3. ARAŞTIRMA BULGULARI
3.1. Genus: Microtus
3.1.4. Microtus levis Miller, 1908
No Brasil devido ao crescimento das desigualdades sociais e as pressões populares por reforma urbana, principalmente, a partir do Seminário sobre Habitação e Reforma Urbana, realizado em 1963, o conceito da função social da propriedade passou a ser tratado com maior relevância.
Os agentes ligados ao movimento de Reforma Urbana eram associações técnico-corporativas, como os sindicatos de engenheiros e arquitetos, entidades de assessoria a movimentos populares, como a Fase, a Ansur e a Pólis, e entidades representativas de movimentos populares, além de representantes das alas progressistas da Igreja e o Partido Comunista. Conforme Ribeiro e Cardoso (1994: 87), as características básicas do movimento são:
a) Diagnóstico centrado nas desigualdades e nos direitos sociais. Estabelece uma distinção entre ganhos lícitos e ilícitos na produção da cidade. A exclusão social e política das camadas populares é o eixo do discurso; b) O objetivo de intervenção é a propriedade privada da terra, o uso do solo urbano e a participação direta das camadas populares (e/ou sociedade civil) na gestão da cidade.
Como coloca Funes (2005), a maior conquista dos movimentos pela reforma urbana no processo constituinte dos anos 1980 foi a inserção dos artigos 182 e 183 na Constituição Federal de 1988, que tratam da política urbana.
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes. § 1º - O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. § 2º - A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.§ 3º - As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas
com prévia e justa indenização em dinheiro. § 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:I - parcelamento ou edificação compulsórios;II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1º - O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil.
§ 2º - Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. § 3º - Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
O artigo 182 torna obrigatório Plano Diretor, aprovado pela Câmara, para cidades com mais de 20 mil habitantes, controlando assim o desenvolvimento e expansão urbana. O município passa a ter autonomia para legislar sobre assuntos de interesses locais (artigo 30). As desapropriações de imóveis urbanos passam a ser feitos mediante indenização. O artigo ainda prevê o parcelamento ou edificação compulsórios; imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressiva no tempo; desapropriação com pagamento mediante títulos da divida pública. No entanto, esses instrumentos são facultados ao poder municipal. O artigo 183 prevê o domínio de área urbana de até 250 m2, ocupada por cinco anos ininterruptamente, e
coloca ainda, que os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
A Constituição Federal de 1988 trouxe a garantia do direito à propriedade e a função social desta. Trouxe, também, a figura da desapropriação por utilidade pública ou interesse social, embora mediante indenização, em seu artigo 5º, incisos XXII, XXIII e XXIV:
Art. 5º inciso XXII: É garantido o direito de propriedade. Art. 5º inciso XXIII: A propriedade atenderá sua função social.
Art. 5º inciso XXIV: A lei establelecerá o procediemento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na Constituição.
A Constituição Federal de 1988, trouxe também, a figura da desapropriação por interesse social e garantia da posse em casos específicos. Assim, ficou clara a necessidade de se compatibilizar a função individual da propriedade com o atendimento a fins sociais (FUNES, 2005). Com relação a moradia, no Artigo 23 da
referida lei, está foi considerada matéria de competência corrente entre a União, os Estados e os Municípios:
Inciso IX: promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico.
IncisoX: combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos
Em relação ao meio ambiente, a Constituição Federal de 1988, Artigo 23, coloca que é de competência da União, Estados e Municípios:
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
O Artigo 225, é complementar na medida em que coloca como sendo importante o meio ambiente para proporcionar sadia qualidade de vida, sendo este direito de todos:
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo- se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
Desta forma, a Constituição Federal, atribui ao governo municipal o planejamento das cidades, de modo a proporcionar o direito à moradia, a função social da propriedade, bem como, um meio ambiente saudável para as presentes e futuras gerações.
A política urbana na Constituição Federal de 1988, atende algumas das metas pretendidas pelo movimento da reforma urbana, instituindo a função social da propriedade e dando maior autonomia aos Municípios, porém, deixa muitas outras metas de lado, principalmente, em relação a gestão participativa da cidade e pela falta de instrumentos de regulação urbanística, sendo que esses só serão atendidos mais tarde com o Estatuto da Cidade, em 2001.