BÖLÜM 3: KAZAKİSTAN CUMHURİYETİNİN KOMŞULARI İLE
3.1. Rusya Federasyonu İle İlişkiler
Mathis explica ainda que, para Luhmann, o problema da evolu•‹o da sociedade p›e-se como um problema da autopoiese da comunica•‹o. Nesse processo evolutivo autopoiŽtico, os meios de difus‹o de comunica•›es aumentam o nœmero de destinat‡rios, sendo que aumentando o grau da difus‹o da comunica•‹o, aumenta tambŽm a redund‰ncia da informa•‹o. Por outro lado, h‡ tambŽm um aumento dos endere•os de comunica•‹o, e com isso aumenta a dificuldade para se saber o que motiva uma comunica•‹o, para qu•, e quais as comunica•›es
que est‹o sendo aceites na sociedade o que implica num aumento da complexidade do sistema (MATHIS, s.d.). Com o aumento da capacidade dos meios de comunica•‹o, produzem-se e processam-se cada vez maiores quantidades de informa•‹o e isso acarreta uma crescente dificuldade na din‰mica da comunica•‹o, ou seja, na produ•‹o e organiza•‹o de mensagens e informa•‹o.
ƒ poss’vel, neste ponto, estabelecer um paralelo entre esta ideia e as motiva•›es que ter‹o levado Vannevar Bush a escrever em 1945 o texto que autores da vertente norte-americana da CI consideram ser o texto inaugural, ÔAs we may thinkÕ (BUSH, 1945). Tefko Saracevic (1930- ), reconhecido investigador no campo da ci•ncia da informa•‹o e professor emŽrito na escola de comunica•‹o e informa•‹o Rutgers8, explica que, nesse importante artigo, Bush fez
duas coisas: (1) definiu sucintamente um problema cr’tico [como], a tarefa massiva de tornar mais acess’vel, um acervo crescente de conhecimento e (2) prop™s uma solu•‹o que passaria por usar as tecnologias de informa•‹o existentes incorporando-lhes a capacidade de associar ideias, possibilitando a duplica•‹o artificial dos processos mentais (SARACEVIC, 1996, p. 42). O ponto central do texto de Bush Ž a caracter’stica associativa e em rede do pensamento humano, que Ž a base da proposta para organizar, dessa mesma forma em rede, documentos, informa•‹o, conhecimento. ÔAs we may thinkÕ, o t’tulo do texto, reflete a forma como Bush prop›e a organiza•‹o da informa•‹o e do conhecimento, isto Ž, da mesma forma que o pensamos ou que o possamos pensar.
Como vimos anteriormente, podemos dizer que um sistema Ž complexo quando produz mais hip—teses para a reitera•‹o do que pode realizar num dado momento. O elevado nœmero de possibilidades leva o sistema a selecionar apenas algumas para poder continuar operando. Quanto maior Ž o nœmero de elementos no seu interior, maior Ž o nœmero de rela•›es poss’veis entre eles e essas crescem de modo exponencial. O sistema torna-se, ent‹o, complexo quando n‹o consegue responder imediatamente a todas as rela•›es entre os elementos, e nem todas as possibilidades se podem realizar. S— algumas possibilidades de rela•›es entre elementos, por exemplo, a rela•‹o de uma comunica•‹o com outra, ou de um pensamento com outro, s‹o realizadas; as demais ficam potencializadas como op•›es para o futuro. Os sistemas ps’quicos e os sistemas sociais s‹o sistemas complexos porque produzem
mais possibilidades de pensamentos e comunica•›es do que podem realizar num dado momento.
O sistema social n‹o tem uma estrutura imut‡vel que enfrenta um ambiente complexo. ƒ condi•‹o para esse enfrentamento que o pr—prio sistema se transforme internamente, criando subsistemas, deixando de ser simples e tornando-se mais complexo, ou seja, evolu’do. A evolu•‹o da sociedade, que se caracteriza como um problema da autopoiese da comunica•‹o Ž motivada pela necessidade de sobreviver ˆ complexidade do ambiente e isso cria para o sistema social constantes novas possibilidades de forma inesperada. O sistema evolui quando desvia do planejado, quando n‹o reage da mesma forma, quando n‹o se repete. Johnson corrobora esta vis‹o da sociedade quando afirma, ainda que a partir de outra perspectiva, que um grupo de seres humanos competindo por algum recurso limitado, como acontece no caso das guerras, dos mercados financeiros ou do tr‰nsito, Ž um excelentes exemplo de um sistema social complexo (JOHNSON, 2009, p.170).
Neste contexto de sociedade como sistema complexo, no artigo ÔThe Autopoietic State:
Communication and Democratic Potential in the NetÕ, a te—rica da comunica•‹o Sandra
Braman aborda a problem‡tica do Estado-na•‹o do ponto de vista da ci•ncia da complexidade afirmando que, Òporque a caracter’stica chave do ambiente em que vivemos Ž a turbul•ncia, teorias sobre sistemas ca—ticos podem ser a base mais œtil de onde reconceptualizar o Estado- na•‹oÓ (BRAMAN, 1994, p.358 Ð tradu•‹o livre do autor). Partindo da vis‹o de que a sociedade Ž cada vez mais fluida, tal como outros sistemas autopoiŽticos, tambŽm Òo Estado- na•‹o pode ser reconceptualizado como o processo autopoiŽtico do sistema social que se governa a si pr—prio e ˆs suas rela•›es com outros sistemas em mœltiplas escalas de a•‹oÓ. Entretanto, n‹o s— o funcionamento org‰nico do Estado-na•‹o, mas tambŽm a pr—pria democracia Ž garantida por processos autopoiŽticos e Òquando falamos do potencial democr‡tico do estado, estamos a falar sobre a capacidade para autopoieseÓ (BRAMAN, 1994, p.364/365 Ð tradu•‹o livre do autor).
Braman enfatiza que a infraestrutura para o Estado-na•‹o autopoiŽtico Ž a rede de comunica•›es9 atravŽs da qual a informa•‹o Ž transmitida e processada, e nota a profunda
9 A autora fala de rede de telecomunica•›es; preferimos generalizar o conceito para rede de comunica•›es, que
diferen•a e descontinuidade de natureza e topologia entre os antigos e os atuais sistemas de comunica•‹o.
Enquanto que os sistemas de comunica•›es t•m sido historicamente hier‡rquicos em natureza, hoje pela primeira vez n—s temos uma rede de vasta capacidade que Ž ub’qua, inclui intelig•ncia dispersa nas m‹os dos usu‡rios e que Ž n‹o hier‡rquica. ƒ n‹o hier‡rquica tanto porque h‡ mœltiplas alternativas para qualquer atividade de transmiss‹o ou processamento de informa•‹o e porque o uso da rede Ž essencialmente incontrol‡vel (BRAMAN, 1994, p. 365 Ð tradu•‹o livre do autor).
Esta Ž uma abordagem ao Estado-na•‹o que podemos tentar extrapolar para a sociedade, seja porque um Estado-na•‹o Ž uma sociedade nacional, seja porque um Estado-na•‹o Ž um subsistema do sistema maior que Ž a sociedade global. Assim, da mesma forma que a infraestrutura para o Estado-na•‹o autopoiŽtico Ž a rede de comunica•›es atravŽs da qual a informa•‹o Ž transmitida e processada, em œltima inst‰ncia, tambŽm a topologia estrutural da sociedade Ž a rede.