1. TÜRKİYE TARIM KREDİ KOOPERATİFLERİ SİSTEMİN TANITIMI
3.3. Anket Sonuçlarının Değerlendirilmesi ve Analizi
3.3.2. Depo Bölümünde İç Kontrol Sisteminin Uygulanma Durumu İle İlgili
Esclarecer o que é a serenidade, contudo, não é uma tarefa simples: o que ocupa a centralidade de seu sentido é a posição da serenidade num espaço semântico externo à distinção entre atividade e passividade (categorias que pertencem essencialmente ao domínio da vontade, pois mesmo a atitude passiva se desenvolve em referência à atividade, como vontade negada ou deferida a outrem). Antes disso, a serenidade consiste numa disposição [Stimmung] específica em que se torna possível abandonar o querer (quando se permite ao ser humano aceder a algo que não é um querer217), colocando-se, portanto, numa posição alheia à noção de atividade. Ao mesmo tempo, esse abandono do querer não significa um “deixar à deriva” no sentido de uma postura meramente passiva, não se trata de abdicar por completo de si, antes, o “deixar” [lassen] da serenidade [Gelassenheit] possui um sentido mais essencial. A passagem que o pensamento precisa realizar saindo do não-querer como recusa do querer, e seguindo em direção àquele outro não-querer que se ausenta ao domínio da vontade, consiste na árdua tarefa de uma transição do querer para a serenidade (uma passagem que deve se dar como um salto, não como a simples negação da vontade). A chave para essa transição consiste em retomar o horizonte da questão da essência do pensamento: do mesmo modo em que a serenidade consiste na saída do domínio da vontade, também a busca pela experiência do pensamento deve principiar pela recusa da representação, pelo salto para fora do querer. Contudo, se o pensamento como o conhecemos, o pensar com que operamos em nosso dia-a- dia é ele mesmo o pensamento representacional, como podemos sequer conceber a passagem para este outro modo de pensar? A dificuldade da tarefa e a realidade desse conflito ficam bastante claras nessa passagem:
216 Já tratamos deste caráter não-voluntarista da serenidade junto ao pensamento estético de Gumbrecht: a
preparação do espectador para a vivência estética consiste numa postura de espera que não é a de um abandono de si e das próprias capacidades, nem um esforço que procura controlar o momento da experiência da arte. A postura serena, neste contexto, resume-se em estar concentrado e receptivo, disponível e bem desperto – é essa disponibilidade que deve permitir a emergência da serenidade, e não a intenção de que a mesma seja despertada.
Cientista – Não consigo representar (vorstellen) essa essência do pensamento, nem
com a maior boa vontade.
Professor – Precisamente porque essa maior boa vontade e o seu tipo de pensamento
como representação o impedem de o fazer218.
A saída do terreno da vontade, como se pode ver, deve ser feita num único e mesmo caminho de pensamento que procura pela sua própria essência: a conquista da essência do pensamento constitui a própria transição do querer para a serenidade. Em traços gerais, a argumentação de Heidegger consiste em, a partir da noção de horizonte [Horizont], perseguir a essência do pensamento representacional (como um “representar transcendental- horizontal”219): aí, os fenômenos são abordados a partir de um campo de visão que constitui o
pano de fundo em que o sujeito pode operar a contraposição necessária ao ato de representar [vorstellen] – o horizonte diz respeito unicamente à representação e seus objetos. A partir desta discussão, os interlocutores que se encontram num caminho de campo decidem procurar por uma dimensão mais originária do que esta do horizonte, uma dimensão que pudesse lhes dar a essência do pensamento num sentido anterior à representação. É neste contexto que emerge a noção de região [Gegend]. Antes de tudo, como mostra Lígia Saramago Pádua220, essa outra dimensão em que se move o pensamento deve guardar em si a negação de qualquer possibilidade de objetificação, isto é, a contraposição objetiva [Gegenstand] necessária ao pensamento representacional em que um sujeito põe o ente diante de si [vor-stellen], mostra- se como explicitamente impossível nos domínios de uma topologia que passa a ser formulada na filosofia tardia de Heidegger. Essa impossibilidade se dá por conta do reunir e resguardar próprio à região, que procura antes de tudo dar vazão ao caráter de encontro do fenômeno de mundo: mais do que abarcar os objetos de pensamento que o horizonte permite apenas enquanto “o lado virado para nós de um aberto que nos rodeia”221, a região é a própria
condição de possibilidade do fenômeno do mundo enquanto “o-que-regiona” [das Gegnende], que numa aproximação reúne e resguarda espaços abertos no interior de si mesma, propiciando um movimento de vir ao encontro no qual o próprio pensamento está contido. O campo de visão do horizonte em que se dá a nossa atividade de representar corresponde assim ao aberto [das Offene] do horizonte; a sua abertura, por sua vez, não depende do nosso olhar que aí identifica o aspecto dos objetos, ela acontece antes como algo que vem ao nosso encontro a partir de uma vasta abertura que nos antecede e nos envolve.
218 HEIDEGGER, Serenidade, p. 36. 219 HEIDEGGER, Serenidade, p. 37.
220 PADUA, Ligia Tereza Saramago. A “topologia do Ser”: lugar, espaço e linguagem no pensamento de Martin Heidegger. Rio de Janeiro: PUC, 2005. 300 f. Tese (Doutorado em Filosofia) – Departamento de Filosofia,
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005.
Nesse sentido, esse aberto pertence a uma outra abertura ainda mais originária e aparentemente desconhecida, a qual encaminha, em seu próprio movimento, o aberto ao nosso olhar: “o que deixa o horizonte ser o que é [sein lässt] ainda não foi, de modo algum, experienciado”222. Se o horizonte é somente uma parte do aberto que nos rodeia, então ele
seria como que uma região dentro de uma abertura sempre maior, enquanto que esta guardaria dentro de si ainda outras regiões – uma região para tudo, a região [Gegend] de todas as regiões. O aberto que nos rodeia e que é inicialmente intuído pelo horizonte da representação é então redimensionado no interior de um espaço absolutamente livre, em que se dá o abrigo de todas as coisas e onde tudo retorna para o lugar em que propriamente repousa: “É a região que abarca a abertura: o aberto [das Offene] é rodeado pela região”223. A região, contudo, diferentemente do aberto do horizonte, deve poder designar o aberto que nos rodeia em si mesmo, para além de sua relação conosco. É assim que Heidegger irá preferir uma forma mais antiga para o termo região, “das Gegnet”, que significa “vastidão livre” [die freie Weite]224, a
sua intenção é a de enfatizar o movimento próprio à região – uma região que não deve ser pensada como estática, portanto – mas como aquela que se move enquanto é “o-que-regiona”. Esta ideia de movimento é ainda enfatizada pelo uso do verbo “gegnen” (regionar)225. A
amplidão que vige na região é o que permite a abertura de todas as coisas e aquele essencial deixar acontecer (neste caso, um deixar repousar [ruhen]), que finalmente bloqueia a objetificação – precisamente a ideia que nos norteou desde o tratamento e a crítica à compreensão da coisa como instrumento [Zeug] em Ser e Tempo, até a procura por um modo renovado de aproximação das coisas: “A Região [Gegnet] é a extensão que faz demorar-se que, tudo reunindo, se abre de modo a que nela o aberto seja mantido e solicitado [gehalten und angehalten] a deixar cada coisa abrir-se no seu repouso”226. Se a região em seu regionar não faz mais que aproximar as coisas num movimento de encontro, permitindo aquele essencial repousar em si próprio à coisa verdadeira, então a essencial contraposição do representar resta inteiramente desautorizada e, junto desta, aquela vontade de dominação que nos acompanhara desde a fundação da Modernidade como uma espécie de extensão do seu
222 HEIDEGGER, Serenidade, p. 38.
223 PADUA, A “topologia do Ser”: lugar, espaço e linguagem no pensamento de Martin Heidegger, p. 212. 224A tradução portuguesa adota a expressão “extensão livre”, contudo preferimos a tradução de Lígia Saramago
por expressar com maior precisão o caráter de liberdade da abertura primordial que é pensada na noção de região.
225 A mesma autora se baseia na tradução de língua inglesa de Anderson e Freund que adota para os mesmos
termos as expressões “that-which-regions” e “to region”. Cf. HEIDEGGER, M. Discourse on thinking. Trad.
John M. Anderson e E. Hans Freund. New York: Harper & Row, 1966.
princípio epocal – adentramos o terreno da possibilidade de um novo encontro com as coisas227.