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2. Bölüm, Araştırmanın Kuramsal Çerçevesi ve İlgili Araştırmalar

2.1 Araştırmanın Kuramsal Çerçevesi

2.1.3 Dünya Biyolojik Çeşitliliğine Genel Bir Bakış

2.1.3.4 Biyoçeşitliliğin korunmasına yönelik atılan adımlar

Os questionamentos mais contundentes à civilização e o atual modelo de produção, surgem de atores sociais que apresentam resistências ao capitalismo e suas diferentes formas de exclusão, ganhando espaço nos debates públicos no final da década de 1960. Por exemplo, os movimentos estudantil, pacifista, antinuclear, de contracultura, de defesa dos direitos humanos, feminista etc.

Na década de 70, quando emerge a sociedade da informação, um conjunto de ações, entidades e movimentos sociais denunciavam riscos e impactos ambientais agravados pelo modo de vida das sociedades industriais. Dentre os movimentos de emancipação que entram em cena no Brasil, o movimento ambientalista, surge durante o processo de redemocratização e abertura política do país, apresentando tendências afinadas e antagônicas sobre o entendimento do humano na natureza e ao projeto societário contestador e libertário19. (CARVALHO, 2004; LOUREIRO, 2006).

Este movimento ganha força na década de 80 e 90, quando houve progressivo diálogo e aproximação entre as lutas ambientalistas e os movimentos sociais urbanos, contexto em que jovens e outras pessoas motivadas pela construção de novas relações entre sociedade, e sociedade-natureza, lutam por autonomia e emancipação em relação à ordem dominante. Questionavam a poluição, o modelo de produção e consumo, a concentração urbana, a insalubridade da vida em cidades mal planejadas e “inchadas”.

Concordamos com a perspectiva trazida por Loureiro (2006), segundo a qual o movimento ambientalista é um movimento plural com finalidades de mudança social nas dimensões sociológica, histórica e política, composto por atores sociais individuais e coletivos que se contrapõe ao individualismo, à fragmentação dos saberes e a racionalidade instrumental, com propostas de repensar o destino do planeta a partir da relação entre partes e todo.

Na conjuntura da globalização, a percepção da crise ambiental como questão social, desperta com o lema ecológico “agir local e pensar global”, revelando a compreensão das realidades locais afetadas por ações, decisões e políticas definidas internacionalmente. A

19 Um exemplo de luta social que adquiriu dimensões ambientalistas e transformou-se em causa apoiada internacionalmente, foi a do seringueiro da Amazônia, liderada por Chico Mendes.

expressão faz sentido se constatamos nos impactos ambientais localizados as consequências dos princípios econômicos dominantes. São exemplos, as toneladas de resíduos tóxicos dos países industrializados remetidos aos países “subdesenvolvidos”, a ação da chuva ácida numa região diferente daquela que a produz, os desequilíbrios climáticos que alcançam dimensões globais. (CARVALHO, 2004). Vale destacar ainda, as enchentes ocorridas nos estados do norte e nordeste brasileiro neste outono de 2009.

A complexidade do lema ecológico, quando reproduzido sem criticidade nas escolas, mídias, discursos governamentais, ongs, órgãos multilaterais, jornais, meios de disseminação de valores, representações e imagens, geram riscos de construirmos conhecimentos afirmativos “globalizados”, induzindo à interpretações tendenciosas, representadas pelo discurso dominante. Como a visão que supõe a existência de uma distribuição equânime20 dos “recursos” ambientais, bem como das consequências e dos impactos causados pela destruição deste. (CARVALHO, 2004; PACHECO, 2008).

O movimento ambientalista se coloca contrário a essa concepção de sociedade capitalista e luta por justiça socioambiental, a fim de alcançar instâncias intragovernamentais. Defendem a diferença na igualdade de direitos, a prevenção do ambiente, a denúncia de fatos que comprovem as ações poluidoras e os impactos socioambientais adversos e desproporcionais que atingem comunidades desprivilegiadas e desprotegidas socialmente.

São muitos os exemplos de grupos sociais, cujo modo de vida é indissociável do ambiente, que sofrem intensamente com as injustiças ambientais21: indígenas, pescadores, quilombolas, extrativistas, posseiros. Eles dependem do livre acesso ao meio ambiente saudável para a sua subsistência e reprodução. Temos também grupos sociais urbanos, deslocados de suas áreas de origem por grandes empreendimentos “desenvolvimentistas”. Estes grupos sociais como populações negras, vítimas das barragens, imigrantes, sem terra, indígenas, ciganos e afro- indígenas, são colocados à margem da sociedade. (MELLO, C., 2008).

20 O mito de equidade social e ambiental surge como expressão particular mais amplo da sociedade aberta, em que homens ou mulheres, pobres ou ricos, de qualquer raça, sexo ou religião são definidos como iguais. (IANNI, 2004, p. 132)

21 Injustiça ambiental é o mecanismo pelo qual sociedades desiguais, do ponto de vista econômico e social, destinam a maior carga dos danos ambientais do desenvolvimento às populações de baixa renda, aos grupos raciais discriminados, aos povos étnicos tradicionais, aos bairros operários, às populações marginalizadas e vulneráveis. (CARVALHO, 2004).

Exilados, confinados em assentamentos ou reservas e com a imposição de outras formas de vida, os grupos ficam alheios às suas tradições culturais, sem condições de subsistir nos centros urbanos. Dificilmente conseguirão conquistar algum espaço para viver com dignidade, assim, acabam ocupando os piores solos no território urbano: zonas de risco, favelas, subúrbios, entorno de fábricas, lixões e áreas sujeitas a deslizamento, a enchentes, a doenças e a violência urbana. Servidos precariamente de saneamento, saúde, transporte e educação ficam à margem da cidadania, que é direito de todas e todos. (CARVALHO, 2004).

Para entendermos esta cruel situação, basta notarmos as inúmeras denúncias que envolvem impactos ambientais, sejam em área urbana ou rural, presentes no levantamento inicial do Mapa de Conflitos causados pelo racismo ambiental22 no Brasil. São exemplos destes conflitos: a contaminação do solo por resíduos tóxicos no Amapá, onde o Conselho das Comunidades Afrodescendentes conseguiu vencer a luta contra os resíduos de manganês deixados pela ICOMI na Serra do Navio após 30 anos de exploração do minério; na Bahia, em que habitantes de bairros negros ainda geram crianças que “nascem” mortas ou inteiramente deformadas, em consequência da contaminação provocada pela Companhia Brasileira de Chumbo ao longo das décadas; no Ceará, os índios jenipapo-Kanindé continuam sua luta contra a empresa Ypióca que explora a água da sagrada Lagoa Encantada, para alimentar os 4.000 hectares de monocultura de cana para a produção de cachaça, poluindo com vinhoto o lençol freático da reserva. (PACHECO, 2008, p. 12).

O quadro até agora retratado exige que nos posicionemos criticamente, não podemos acreditar ingenuamente que é possível reverter esse quadro de exploração e desigualdade socioambiental apenas com a diminuição per capta do consumo, mudando hábitos familiares e comunitários. Se agirmos assim, estamos deslocando, e/ou centralizando a responsabilidade dos impactos ambientais para os sujeitos e eximindo a responsabilidade do modelo de produção das grandes indústrias poluidoras.

22 O conceito de racismo ambiental contempla a análise dos relatos de degradação social, cultural e ambiental em que estão imersas comunidades inteiras, por pressões historicamente impostas. Este conceito aprofunda a estratificação de pessoas (por raça, etnia, status social e poder) e de lugar (bairros periféricos das cidades, áreas rurais, reservas indígenas, terreiros de candomblé, comunidades quilombolas e pescadores), nos desafiando a ampliar nossas visões de mundo e a lutar por um novo paradigma civilizatório, por uma sociedade igualitária e justa. (PACHECO, 2007, apud PACHECO, 2008, p. 11).

Isso não significa que a coerência entre valores pessoais e atitudes não seja fundamental, mas sim, que existem níveis diferentes de responsabilidade pela escassez, além da esfera pessoal e de situações particulares. (LOUREIRO, 2006).

Assim, precisamos construir alternativas e estratégias para revertermos tais situações, sobretudo na luta por uma vida mais digna e pelo exercício da cidadania ativa. Necessitamos pensar que as injustiças ambientais sofridas pela população urbana ou pelas populações tradicionais, muitas vezes silenciadas, sejam entendidas como uma causa maior, como parte da luta contra o modelo de desenvolvimento desumanizante e excludente.

Empreender essa luta requer de todas e todos articulações e cumplicidade, desde as populações atingidas, os movimentos sociais, a academia, as ongs e educadoras/es, na elaboração de políticas públicas em torno de um projeto efetivamente democrático, visando uma sociedade igualitária e justa, que não seja apenas direito de poucos, privilegiados, mas sim, que inclua de fato todas e todos, independentemente de cor, origem, gênero, religião, classe e etnia.

Logo, o desafio da educação ambiental também está em buscar a igualdade como condição de afirmação das diferenças, no processo de definição de valores que sustentam uma perspectiva ambientalista de sociedade, desvelando e modificando a realidade em sua complexidade. Cabe a nós educadoras/es ambientais entender a profundidade da crise em que estamos inseridos, para trabalhar como sujeitos ativos do processo, de modo a ampliar a contextualização e a nossa compreensão sobre o atual momento, a fim de construirmos alternativas transformadoras.

Apresentamos a seguir, os itinerários da educação ambiental, surgidos no movimento ambientalista preocupado com a sociedade, com a vida e com as gerações, visando novas maneiras de entendermos e interagirmos em sociedade.