corpos já fracos, seus pulmões tomados pela fumaça do salitre, não conseguiram resistir ao calor intenso do deserto. A falta de água e comida dificultava a sobrevivência.
A una mujer de la oficina Santa Clara se le había muerto una guagua de dos meses en el camino y, asistida piadosamente por su marido y por otras mujeres de su oficina, llegó dando gritos desgarradores y presentando el cuerpecito de la criatura como si fuese su propio corazón arrancado del pecho. (RIVERA LETELIER, 2007, p. 67).
No entanto, em um cenário onde o natural seria lamentar a morte, também se celebrou a vida com o nascimento de várias crianças. É pelas mãos de Idilio Montaño que uma criança nasce em meio à travessia pelo deserto, para somar aos milhares de chilenos, bolivianos e peruanos rumo a Iquique. Idilio Montaño, um jovem como o próprio nome remete, vive de sonhos, possuidor de uma visão poética da vida, para ele, até mesmo o casal de urubus de Olegario Santana é visto como algo positivo.
Em uma das paradas para descanso, Olegario Santana, Domingo Domínguez, José Pintor e Idilio Montaño, são apresentados a Gregoria Becerra, amiga de José Pintor. A matriarca vem na companhia de seus dois filhos: Liria María, dezesseis anos e Juan de Dios de doze. Pouco a pouco, Rivera Letelier vai apresentando cada um dos personagens, estabelecendo seus perfis e, principalmente, a postura e o nível de consciência política de cada um.
Gregoria Becerra é oriunda de Talca e logo se familiariza com o grupo de grevistas e os convida a descansar em sua casa enquanto a caminhada recomeça. A eles conta o sofrimento de sua vida desde a morte por acidente de trabalho de seu esposo, triturado entre os ferros do triturador de calinche, até o assédio sofrido por ela e sua filha por um dos diretores da usina como forma de pagamento pelo emprego concedido a Gregoria. Esta,