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A- SatıĢ sözleĢmesinin tanımı ve unsurları

1. Tanımı

INSTRUMENTAL

No âmbito da pluralidade metodológica permitida pela investigação qualitativa, optamos pelo Estudo de Caso. Nessa modalidade de pesquisa, o objeto estudado – mesmo inserido num contexto complexo – será abordado de forma específica e delimitada, permitindo uma análise crítica e em profundidade daquilo que se busca conhecer, uma vez que “o caso é sempre bem delimitado, devendo ter seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo” (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p.17). Assim, o design do estudo de caso é considerado mais adequado aos fenômenos organizacionais, por compreender a sua complexidade, os limites pouco

claros entre o fenômeno e o contexto, havendo, ainda, mais variáveis de interesse do que as observações em si (YIN, 2001).

O conhecimento gerado pelo estudo de caso é mais concreto, por encontrar eco em nossa experiência e mais contextualizado, pela questão de as experiências estarem enraizadas em um contexto voltado para a interpretação do leitor, bem como baseado em populações de referência determinadas para o leitor (ANDRÉ, 2005).

Assim, há características essenciais num estudo de caso qualitativo:

1- Particularidade – Focaliza num fenômeno particular. O caso em si tem importância;

2- Descrição – o produto final de um estudo de caso é uma descrição densa do fenômeno. “O estudo de caso engloba um grande número de variáveis e retrata suas interações ao longo do tempo” (ANDRÉ, 2005, p. 18);

3- Heurística – Iluminam a compreensão do leitor sobre o fenômeno estudado. Podem revelar a descoberta de novos significados, estender a experiência ou confirmar o já conhecido;

4- Indução – Os estudos de caso se baseiam na lógica indutiva, pois se atêm à descoberta de novos significados, novas relações, novas compreensões, mais do que à verificação de hipóteses pré-definidas.

Para Yin (2001), o estudo de caso deve ser empreendido quando:

 As perguntas da pesquisa forem do tipo “como” e “por que”;

 Quando o pesquisador tem pouco controle sobre aquilo que vai acontecer;

 Quando o foco de interesse for um fenômeno contemporâneo que esteja ocorrendo numa situação de vida real.

Agrega-se a isso “[...] a possibilidade de fornecer uma visão profunda e ao mesmo tempo ampla e integrada de uma unidade social complexa, composta de múltiplas variáveis” (ANDRÉ, 2005, p. 33). Com efeito, o nosso estudo se enquadra em todas essas categorias, bem como se faz necessário ter essa visão mais alargada do contexto.

Seguindo a definição indicada por Nisbett e Watts (1978) (citados por Ludke e André, 1986), o estudo de caso é dividido em três fases: a exploratória (definição

dos focos de estudo); a de delimitação do estudo; e a fase de análise sistemática dos dados.

A fase exploratória é o momento de definir as unidades de análise – o caso – para confirmar ou não as questões iniciais, estabelecer contatos iniciais e mais precisamente os procedimentos e instrumentos de recolha de dados. De acordo com André (2005)

Esses questionamentos iniciais tendem a se modificar, conforme o estudo caminha: alguns de firmam, mostrando-se realmente relevantes para aquela situação, outros terão que ser descartados pela pouca pertinência ao caso e aspectos não previstos podem vir a ser incorporados no estudo (ANDRÉ, 2005, p. 48).

Como o autor (2005) já preconizava em seus estudos, o estudo de caso começa com um plano incipiente, que vai se configurando à medida que o estudo se desenvolve. E os contornos de nossa investigação foram se delineando a partir dessa perspectiva. Nesse momento, avançamos para a fase da delimitação do estudo, na qual a pesquisa, que tinha como ponto inicial uma problemática, foi traduzida em uma série de questões, de pontos críticos ou de hipóteses provisórias. A articulação dessas questões e a busca de evidências que as validem ou as descartem é a fase de análise sistemática dos dados, levada a termo a partir de uma análise de dados detalhada.

Em síntese, os estudos de caso: visam à descoberta; enfatizam a interpretação do objeto de estudo em contexto; buscam retratar a realidade de forma completa e profunda; utilizam uma variedade de fontes de informações; revelam experiências vicárias e permitem generalizações naturalísticas; representam os diferentes pontos de vista – e, às vezes, conflitantes –, presentes na situação estudada; e utilizam uma linguagem e uma forma mais acessíveis de comunicação do que outros relatórios de pesquisa (LÜDKE; ANDRÉ, 1986).

Especificamente, utilizamos o estudo de casos múltiplos (YIN, 2001). De acordo com Benbasat, Golsdstein e Mead (1987), esse tipo de estudo de caso deve ser empreendido quando a pesquisa tem a intenção de aprofundar os conhecimentos sobre uma realidade para a construção de uma proposição teórica. Nessa direção, “estudo de caso não é uma escolha metodológica, mas do objetivo a ser estudado” (STAKE, 2007, p. 236).

No estudo de casos múltiplos, o pesquisador não se concentra em um só caso, mas em vários, com finalidade intrínseca ou instrumental. No estudo de caso instrumental, o pesquisador desenvolve o interesse em uma questão que um caso particular vai ajudar a elucidar. O foco não é o programa em si, mas os insights que o estudo pode trazer para o entendimento dos modos de apropriação. Em nossa investigação, focamos no DPP em contextos formativos, não sendo nem o PIBID nem o MEFQ o foco, mas o entendimento desses como contextos que tem a potencialidade de mobilizar o DPP. Os casos individuais que se incluem no conjunto estudado de casos múltiplos podem ou não ser selecionados por manifestar alguma característica comum. Eles são escolhidos por se considerar que seu estudo permitirá melhor compreensão, ou mesmo melhor teorização, sobre um conjunto ainda maior de casos (STAKE, 2007). Já no estudo de caso intrínseco, o caso já está dado e estamos interessados particularmente nele, Por tais características é que o nosso design de pesquisa se configura como um estudo de casos múltiplos com finalidade instrumental.

Atentamos ainda para os critérios imprescindíveis para que se tenha garantida a qualidade da pesquisa.