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1. TÜRKİYE TARIM KREDİ KOOPERATİFLERİ SİSTEMİN TANITIMI

2.21. Tarım Kredi Kooperatiflerinde İç Denetim

2.21.2. Tarım Kredi Kooperatiflerinde Denetim

A resposta se encontra na compreensão do modo em que se dá essa chegada do habitante ao mundo de que vimos falando: no âmbito livre concedido pelo espaço, o homem

195 MITCHELL, Heidegger among the sculptures: body, space, and the art of dwelling, p. 43.

196 Assim como a sugestão de Gumbrecht quanto à autocompreensão numa cultura de presença: aí o ser humano

se reconhece como dotado de corpo e de consciência ao mesmo tempo, sem uma distinção fixa entre os dois quanto à sua essência – sem qualquer dualismo, portanto.

arruma a si mesmo e as coisas do mundo, o espaço é então ele mesmo afetado pelos corpos, de modo que a cada novo rearranjo de coisas e lugares, o todo das articulações espaçantes se modificam. O corpo deixa, portanto, de ser aquele objeto encapsulado, fundado na oposição de interioridade/exterioridade; antes o corpo já sempre vive o seu exterior como a si mesmo, mas nesse movimento de saída de si o corpo é sempre também afetado pelo espaço e pelos outros corpos: a corrosão do mundo. O espaço dos mundos cotidianos, ao contrário do que planejou a subjetividade moderna, é aquele da fricção e do choque, do movimento de emergência de outros corpos que na luta por um lugar para completar sua entrada, corrói e maltrata a matéria – a entrada no mundo é o caminho do desgaste. Na emergência dos corpos nesse espaço tomado como essencialmente relacional aparece também a erosão de tudo o que o enfrenta para poder adentrá-lo. A minha chegada ao mundo sempre afeta outros corpos de algum modo, o confronto com o espaço na busca pela abertura de um lugar sempre deixa a sua marca – o contrário, contudo, é igualmente válido: enquanto permaneço na travessia constante para dentro do mundo (o que sempre quer dizer: sobre a terra, sob o céu e diante dos deuses), o espaço e seus outros corpos também me tocam, me desgastam e me corroem. “Cada visão marca aquele que é visto, assim como tudo o que é visto marca aquele que vê. Nós somos encharcados pelo mundo, erodidos no entre. Nosso acordo é erodir juntos”197. É essa interpenetração de corpo e espaço que motiva o desgaste da matéria, a corrosão dos dias. Meu corpo como um corpo vivo é sempre marcado pelo mundo, a sua frágil materialidade não resiste à usura das relações diariamente travadas e remodeladas – o mundo é aquele que me degrada e eu sou aquele que morre pelo mundo, que morre do mundo.

Nossa última leitura, portanto, é a de que a noção de corpo colhida junto à temática da arte como escultura nos ajuda a compreender o habitar como modo de ser em que o homem responde antes de tudo pela própria finitude. A tarefa da apropriação de si como um mortal passa aqui necessariamente pelo reconhecimento do corpo como a nossa primordial habitação, de modo que morrer apropriadamente consiste em saber do desgaste que o espaço originário de habitação provoca em nosso ser feito de carne e osso. Esse pode ser mesmo um dos sentidos da passagem já citada de Construir, habitar, pensar em que Heidegger afirma que ser um mortal é poder e saber morrer, de modo que em sendo mortal, morre-se continuamente198, isto é, reconhecer a si mesmo como sendo essencialmente um corpo neste

197 MITCHELL, Heidegger among the sculptures: body, space, and the art of dwelling, p. 56.

198“Morrer diz: ser capaz da morte como morte. Somente o homem morre e, na verdade, somente ele morre

continuamente, ao menos enquanto permanecer sobre a terra, sob o céu, diante dos deuses”. HEIDEGGER,

mundo, é desde sempre viver ciente do desgaste inevitável da matéria, é saber essa morte na experiência cotidiana do próprio corpo. Sei da minha morte pela relação que mantenho com o meu corpo, porque essa corrosão é vivida num processo constante, que toma espaço, inadvertidamente, dia após dia. Assim, aceitar o pertencimento de nossa essência ao corpo como aquele que primeiramente nos conduz ao nosso ser-no-mundo, põe-nos a caminho do reconhecimento de nossa condição de mortais: como aqueles que vivem apropriados de seus corpos, somos também aqueles que sofrem junto destes – a materialidade essencial daquilo que adentra o mundo como um corpo é a mesma que na outra via exige a sua completa degradação, a extinção desse corpo. Ser um habitante é ser o ente morredouro.

Nesta via, cumpre-se mais um dos sentidos do habitar como tarefa: enquanto reconhecimento e cuidado para com aquele que nos põe a cada novo dia no mundo e sua plenitude de relações, do corpo que é a nossa primeira forma de habitar. Assim, a tarefa do habitar junto ao corpo cumpre-se aqui como a apropriação de nossa realidade corpórea, de nosso pertencimento à substância do mundo e, primordialmente, de nossa mortalidade que assoma a partir do desgaste da matéria no contínuo processo de entrada no mundo. Reconhecer-se como habitante é então descobrir-se como mortal, de modo que no processo de apropriação de si como o ente morredouro, como aquele que deve morrer continuamente e que deve sabê-lo em seu dia-a-dia, a redescoberta do corpo como o elemento originário de nossa experiência de mundo é um momento crucial – somente morre continuamente aquele que sabe da corrosão do mundo. Nossa tarefa enquanto habitantes é então aquela de um exercício constante de abertura à descoberta e à experiência do próprio corpo.

Tendo esclarecido a autocompreensão humana sugerida pela noção de habitar como essencialmente mortal, e de apontar para a contribuição do reconhecimento do corpo para a tarefa da apropriação de si (o corpo que se desvela como a primeira forma de habitar este mundo e que em sua fragilidade aponta para a morte sabida e reconhecida nessa mesma experiência da carne), resta ainda procurar por uma última articulação dessa mesma temática do corpo junto à estética gumbrechtiana. Mais uma vez retornamos ao tema da arte, iluminando assim a necessidade de sua presença junto à nossa proposta de esclarecimento da noção de habitar: a experiência da arte aparece como a possibilidade mais viva de uma passagem do indivíduo para aquela condição apropriada descrita por Heidegger com a noção de habitar. Assim, reencontramos a ideia defendida em nosso segundo capítulo de que a vivência estética permite uma abertura ao ser humano quanto a seu próprio ser. Gumbrecht já havia nos mostrado com sua noção de presença o quanto nossos corpos devem participar e

exercer um papel ativo na experiência contemporânea da arte, de modo que a precedente visada sobre o encontro de Heidegger com escultores já perto do fim de sua vida parece justamente reforçar a ideia da conexão da arte com a tarefa da apropriação de si. O que pretendemos colher numa última reflexão quanto à questão da arte é a assunção de que a autocompreensão humana, se desejar perseguir aquela condição apropriada de onde partimos para o entendimento do habitar, não pode passar ao largo da relevância imposta pelo corpo ao pensamento comprometido com a questão do destino da essência humana. Esta última consideração do pensamento estético de Gumbrecht deve buscar na análise do conceito de dança, em seu elemento de graciosidade, a iluminação do sentido da abertura de nosso ser proporcionada pela experiência da arte quanto à nossa natureza de mortais.