2. İLGİLİ LİTERATÜR VE ARAŞTIRMALARIN İNCELENMESİ
2.6. Liderlik
2.6.2. Takım Liderliği
O subcampo religioso marista em sua configuração prioriza o seguimento de Jesus Cristo, capitalizado através dos serviços prestados à sociedade, entre os quais a dedicação aos empobrecidos é o principal, base para a doutrina do subcampo, uma vez que Champagnat fundou os Maristas com o objetivo de evangelizar as crianças e os jovens pobres e abandonados. Essa “opção” não é patrimônio dos maristas, as congregações religiosas, salvo exceções, são fundadas para exercer atividades assistenciais, tendo como missão principal a evangelização e conversão das pessoas, utilizando-se das “lacunas” deixadas pelo Estado para realizar esta missão, por exemplo, quando na França o Governo não conseguia proporcionar educação para os cidadãos, muitas congregações religiosas foram fundadas para suprir essa demanda, o que não foi diferente com os maristas. Em alguns documentos encontramos descrita tal situação, que por sua vez motivou a fundação dos maristas:
Em todo o país (França) emergia uma sociedade burguesa, liberal e comprometida com os seus interesses, preocupada em criar uma elite capaz de fornecer lideranças militares, políticas e econômicas. Mesmo na Igreja, havia pouco interesse pelo cuidado pastoral das crianças e dos jovens do campo. Além disso, o magistério estava de tal modo desprestigiado e mal remunerado, que atraía apenas candidatos cuja competência e caráter deixavam muito a desejar.60
Para que essa opção seja concretizada, são montadas estratégias no subcampo, sendo uma delas a demonstração pública do compromisso dos maristas
com os empobrecidos, através do “voto de pobreza”, renunciando a qualquer espécie particular de bens, através do ingresso numa sociedade sem fins lucrativos, onde existem sócios, mas não donos e onde a subordinação é a possibilidade de obter as bênçãos de Deus, tornando a organização com características próprias e a possibilidade de disputar no espaço social utilizando capital religioso, uma vez que
[...] este capital religioso determina tanto a natureza, a forma e a força das estratégias que estas instâncias podem colocar a serviço da satisfação de seus interesses religiosos, como as funções que tais instâncias cumprem na divisão do trabalho religioso, e em conseqüência, na divisão do trabalho político (BOURDIEU, 1974, p.57).
Podemos nos reportar à primeira parte deste trabalho, quando falamos da caminhada da Igreja Católica, especialmente no que se refere à América Latina e ao engajamento da Igreja, bem como de boa parte dos teólogos na opção pelos pobres. Movimento esse que, de certa forma, interferiu nos diversos subcampos religiosos, entre os quais o marista.
Dentro do subcampo marista, iniciaram-se disputas em torno da temática “opção pelos pobres”. O auge das discussões foi estabelecido através de uma grande reflexão sobre o tema durante o XIX Capítulo Geral, que teve na sua conclusão a decisão que
cada Província entrará num processo de discernimento. Depois implantará, nos próximos quatro anos, pelo menos um projeto significativo de presença marista junto às crianças e aos jovens mais abandonados. Esse projeto será elaborado e realizado em colaboração com leigos61.
Tal decisão foi baseada em dados apresentados durante o próprio Capítulo, que demonstravam novos cenários sociais e o avanço da exclusão social. Citamos aqui dois pontos que fundamentaram a reflexão durante o XIX Capítulo Geral, para demonstrar tal tomada de posição:
— A queda do socialismo real e o desenvolvimento do neoliberalismo.
— Mecanismos de exclusão de nações e grupos humanos (a pobreza que atinge dois terços da população mundial, as estruturas econômicas ditadas pelos países mais desenvolvidos, os problemas
dos emigrantes e dos refugiados, a tensão contínua entre os blocos econômicos Norte e Sul [...])62.
Os trabalhos realizados com os mais vulneráveis já era algo realizado pelos maristas, especialmente nos países de “missão”, conturbados social e politicamente, como, por exemplo, países Africanos. O diferencial é que a partir desse Capítulo todas as Províncias deveriam ter ações entre os mais vulneráveis, motivadas pela opção religiosa e pela possibilidade de mudar o quadro social e a religiosidade dessas comunidades de periferias, uma vez que a inserção marista se daria juntamente com a evangelização e ali, não mais distante, em outros países,
Naquela época se entendia o “ad gentes”, comunidades mais distantes, e era África, depois de toda uma reflexão, porque missão não é só o “ad gentes”, missão é aqui, é o real. E o que ajudou muito foi quando se integrou nesse grupo as comunidades inseridas de Rolante, de Novo Hamburgo, sobretudo essas duas comunidades aí ajudaram a refletir e isso foi caminhando, depois veio a exigência, que já citei antes, do Capítulo Geral. [...] a Província entendia que era uma exigência do conselho geral que estava ali, então veio muito mais como uma imposição para muitos Irmãos e Leigos do que propriamente como uma reflexão.63
Logo após o XIX Capítulo Geral, muitos documentos foram produzidos, devido à reflexão e às “provocações” deixadas por este às Províncias, também foram realizadas assembléias e encontros do subcampo marista, possibilitando assim que os Irmãos e Leigos maristas pudessem entrar em contato com as orientações dos superiores, ampliando a reflexão e também produzindo documentos locais. De certa forma houve um redimensionamento do subcampo marista em direção aos empobrecidos, revigorando a “alma” de muitos Irmãos que durante anos foram desacreditados, rotulados e mesmo perseguidos ou tidos como subversivos, pois os demais os identificavam, nas reivindicações, pejorativamente como sendo marxistas e comunistas, produzindo um clima muito tenso nas relações de disputa do subcampo.
62 Informação disponível no Atas do XIX capitulo Geral, 1993. 63 Entrevistado B.
2.2 TOMADA DE POSIÇÃO NA PROVÍNCIA DO RS: FUNDAR OBRAS SOCIAIS