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2.3. TANIKLAR TARAFINDAN İZLENEBİLECEK YOLLAR

2.3.1. Tanıkların Belge Düzenlemesi

A partir de 1945, as questões acerca do livro didático passaram à responsabilidade de diversos órgãos no curso dos diferentes governos. Isto não evitou polêmicas envolvendo o preço do livro didático, sua qualidade, propostas de avaliação, denúncias de corrupção e outros tantos. (SOARES; ROCHA, 2005). O controle estatal sobre a produção de livros no início do governo Dutra continuava. O Decreto-Lei nº 8.460, de 26 de dezembro de 1945, determinava seu art. 5º que os poderes públicos não poderão determinar a obrigatoriedade de adoção de um só livro sendo livre aos professores de

107 Se poucas obras foram reprovadas talvez seja porque os autores em geral são adeptos do currículo prescrito pelo Ministério da educação ou então porque sabendo das regras do jogo os dissonantes preferem não participar dela.

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A autora ainda comenta o caso do professor do Colégio Pedro II, Waldemiro Potsch, autor de livro didático de Zoologia reprovado pela CNLD, entrou com processo contra o professor Mello Leitão. Em sua defesa Potsch chegou a publicar um livro questionando o parecer da Seção de Ciências Físicas e Naturais e demonstrando a importância de seu livro para o ensino de zoologia. Para Potsch a reprovação de seu compêndio tinha motivos mercadológicos e interesses diretos do professor Mello Leitão também era autor de livro didático de Zoologia mais recentemente Francisco Azevedo de Arruda Sampaio e Aloma Fernandes de Carvalho também publicaram Com a palavra, o autor: em nossa defesa: um elogio à importância e uma crítica às limitações do Programa Nacional do Livro Didático em 2010 pela Editora paulista Sarandi em 2010 no qual questionam, dentre outras coisas, a reprovação de uma obra de Ciências da qual são autores por inconsistência teórico/conceitual do avaliador no PNLD.

ensino primário, secundário, normal e profissional a escolha de livros para uso dos alunos, uma vez que constem da relação oficial das obras de uso autorizado.

Além disso, a política do livro assume um caráter de política social. O artigo 8º do mesmo decreto estabelecia a gratuidade dos livros didáticos indispensáveis para as crianças carentes. Estas deveriam ter o acesso garantido por meio da ação dos Caixas Escolares das escolas primárias. Na verdade, manteve-se o que já havia sido determinado no Decreto-Lei nº 1.006, de 30 de dezembro de 1938.

Além disso, o decreto cria, em caráter permanente, a Comissão Nacional do Livro Didático (CNLD) que tinha sob sua responsabilidade as incumbências de examinar os livros didáticos que lhe forem apresentados, proferir julgamento favorável ou contrário à autorização de seu uso; estimular a produção e orientar a sua importação; indicar os livros didáticos estrangeiros de notável valor, que mereçam ser traduzidos e editados pelos poderes públicos, bem como sugerir a abertura de concursos para a produção de determinadas espécies de livros didáticos de sensível necessidade e ainda não existentes no país.

A Carta Constitucional de 1946, por sua vez, elaborada num contexto de redemocratização do país, trouxe um capítulo dedicado à educação e houve uma redução do controle ideológico sobre os livros em geral, inclusive os didáticos enfraquecendo a atuação do CNLD. No seu artigo 5º, constava que a publicação de livros e periódicos não dependeria mais de licença do Poder Público. Entretanto, ressaltava-se que não seria tolerada propaganda de guerra, de processos violentos para subverter a ordem política e social, ou de preconceitos de raça ou de classe109.

Com a expansão do ensino secundário na década de 1950, a evasão dos estudantes nas escolas tornou-se um grave problema. Compreendidos como parte da solução, a questão da qualidade e dos preços dos livros

109 Nesse período pós-guerra, a constituição refletia uma preocupação internacional de educação para a paz. No campo dos livros didáticos, especialmente de História e Geografia, por exemplo, a UNESCO promovia seminários que orientavam para a reformulação pedagógica com a finalidade de educar as novas gerações para uma cultura pacífica e eliminar a possibilidade de um novo conflito mundial. (FILGUEIRASc, 2013, p. 316).

didáticos tornou-se um dos temas mais discutidos no Congresso Nacional, na grande imprensa, nos meios acadêmicos e nos diferentes órgãos do MEC. (FILGUEIRAS, 2013c).

Nesse contexto político, ao assumir o Inep, em 1952, Anísio Teixeira criou a Campanha do Livro Didático e Manuais de Ensino (Caldeme). O objetivo da instituição era a produção, dentre outros materiais, de livros didáticos para estudantes e manuais para professores. Inaugura-se, assim, um momento no qual o próprio governo assume diretamente a produção dos livros e materiais didáticos.

Gustavo Lessa em carta endereçada a Américo Jacobina Lacombe, transcrita por Kazumi Munakata, oficializou, por exemplo, a encomenda de produção de obra didática e manual de História110.

Esta é uma confirmação oficial do pedido que vos fiz verbalmente para colaboração com o INEP [Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos] no preparo do projeto de manuais destinados a professores secundários. Estou para isto autorizado pelo respectivo Diretor, Dr. Anísio Teixeira. (2004, p. 515)

No campo do ensino de História, Jacobina Lacombe se encarregou dos manuais de História do Brasil e Carlos Delgado de Carvalho de História Geral. O objetivo da Caldeme, através da elaboração de manual para professores secundários, era promover um movimento de renovação no tocante à matéria e aos métodos de ensino, tornando-os mais adequados aos interesses do

adolescente e ao ambiente em que ele vive (MUNAKATA, 2004, p. 516)111.

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À época convites semelhantes foram feitos a outros especialistas: Paulo Sawaya (Zoologia); Karl Arens (Botânica); Oswaldo Frota Pessoa (Biologia Geral); Mário de Souza Lima (Português); Raymond Van der Haegen (Francês); Werner Gustag Krauledat (Química); e Carlos Delgado de Carvalho (História Geral). (OFÍCIO de Mário P. de Brito a Anísio Teixeira, 6/1/1954 apud MUNAKATA, 2004, p. 515).

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Depois de inúmeras reuniões e pareceres de outros intelectuais convidados a fazer uma avaliação crítica dos projetos apresentados por Lacombe e Carvalho a maior parte dos livros não foi publicada. A obra de Lacombe só fora publicada, com algumas modificações, em 1974 pela Companhia Editora Nacional em co-edição com a Editora Universidade de São Paulo, na coleção Brasiliana (vol. 349), então dirigida pelo próprio autor. No caso de Delgado de Carvalho dos quatro volumes propostos apenas História Geral – Antiguidade foi publicado em 1956 e o volume correspondente ao Período Medieval em 1959. Os outros dois volumes não foram publicados. (MUNAKATA, 2004, p. 524).

Cabe ressaltar as influências do movimento escolanovista nessa perspectiva metodológica para as obras didáticas.

Pouco tempo depois, Durante o governo JK, os livros didáticos parecem ocupar um lugar de maior destaque. No Decreto nº 38.556, de 12 de Janeiro de 1956, foi instituída a Campanha Nacional do Material Escolar (CNME). A função principal da instituição era estudar e executar medidas referentes à produção e à distribuição de material didático, melhorar a sua qualidade, difundir seu emprego e promover a sua progressiva padronização. Nesse momento, antigas discussões ainda permanecem. Busca de maior da qualidade, padronização de conteúdos e métodos, e, por fim, a ampliação do uso dos livros didáticos.

Como já visto, os preços elevados dos materiais didáticos no Brasil já eram uma queixa dos setores de melhor poder aquisitivo que tinham acesso à educação há algumas décadas. Para o novo público que agora adentrava a educação formal, o preço desses materiais era praticamente inviável. Nesse sentido, o ato de criação da CNME já prenunciava uma política social. Em seu artigo terceiro, determinava-se que fosse promovido o levantamento de dados sobre as necessidades de material escolar e as condições de mercado no país. Para facilitar a distribuição deveriam ser organizados postos e cooperativas de distribuição de material escolar. Além disso, o preço final para o consumidor não poderia ser superior ao de custo.

Para viabilizar a execução das funções determinadas para CNME, durante o governo JK inúmeros incentivos foram destinados à indústria gráfica e livreira como, por exemplo, a isenção de impostos e de tarifas postais para envio de livros. A intenção anunciada era a de reduzir e baixar os custos dos livros para o consumidor final. Essas medidas levaram a um crescimento de

143% de setor na década de 1950 (HALLEWEL, 1985, p. 443)112.

112 Cabe ressaltar que os materiais didáticos, alvo da ação da CNME, não visavam uma competição direta com este ramo da indústria. No artigo no artigo 3º do Decreto 38.556 de 1956 a definição de material didático restringia claramente o campo de atuação da Campanha. Entendia-se por material didático peças, coleções e aparelhos para o estudo de Ciências Naturais, Matemática, Desenho, Geografia e História, ensino audiovisual de disciplinas dos cursos de grau elementar e médio. Incluem-se também neste conceito dicionários, atlas e outras obras de consulta.

Nessa lista, não constavam os livros didáticos convencionais, ou seja, de uso cotidiano dos alunos nas escolas. Nesse caso, como afirmava a diretoria executiva do CNME, não havia uma intenção de monopolização do mercado ou de concorrência com a iniciativa privada. (FILGUEIRAS, 2013c). Apesar disso, o setor gráfico não parecia satisfeito. Em 1960, chegaram a protestar por não conseguir competir com os atlas e dicionários vendidos pelo governo.

(HALLEWELL. 1985, p. 467)113. Em 1961, o governo brasileiro passou a

subsidiar a produção de livros didáticos através do Banco do Brasil, conforme estabelecido no Decreto n.º 50489 de 25/04/1961 (MUNAKATA, 1997).

De um lado, o processo de financiamento via Banco do Brasil fora uma resposta aos reclames da indústria do livro. De outro, inseria-se na necessidade de baratear os custos de materiais didáticos e promover o acesso de um número maior de brasileiros a esses recursos.

Até 1960, a CNME publicou e distribuiu diversas obras de consulta e

materiais didáticos114. O sucesso das publicações medida pela grande procura

do público e rápido esgotamento das tiragens parece ter motivado uma busca pela ampliação da produção.

O aumento, ainda mais acelerado, do público escolar da década de 1960 ampliou novamente a demanda por livros didáticos, inclusive com preços mais acessíveis. Nesse contexto, o Presidente João Goulart oficializava a ampliação e o aprofundamento dessa política social via livros didáticos por meio do

Decreto nº 53.583, de 21 de fevereiro de 1964115. Nesse o MEC ficava

113 Em 1961 o Sindicato Nacional das Editoras de Livros (SNEL) enviou carta ao ministro da Educação afirmando que ao vender livros didáticos e paradidáticos a preço de custo o MEC estabelecia uma ‘concorrência desleal’, pois as editoras não poderiam prescindir, para sua sobrevivência da obtenção de lucro em suas transações comerciais (FILGUEIRAS, 2013c, p.319).

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Dentre elas estavam Atlas Geográfico Escolar, em parceria com o Conselho Nacional de Geografia do IBGE, com 400 mil exemplares nas duas primeiras edições; Atlas Histórico e Geográfico Brasileiro, de Manoel Maurício de Albuquerque e Antônio Pedro de Souza Campos (sem informação das tiragens); Atlas Histórico Escolar, vários autores, com uma produção de 300 mil exemplares nas duas primeiras ediçõesPara saber mais sobre outras publicações ver FILGUEIRAS, 2013c.

115 Os dois primeiros artigos permitem uma compreensão do teor das medidas adotadas. Art. 1º O Ministério da Educação e Cultura fica autorizado a editar livros didáticos de todos os níveis e graus de ensino, para distribuição gratuita e venda a preço de custo em todo o País. Parágrafo único. A distribuição gratuita será feita a estudantes carentes de recursos e às bibliotecas escolares. Art. 2º Os livros didáticos editados pelo Ministério da Educação e Cultura serão obrigatoriamente incluídos pelos estabelecimentos de ensino, públicos e particulares, entre os

autorizado a produzir e distribuir gratuitamente livros didáticos aos alunos carentes e a preço de custo aos demais estudantes. Os livros produzidos pelo MEC deveriam ser adotados pelas escolas públicas e também pelas particulares. Além disso, proibia-se que as instituições utilizassem algum subterfúgio que impedisse a utilização efetiva dos livros adotados. Essas decisões relativas à produção e à comercialização das obras didáticas presentes no decreto exacerbaram novamente os conflitos entre a política de governo e os interesses da indústria do livro no país.

3.2.4 Ditadura militar, parceria com o setor privado e a interferência