1. TÜRKİYE TARIM KREDİ KOOPERATİFLERİ SİSTEMİN TANITIMI
3.3. Anket Sonuçlarının Değerlendirilmesi ve Analizi
3.3.4. Kredi ve Satış Bölümü Faaliyetlerinde İç Kontrol Sisteminin Uygulanma
Por fim, o retorno à compreensão grega dos quatro modos de ocasionar tem no texto heideggeriano o papel de articular a necessária reavaliação da compreensão instrumental da causalidade (como mera efetuação, como ajustamento de meios e fins), para que se torne possível desvelar a relação essencial entre técnica e verdade. Essa descoberta se faz possível porque, ao se resgatar a compreensão das diferentes causas envolvidas na produção de um objeto, é a natureza destas causas como um comprometimento que vem à frente, bem como o sentido de que estas somente podem permitir a produção da taça a partir da verdade dessa mesma produção: a partir da poiesis. Esta, por sua vez, encontra seu fundamento no desabrigar, na aletheia. Este caminho percorrido, ainda que brevemente, deve manifestar em que sentido é possível relacionar de modo essencial o acontecimento da técnica à verdade como um desabrigar. Assim, está desfeita a concepção instrumental da técnica como um meio: antes, a técnica é um modo de desabrigar, é um modo de a verdade acontecer – aquilo então que se abre para o pensamento acerca da essência da técnica é o âmbito da própria
verdade241. Contudo, resta esclarecer como a técnica moderna se relaciona com a essência assim descrita da téchne grega: para Heidegger, também ela é um modo de desabrigar, contudo, um modo específico que parte de premissas diferentes, pois invés de um desabrigar ao modo do deixar acontecer do produzir, o desabrigar empreendido pela essência da técnica moderna é antes “um desafiar [Herausfordern] que estabelece, para a natureza, a exigência de fornecer energia suscetível de ser extraída e armazenada enquanto tal”242. Essa passagem de
um deixar que traz à frente, na téchne grega, para um produzir que antes de tudo é impositivo e obriga o ente a se manifestar como disponibilidade é de nosso especial interesse, já que invoca a relação do pensamento heideggeriano com a questão dessa postura de deixar que é completamente alheia ao domínio da vontade – a serenidade, como vimos, guarda uma relação essencial com um espaço originário de ser em que as coisas não chegam a tornar-se objetos, mas na dinâmica própria dessa região, são sempre deixadas em seu repousar em si. Assim, toda a relação com a natureza se modifica de um preparar (o solo, por exemplo) que acompanha e entrega aquilo que se deseja produzir ao ritmo de seu próprio desenvolvimento, para um modo diverso de preparar em que se põe [stellt] a natureza no sentido de um desafio – todo o ente é agora posto para que responda ao desafio de fornecer energia, a qual será tão somente explorada, transformada, armazenada e distribuída, numa lógica infindável de produção e consumo que visa unicamente à sua própria intensificação.
Este desabrigar que desafia, o modo de desabrigar que domina a técnica moderna, desabriga por sua vez a totalidade do ente, isto é, o real como subsistência [Bestand], como um mero subsistir em que cada ente é invocado a assumir uma dada posição [Stand] para então permanecer constantemente disponível a um renovado pôr desafiante em que todas as coisas são tornadas anônimas e uniformizadas, e o mundo, um depósito para a sua inesgotável manipulação. É assim que as coisas produzidas pela técnica, como vimos em nosso primeiro capítulo, encobrem a condicionalidade da vida que as produziu (já que deixam de manifestar a quaternidade, perdendo o brilho da coisa genuína), mostrando antes a ilusão de onipotência do homem da era da técnica, essencialmente movido pela lógica de uma contínua transformação do real, numa obsessiva vontade de transformar para que tudo permaneça o mesmo: as coisas, destituídas de singularidade, descaracterizadas e uniformizadas. Tudo é absolutamente determinado e apresentado em toda a sua transparência – sem devir, sem o mistério do que permanece aberto à vastidão da possibilidade, daquilo que é simplesmente deixado em seu ser-aí. Mas quem preenche este pôr que desafia é certamente o homem, aquele que provoca o
241 HEIDEGGER, A questão da técnica, p. 380. 242 HEIDEGGER, A questão da técnica, p. 381.
real e que obriga o ente a lhe fornecer a energia necessária ao seu proveito, à preservação e intensificação de sua vontade; contudo, essa provocação se funda em outra ainda mais originária: quem é primeiramente desafiado é o próprio homem, pois que antes de poder exercer o domínio de sua vontade sobre o real, a realidade ela mesma já se anunciou a partir de um descobrimento de que o homem não pode dispor, um descobrimento do ente em sua totalidade que acontece para além de seu fazer e agir no mundo. Deste modo, é somente a partir deste desabrigar enquanto subsistência que o requerer [Bestellen] se desdobra, isto é, o homem é convocado por um modo de desabrigar que o desafia a requerer o real enquanto subsistência: “Se a seu modo o homem, no seio do descobrimento, desabriga o que se apresenta, então ele apenas corresponde ao apelo do descobrimento, mesmo onde se opuser a ele”243. Assim, aquilo que na técnica desafia o homem a requerer de um modo também
desafiante o que se descobre enquanto subsistência é o que Heidegger reconhece como a própria essência da técnica, a armação [Ge-Stell]. Se a figura do objeto da técnica se torna onipresente em nosso cotidiano, determinando em boa parte as medidas de todas as nossas relações, então o Ge-Stell adquire de algum modo o status de fundamento para toda a interpretação do ente em nosso presente histórico: “Provocados, sustentamos essa dimensão em que se constitui o Dispositivo (Gestell) como o ‘princípio’ que organiza nossa relação com o mundo”244.
No entanto, mesmo a armação enquanto requerer desafiante é um modo de produzir [Her-stellen], é ela também uma poiesis porque traz à frente o ente assim desafiado, isto é, o ente através da armação é requerido a se apresentar como o ente subsistente, como energia armazenável, e assim também vem à presença – a técnica moderna desabriga o real enquanto subsistência: “Ela não é, por isso, nem um fazer humano nem um mero meio no seio de tal fazer”245. Ao mesmo passo em que se esclarece aquela polêmica afirmação de Heidegger,
ainda no começo da preleção, de que a essência da técnica não é nada de técnico: à essência da técnica pertence um modo de desvelamento em que o homem é desafiado a desabrigar a realidade no modo do requerer enquanto subsistência. Resta, por último, esclarecer a armação em si mesma – o que propriamente é e como se dá esse modo de desvelamento do ente? Qual a participação do homem neste acontecimento? A resposta de Heidegger não deixa de ser ambígua quando afirma que nem é o fazer humano responsável pelo advento da armação, e nem este se dá num além a todo fazer humano. “Mas também não acontece somente no
243 HEIDEGGER, A questão da técnica, p. 384.
244 STEIN, Pensar e errar: um ajuste com Heidegger, p. 164. 245 HEIDEGGER, A questão da técnica, p. 386.
homem e, decididamente, não por ele”246. Como descobrimento originário do real, a armação é o âmbito essencial em que o homem já sempre está situado, de modo que a sua relação com a técnica já está dada antes mesmo de entrar em cena aquela sua postura requerente – a abertura primordial de mundo em que o homem é a cada vez acolhido é exatamente a do ente disponível enquanto fonte de reserva. Essa abertura, por sua vez, enquanto prévia e independente do homem, deve guiar a compreensão heideggeriana da história [Geschichte]247 como um envio [Schickung] do Ser: trata-se de um enviar [schicken] que primeiramente conduz o homem para o caminho do desabrigar, este caminho que é enviado como um modo de desabrigar, por sua vez, é recebido pelo homem como destino [Geschick] (todo modo de desabrigar é um envio do destino que ao mesmo tempo envia o homem para um desabrigar – enquanto caminho por onde passa todo o descobrimento do ente, o modo de desabrigar enviado pelo destino é também sempre um produzir [Her-vor-bringen]).