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TARIM VE HAYVANCILIK SEKTÖRÜNE ETKİSİ

Belgede Terörün ekonomik etkileri (sayfa 120-124)

Com o objetivo de observar e sistematizar as pesquisas sobre a aprendizagem de LEs realizadas nos últimos trinta anos, Véronique et al. (2009) mostram que vários são os fatores estudados e analisados pelos pesquisadores dessa área, quais sejam: línguas em contato, a idade em que os aprendizes começam a estudar a LE, bem como os meios de exposição aos quais estão submetidos. Suas considerações se aplicam a adultos e crianças.

A questão de como se dá a construção de novos conhecimentos linguísticos, em uma ou mais LEs, pelo aprendiz, de forma que ele se habilite a interagir verbalmente com outros falantes de tais línguas é foco principal dessa área de pesquisa. Diante dessa questão, o próximo passo, no sentido de compreender como um sujeito se apropria de uma LE, é investigar:

quais são os primeiros elementos aprendidos nesse processo? Por que o processo de apropriação de uma LE se estabiliza? Quais são os elementos que determinam a dinâmica da interlíngua12 dos aprendizes? Como interpretar os erros que

eventualmente apareçam na produção dos aprendizes ao longo do desenvolvimento de suas habilidades em LE? Qual é o papel da LM do aprendiz no processo de aprendizagem da LE? (VÉRONIQUE et al., 2009, p. 18-19)13.

12 “O termo interlíngua foi criado pelo lingüista americano Larry Selinker em 1972, reconhecendo o fato de que

aprendizes de L2 constroem um sistema lingüístico intermediário entre a sua primeira língua e a língua em estudo” (PERCEGONA, 2005, p. 4) (grifo nosso).

« Pour désigner la langue cible parlée par les apprenants ou leur système idiosyncrasique en langue cible, divers termes ont été employés (interlangue, système intermédiaire, grammaire transitoire etc). Le terme interlangue (interlanguage), proposé par Selinker (1972) est d’ailleurs toujours usité » (VÉRONIQUE et al., 2009, p. 19).

13 Tradução nossa. Texto original: « quels sont les premiers éléments de la langue cible qui sont acquis ?

35 Ainda para explicar os diferentes aspectos do processo de aprendizagem de uma LE, Véronique et al. (2009) apontam que “a organização da língua alvo pode influenciar, em diferentes níveis, a estruturação do processo de apropriação [da LE por parte do aprendiz]”14 (VÉRONIQUE et al., 2009, p. 20). Disso é possível depreender que há elementos, como a proximidade ou a distância fonológica, por exemplo, que podem acelerar ou retardar o processo de aprendizagem da LE, devido à maneira como serão processados, compreendidos e internalizados pelo aprendiz falante de determinada L1.

Esse dado fortalece a ideia de que o estudo do sistema sonoro de uma língua deve receber especial atenção no início do processo de aprendizagem, para que o falante seja capaz de estruturá-lo adequadamente. No caso de um sistema sonoro próximo ao da L1 do aprendiz, tal estruturação pode se dar mais rapidamente, já que poucos elementos novos deverão ser compreendidos e internalizados. No caso contrário, de um sistema sonoro que muito se afasta do da L1 do aprendiz, mais esforço e mais tempo podem ser necessários para a satisfatória compreensão e assimilação dos sons de que deverá se utilizar o aprendiz para se expressar na LE.

Outro aspecto a ser levado em consideração nos estudos sobre aprendizagem de L2 diz respeito às questões culturais próprias dos grupos de falantes que utilizam a LE em questão, bem como à imagem que o falante faz da língua, em si mesma (VÉRONIQUE et al., 2009). Esse aspecto traz à baila questões de caráter subjetivo, muitas vezes ignoradas pelo aprendiz: questões vinculadas a preconceito, estereótipos, rótulos culturais, sociais e econômicos, que passam a refletir na maneira como o sujeito se relaciona com a língua, elemento manifesto na rejeição ou empatia com que aceita e se apropria da LE.

Quanto a esse último aspecto, o francês, foco do presente trabalho, é percebido de maneiras diversas por falantes de outras línguas. É possível se ouvir que “francês é lindo!” ou “o francês é uma língua elegante, bonita, charmosa, sonora, interessante, simpática, agradável, romântica, musical”15. Também é possível escutar expressões tais como “o francês é língua de dynamique des grammaires transitoires, des lectes d’apprenants ? Quelle interprétation donner aux erreus commises lors de l’appropriation d’une langue étrangère, c’est-à-dire lors du passage d’une étape à une autre du développement en langue étrangère ? Quel est le rôle de la langue source et des langues antérieuremente apprises et connues dans l’acquisition d’une nouvelle langue ? » (VÉRONIQUE et al., 2009, p. 18-19).

14 Tradução nossa. Texto original: « L’organisation de la langue cible, elle même, peut influencier, à différents

niveaux, la structuration du processus d’appropriation » (VÉRONIQUE et al., 2009, p. 20).

15 Essas definições foram coletadas por meio de uma postagem na rede social Facebook. Elas foram obtidas por

meio das perguntas “Como você vê a língua francesa? Qual característica dessa língua mais te chama a atenção?”, elaboradas pela autora. O quadro completo com as respostas encontra-se no APÊNDICE A.

36 cultura, de destaque”, “é a língua dos grandes escritores e filósofos”, “lembra a [rica] cultura do século XVIII”, “é uma língua fácil de compreender”, “era a língua-mãe de grandes intelectuais como Lacan, Sartre, Simone de Beauvoir, dentre outros”. Essas percepções são bastante positivas, e, relacionando-as ao processo de aprendizagem, é possível supor que um aprendiz que compartilhe delas disponha de motivação para aprender a língua francesa, caso se decida por isso. Assim, estimulados por essas impressões, tais aprendizes podem apresentar mais facilidade para aprender a língua. Como se mostram predispostos a estar em contato com ela, podem encontrar em outros elementos o auxílio para superar eventuais obstáculos que venham a gerar dificuldade no processo de aprendizagem: o gosto pessoal, o desejo de se apropriar de tal sistema linguístico e, por consequência, de ter acesso a tal cultura ou viés de compreensão da realidade.

Por outro lado, diz-se também que o francês é uma língua “difícil de aprender”, “difícil de falar”, “difícil de pronunciar”, “muito rebuscada e complexa”. Tais pré-concepções da língua francesa podem desencadear maiores dificuldades no processo de aprendizagem, já que, para além dos desafios inerentes à aprendizagem de qualquer LE, os aprendizes se depararão, constantemente, com as barreiras internas que estabeleceram, ao rotular, de antemão, que essa ação é difícil de se cumprir.

Também se diz que “o biquinho chama a atenção”, e esse é um ponto de interesse, já que o chamado biquinho é a característica marcante dos sons arredondados, caracterizados pela projeção dos lábios para a frente, cuja aprendizagem e percepção estão sendo estudadas neste trabalho. Não é possível classificar se esse traço é, para o aprendiz, um aspecto positivo ou negativo da língua. Assim, pode-se compreendê-lo como um elemento que pode gerar dificuldade, já que, por trás dessa opinião, poder-se-ia ler “o biquinho chama a atenção, porque no português não temos isso, então deve ser algo difícil de se fazer”; ou facilidade, já que também se pode interpretar tal frase como “o biquinho chama a atenção, porque é diferente, e eu gostaria de conseguir fazer também”.

As questões discutidas nesta subseção contribuem para a construção da ideia de que aprender uma LE não é um ato mecânico, em que estão em jogo apenas elementos linguísticos. Pelo contrário: observa-se a influência significativa de elementos de ordem subjetiva, além de outros, de ordem cognitiva.

Na próxima subseção será discutida a noção de pronúncia aceitável, de modo a complementar e enriquecer as reflexões apresentadas até aqui.

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