BÖLÜM VI ESENBOĞA HAVALİMANININ MEVCUT DURUMU
6.1 Tarihçesi
Neste subitem, busca-se relacionar as mudanças ligadas à globalização, às reformas, às tendências educacionais e aos novos modelos de privatização encontrados em todo o mundo. Não se pode deixar de avaliar nesse contexto as consequências do processo para a Educação, já que, em documentos nacionais da reforma, propõe-se um modelo de currículo e uma nova matriz curricular para o Ensino Médio.
30 COMISSÃO EUROPEIA Direção-Geral da Educação e da Cultura, Política Audiovisual e Desporto - Política
Como primeiro tema, é possível observar, nos documentos, a importância da adequação do sistema educacional em consonância com o uso das novas tecnologias e o fortalecimento de algumas disciplinas em detrimento de outras. Nesse sentido, é importante pontuar a presença de disciplinas que se integram à matriz curricular do Ensino Médio e passam a ocupar um espaço legitimado rapidamente, a exemplo da filosofia e da sociologia, que, em menos de três anos, integram as disciplinas constituintes do ENEM e participam do PNLD ( Plano Nacional do Livro Didático), o mesmo ocorre com a língua espanhola. Além disso, há a importância dada ao estudo das línguas estrangeiras que se fortalecem, na manutenção de uma língua estrangeira obrigatória e na possibilidade da oferta de uma segunda língua estrangeira, optativa (à escolha do aluno), no Ensino Médio.
§ 2º A LDB inclui o estudo de, pelo menos, uma língua estrangeira moderna na parte diversificada, cabendo sua escolha à comunidade escolar, dentro das possibilidades da escola, que deve considerar o atendimento das características locais, regionais, nacionais e transnacionais, tendo em vista as demandas do mundo do trabalho e da internacionalização de toda ordem de relações.
§ 3º A língua espanhola, por força da Lei nº 11.161/2005, é obrigatoriamente ofertada no Ensino Médio, embora facultativa para o estudante, bem como possibilitada no Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano. RESOLUÇÃO Nº 4, DE 13 DE JULHO DE 2010 (*) Define Diretrizes Curriculares
Nacionais Gerais para a Educação Básica.
O acréscimo desse artigo31 (o terceiro) nas DCNEM 2010 parece consagrar um espaço teo i a e teà ese ado àaosàidio asà ueàseàpauta ,àpo àu àlado,àpo àsuaà elaç oà o àoà conhecimento e o uso das novas tecnologias, que apresentam como pré-requisito o estudo do inglês; por outro, a inclusão obrigatória da oferta do espanhol na grade curricular do Ensino Médio. O projeto de formação do educando (futuro trabalhador) passa necessariamente pela formação de um indivíduo apto a responder a habilidades diferentes, apresentar diversas competências requeridas no mercado profissional.
Sobre as reformas curriculares do Ensino Médio no Brasil, é possível destacar a ação das agências multilaterais no processo de financiamento da reforma e de difusão de ideias ou soluções para os problemas educacionais dos países periféricos (LOPES, 2008). Como exemplo, a autora focaliza o discurso sobre integração curricular expresso em documentos produzidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (doravante BID), principal financiador da reforma do Ensino Médio no Brasil. Nos documentos, além da proposta de
31 Artigo aqui se refere ao artigo de lei, que constitui um dispositivo legal para a prescrição de atos e regimes nos textos legais.
uma formação mais geral, que possa desenvolver as habilidades e competências básicas, fixa-se a importância das avaliações como instrumento de regulação da aprendizagem.
Segundo Lopes (2008), os princípios do documento (BID) visam à formação de um indivíduo que, além de estar preparado para atuar no mercado de trabalho, tenha consciência de seu papel na sociedade. Para tanto, segundo tais orientações, devem incluir- se, além das disciplinas acadêmicas tradicionais, algumas que desenvolvam, por exemplo, o entendimento da responsabilidade cívica e o papel da tecnologia na sociedade:
Os objetivos de aprendizado, portanto, devem incluir também uma crescente capacidade para a cooperação na solução de problemas e no trabalho em equipe; responsabilidade cívica em uma sociedade democrática; criatividade e inovação; um entendimento do papel da tecnologia na sociedade; conscientização sobre o meio ambiente; e conhecimento de línguas estrangeiras. (CASTRO; NAVARRO , WOLFF, 2000, p.25).
Observe-se que, juntamente à noção de modernidade e progresso, está atrelada a importância da aprendizagem de línguas estrangeiras, encarada como um conhecimento necessário para a completa formação de um profissional no mundo atual. Na Comunidade Européia, essa questão já ocupa um lugar de destaque nos contextos educacionais e se vê valorizada pelo seu viés linguístico e comunicativo. Na Europa, o ensino de uma língua estrangeira consta como prioridade nas escolas regulares, na medida em que muitos países adotam dois ou três idiomas oficiais e há uma grande proximidade entre os diferentes países
que compõem o continente, o que conduz a amplas trocas culturais.
Em 2002, o Conselho Europeu avalizou a necessidade de conduzir o setor educacional oàse tidoàdeà elho a àoàdo í ioàdasà o pet iasàdeà ase,à o eada e te através do e si oàdeàduasàlí guasàest a gei asàpeloà e os,àdesdeàaàidadeà aisàp e o e. 32 Esse alvo
foi reorientado em função do objetivo estratégico estabelecido pela União Europeia - Conselho Europeu, realizado em Lisboa, em 2000, que consistia em transformar a economia europeia na mais competitiva e dinâmica do mundo. O objetivo da Comissão, em longo prazo, é incrementar o multilinguismo com o fim de que cada cidadão possua competências
práticas em pelo menos duas línguas, além da sua língua materna.
Desse modo, pode-se observar a importância dos idiomas nos documentos prescritivos dos órgãos de financiamento, não somente como uma demanda no mercado de
32 CONSELHO EUROPEU DE BARCELONA. 15 E 16 DE MARÇO DE 2002. www.consilium.europa.eu/uedocs/NewsWord/pt/ec/71066.doc.
trabalho interno, pelas circunstâncias hoje postas, mas como atendimento a uma agenda internacional que confere às línguas um estatuto de disciplina de grande relevância.
Vale refletir sobre o papel das línguas estrangeiras, não somente pelo que podem proporcionar como operacionalizadores na formação para o trabalho, mas por aquilo que lhes é pertinente, possibilitando a interdisciplinaridade (tão destacada em documentos nacionais) de maneira plena. Enfatiza-se, assim, a possibilidade de a língua estrangeira no Ensino Médio vir a cumprir um papel integrador dos temas transversais no cruzamento constante entre as varias disciplinas que se conformam no currículo. Torna-se possível desenvolver a língua estrangeira conjuntamente com qualquer área do saber, por meio de práticas que se componham de compreensão leitora, de atividades integradas com o uso de mídia,àdaàela o aç oàdeàp ojetosà ilí gues à asà easàdasà i ias,àdasàa tes,àet .
No desenho curricular, mais que oferecer ao aluno a possibilidade de comunicar-se, expressar-se nos vários idiomas que se lhe oferecem, pode-se atribuir à língua estrangeira um papel interdisciplinar, assegurando a transversalidade do conhecimento de disciplinas diferentes e eixos temáticos e propiciando a interlocução entre os saberes dos diversos campos do conhecimento.
Entretanto, ainda que num contexto mais amplo e nos documentos legais a disciplina apareça, principalmente nesse momento histórico, como uma poderosa possibilidade de integrar e possibilitar novos contextos de ensino, não se pode deixar de mencionar seu pequeno prestígio no contexto escolar do Ensino Médio, em que ainda se considera, i feliz e te,à o oàu aàdis ipli aà a gi al .àDelaà oàseàespe a à eàe à e tosà asosàseà p oí e à ep o aç es,à al à deà suaà a i a à ep ese taç oà dia teà dasà o u idadesà disciplinares que disputam espaço/voz na escola básica. Nesse processo, certas vozes são mais ouvidas que outras, em função das relações de poder constituídas. Algumas demandas são legitimadas em detrimento de outras, em função do prestígio que conquistam na luta pela significação da própria política institucional e, assim, a língua estrangeira (como disciplina escolar33,à ueà seà o figu aà o oà u aà dis ipli aà a e a à aoà u í uloà es ola ,à pouco consegue se representar por meio das práticas discursivas de seus professores34.
33 Para Goodson (1996), as disciplinas escolares são amálgamas mutáveis de subgrupos e tradições, nas quais os atores sociais envolvidos empregam recursos ideológicos e materiais para desenvolverem suas missões individuais e coletivas. Trata-se de uma construção histórica e, portanto, social e política. Segundo o autor, essas ações são desenvolvidas, de forma geral, pela construção de um perfil acadêmico para o campo
Além disso, há que se considerar a sua redução de carga horária no contexto de ensino estadual no RJ e municipal, em que sua representação tem sido cada vez mais equa io adaàaàu à jogoàdeàda as ,àpo à eioàdoà ualàseàdeslo aàsuaàfu io alidadeàaà e oà cumprimento parcial35 da lei.
Para melhor compreender como se operacionaliza essa política, pode-se recorrer a Foucault (2001), para quem o poder se caracteriza pelo discurso das disciplinas. O disciplinamento pressupõe uma lógica; os argumentos de autoridade regem quem está apto a decidir e quem não está; o que pode ou não ser feito em determinados espaços, nesse caso específico, o espaço escolar.
Nesse contexto que se caracteriza por um paradoxo, ou seja, enquanto em documentos internacionais existe valorização das línguas estrangeiras, conferindo-lhe um estatuto de importante disciplina na matriz curricular, principalmente pelo que pode o t i ui à aà ha ilitaç oàdosàalu osàpa aàoà u doàglo alizado ,à i e ia-se, no contexto escolar, a histórica disputa e a manutenção de status entre disciplinas escolares da matriz curricular36.
A partir desse fato, depreende-se a importância de realizar estudos de forma a possibilitar, em diversos contextos escolares (instituições diversas), a compreensão da busca de legitimidade da disciplina escolar Língua Estrangei a,à o side adaàdeà e o à alo à ouà importância pedagógica; bem como a investigação da constituição de seu estatuto epistemológico, pesquisando o movimento de variação/construção da cultura e, em especial, do conhecimento acadêmico em saber escolar.
Vale refletir sobre a natureza das leis educacionais, o contorno de sua constituição e da naturalização de recortes que seus discursos instauram, naturalizando conceitos, apagando necessidades e transferindo causalidades aos contextos globais de ensino. Tais documentos prescritivos carregam representações de lutas constantes, em que um discurso
disciplinar, capaz, socialmente, de contribuir na garantia tanto do status, quanto de recursos e território para as disciplinas.
34
Segundo Goodson (1996, p.130), a busca incessante das disciplinas é por defi iç esà hege i asà deà o he i e to ,àassi àasàdis ipli asàa ad i asàseàe pe ha à aà o uistaààdoà ie tifi is oàeàasàdis ipli asà escolares se perfilam nas disciplinas acadêmicas, como forma de legitimar-se no contexto microescolar. 35 Usa-seà u p i e toà pa ial à oà se tidoà deà ueà aà leià p op eà ueà seà adoteà u aà lí guaà escolhida pela comunidade escolar, ou por adequação com a localidade onde é lecionada. Entretanto, historicamente se ofereceu a língua que interessava ou a que se apresentava como hegemônica.
36 Como fruto de um processo social, a disciplina escolar envolve atores sociais na disputa por recursos, status e
hegemônico se impõe quando outro se exclui, coordenando um conjunto sistemático da expressão dos interesses dos múltiplos atores sociais.
As pesquisas e as análises precisam, não somente refletir, mas conduzir-se a uma constante critica a esses discursos e práticas, que, se não podem ser reescritos, ao menos de e àse à des o e tos .àNaàp i aàseç o,àt ata-se da relação entre a globalização e as políticas de línguas, em especial as de línguas estrangeiras, que historicamente se operacionalizaram e se construíram como políticas hegemônicas no contexto brasileiro.
1.3 GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICAS LINGUÍSTICAS: DE COMO SE CONSTITUEM AS