BÖLÜM IX SONUÇLAR VE GÖRÜŞLER
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A constituição de uma terminologia própria marca, em toda ciência, o advento ou o desenvolvimento de uma conceptualização nova, assinalando, assim, um momento decisivo de sua história. Poder-se-ia mesmo dizer que a história particular de uma ciência se resume na de seus termos específicos. (BENVENISTE, 1989)
Diferentemente de alguns países latino-a e i a os,à oà te oà políti asà li guísti as à aparece de maneira sistemática há pouco tempo no Brasil. Os textos que fazem referência a ele começam a aparecer nos escritos de alguns linguistas em meados dos anos 90 (MOITA LOPES, 1999).
Segundo Calvet (2007), o estudo aparece como disciplina na segunda metade do século XX, associado ao plurilinguismo e à sua gestão; a políticas que levaram a mudanças no estatuto das diversas comunidades linguísticas que buscavam reconhecimento social e político, como ocorreu no processo de descolonização da Ásia e da África a partir dos anos 50, entre muitos outros ocorridos nos vários continentes.
Como bem lembra Gilvan Muller de Oliveira, no prefácio da obra de Calvet (2007), falar em política linguística era, até recentemente, algo quase impensável em centros de Linguística. Rajagopalan (2004)37, ao resenhar a obra de Calvet, vai um pouco mais adiante, pois o autor afirma que até hoje a Linguística reluta em aceitar o assunto da política linguística como algo digno de ser pensado, muito menos incorporado à disciplina como assunto que merece destaque:
Essa dificuldade não é nem momentânea nem fortuita. Há uma incompatibilidade radical entre a ciência da linguagem - a Linguística - e questão de política linguística. A primeira sempre alardeou sua suposta neutralidade política, ao passo que a segunda assume, em sua própria nomenclatura, seu caráter político. A primeira sempre fez questão de frisar o caráter descritivo de suas investigações, enquanto que a segunda é escancaradamente prescritiva e interventora. A primeira concentra seus esforços quase exclusivamente no oral, ao passo que a segunda se dirige à escrita, reconhecendo que qualquer repercussão na forma oral da língua ocorre como consequência (Resenha em uma só página).
NoàB asil,à ueàassu eà oàse soà o u àaàideologiaàdeàu aà lí guaàú i a ( ainda que se deva considerar as línguas de fronteira, de imigrantes, as diferentes línguas indígenas e Libras), há certa camuflagem da realidade plurilíngue com que se convive em todo o território nacional, o que acabou por ocasionar, durante alguns anos, a falsa percepção de
37 Resenha DELTA vol.24 no.1 São Paulo 2008. Scielo. Disponível em:
que havia poucos motivos empíricos e teóricos para realizar estudos nessa área. O discurso dessaàlí guaà u a àte àapa e idoà osà aisàdi e sosà itosàdaàso iedade,à a a te iza doà um discurso hegemônico. Mesmo os estudos da sociolinguística, segundo Müller (2003), têm tido um enfoque majoritariamente nas variáveis e variantes do português, portanto, uma sociolinguística do monolinguismo.
Segundo o autor, nas duas últimas décadas, entretanto, o panorama das reivindicações dos movimentos sociais, a diversificação de suas pautas, o crescimento das questões étnicas, regionais, de fronteira, culturais, tornaram muito mais visível que o Brasil é um país constituído por mais de 200 comunidades linguísticas diferentes que, a seu modo, têm se equipado para participar da vida política do país. Como exemplo do fenômeno que ocorre praticamente somente nessa década, pode-se citar o ocorrido em 2002, quando a Câmara Municipal de São Gabriel, RS, aprovou a lei nº 145, que oficializou três dessas línguas, baniua, nheengatu e tucano, fazendo da cidade a primeira no país com outras línguas oficiais além do português.
No site da Nova em Folha, revista on-line da Folha de São Paulo, informa-se que, com 76,31% de sua população declarada indígena, segundo o último censo federal, São Gabriel, com quase 40 mil habitantes, ocupa uma área maior que a de Portugal. Além disso, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa), constam de 10 países os que fazem fronteira com o Brasil, além de 11 estados e 120 municípios, somando-se a esses dados, 5.500 escolas, quase 600 mil alunos e 28 mil professores. Muitas dessas escolas estão localizadas nas denominadas fronteiras secas, que não apresentam marco geográfico, intensificando, assim, a liberdade de ir e vir das pessoas e tornando tais contextos sociolinguisticamente complexos.
A política linguística operada no Brasil com relação às relações que estabelece com os países circunvizinhos tem se inserido numa prática que visa à integração, mas somente no que concerne aos países do Mercosul. O Projeto Escola Intercultural Bilíngue de Fronteira (PEIBF) tem o intuito de promover o intercâmbio entre professores dos países do MERCOSUL. Criado em 2005 por uma ação bilateral Brasil-Argentina, o projeto agrupa 40 escolas dos dois países e o objetivo principal do Projeto é a integração de estudantes e de professores brasileiros com os alunos e os professores dos países vizinhos. O foco é a integração, a quebra de fronteira, além da ampliação das oportunidades do aprendizado das
línguas. (site MEC, 2011). Em junho de 2006, o PEIBF passou a constituir a pauta do Setor Educacional do MERCOSUL, e assim se tornou um projeto multilateral. Em 2009, outros países do bloco (Uruguai, Paraguai e Venezuela) iniciaram as atividades do projeto em escolas de fronteira.
Como claramente afirma Calvet (2007, p. ,à áàpolíti aàli guísti aà àinseparável de suaà apli aç o ,à assi ,à ua doà Estadosà defi e à u aà políti aà li guísti a,à p e isa à defi i à ações que comportem a efetivação de tal política. O Projeto Escolas Interculturais Bilíngues de Fronteira (PEIBF) apresenta-se como uma dessas ações no âmbito do Mercado Comum do Sul, o MERCOSUL. Alguns outros projetos, menos conhecidos estão se implementando, como as escolas indígenas que recuperam a língua das comunidades locais.
No Brasil, diante de realidades tão diferentes, há uma demanda cada vez maior em pesquisa na área de políticas linguísticas, conformando-se um estudo não só plausível como necessário. O crescimento dos movimentos sociais e a reação do Estado às reivindicações vão delineando as linhas de ação e as responsabilidades das políticas linguísticas, além de nortear seus métodos e interesses.
Segundo Müller (2007) ao redigir o prefácio da obra de Calvet (2007), essas o side aç esàto a à aisàe ide teà ueà políti aàli güísti a
para além de uma multidisciplina constituída de conhecimentos técnicos de linguística, antropologia, sociologia, história, direito, economia, politologia, imobilizados para a análise das situações linguísticas é, como diz Lia Varela, uma prática política, associada à intervenção sobre as situações concretas que demandam decisões políticas e planificação de políticas públicas (MULLER, 2007,p.09).38
Dentro do quadro de pesquisas e publicações relacionadas à área, encontramos a obra de Calvet (2007), que aporta análises de situações político-linguísticas em várias partes doà u do,à ost a doà ueàpa aà uitosàdosàpaísesàfoiàdadaà o oà soluç o àaàplanificação do o pus àeàaàplanificação do status das línguas, seus limites e possibilidades. A planificação de corpus seàdesti aà à iaç oàdeà o as,à à odifi aç oàeà à ela o aç o àdasàlí guas,àj àaà planificação de status trata dos princípios de personalidade e de territorialidade (SAVEDRA, 2008).
Vários estudos se direcionam com foco nos estudos das situações linguísticas existentes no Brasil, atualizando, por exemplo, os conceitos de política e de planificação
38 Disponível em http://www.parabolaeditorial.com.br/POLITICASLINGUISTICAS.pdf. Acesso me 10/05/2011.
linguística, a partir de sua relação de reciprocidade. Savedra (2008, p. 116) define essa relação como o
Conjunto de medidas, projetos, estratégias induzidas (escolhas conscientes no âmbito de políticas públicas), que tem por objetivo regular o uso das línguas, para determinadas situações linguísticas (relação entre status e uso, peso das línguas), propondo ações de implementação e acompanhamento (emprego dos meios necessários para aplicação das políticas definidas). 39
Eà de t oà doà ueà osà pes uisado esà t à ha adoà deà i adaà políti o-li guísti a ,à oà movimento pelo qual os linguistas passam a enfocar uma prática mais próxima aos falantes das línguas, buscando sustentar tecnicamente suas demandas políticas e culturais, a obra de Calvet representa uma contribuição porque busca definir as estratégias de um campo, dar as primeiras noções de como se inserem as políticas de língua em contextos nacional e internacional.
Segundo Calvet (1974, p. ,à tudoà o eçaà peloà atoà deà o ea ,à efe i do-se à olo izaç oà aà ãf i a.à No ea à osà olo izadosà eà seuà u do à o à te osà pejo ati osà cumpria a função de sobrepor-se, estabelecendo diferenças linguísticas com o intuito de convertê-las em desigualdades de toda ordem. Nos casos de dominação, a apropriação intelectual e linguística ocorre por meio de translações e amplificações do significado (concebido a partir da língua do colonizador ou dominador).
Refletindo sobre os exemplos de dominação, colonização, conquista de território como algo que ocorria e ocorre por meio da língua, da linguagem, conclui-se que sempre existiram as políticas linguísticas. Desde que os seres humanos se organizaram em sociedades e estenderam suas relações de contato, intercâmbio e dominação com outras sociedades linguisticamente diferentes, realizaram tais políticas. E, como parece óbvio, em todos os contextos de colonização ou domínio, as línguas desempenham um papel de primeira ordem.
Poder-se-ia citar como exemplo a própria história do Brasil: o português, a língua oficial do Brasil, como se lê no verbete de Guimarães (2004), intitulado "História do português do Brasil", decorre de uma relação histórica diferenciada do Brasil, observa-se a história a partir de Portugal como referência. Essa distinção ocorre, conforme o autor,
39 SAVEDRA, Mônica M. G. Línguas majoritárias e minoritárias no Mercosul: a questão de línguas oficiais, línguas de trabalho e línguas de ensino. In: HORA, Dermeval; LUCENA, Rubens M. de. (Org.). Política linguística
principalmente porque o português entrou no país por meio do processo de colonização, ocupou e dividiu espaços com outras línguas praticadas nesse território. Dessa forma, segundo Payer (1999), o português nem sempre foi a língua mais falada no Brasil. Houve um período no qual a língua mais falada no Brasil era a língua geral , e apenas a partir dos séculos XVII e XVIII essa língua perdeu espaço para o português, devido à obrigatoriedade do seu uso e do seu ensino. Hoje, praticamente falado por (quase) toda a população, o português é a língua materna de cerca de 192 milhões de habitantes (estimativa do IBGE, 2010).
Contudo, muitos dos enfoques existentes sobre as políticas de linguagem excluem o aspecto ideológico para seu possível entendimento. Observa-se que estudos da década de 1990 se limitaram a conceber a linguagem dentro das dicotomias estruturalistas e desenvolveram seu campo de atuação nas situações de multilinguismo, descrevendo-as somente. Enfoques mais recentes já estabelecem um conceito de linguagem como ação social e discurso, relacionando-os com o poder, como lugar de conflito e confrontação ideológica.
Para entender historicamente como se desenvolveu essa área de pesquisa, podemos começar pela obra célebre de Shirley Brice Heath (1972), referência para os estudos relacionados às políticas linguísticas, na qual se constata que penetrar num campo de estudo merece cuidadosa pesquisa. No processo de investigação em sites acadêmicos sobre o tema, na tentativa de correlacionar com o ensino de LE, foi possível constatar que grande parte dos trabalhos já editados relaciona-se à estandardização, normatização e estabelecimento das línguas indígenas/nativas/minoritárias, tanto na América do Sul como em outros continentes.
Des itaàf e ue te e teà o oà so iologiaàdaàli guage àe à eadosàdosàa osà ,à alguns estudiosos advindos principalmente da sociologia, da ciência política, da antropologia e da linguística, atentos aos congressos e às conferências, viam abrir-se uma área muito variada e rica no campo investigativo. A investigação na sociolinguística sugeria como importante foco de estudo as relações entre a linguagem e a sociedade e insistiam, ainda, nas implicações que poderiam ter no âmbito social a possível estandardização ou a unificação da linguagem e a integração nacional.
Assim, pode-se afirmar que os especialistas interessados em aplicar os instrumentos daàso ioli guísti aàpa aàaà soluç o àdosàp o le asàso iaisà ela io adosà à oàa eitaç oàdeà um idioma em detrimento de outro e as dificuldades de inter-relação para o contexto social apontavam- aà o oà u aà eaà i po ta teà pa aà asà pes uisasà futu as:àaà doà planejamento linguístico dasà aç esàe àdese ol i e to .
Planejamento linguístico, segundo Shirley Brice (1972), se dá pelo processo de tomada de decisões que têm como consequência mudanças de estratégias linguísticas, que caracterizam igualmente as nações em desenvolvimento e as nações desenvolvidas. Entretanto, nas nações desenvolvidas ressaltam-se táticas bem diferentes das demais, visto que contam com uma tradição em alfabetização e uma elite literária ativa; nestas, o planejamento linguístico é sinônimo de unificação da linguagem.
Nosà oldesà daà u ifi aç o ,à o se a -se-á uma instituição central, o Estado, autorizado a legislar, com o apoio de linguistas, tudo o que se refere às reformas na ortografia, seleção de formas gramaticais e lexicais, interferir nos interesses políticos e educativos. Além disso, orienta escritores e especialistas dentro das normas da linguagem oficial e decreta as mudanças internas do idioma. Para tais nações, o planejamento linguístico significa deliberações normativas desejáveis pelo Estado, descritas sob a forma de
efi iaàeàade uaç o àaosàsiste asàde t oàdaàest utu aàdaàli guagem.
Os demais casos de planejamento linguístico dizem respeito àquelas comunidades que ficaram fragmentadas ética e linguisticamente, principalmente as sociedades indígenas e, nesses casos, as políticas linguísticas cumprem um papel totalmente diferente: o de efetuar sua transição social e econômica à vida moderna (Brice, 1977).
Ha elà à di ideà oà a poà deà estudo à e à doisà g a desà g upos:à aà políti aà deà li guage à e te a ,à ueàseà efe eàaoàpapelàdeà adaàlí gua,àouàseja,àseusàusosàeàasàfu ç esà num o te toà ultilí gue;à eà aà i te a ,à ueà a alisaà aà i te e ç oà so eà asà o asà gramaticais, a codificação, a estandardização, a elaboração de alfabetos e vocabulários.
Contudo, em documentos internacionais, nas Atas dos Encontros entre países membros de alguns blocos econômicos, vê-se o uso paulatino do termo, o que leva a compreender que seu surgimento advenha de uma necessidade diante do tema dos direitos li guísti osà oà o te toàdasàp ofu dasàt a sfo aç esàdoà u doà glo aliza te àe à ueàseà vive.
Oliveira (2007), em seu Prefácio, confere o surgimento de interesse em política linguística ao "panorama das reivindicações dos movimentos sociais" que, nos últimos anos, deu realce à existência de línguas minoritárias no Brasil, forçando os estudiosos a reconhecer "a realidade plurilíngue do país", a qual teria sido camuflada pela "ideologia da 'língua única'" existente "desde tempos coloniais":
A intervenção humana na língua ou nas situações lingüísticas não é novidade: sempre houve indivíduos tentando legislar, ditar o uso correto ou intervir na forma da língua. De igual modo, o poder político sempre privilegiou essa ou aquela língua, escolhendo governar o Estado numa língua ou impor à maioria a língua de uma minoria. (OLIVEIRA,2007,p.34)
Guimarães (2007), em seu estudo sobre a Política de Línguas na Linguística Brasileira, relata inicialmente a problemática comum entre os linguistas que se cobram posicionamentos com relação à defesa do ensino de uma língua normatizada e à constante discussão das variantes linguísticas existentes no contexto brasileiro. Para o autor, é preciso compreender que a questão que se coloca é uma questão de política, ou seja, um modo de pensar a distribuição das línguas para seus falantes, em outras palavras, uma distribuição de micro e macropoderes.
A partir de então, propõe uma análise de como o pensamento linguístico brasileiro trata, expressamente ou não, no próprio modo de se formular como ciência, a divisão das línguas para seus falantes, e em especial a formulação dos aspectos envolvidos na relação de línguas no Brasil, que ocorre geralmente a partir do português como língua nacional-oficial.
Os espaços de enunciação (GUIMARÃES, 2000,2005) em que as línguas funcionam são historicamente, nas condições atuais, marcados pela organização política dos Estados nacionais. Assim, as noções de língua oficial, língua nacional e língua estrangeira são noções que aparecem dividindo as línguas, imaginariamente entre a de uma nação e as outras.
Mas se a prática política de divisão do poder em estados nacionais aparece como definidor dos espaços de enunciação, estes não se reduzem a este modo de relação. (...) O funcionamento da língua envolve o modo comoàseusàfala tesàaà e pe i e ta . (GUIMARÃES, 2005, p.23)
Por outro lado, para Orlandi (2007), o tema das políticas de línguas é extremamente abrangente, porque nele cabem reflexões que abrangem épocas muito diferentes, línguas diferentes, situações históricas e sociais diversificadas. Além disso, o próprio modo de se considerar a política, para a autora retomada também como ética, envolve reflexões de áreas disciplinares muito diferentes.
A autora assinala a diferença entre políticas linguísticas e políticas de línguas, partindo da questão da pressuposição de teorias quando se fala de políticas linguísticas, além da pressuposição da existência de uma língua como tal. Nesse caso, já se define ou se compreende uma relação entre elas, as línguas, e nos sentidos que são postos nessas relações como se fossem inerentes à essência das línguas e das teorias. Torna-se explícito que se pode manipular como se deseja a política linguística. Outras vezes, segundo a autora, admite-se política linguística como planejamento linguístico, quando da organização das línguas ou entre línguas, em função da escrita, de práticas escolares, do uso em situações de planificação linguística.
Ao usar a expressão Política de Línguas, abonamos à língua um sentido político necessário. Ou seja, não há possibilidade de admitir a língua sem seu caráter político. Uma língua é um corpo simbólico-político que faz parte das relações entre sujeitos na sua vida social e histórica. Assim, quando pensamos em política de línguas já pensamos de imediato nas formas sociais sendo significadas por e para sujeitos históricos e simbólicos, em suas formas de existência, no espaço político de seus sentidos. (ORLANDI, 2007, p.34))
Tal definição instaura um novo sentido, considerando-se o político da língua e, ainda ueàdis u sosàso eàaàlí guaàseja àad itidosà o oà e dadei os ,àa a a àpo àdeterminar um conjunto de práticas, além de determinar também que práticas seriam aceitáveis em nosso contexto atual, um contexto que admite a língua como mercadoria ou como valor de troca para outras negociações políticas.
Todas as línguas se recobrem de um nome oficial, instituído como tal, como, por exemplo, o português, e esse mesmo nome assume uma multiplicidade de instâncias em que o poder e o modo de sua prática se inscrevem de formas diferentes na sociedade e na história em que eles se constituem . Pode-se, desse modo, inferir que há política de línguas quando se nomeia: língua comum, língua nacional, língua materna, língua oficial, língua regional, designando um mesmo objeto, que pode ser a língua portuguesa, mas também algo diferente conotado pela significação dada a esses nomes e observado nos contextos em que eles se realizam.
Além disso, o saber sobre a língua, por outro lado, não está desconectado da política das línguas, ao contrário, é a essência sobre a qual se enunciam os modos de sua realização.
Para Orlandi (2007), é possível distinguir três posições que configuram diferentemente as políticas de línguas que se apresentam: a) como razões de Estado, das Instituições: o que coloca o princípio da unidade como valor; b) como razões que regem as
relações entre povos, entre nações, entre Estados: o que coloca o princípio da dominação como valor; c) como razões relativas aos que falam as línguas: o que coloca o princípio da diversidade como valor (grifo nosso).
Ao analisar o PPP das línguas, será possível observar a formulação de um programa e