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3. Ġġ TATMĠNĠ

3.4. Ġġ TATMĠNĠ VE TEORĠLERĠ

3.4.1. Kapsam Teorileri

A proposta desta dissertação foi a análise de uma atividade tradutória proposta para um grupo de 6 informantes compostos por 3 professores da área agrícola e por 3 estudantes do Curso de Letras Espanhol e Literatura Hispânica do Instituto Federal de Roraima. Vale ressaltar ainda que todos estavam inclusos na categoria de tradutores inexperientes.

Este grupo de informantes foi instruído a oralizar durante a tradução o que estavam fazendo, com base na técnica do protocolo verbal, sendo que este tipo de técnica nos permite visualizar, após as transcrições, as estratégias utilizadas pelo informante ao encontrar um problema, a forma como é resolvido e o comportamento do tradutor frente a esta tarefa.

Desta forma, pretendemos verificar se haveria diferença entre estes dois grupos selecionados quanto à realização do que foi proposto: a tradução de um texto descritivo, específico de uma área agrícola que ensinava passos para plantar uma horta em casa. Nossa hipótese consistia em encontrar diferentes comportamentos nos dois grupos, pois os professores realizaram uma atividade que já haviam feito e tinham como público alvo seus alunos e no momento que a tarefa lhes foi solicitada, apenas repetiram o que já tinham o hábito de fazer, enquanto que os alunos não tinham um leitor pré-determinado para o texto solicitado.

Assim, partindo do pressuposto comunicativo de que, quando se elabora uma tradução, da mesma forma que ocorre quando se redige um texto, o sujeito comunicante tem em mente um determinado tipo de receptor e suas estratégias estariam subordinadas à imagem desse receptor, e ainda, qual o tipo de imagem que os informantes faziam para quem ia ler aquela tradução - que poderia ser a imagem da professora de espanhol, pesquisadora, que solicitava a realização daquela tarefa, ou seja, cada um se colocaria numa relação construída com um público previsto ou imaginado.

Ao analisarmos este material, estudamos os momentos em que houve a interrupção no fluxo tradutório e a maneira como cada um se colocava na realização da tarefa. Constatamos que o grupo de professores ativava seu conhecimento de mundo e específico de sua área de atuação antes mesmo de consultar uma fonte externa, no caso, os dicionários. Eles buscavam produzir um texto mais claro e coerente para seus alunos. Já o outro grupo que era composto por alunos do Curso

de Letras- Espanhol, demonstrava seus conhecimentos linguísticos da língua espanhola, bem como, da estrutura dessa língua. Utilizaram-se ainda de retomadas ao contexto, da utilização de sinônimos procurando deixar o texto mais bem elaborado e coeso. O comportamento destes dois grupos confirmou nossa hipótese inicial em relação ao uso de estratégias e a imagem que cada um construía em seu discurso.

O tradutor docente A foi, dentre os professores, o que mais se preocupou em traduzir o texto e este ser entendido pelo aluno, buscou palavras técnicas a serem utilizadas além das que estavam no texto e fazia uso de sinônimos. Antes de buscar em fonte externa, primeiramente buscava em seus próprios conhecimentos específicos da área de forma que, na maioria das vezes, utilizava o dicionário somente para confirmar sua hipótese. Este informante se construiu dentro do discurso de uma maneira a mostrar sua personalidade e seu perfil de professor agrônomo que conhece sua área de atuação com propriedade.

O tradutor docente B começava a ler e já ia traduzindo o seu texto e geralmente quando se deparava com problemas utilizava a estratégia de busca externa e dava continuidade à tarefa, e às vezes recorria a seu próprio léxico interior. Seu texto foi mais sucinto e objetivo, apesar de, pelo seu discurso, demonstrar conhecer as palavras específicas e até adaptá-las dentro do contexto.

O tradutor docente C foi o mais rápido na execução de sua atividade, encontrou poucos problemas de compreensão das palavras e a produção destas no TLC. Recorria mais a seu conhecimento específico da área e quando não entendia, buscava em dicionários.

Como estes informantes possuíam formação acadêmica semelhantes, apresentando grau de leitura e compreensão do texto, ao se deparar com um problema, por mais que se tratasse de um texto em língua espanhola, eles buscavam resolver ativando seu conhecimento específico da área, formando assim um ethos de professor de uma escola agrícola.

Já o tradutor discente D foi desde o início construindo seu ethos de estudante de Letras-Espanhol, mostrando em seu discurso conhecimentos aprendidos durante o curso. Não previa um leitor, mas como estava diante de uma professora de espanhol e pesquisadora da instituição em que estuda procurou construir um “ethos” de competência. Ao se deparar com os problemas, buscava ativar seus conhecimentos linguísticos, de mundo e textuais para resolvê-los, e utilizava o

dicionário somente em casos necessários. E ao produzir se TLC se preocupou com os aspectos gramaticais, mostrando que queria deixar o texto bem produzido e de forma clara e coesa.

A tradutora discente E utilizou mais vezes o dicionário para solucionar os problemas, relacionados aos termos específicos de uma área e não tão comum para ela. Mas também voltava ao contexto para entender a palavra, além de seu conhecimento de mundo e textual. Ao produzir o texto, se preocupou com a organização das ideias, utilizando sinônimos para não se repetir, buscando conjunções e outros aspectos voltados para a elaboração de um bom texto. Com isso, se construiu como uma estudante do Curso de Letras- Espanhol.

A tradutora discente F realizou a atividade de forma bem direta, comentava pouco e a todo momento que encontrava uma palavra desconhecida, buscava o dicionário. Quando não encontrava e não conseguia colocá-la dentro do contexto, se recusava em continuar buscando ou a substituí-la, então preferia deixar a palavra em língua espanhola do que colocar outra e errar. Às vezes, se mostrava meio insegura na realização da tarefa, mas este tipo de cuidado mostra também o ethos de uma aluna de um Curso de Letras Espanhol.

Estes três informantes do grupo de alunos apresentavam percursos acadêmicos semelhantes, verbalizavam que tinham conhecimento da língua espanhola, do universo textual e linguístico, mas não viram o texto como um todo e sim atendo-se às partes que traduziam.

Assim, mais uma vez confirmamos a hipótese de que os tradutores docentes se construíam mesmo como professores da área agrícola, enquanto os discentes construíam seu discurso como futuros professores de espanhol. Assim, cada um realizou a atividade com um objetivo em mente: o grupo de docentes, pensando no seu público habitual, e o grupo de estudantes, comportando-se como estudantes numa atividade em que seus conhecimentos estariam sendo avaliados.

A partir de tais conclusões, entendemos a tradução, assim como Corrêa e Neiva (2000) como sendo uma tarefa que envolve necessariamente um duplo processo de compreensão e produção textual. E para se chegar a um resultado satisfatório, o tradutor deve se servir de estratégias que darão sentido ao texto em função de objetivos previamente definidos.

Podemos dizer que os resultados dessa pesquisa foram de grande valia, pois nos deram meios de compreender como os tradutores inexperientes se comportam diante de um texto em língua estrangeira e como estes concebem o fazer tradutório.

Acreditamos que as reflexões que aqui foram levantadas como subsídios de uma atividade tradutória possam servir como fundamentação para pesquisas posteriores dentro da Área dos Estudos da Tradução em seu viés linguístico e discursivo.

Benzer Belgeler