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Figura 2 – Mapa da Localização dos municípios com população entre 200 e 500 mil habitantes no Estado de São Paulo

Taubaté

São José dos Campos Junidaí Sorocaba Piracicaba Limeira Bauru Franca Ribeirão Preto São José do Rio Preto

Elaborado por REANI, T. R.

Existem10 municípios, no Estado de São Paulo, com população entre 200 a 500 mil habitantes. São eles: São José dos Campos, Taubaté, Limeira, Sorocaba,

Jundiaí, Piracicaba, Bauru, Ribeirão Preto, Franca (localizados nas mesoregiões

próximas à capital, ou localizados a nordeste do Estado) e São José do Rio Preto, que se localiza a oeste do estado (IPEA et al, 2002).

Para o melhor entendimento do fenômeno da produção de periferias, nas cidades médias paulistas, foi estabelecido o estudo das cidades de porte médio, entre 200 e 500 mil habitantes. Buscou-se levantar dados sociais, econômicos,

ambientais e políticos, junto ao SEADE e PNUD, podendo assim, ser evidenciado a qualidade do crescimento dessas cidades. Entres estas cidades podemos destacar Jundiaí, objeto empírico desta pesquisa, e assim, ter o melhor entendimento desse fenômeno no município, comparado aos demais municípios de mesmo porte.

DEMOGRAFIA

Tabela 3 - Crescimento da População de 1950 a 2000

Localidade 1950 1960 1970 1980 1991 2000

São José dos Campos 44.804 76.994 146.612 285.587 439.231 537.899 Taubaté 52.997 77.307 109.735 168.722 205.840 243.725 Sorocaba 93.928 136.271 174.323 268.396 376.513 493.412 Jundiaí 69.165 117.932 167.772 258.328 288.228 322.463 Limeira 46.281 59.824 90.147 149.798 206.456 248.208 Piracicaba 87.835 115.403 151.555 213.343 282.492 327.805 Ribeirão Preto 92.160 145.267 211.330 316.918 434.142 504.250 Bauru 65.452 92.099 131.101 185.683 259.504 315.266 São José do Rio Preto 65.852 82.119 121.183 187.403 281.663 357.052 Franca 53.485 66.702 92.863 147.962 231.334 286.828

Elaborado por REANI, R. T. (Fonte: SEADE, 2007)

A tabela 3 mostra a população total existente nos municípios de porte médio entre 200 e 500 mil habitantes, observa-se um elevado crescimento populacional nos municípios de Sorocaba, Jundiaí, Piracicaba e Ribeirão Preto a partir da década de 1960, enquanto os demais, São José dos Campos, Taubaté, Bauru e São José do Rio Preto, apresentam maior crescimento na década de 1970, exceto Franca e Limeira que vão apresentar maior crescimento populacional a partir da década de 1980. Assim, embora a explosão do crescimento populacional ocorra em diferentes épocas, é na década de 1980 que se consolida o crescimento nessas cidades, justamente quando é criado o II PND e se inicia o processo de desconcentração industrial em São Paulo.

Tabela 4 – Área, Densidade Demográfica, Grau de Urbanização e Saldo Migratório das Cidades Médias

Densidade Demográfica

(Hab/km2) Grau de Urbanização (Em %)

Taxa Geométrica de Crescimento Anual da População (Em % a.a.) Saldo Migratório Anual Localidade Área Atual (Km2) 1980 1991 2000 2005 1980 1991 2000 2005 1980 - 1991 1991-2000 2000-2006 1991 2000 São José dos Campos 1142 250 384 471 519 96,3 96,2 98,7 98,9 3,99 2,29 1,90 5.407 3.474 Taubaté 609 277 338 400 433 95,3 95,5 94,1 94,6 1,82 1,90 1,60 -326 1.298 Sorocaba 443 277 338 400 433 98,5 98,7 98,6 98,8 3,12 3,02 2,55 3.720 7.058 Jundiaí 450 574 640 717 769 85,7 91,9 92,8 93,9 1,00 1,28 1,34 -2.307 487 Limeira 579 258 356 429 469 91,5 85,7 95,7 96,4 2,96 2,09 1,73 1.797 1.780 Piracicaba 1353 146 191 242 263 92,3 95,1 96,4 97,0 2,58 1,90 1,61 2.026 2.205 Ribeirão Preto 642 302 408 785 847 96,8 97,7 99,5 99,6 2,90 1,83 1,48 4.078 3.421 Bauru 674 275 385 468 509 96,8 97,9 98,2 98,5 3,09 2,19 1,65 3.221 3.014 São José do Rio Preto 438 325 486 816 907 94,9 97,0 94,0 95,4 3,77 2,78 2,07 5.015 5.597 Franca 571 259 405 502 559 96,7 97,7 98,0 98,4 4,14 2,43 2,13 3.645 2.239

Elaborado por REANI, R. T. (Fonte: SEADE, 2007)

Através da análise da densidade demográfica, observa-se que os municípios: Jundiaí, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto – apresentam maior densidade demográfica, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto mais que duplicam sua densidade demográfica em 20 anos (1980 a 2000). Jundiaí apresenta alta densidade demográfica que vem desde a década de 1980, sendo a cidade de maior densidade demográfica nesse período. Isso se deve ao município apresentar menor área, sendo que desta, grande parte, é área de proteção ambiental, e também, pela sua proximidade a região metropolitana de São Paulo, atraindo assim, a população que procura melhor qualidade de vida nas cidades do interior.

Referente ao grau de urbanização, Jundiaí é o município que apresenta menor urbanização, nas diferentes décadas analisadas, embora seja um grau bastante elevado, 93,9% (em 2005), comparado ao resto do estado e do país. O município apresenta áreas de agricultura familiar, com plantação de hortaliças e frutas, com destaque a uva, tradicional no município, com a produção de vinho, e também, a maior produção uva de mesa do país. Jundiaí, ainda guarda remanescentes da sua produção agrária familiar, no entanto, esta cada vez mais vem perdendo espaço devido a concorrência com os grandes produtores e monoculturas, diminuindo assim, a produção rural, e transformando terras de uso rural em uso residencial. Assim, a taxa de urbanização é menor no município, porque há várias residências, de pessoas que trabalham na área urbana, e moram na área rural.

A taxa de crescimento anual da população, também, é menor em Jundiaí, do que nas demais cidades médias do estado analisadas, mas essa tem crescido nas ultimas décadas em Jundiaí, enquanto que em todas as outras cidades essa taxa está decrescendo. O que pode ser evidenciado, também, pela análise do saldo migratório, que chegou a ser negativo no município em 1991 e depois voltou a crescer em 2000. Esse fato ocorre pelo maior crescimento populacional no Município de Jundiaí ter acontecido nas décadas de 1950 a 1970, quando são instaladas indústrias de base em seu território, sendo amenizado nas últimas décadas, e também, por possuir uma legislação urbanística mais rígida (Plano Diretor aprovado 1981). Assim, a população de menor renda passa a viver nos município vizinhos, que apresentam maior crescimento populacional que Jundiaí nesse período. No entanto, devido as suas características como localização privilegiada, áreas verdes e boa qualidade de vida, que o município de Jundiaí possui, têm atraído muitos moradores, principalmente da Região Metropolitana de São Paulo, o que pode ser evidenciado pelo grande número de condomínios fechados de média e alta classe, e novos loteamentos legais e ilegais que tem surgido na cidade nesses últimos anos.

O Ipea et al. no estudo das redes urbanas regionais coloca que esse acelerado crescimento e urbanização das cidades médias traz mudanças na sua estrutura e dinâmica interna, tendo também, várias conseqüências negativas. Sendo que esse fenômeno não ocorre somente em Jundiaí, mas em várias cidades também. Segundo o Ipea et al (2002: 114),

Com a interiorização do desenvolvimento, o padrão de urbanização e, consequentemente, as realidades territoriais do interior tornaram-se mais complexas, engendrando formações espaciais que refletem o caráter contraditório do dinamismo econômico. A estruturação e a ampliação de um mercado imobiliário articulado e organizado em suas diversas etapas de reprodução do capital mercantil (parcelamento, construção, incorporação, financiamento e vendas) favoreceram o aumento do processo e a verticalização das cidades. Beneficiaram, também, o surgimento de condomínios fechados horizontais para a classe média e de bairros periféricos sem infra-estrutura urbana e favelas em quase todas as cidades do interior, independentemente de seu porte de tamanho. Essas são expressões visíveis desse padrão contraditório de urbanização.

Segundo reportagem do jornal local: “Bom Dia”, em 03 de setembro de 2006, o município de Jundiaí, conforme o título da reportagem: “recebe 28 empreendimentos de médio e alto padrão em um período de 18 meses, volume considerado alto – Loteamentos Fechados movimentam R$ 200 milhões”. De acordo com José Roberto Orlando (presidente da Proempi – Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário) o retorno desse total de investimentos chega a

R$ 700 milhões para os empreendedores. Dos 28 loteamentos fechados, estão sendo produzido 7.000 lotes, sendo que 50% já foram vendidos, e esperava-se que até o final do ano (2006) todos já tivessem sido comercializados. Segundo o Presidente da Proempi, o sucesso dos empreendimentos se deve: “ao saturamento desse mercado em São Paulo e a alguns diferenciais que Jundiaí oferece: a proximidade com São Paulo, a segurança e a área verde da cidade, estão entre esses diferenciais”. Os paulistanos representam 60% das vendas, sendo bastante procurado, também, pelos jundiaienses. Segundo o presidente da Poempi, este mercado está em grande aquecimento (Jornal Bom Dia, 03/09/2006). A reportagem somente apresenta os pontos positivos desses empreendimentos em Jundiaí, como geração de emprego e “desenvolvimento”, e não traz os aspectos negativos, como o fechamento de vias, a diminuição das áreas verdes - ao acesso de todos, o aumento das desigualdades e segregação sócio-espacial.

O crescimento da intensidade da pobreza, também, tem se elevado nas cidades médias, conforme o PNUD (2000). Jundiaí, São José dos Campos, Sorocaba, Bauru e Ribeirão Preto, metade das cidades analisadas apresentaram elevada taxa de intensidade de pobreza no ano de 2000. Enquanto que Taubaté, Piracicaba, Limeira, São José do Rio Preto e Franca, a outra metade, apresentam taxa menor, mas também, bastante elevada comparada com o restante do estado. Conforme podemos visualizar no mapa 3, entre as 5 faixas de intensidades de pobreza, as cidades aqui analisadas, ficam entre as duas últimas faixas que representam maior intensidade de pobreza.

Figura 3 – Mapa da Intensidade da Pobreza no Estado de São Paulo

São José dos Campos

Junidaí Sorocaba Piracicaba Limeira Bauru Franca Ribeirão Preto São José do Rio Preto

O Crescimento de pessoas vivendo em moradias consideradas impróprias, também, tem aumentado nessas cidades. De acordo com o PNUD (2000), das 645 cidades existentes no Estado de São Paulo, 31 apresentam pessoas vivendo em domicílios subnormais, entre estas estão Jundiaí, Bauru, Piracicaba, Limeira e São José do Rio Preto, ou seja, metade das cidades analisadas. As cidades: São José dos Campos, Sorocaba, Ribeirão Preto, - apresentam índice pouco menor, enquanto Taubaté, Franca e São José do Rio Preto, apresentam zero percentual de pessoas vivendo em moradias subnormais. Assim, das 10 cidades analisadas, apenas 3 apresentam dado positivo em relação a condições de moradia.

Figura 4 – Mapa do Percentual de Pessoas que Vivem em Domicílios Subnormais Municípios no Estado de São Paulo

São José dos Campos

Junidaí Sorocaba Piracicaba Limeira Bauru Franca Ribeirão Preto São José do Rio Preto

Fonte: PNUD, 2000 - Modificado por REANI, R. T.

Analisando melhor o Município de Jundiaí, objeto empírico deste trabalho, pode-se observar que este concentra, grande quantidade de moradias em condições subnormais, comparado com as demais cidades do Estado e também, com as cidades do seu entorno.

Figura 5 - Percentual de pessoas que vivem em domicílios subnormais nos Municípios da Microregião de Jundiaí

Fonte: PNUD, 2000 - Modificado por REANI, R. T.

Desta forma, os mapas acima trazem dados que mostram a baixa qualidade do crescimento das cidades médias, pois embora haja um crescimento econômico e populacional, favorecendo dinamismo das cidades, há, também, um acentuado crescimento da pobreza e das desigualdades, mostrando que o desenvolvimento dessas cidades, também, possui um lado negativo.

Tabela 5 - Condições de Vida

IDHM IDHM - Ranking dos municípios Localidade

1980 1991 2000 1980 1991 2000

Benzer Belgeler