BÖLÜM 4 : KAZAKİSTAN CUMHURİYETİNİN DIŞ POLİTİKASINDAKİ
4.5. Türkiye
Como explanado anteriormente, a sociedade humana Ž composta por rela•›es socioecon™micas que t•m a ver com a sua base material, onde imperam os valores de uso e troca, mas Ž tambŽm composta pelas rela•›es culturais, consubstanciadas em processos de significa•‹o, centrados nos valores signo, s’mbolo. Tanto a base material, como a base cultural da sociedade assentam no valor v’nculo, no dom-reciprocidade e na dimens‹o relacional, que s‹o assim caracter’sticas indissoci‡veis e diferenciadoras do Homem em sociedade se comparado com as demais espŽcies animais.
TambŽm como discutido anteriormente, a rede oferece a estrutura e din‰mica atravŽs da qual a sociedade, em particular a sociedade da informa•‹o em que vivemos, promove o seu cont’nuo devir e, portanto, as rela•›es e o estabelecimento de v’nculos entre os indiv’duos s‹o elementos basilares e essenciais para o aparecimento e funcionamento das redes sociais, quando entendidas como artefato de relacionamento social atravŽs do qual se promove a circula•‹o dos objetos socioecon™micos e culturais. Neste contexto da sociedade da informa•‹o em rede, com caracter’sticas humanas diferenciadoras como s‹o o dom- reciprocidade e a dimens‹o relacional, a Ôinforma•‹oÕ pode ser entendida enquanto objeto relacional que flui em redes sociais. O seu fluxo, sobretudo nas suas formas n‹o materiais Ž, em muitos casos, caracterizado pelos mecanismos de Ôdar, receber e retribuirÕ, ou seja, pela reciprocidade nos processos em rede de circula•‹o e apropria•‹o social da informa•‹o. Adicionalmente, parece ser uma evid•ncia que os produtores de informa•‹o e conhecimento raramente trabalham isoladamente, mas inseridos em amplas redes, sendo que Òas informa•›es emergem das pr‡ticas profissionais e sociais dos atores e quando entram em intera•‹o Ð na rede Ð come•am a deixar de ser singulares e v‹o tornando-se coletivasÓ (TOMAƒL e MARTELETO, 2006, p.89). A rede pode ent‹o servir para estudar os processos coletivos de produ•‹o de sentidos e de conhecimento, o sistema de posi•›es e intera•›es dos atores desses processos, as lutas de poder e prest’gio, os capitais sociais, simb—licos e informacionais.
Pela din‰mica caracter’stica das redes sociais, procede-se neste trabalho a um recorte epistemol—gico do conceito de informa•‹o e entende-se informa•‹o como um processo de troca permanente, como fluxo de elementos de conhecimento materiais e simb—licos,
expl’citos ou t‡citos, em ‰mbito social que Ôin-formamÕ o espirito do ator. A perspectiva sobre informa•‹o adotada neste trabalho procura, assim, dialogar com essas duas concep•›es da natureza dos v’nculos sociais que s‹o a reciprocidade, conforme apresentada anteriormente, e a rede social, a ser discutida extensamente no pr—ximo cap’tulo. Segundo Marteleto, a combina•‹o informa•‹o e redes gera informa•‹o fluxo, e nas suas palavras, Ò[...] quando uma Ôinforma•‹o sistemaÕ que gera mem—ria e registro, tem perman•ncia no tempo e colora•‹o local, parece dar lugar a uma Ôinforma•‹o-fluxoÕ, fluida, rizom‡tica, enredada nos movimentos das redes, canais e dispositivos tŽcnicos de comunica•‹o e informa•‹oÓ (MARTELETO, 2007a).
Num estudo de caso que objetivou compreender o papel das redes sociais e da reciprocidade nos processos locais de desenvolvimento, os pesquisadores Radomsky e Schneider (2007) adotam exatamente uma perspectiva que procura dialogar tanto com a reciprocidade como com a rede enquanto duas concep•›es sobre a natureza do vinculo social. As suas conclus›es incluem as seguintes reflex›es:
ƒ preciso observar que redes de reciprocidade n‹o conduzem obrigatoriamente as sociedades ao desenvolvimento. A ideia n‹o Ž menosprezar o papel dos recursos econ™micos, do conhecimento e do acesso a tecnologias, tambŽm respons‡veis pelo sucesso de pessoas, empresas e redes. No entanto, o argumento Ž que os atores sociais analisados compartilham recursos sociais e simb—licos no territ—rio, que s‹o essenciais para gerar efeitos benŽficos do ponto de vista social e econ™mico. Deste modo, o conjunto de rela•›es em rede Ž respons‡vel pelo dinamismo do mercado de trabalho e pela diferencia•‹o da economia local (RADOMSKY e SCHNEIDER, 2007, p. 278)
Este quarto cap’tulo, Ô4. Informa•‹oÕ, procurou concretizar o quarto, quinto e sexto objetivos propostos inicialmente para este trabalho, que s‹o, 4) Ôrevis‹o bibliogr‡fica dos diversos conceitos de informa•‹oÕ; 5) Ôdiscutir a informa•‹o no ‰mbito da cultura e da sociedade da informa•‹o em redeÕ; e 6) Ôpropor recorte epistemol—gico do conceito de informa•‹o para contextos de ARSI em organiza•›esÕ. Partindo da discuss‹o sobre redes sociais iniciada nesta œltima se•‹o, o pr—ximo cap’tulo, Ô5. Redes sociaisÕ, procura dar resposta aos tr•s seguintes objetivos propostos no inicio da disserta•‹o: 7) Ôelabora•‹o de uma breve hist—ria da ci•ncia de redesÕ; 8) Ôdiscutir os conceitos de rede e rede social e explorar algumas rela•›es de redes sociais com a CIÕ; e 9) Ôapresentar a ARS e caracterizar a ARS em Organiza•›esÕ.
C
APêTULO5.R
EDES SOCIAIS5.1.I
NTRODU‚ÌOVivemos numa ÔSociedade em RedeÕ e na ÔEra da Informa•‹oÕ (CASTELLS, 1999) pelo que Ž plaus’vel acreditar e afirmar que pesquisar e estudar fen™menos relativos ˆ Ôinforma•‹oÕ e ˆs ÔredesÕ poder‹o ter grande impacto e import‰ncia na determina•‹o dos caminhos a serem trilhados pela economia, cultura e sociedade mundial e pela vida individual das pessoas nas pr—ximas dŽcadas. Esta fato parece ser t‹o verdadeiro e pac’fico quanto parece ser consensual nos meios, acad•mico e socioecon™mico, que
[...] na era da informa•‹o Ð na qual vivemos Ð as fun•›es e processos sociais organizam-se cada vez mais em torno de redes. Quer se trate das grandes empresas, do mercado financeiro, dos meios de comunica•‹o ou das novas ONGs globais, constatamos que a organiza•‹o em rede tornou-se um fen™meno social importante e uma fonte cr’tica de poder (CAPRA, 2002, p.267).
Um dos maiores desafios da sociedade do conhecimento, na era da informa•‹o, Ž Òcriar uma organiza•‹o capaz de compartilhar o conhecimento [e] Ž nesse enfoque que as redes s‹o mais valorizadasÓ, na medida em que, Òao mesmo tempo que contribuem para o aprimoramento dos ativos organizacionais, possibilitam que as organiza•›es, distinguindo as caracter’sticas das redes e valendo-se delas, tornem o compartilhamento mais prof’cuoÓ (TOMAƒL et al., 2005, p.94). Entretanto, Òo que Ž chamado de mundo das redes, n‹o Ž o mundo f’sico que pode ser visto, mas um multiverso de conex›es que n‹o se v•, ao qual s— se pode ter acesso por meio da ci•ncia ou da imagina•‹oÓ (FRANCO, 2008, p.37). Com esta importante caracter’stica do mundo das redes, as explora•›es seguintes s‹o apoiadas em conhecimentos fornecidos pela ci•ncia das redes, mas procuram tambŽm, apelar ˆ e, suscitar a imagina•‹o.
Hoje sabemos bastante mais sobre redes do que no inicio do sŽc. XX quando surgiram as primeiras tentativas de explicar fen™menos em rede. Depois do nascimento da sociometria nas dŽcadas de 20 e 30 e das redes aleat—rias das dŽcadas de 50 e 60, sabemos hoje que as redes sociais s‹o mundos pequenos, sabemos como podemos classific‡-las, calcular v‡rias de suas grandezas e temos modelos que incorporam o crescimento das redes e a n‹o aleatoriedade das suas conex›es. Entretanto e apesar dos muitos e grandes avan•os feitos nas œltimas dŽcadas, o
estudo das redes est‡ ainda na sua inf‰ncia e ainda n‹o temos, como temos em outros campos, um arcabou•o te—rico e um programa sistem‡tico para caracterizar as suas estruturas. N‹o temos a certeza de estar formulando as perguntas certas e ainda n‹o sabemos se as medidas que usamos s‹o as œnicas grandezas importantes a se medir ou mesmo se elas s‹o as mais importantes (NEWMAN, 2003, p.240 - tradu•‹o livre do autor). Parece, de fato, existir muito espa•o para a ci•ncia e para a imagina•‹o.
ƒ certo que os fen™menos em rede se revelam e se desdobram de formas muitas vezes incompreens’veis ou insond‡veis para o senso e capacidades de an‡lise comuns, moldados pelos arquŽtipos de racioc’nio da Žpoca moderna. Uma boa ilustra•‹o da complexidade envolvida em grupos de indiv’duos, que entre eles estabelecem redes, Ž-nos dada pelo chamado ÔParadoxo do Anivers‡rioÕ. N‹o se trata realmente de um paradoxo mas mais de uma surpresa porque, por ventura, a resposta ao problema desafia a l—gica e o senso comum. Isso tem em grande medida a ver com o fato da geometria das redes nem sempre ser facilmente apreens’vel com os fundamentos da geometria euclidiana cl‡ssica. A formula•‹o do ÔParadoxo do Anivers‡rioÕ Ž a seguinte:
Imaginemos que entramos numa fila com um total de 35 pessoas e que, para passar o tempo, o homem que est‡ ˆ nossa frente nos prop›e o seguinte: Ôaposto R$ 50 em como existem duas pessoas na fila que t•m o mesmo dia de anivers‡rio!Õ. Ser‡ que devemos aceitar a aposta? A maioria das pessoas aceitaria a aposta na medida em que, com 36 pessoas e 365 datas de anivers‡rio poss’veis, parece haver apenas uma ÔprobabilidadeÕ de cerca de 10% (36/365) de duas pessoas terem nascido no mesmo dia, o que implicaria uma ÔprobabilidadeÕ de 90% de ganhar a aposta. O fato Ž que as ÔprobabilidadesÕ intuitivas apresentadas est‹o erradas e, em vez de haver uma probabilidade de 90% de n‹o haver duas pessoas que tenham o mesmo anivers‡rio, h‡ uma probabilidade de cerca de 80% de que num grupo de 36 pessoas haja duas com a mesma data de anivers‡rio. Esse resultado aparentemente surpreendente deve-se ao fato de que, em primeiro lugar, em situa•›es envolvendo muitas pessoas, as mesmas tendem a pensar em si e n‹o no grupo (10% seria a ÔprobalidadeÕ de alguŽm nesta fila fazer anivers‡rio no mesmo dia em que cada um de n—s individualmente) e, adicionalmente, porque entre as 36 pessoas pode estabelecer-se uma rede com 630 rela•›es! Quando o nœmero de elementos de um grupo cresce linearmente, o nœmero de conex›es poss’veis entre esses elementos cresce
exponencialmente (SHIRKY, 2010, p.31-33). A justifica•‹o do ÔParadoxo do Anivers‡rioÕ Ž apresentada no ap•ndice A.