1.1. Genel Bilgiler
1.1.1. Takım: Rodentia (Kemiriciler)
Os processos de urbanização e industrialização foram comandados e polarizados por São Paulo, o que resultou em um impacto maior das transformações sobre a região e em sua estruturação.
O Estado de São Paulo é responsável por mais de um terço de toda a produção nacional e abriga os setores mais modernos de nossa economia. O Produto Interno Bruto (PIB) estadual superou R$ 211 bilhões em 1996, próximo do PIB da Argentina e maior do que qualquer outro país da América do Sul (IPEA et al, 2002).
Esta elevada representatividade econômica e populacional desempenhada pelo Estado do São Paulo, pode ser vista dispersa por quase todo seu território. As cidades médias paulistas têm apresentado um elevado crescimento, superior ao da Região Metropolitana de São Paulo e da média nacional, acarretando transformações na sua dinâmica urbano-regional e na função das cidades.
Os municípios do Estado de São Paulo apresentam vantagens em relação aos demais municípios brasileiros, tornando-os mais atrativos, o que propiciou o seu crescimento. Conforme o Ipea et al (2002: 151), podemos destacar como vantagens: o parque produtivo já instalado; o mercado de trabalho com abundância de profissionais formados e capacitados; a infra-estrutura existente, principalmente as modernas rodovias; a grande concentração de instituições de ensino técnico profissionalizante; e uma gama extensa de serviços de apoio à produção. Esses são fatores fundamentais e estão substituindo os antigos requisitos de mão-de-obra barata e matéria-prima abundante.
Assim, o papel desempenhado pelo Estado de São Paulo na economia nacional, pode ser visto no desenvolvimento e crescimento de inúmeras cidades de médio porte do interior, que foi proporcionado pela desconcentração industrial ocorrida na Região Metropolitana de São Paulo a partir da década de 1970, sendo assim, essas cidades passaram a constituir uma importante fatia do dinamismo regional. Como coloca o Ipea et al (2002 : 105),
Esse processo de interiorização do emprego, marcado pela reorganização das atividades econômicas, alterou os movimentos populacionais no território paulista. Contribuiu para inverter as tendências quanto aos ritmos de geração de emprego no interior e para as taxas de crescimento da população urbana.
As correntes migratórias mudam de direção juntamente com as mudanças locacionais das indústrias, e da oferta de emprego, estas, a partir dos anos 80, passam a diminuir na metrópole e aumentar no interior do Estado. O ano de 1991, por exemplo, apresenta índices negativos de entradas de imigrantes na metrópole (de 3.083.171 em 1980 para 586.664 em 1991), em conseqüência da oferta negativa de emprego. Durante os anos 1980 – 1988, a oferta de emprego crescia 9,8% em todo estado, 7,4% na região metropolitana, e 14,2% no interior (dados Ministério do Trabalho) (Pintaudi e Carlos, 1995).
É importante colocar que o Governo do Estado teve papel fundamental no processo de desconcentração industrial que ocorre no Estado de São Paulo, “através das instituições consagradas à gestão que impõe uma racionalidade ao espaço, direcionando a divisão espacial do trabalho, pois o espaço é entendido como o locus sobre o qual se estabelecem as bases para o crescimento” (PINTAUDI e CARLOS,1995:21). Ao governo do estado, coube dotar o interior de infra- estruturas mais modernas, promovendo a construção e ampliação de rodovias; criação de Universidades e Institutos de Pesquisa; incentivo à criação de Parques e Distritos Industriais e a concessão de incentivos aos novos empreendimentos instalados nas cidades do interior.
As mudanças na dinâmica urbano-regional estadual têm levado a reorganização das atividades econômicas produtivas e sociais, redirecionando investimentos e reestruturando o papel desempenhado pelas cidades médias, levando a uma maior urbanização do interior.
Gráfico 3 – População por porte de cidade no Estado de São Paulo
Assim, como podemos ver no gráfico 3, a população nas cidades médias (entre 100 e 500 mil habitantes) vem aumentando, enquanto que a população da região metropolitana de São Paulo está diminuindo nas últimas décadas. Isso leva a uma reorganização econômica e espacial do Estado de São Paulo, que se reflete na reestruturação e dinâmica da rede urbana paulista.
O mapa 1 mostra as cidades médias existentes no estado de São Paulo, sendo que a grande maioria situa-se próximo a região metropolitana de São Paulo, e também, próximas as principais rodovias do Estado. Segundo o Ipea et al (2002:11) “as maiores cidades do interior estão localizadas nas mesorregiões mais industrializadas e de maior desenvolvimento, demonstrando a relação entre a dinâmica populacional e o crescimento econômico”.
Figura 1 – Mapa da Localização das Cidades Médias Paulistas
Fonte: Braga (2005: 2246) 4.1.1. A rede urbana paulista
O Estado de São Paulo possui a mais ampla e complexa rede urbana do país, apresentando inter-relacionamentos com os estados vizinhos e causando impacto em todo o território nacional. “Estruturada a partir da capital sua constituição remonta ao século passado, quando, após o dinamismo econômico impulsionado pelo complexo cafeeiro, a região passou por processo contínuo e permanente de
ocupação” (IPEA et al, 2002: 111). A rede urbana paulista, conta com a participação cada vez maior das cidades médias, que têm crescido em tamanho e em quantidade, fortalecendo e rearticulando o seu papel.
Ao contrário da Região Metropolitana de São Paulo que vem apresentando queda nas estatísticas demográficas e na participação industrial, as cidades médias apresentam um elevado crescimento econômico e industrial, que ocorre de forma concentrada em algumas mesoregiões do entorno metropolitano, e que vem ganhando cada vez mais importância e influência na rede urbana paulista. Conforme o Ipea et al (2002: 111),
o deslocamento das atividades econômicas e da população privilegiou as sedes regionais e/ou seus entornos, notadamente das mesoregiões de Campinas, Macrometropolitana, Vale do Paraíba paulista e Ribeirão Preto, fortalecendo o papel desses centros na rede urbana estadual e levando para o interior um padrão de urbanização até então vigente somente na metrópole.
No interior, existem 25 municípios com população superior a 100 mil habitantes, abrigando 16% da população estadual. Deles, 15 apresentam população entre 100 a 200 mil habitantes e 10, entre 200 mil e 500 mil habitantes, dessas 10, 9 encontram-se nas mesoregiões próximas à capital ou localizadas no nordeste do estado. A grande diversidade e a alta densidade de centros existentes na rede urbana paulista, faz com que essa apresente as interações espaciais mais intensas e complexas de todo o país.
O que se tem observado é que o processo de interiorização do desenvolvimento reforçou a articulação da rede urbana e engendrou as atuais estruturas espaciais existentes no interior paulista – onde são observadas, além da Região Metropolitana de São Paulo, da Região Metropolitana da Baixada Santista e da área metropolitana de Campinas, diversas aglomerações urbanas -, com a interiorização de um padrão de urbanização articulado ao grande capital imobiliário e com a existência de contingentes de excluídos, residentes tanto em pequenas cidades do interior como nas metrópoles, nas grandes e nas médias cidades (IPEA et al, 2002:117).
A rede urbana paulista caracteriza-se por um crescimento populacional e no número de cidades médias no interior, que se concentram em regiões metropolitanas ou aglomerações urbanas. Essa interiorização do desenvolvimento, conforme o Ipea et al (2002: 120), “expressa-se em uma dinâmica sócio-espacial que se repete nas diversas realidades territoriais como ambientes construídos pelo
capital e para o capital”. Reproduzindo assim, o crescimento econômico e desigual, e não o crescimento social e eqüitativo.
Desta forma, as cidades médias paulistas apresentam um elevado crescimento nas últimas décadas, o que tem trazido vantagens econômicas e políticas, mas, no entanto, acentua-se as desigualdades e diferenças sociais, comuns aos grandes centros urbanos. Assim, é preciso analisar a qualidade com que vem ocorrendo o crescimento das cidades médias, para além das vantagens econômicas, mas considerando também a questão social e ambiental.