2. Bölüm, Araştırmanın Kuramsal Çerçevesi ve İlgili Araştırmalar
2.1 Araştırmanın Kuramsal Çerçevesi
2.1.4 Türkiye Biyolojik Çeşitliliğine Genel Bir Bakış
2.1.4.2 Türkiye’nin biyolojik çeşitliliği
2.1.4.2.1 Türkiye’nin flora çeşitliliği
Apresentamos o histórico da educação ambiental destacando-a como proposta pedagógica concebida como uma nova orientação em educação a partir da consciência da crise ambiental. Importante considerar a existência de muitos trabalhos que se dedicam a pesquisar e fazer a história da educação ambiental no Brasil e no mundo, por isso contextualizamos brevemente este
assunto23, demarcando momentos que consideramos mais relevantes para a investigação. Para consulta, trazemos no apêndice I o quadro histórico dos caminhos da educação ambiental no Brasil.
Segundo Carvalho (2004) a educação ambiental é parte do movimento ambientalista e surge da preocupação da sociedade com a qualidade de vida das presentes e futuras gerações. Neste sentido, podemos dizer que inicialmente a educação ambiental está entre as alternativas que visam chamar a atenção para a finitude e a má distribuição no acesso aos recursos naturais, envolvendo os cidadãos em ações sociais ambientalmente apropriadas. Num segundo momento, a educação ambiental começa a se transformar numa proposta educativa que dialoga fortemente com as tradições, teorias e saberes da educação.
No plano internacional, Loureiro (2006) e Carvalho (2004) afirmam que, em termos cronológicos e mundiais, a primeira vez que se adotou o nome educação ambiental foi em um evento de educação promovido pela universidade de Keele, Reino Unido, no ano de 1965. Naquele momento, a concepção de educação ambiental estava relacionada à dimensão da ecologia aplicada.
Foi em meados da década de 1970 que os fundamentos da educação ambiental foram definidos e aceitos, por meio de anúncios em documentos oficiais, resoluções e diretrizes que tiveram como marco importante a I Conferência Internacional sobre Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, Suécia. Neste momento, foi ressaltada a importância de se trabalhar a vinculação entre ambiente e educação, a responsabilidade individual e coletiva do humano em relação ao ambiente.
Iniciava-se assim, uma discussão específica de assunto oficial para a ONU em projeção mundial, onde foi reforçada a necessidade de medidas preventivas e de controle em relação aos fatores de maior impacto ambiental, sobretudo no que diz respeito ao potencial poluidor das indústrias. Resultaram desta discussão a Conferência e a Declaração de Estocolmo, assim como a Declaração sobre o Ambiente Humano, com 23 princípios orientadores para o processo de construção da preservação do ambiente humano.
23 Para quem desejar uma leitura mais detalhada sobre a cronologia e os processos de institucionalização da educação ambiental, recomendamos o livro organizado pelo MEC - A implantação da Educação Ambiental no Brasil, disponível no site do Meio Ambiente.
A educação ambiental torna-se um campo específico, internacionalmente reconhecido apenas em 1975, com a realização do 1º Seminário Internacional de Educação Ambiental, em Belgrado. A Carta de Belgrado reforçou a necessidade de uma nova ética global e ecológica, vinculada aos processos de erradicação da fome, da miséria, do analfabetismo, da poluição, da degradação dos bens naturais, exploração humana e do entendimento de que tais problemas estão estruturalmente relacionados. Enfatizou a educação ambiental como processo educativo amplo, formal ou não, abarcando as dimensões políticas, culturais e sociais, compatíveis com a sustentabilidade da vida no planeta. (LOUREIRO, 2006).
Em 1977, a educação ambiental foi tema da I Conferência sobre Educação Ambiental em Tbilisi (na ex-URSS), 20 anos depois da Conferência de Tessalônica, Grécia. Tais encontros foram promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Essa mobilização internacional estimulou conferências e seminários nacionais, além de políticas e programas mediante os quais a educação ambiental passa a integrar as ações do governo.
No Brasil, a educação ambiental surge na legislação desde 1973, como atribuição da primeira Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA). Todavia, são nas décadas de 80 e 90 que a educação ambiental começa ganhar dimensões públicas e tem sua inclusão na Constituição Federal de 1988. (CARVALHO, 2004 e LOUREIRO, 2006).
Ainda neste período, destacamos o Fórum Global como evento não governamental, que marcou significativamente o avanço da educação ambiental no Brasil. Este Fórum ocorreu paralelamente à Conferência da ONU, no Rio de Janeiro, em 1992. (conhecida como Rio 92).
O Fórum contou com a participação de representantes da sociedade civil organizada, de movimentos sociais de vários países e do Fórum Internacional de Organizações Não- Governamentais, que juntos formularam o Tratado de Educação Ambiental para as Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. O Tratado é um documento aberto, de caráter dinâmico, que permite sua revisão permanente e que define o marco político para o projeto pedagógico da educação ambiental.
O Tratado está na base da formação da Rede Brasileira de Educação Ambiental, bem como das diversas redes estaduais que formam grande articulação de entidades não governamentais, escolas, universidades e pessoas que querem fortalecer as diferentes ações, atividades, programas e políticas em educação ambiental.
A educação ambiental, que se orienta pelo Tratado, busca construir a perspectiva interdisciplinar para compreender e intervir nas questões que afetam as relações entre os grupos humanos e destes com o ambiente. Aciona diversas áreas do conhecimento e diferentes saberes.
A compreensão de educação ambiental orientada pelo Tratado se difere da compreensão ratificada pela Política Nacional de Educação Ambiental, instituída em abril de 1999 sob a lei nº 9.795. Na lei fica explicito que a problemática ambiental advém somente das relações entre seres humanos e o meio ambiente. Podemos comprovar esta afirmação com a seguinte definição de educação orientada pela lei:
Os processos por meio dos quais os indivíduos e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. (BRASIL, 1999) (grifo nosso).
Entretanto, é importante lembrar que foi a partir da aprovação desta lei que se instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA, em 1999, e a criação do Órgão Gestor, do qual fazem parte os ministérios de Meio Ambiente e da Educação, como responsável pela sua implementação.
A aprovação da lei e o fato de existir uma determinação do Governo Federal de que a educação ambiental fosse tratada de forma transversal, envolvendo dois ministérios, demonstra avanços e repercussão na institucionalidade do tema. Desta maneira, a educação ambiental se consolida apresentando características críticas, transformadoras e emancipatórias.
A lei regulamentada pelo decreto nº4.281/2002 começou a ser implantada a partir de julho de 2003, com a criação do Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental, na perspectiva de aprofundar e respeitar as dinâmicas próprias do movimento ambientalista, dos movimentos sociais e das redes de educadores/as ambientais como elementos centrais dessa política. (VIEZZER et al. 2007).
Com o intuito de “orientar as ações da sociedade e do governo numa dinâmica integrada de educação ambiental em todo o país, foi criado o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA)” cuja missão é contribuir com a construção de sociedades sustentáveis, com pessoas atuantes e felizes em todo Brasil. (ibid., p. 43).
Como Órgão Gestor da PNEA, o Departamento de Educação Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente (DEA/MMA) e a Coordenadoria Geral de Educação Ambiental, do Ministério da Educação (CGA/MEC) tem a responsabilidade de implementar o ProNEA. Neste sentido, foram criados estruturas, espaços e programas com a finalidade de realizar uma dinâmica articulada, autônoma e interdependente que tem por orientação e perspectiva a formação de 184 milhões de brasileiras/os, educados e educandos ambientalmente, capazes de intervir em sua própria realidade. (ibid., p. 43).
Estas estruturas, espaços e programas têm a finalidade de articular e fortalecer ações de educação ambiental popular, com a implementação de um projeto político pedagógico de forma a contemplar a totalidade de pessoas de um determinado território, promovendo reflexões socioambientais em suas múltiplas dimensões. (SORRENTINO et al.,2007).
Neste contexto, Sorrentino (2005) afirma que a educação ambiental insere-se nas políticas públicas do Estado brasileiro como uma estratégia de incremento da educação pública que no MMA é uma função de Estado totalmente nova. Para ele, uma política pública representa a organização da ação do Estado para a solução de um problema ou atendimento de uma demanda específica da sociedade.
A perspectiva de políticas públicas do Órgão Gestor da educação ambiental inclui o MEC, o MMA, a sociedade civil – Comitê Assessor. O MEC e o MMA, em seus respectivos setores de educação ambiental, pautados pelo ProNEA, estão implantando programas e projetos junto às redes públicas de ensino, unidades de conservação, prefeituras municipais, empresas, sindicatos, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, consórcios e comitês de bacia hidrográfica, assentamentos de reforma agrária, dentre outros parceiros.
No âmbito da sociedade civil, ao longo da década de noventa, e com relevante significado político e estratégico, várias redes foram criadas. Destacamos a Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA), as redes mato-grossense, mineira, paulista, sul brasileira, acreana, pantanal, do Rio de Janeiro, da Paraíba, de centros de educação ambiental, de programas universitários (RUPEA), expressões vivas de mobilização de educadoras/es e ambientalistas.
Considerando-se os aspectos mencionados percebemos, especialmente a partir de 2003, significativas mudanças e conquistas sem precedentes na educação ambiental. Estas mudanças
são referentes ao fomento à participação, ao diálogo entre saberes diversos, ao fortalecimento de iniciativas associadas à mobilização das/os educadoras/es ambientais.
Nossas expectativas são que as políticas públicas de educação ambiental sejam cada vez mais participativas e contínuas, com aprofundamentos necessários, mobilização de grupos, que impulsionem movimentos sociais, integrando universidades, pessoas que acreditam na organização, na ação e reflexão do sujeito intersubjetivamente. Desta forma, vemos possibilidades de subverter as estruturas dominantes e excludentes que condicionam nossas ações, porém, que não as determinam (sentido Freiriano do termo). É neste sentido que podemos mobilizar esforços acreditando no projeto de transformação da sociedade, nas contribuições para as políticas públicas de educação ambiental com caráter democrático, universal e inclusivo.
Nossa experiência no Coeduca, durante a pesquisa e a participação direta nas ações empreendidas, nos dá a certeza de que somos agentes sociais transformadores. Podemos atuar na modificação das estruturas, pois estas são resultado das nossas interações. Mesmo “dentro” das estruturas organizacionais podemos organizar ações transformadoras da realidade, através dos significados construídos de maneira comunicativa, a partir do contexto cultural, das experiências pessoais e das consciências, que se encontram mediante interação.
Após a apresentação do panorama histórico da educação ambiental, consideramos necessário situarmos o ambiente conceitual e político desta enquanto projeto educativo que pretende transformar a sociedade. Isto se faz necessário, pois práticas muito diferentes do ponto de vista de seu posicionamento político-pedagógico podem ser denominadas igualmente como educação ambiental.