BÖLÜM 4 : KAZAKİSTAN CUMHURİYETİNİN DIŞ POLİTİKASINDAKİ
4.3. Rusya Federasyonu
Stuart Hall discorre sobre cultura, em particular sobre identidades culturais, argumentando que devemos compreender e distinguir tr•s diferentes concep•›es de identidade cultural, a
saber, a concep•‹o de identidade do sujeito do Iluminismo, a do sujeito sociol—gico e a do sujeito p—s-moderno. A concep•‹o de identidade do sujeito do Iluminismo era eminentemente individualista e assentava na ideia Òda pessoa humana como um indiv’duo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de raz‹o, de consci•ncia e de a•‹oÓ; o ÔcentroÕ ˆ volta do qual se constru’a essa identidade Òconsistia num nœcleo interior que emergia pela primeira vez quando o sujeito nascia e com ele se desenvolvia, ainda que permanecendo essencialmente o mesmo [...] ao longo da exist•ncia do indiv’duoÓ (HALL, 2006, p.10/11).
A crescente complexidade do mundo moderno viu-se refletida na no•‹o do sujeito sociol—gico e, apesar do indiv’duo ainda ter Òum nœcleo ou ess•ncia interior que Ž o Ôeu realÕ, [...] este Ž formado e modificado num dialogo continuo com os mundos culturais ÔexterioresÕ e as identidades que esses mundos oferecemÓ. O nœcleo interior do sujeito do Iluminismo j‡ n‹o Ž aut™nomo nem autossuficiente, mas Ž formado tambŽm por ÒÔoutras pessoas importantes para eleÕ, que mediavam para o sujeito os valores, sentidos e s’mbolos Ð a cultura Ð dos mundos que ele/ela habitavaÓ. A identidade do sujeito sociol—gico ÒŽ formada na Ôintera•‹oÕ entre o eu e a sociedadeÓ (HALL, 2006, p.11), sendo disso o ÔculturalismoÕ de Franz Boas (1858-1942) um bom exemplo (DORTIER, 2009, p. 176).
J‡ a identidade do sujeito p—s-moderno Òtorna-se uma Ôcelebra•‹o m—velÕ: formada e transformada continuamente em rela•‹o ˆs formas pelas quais somos representados ou interpretados nos sistemas culturais que nos rodeiam.Ó O indiv’duo n‹o tem uma identidade fixa, essencial ou permanente, ao que o autor acrescenta que Òa identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente Ž uma fantasiaÓ, e conclui dizendo que Òˆ medida em que os sistemas de significa•‹o e representa•‹o cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades poss’veis, com cada uma das quais poder’amos nos identificar Ð ao menos temporariamenteÓ (HALL, 2006, p.12/13). TambŽm para Bauman, a busca da identidade na contemporaneidade ÒŽ uma busca incessante de deter ou tornar mais lento o fluxo, de solidificar o fluido, de dar forma ao disforme. Lutamos para negar, ou pelo menos encobrir, a terr’vel fluidez logo abaixo do fino envolt—rio da formaÓ, ao que acrescenta que
as identidades parecem fixas e s—lidas apenas quando vistas de relance, de fora. A eventual solidez que podem ter quando contempladas de dentro da pr—pria experi•ncia biogr‡fica parece
fr‡gil, vulner‡vel e constantemente dilacerada por for•as que exp›em a sua fluidez e por contracorrentes que amea•am faz•-la em peda•os e desmanchar qualquer forma que possa ter adquirido (BAUMAN, 2001, p. 97/98).
Do ponto de vista da informa•‹o, importa notar que a explos‹o informacional da sociedade do conhecimento em que vivemos, tem sido um importante fator catalisador da multiplica•‹o dos sistemas de significa•‹o e representa•‹o cultural a que se refere Hall, sendo, portanto, manifesta a rela•‹o entre usos simb—licos da informa•‹o e a multiplica•‹o e complexifica•‹o dos sistemas culturais.
Em ÔAs redes sociais, o sistema da d‡diva e o paradoxo sociol—gicoÕ (2008), Paulo Henrique Martins15 prop›em-se a uma busca progressiva de elabora•‹o de um pensamento complexo e
pr‡tico sobre a realidade social centrando-se, para tal, na for•a da associa•‹o entre os homens como recurso explicativo dos movimentos coletivos espont‰neos. Nesse esfor•o come•a por refletir sobre o fen™meno das redes sociais, cuja teoria revela a preocupa•‹o de explicar o fato social a partir de uma injun•‹o coletiva complexa que se imp›e ˆs vontades individuais, ainda que essa injun•‹o n‹o elimine a liberdade individual dos atores de participarem de diversos c’rculos de trocas. O autor parte do principio de que
[...] as rela•›es sociais se edificam a partir de uma experi•ncia que tanto escapa ao imperialismo da obriga•‹o coletiva (as normas e valores interiorizados e as representa•›es psicol—gicas) como ao relativismo da liberdade individual (a capacidade de cada indiv’duo escolher arbitrariamente o que lhe Ž mais œtil e interessante, seguindo sua pr—pria prefer•ncia independentemente dos demais), ent‹o estamos admitindo que obriga•‹o e liberdade s‹o elementos de um paradoxo. Ou seja, n‹o se trata de colocar um dilema - ou isso ou aquilo: obriga•‹o ou liberdade, interesse ou desinteresse -, mas de admitir que tais opostos n‹o s‹o contradit—rios, sendo apenas express›es polares das realidade social complexa (MARTINS, 2008, p. 9).
Assume-se portanto uma perspectiva complexa da realidade social, onde as dualidades caracter’sticas das explica•›es propostas pelas ci•ncias modernas Òs‹o flashes de realidade, momentos de abstra•‹o de uma realidade social muito mais complexa onde fatores de diversas naturezas (sociais, ambientais, ps’quicos, afetivos) se movem circularmente,
15 Professor titular de Sociologia na Universidade Federal de Pernambuco e vice-presidente da associa•‹o
passando de momentos organizados para outros desorganizados e vice-versaÓ (p.9). Este principio do paradoxo, para o autor, subjacente ˆ teoria das redes sociais, permite superar os construtos dicot™micos e simplificados porque, em vez de se fixar somente nas polaridades sociol—gicas, como sejam a do indiv’duo vs. a da totalidade, a da estrutura vs. a da a•‹o, convida e estimula a que a an‡lise da realidade se mova livremente pela interatividade constante e percorra a din‰mica incessante e variada dos bens no interior da vida social. Tal como na caracteriza•‹o do indiv’duo p—s-moderno proposta por Hall, Òa dualidade cl‡ssica entre indiv’duo e sociedade (que justifica as dualidades acima citadas) Ž uma ilus‹o resultante da for•a do fetiche, fundado sobre a separa•‹o entre a sociedade e os objetos sociais e institucionais criados por elaÓ (MARTINS, 2008, p.13).
Os paradigmas tradicionais, com enfoque na causalidade e no dualismo pr—prios de procedimentos explicativos inspirados pelo positivismo cl‡ssico, s‹o insens’veis a modelos de an‡lise que possam lidar com Òo movimento e a fluidez de informa•›esÓ. Por oposi•‹o, a perspectiva das redes sociais como proposta de an‡lise de fen™menos sociais, como sejam fen™menos informacionais, tem como grande mŽrito o fato de apresentar
a a•‹o e a estrutura, n‹o como opostos, mas como elementos constituintes de um movimento incessante e ambivalente de trocas - ˆs vezes organizativas, ˆ vezes degenerativas - de objetos materiais e simb—licos - n‹o est‡ticos - em circula•‹o na vida social, resultando, a cada momento, na cria•‹o de novos lugares (estruturas) e de novas identifica•›es (MARTINS, 2008, p.13).
A rede social surge ent‹o como o artefato que sintetiza o (aparente) paradoxo, isto Ž, a obriga•‹o coletiva e a liberdade individual na constru•‹o do social. Entretanto, Martins destaca que, ao mesmo tempo em que vem ganhando visibilidade te—rica, a no•‹o de rede social ainda est‡ impregnada por uma serie de ambiguidades que, em grande medida, se identificam pela n‹o concord‰ncia nos meios, acad•mico e cientifico, sobre se a rede social Ž um sistema social que resulta de articula•›es pensadas e executadas pelos indiv’duos entre os quais se d‡ o fen™meno social em causa ou se, por contraponto, a rede social se relaciona mais proximamente com um sistema complexo supra individual que, por um lado Ž diferente dos atores individuais que desse sistema fazem parte e, por outro, se imp›e sobre as suas vontades individuais (p.12). O autor, tal como a presente disserta•‹o, decanta-se pela segunda hip—tese.