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2. İLGİLİ LİTERATÜR VE ARAŞTIRMALARIN İNCELENMESİ

2.1. Okul Kültürü

2.1.2. Örgütsel Kültür

Na década de 90, o Governo Federal deu seguimento às mudanças na lei da filantropia, que já vinha sendo estudada e modificada desde a década de 70. A preocupação com a aplicação dos recursos da filantropia era manifestada intensamente pelos deputados federais que exigiam maior atenção por parte do Governo na fiscalização, sugerindo que graves problemas se escondiam atrás da lei da filantropia. O Deputado Fassarella denuncia que

o financiamento de serviços públicos através da isenção da contribuição previdenciária patronal tem-se mostrado ineficiente. De um lado exige um grande controle burocrático para evitar falsificações e fraudes, dando origem às entidades ditas “pilantrópicas”. O controle burocrático prévio, acaba se transformando num obstáculo intransponível para as pequenas entidades e não conseguem barrar as “pilantrópicas”, geralmente maiores e com maior capacidade de se “ajustar” aos requisitos fixados em lei. Por outro lado acaba por reduzir os recursos da Seguridade que poderiam, se arrecadados e bem aplicados, atender melhor às ações assistenciais e à área da saúde 23.

As críticas e interferências do poder legislativo foram criando novas regras para a aplicação da filantropia, bem como políticas públicas mais exigentes e voltadas aos vulneráveis da sociedade, inclusive definindo quais cidadãos poderiam ser beneficiados por tais recursos. Os Maristas, adaptando-se as novas regras e procurando prevenir-se para o futuro, iniciaram um processo de migração dos recursos financeiros aplicados na filantropia, até então destinados quase que exclusivamente para bolsas de estudo.

Um Irmão marista que fazia parte da coordenação da Província naquele momento manifestou-se com muita cautela e temeroso ao ter que admitir que a ida dos maristas para junto dos “mais pobres da sociedade gaúcha” fosse por causa da

23 O trecho citado acima, foi extraído de uma circular distribuída pelo gabinete do Deputado Federal

mudança na legislação da filantropia, apesar de admitir que sem ela “não teriam se molhado”. O trecho abaixo transcrito e que faz parte da entrevista demonstra a cautela e o receio de uma possível desvinculação da opção ser religiosa:

A decisão de abrir uma Obra Social significativa estar a favor dos mais necessitados não estava diretamente ligada à Lei da Filantropia... A nova Lei da Filantropia que exigia aplicação de 20% da Receita em ações a favor dos necessitados veio ajudar-nos como instituição. Eu na ocasião dizia que ela “veio empurrar-nos na água, eis que estávamos à beira da piscina com medo de jogar-nos na água”. E agora com esta Lei não tinha mais o que duvidar. Era preciso aplicar este dinheiro em favor dos mais necessitados. Eu acho que esta Lei veio em boa hora para a nossa realidade24.

E, na questão seguinte, mesmo sendo um dos principais gestores da Província, se omite em responder, talvez por medo de dizer algo que comprometa a instituição, ou que demonstre que a aplicação dos valores era utilizada para outros fins...

Como era aplicada até então a filantropia? E as bolsas de estudo nos colégios?

(A essa pergunta não sei responder. Há gente mais capaz de responder a ela aí em Porto Alegre)

Na resposta dada na próxima questão, veremos que existe a confirmação da necessidade de aplicar os 20 por cento e que isto não vinha acontecendo. Tal situação leva o entrevistado a justificar uma doação realizada e capitalizá-la como patrimônio da caridade marista. Demonstra também o jogo de relações que havia entre os Irmãos que se posicionaram diferentemente em relação à doação, bem como o interesse no aumento do capital simbólico perante os demais campos:

Houve uma forte enchente na região da Fronteira Oeste do Estado. Muitos flagelados. Apoios diversos. Nossa Província em final de triênio fiscal precisava comprovar a aplicação dos 20% em favor de filantropia. Fizemos os contactos com o governo do Estado. Tivemos a garantia de todos os comprovantes fiscais de notas e faturas. O Conselho Provincial decidiu. Houve críticas internas como era de se esperar (principalmente da Direção da nossa Universidade: 1 milhão jogado fora [...]) Entretanto, além da significativa ajuda que representou para aquelas famílias que conseguiram reconstruir suas casas […] para nós houve um ganho político e um reconhecimento do governo. Ajudou para aumentar a credibilidade e imagem dos

Maristas nesta nova realidade: Maristas com marca de solidariedade e não só Maristas com marca de educação formal [...].

Ao analisarmos a resposta não queremos emitir nenhum julgamento, até porque este não é o interesse da pesquisa, que nos leva a compreender a preocupação do entrevistado com a imagem dos maristas perante outros campos, uma vez que estão inseridos no campo religioso e devem aumentar seu capital simbólico através de relações sociais. Para os maristas a concessão oferecida pelo

Governo é uma opção, motivada pelas vantagens e benefícios da lei25. A opção

conduz a um processo de comprometimento com regras e relações que se estabelecem no próprio campo religioso e com os demais. É um processo de trocas. É importante salientar que a opção dos maristas do RS foi retomada na década de 90, porém já havia sido feita na década de 50, com a promulgação da Lei de

Isenções26.

A Província marista do RS fez a opção por esta lei logo após sua edição, tornando-se uma Organização Filantrópica. A opção pela filantropia não foi registrada na história da Província, seja porque a maioria dos Irmãos que a protagonizaram já faleceram, ou porque os livros e relatos sobre a história marista no RS pouco descrevem assuntos relacionados a questões jurídicas ou administrativas. Demonstrando maior interesse pelas questões religiosas, salvadoras, do que propriamente com questões ligadas ao administrativo ou financeiro, o subcampo capitaliza suas ações.

Benzer Belgeler