KARŞILAŞTIRMASI
3.1. İSTANBUL MENKUL KIYMETLER BORSASI
3.1.1. Türkiye Ekonomisi’ne Genel Bakış
Antes de comentar as mudanças ocorridas nos Currículos da AFA, a partir de 1988, cabe considerar a origem das alterações estratégicas que cercearam a evolução do pensamento militar brasileiro, a partir do final da última década da Guerra Fria. Entre os principais fatos podem-se citar a hipótese da Guerra Total no contexto da Guerra Fria, que fez com que conceito de Defesa nacional se expandisse no Brasil nos anos 1980. Diante dessa hipotética possibilidade, os militares se conscientizavam, cada vez mais, de que a tarefa de
defender a soberania nacional cabia, particularmente, as Forças Armadas Brasileiras, de modo que a noção de Defesa Nacional se sobrepusesse à noção de Segurança Nacional.
Esses argumentos são reforçados pelo diplomata Eugênio Vargas Garcia, mais especificamente, em suas análises acerca da evolução do pensamento dos militares brasileiros no artigo intitulado O Pensamento dos Militares em Política Internacional (1961-1989), publicado em 1997 na Revista Brasileira de Política Internacional, o qual nos esclarece que “[...] a emergência de novo centro de poder político não poderia admitir a subordinação estratégica ad infinitum ao poder hegemônico. A luta nacionalista pela elevação do prestígio internacional do país, por conseguinte, teria de ser perseguida mediante a autonomia do
desenvolvimento.” (GARCIA, 1997, p.30)
Diante da necessidade de dar novos rumos à questão política da defesa do país, o governo federal tomou a iniciativa, pela Constituição de 1988, de homologar a Política de Defesa Nacional – PDN. Esta iniciativa, visou entre outros fatores ao estabelecimento de uma única diretriz que conduzisse as ações das Forças Armadas em ambiente nacional e, sobretudo, internacional em busca de um objetivo comum e que, ainda, pudesse promover a participação da sociedade civil em seu processo de implantação.
No mesmo sentido, o Ministério da Aeronáutica procurou, desde 1985, adaptar sua Doutrina ao contexto nacional do fim do Regime Militar, desde 1985, e do fim das ameaças político-ideológicas inspiradas no conflito indireto da Guerra Fria. Foi quando revogou a Doutrina Aeroespacial de 1975, e publicou, no Diário Oficial da União, a nova DMA 1-1, em 18 de abril de 1990.
Temos, portanto, uma firme correlação entre os principais acontecimentos no direcionamento político-estratégico de ordem nacional interna e externa e as publicações das Doutrinas da FAB, mesmo que nelas não indiquem, necessariamente, grandes mudanças em suas determinações, mas acenam e dão suporte à reorganização da instituição, de acordo com as necessidades para corresponder ou acompanhar novas tendências de cunho político-ideológico (GODOY, 2006, p.18).
Para melhor analisar como se processou o desenvolvimento da concepção de defesa nacional no Brasil foi preciso considerar as já citadas mudanças conjunturais nacionais e internacionais dessa época, especificamente, nas complexidades surgidas no campo de batalha durante e após o desfecho da Guerra Fria; e também o curso do processo de
democratização brasileira, consumando a retirada dos militares do governo e sua volta aos quartéis, concomitantemente com a necessária redefinição do papel militar na sociedade.
A partir da década de 1990, os assuntos ligados a Instituição Militar ganharam pauta nas discussões acadêmicas, percebendo-se com o fim do regime militar no Brasil e o fim da Guerra Fria, um aumento gradativo do número de pesquisas e publicações nessa área, envolvendo uma diversificação nos assuntos menos voltados ao problema do envolvimento militar na política (MANCUSO, 2008).
O crescente interesse pelos assuntos relacionados à segurança e defesa diz respeito às perspectivas de ameaças à segurança global que o século XXI atravessa, com os desafios da atualidade, considerados mais complexos do que aqueles motivados pela disputa ideológica entre as duas superpotências durante a Guerra Fria.
No atual contexto problemas ligados ao narcotráfico e terrorismo assumiram grande peso, desde o início da década, e estão englobados no conceito de novas ameaças, principalmente após o ataque ao World Trade Center em setembro de 2001.
As ameaças inseridas nesse conceito apresentam caráter transnacional e irrestrito, como o tráfico de armas, de seres humanos (prostituição, tráfico de órgãos, turismo sexual), migrações internacionais, pressões internacionais de ordem ambiental, econômico- financeiras, doenças infectocontagiosas, lavagem de dinheiro, questões que, aliadas ao desenvolvimento tecnológico, vêm alterar consideravelmente o cenário da guerra moderna.
A Política de Defesa Nacional em vigor em a partir de 1996 significou um avanço para o país, uma vez que esse documento, além de expressar os objetivos de defesa, deliberar a postura estratégica e abalizar as diretrizes do Estado Brasileiro, dá orientações sobre o seu significado, elucidando como devem ser vistas e efetivadas a segurança e a defesa brasileira, em atendimento a suas premissas.
Apesar de a Política de Defesa Nacional não ter conseguido superar determinadas indefinições na consecução de suas diretrizes e no alcance de seus objetivos gerou, em contrapartida, a criação do Ministério da Defesa o qual se encarregou de formular corretamente a concepção brasileira de Defesa Nacional, tornando possível estabelecer uma única Doutrina Militar de Defesa Nacional para as três forças. O fato foi significativo para
que, em 06 de agosto de 1997, fosse publicada a Doutrina Militar da Aeronáutica DMA 1-1, que revogava a DMA 1-1 de 1990, como escreveu Oliveira (2004, p. 61):
Com a Nova PDN, as Forças Armadas brasileiras tiveram, pela primeira vez, elementos documentais fundamentais para nortearem suas determinações de cunho doutrinário e institucional. Por isso, temos a publicação da DMA 1-1, em 06 de agosto de 1997, revogando a DMA 1-1 de 1990, apresentando um documento ostensivo direcionado a todo o efetivo da Força, trazendo todas as definições de Poder Aéreo, do Ministério da Aeronáutica, suas disposições e missões, amparadas pela Constituição de 1988.
Diante dessa realidade e em prosseguimento à pesquisa sobre a preparação dos recursos humanos na Academia da Força Aérea, o Departamento de Ensino da Aeronáutica (DEPENS) criado em 198452, em um estudo conjunto com o Estado Maior da Aeronáutica (EMAER), especificamente, sobre as o perfil profissional dos oficiais e sobre as necessidades da Aeronáutica Brasileira, estabeleceu, em 1988, os currículos mínimos das escolas a ele subordinadas. Nesse mesmo ano, o currículo mínimo foi implantado na Academia.
A partir dessa determinação ocorreu a inclusão de algumas disciplinas de administração consideradas importantes na formação do oficial da FAB, que, ao mesmo tempo que melhor atendesse às necessidades da Aeronáutica, fosse sensível aos desafios crescentes da modernização. De acordo com Demo (2006), tratava-se de um trabalho já iniciado em 1978, com valorização dos conhecimentos para uma atuação administrativa dos Oficiais da Força Aérea Brasileira. O fundamento da afirmação da autora tem base na Portaria do Comando Geral de Pessoal da Aeronáutica – COMGEP nº R-003/AS3, de 16/01/1978, que aprova o Currículo Mínimo da AFA e traz no parágrafo IV a seguinte texto: “Considerando a necessidade de ajustar o Currículo da AFA e adaptá-lo à nova Legislação Federal, que regulamente a formação de recursos humanos na área das ciências tecnológicas e na área de economia e administração, sem prejuízo da finalidade específica da formação do Oficial da Força Aérea.” Outro fato que chama a atenção em relação à alteração curricular desse período é que, além da diminuição das disciplinas da área das Ciências Exatas, houve queda também das disciplinas da área Técnico-Especializadas, fato que pode ser observado na figura 11 a seguir:
52 Criado em 1984 o DEPENS passou a subordinar todas as escolas do Comando da Aeronáutica - COMAER,
incumbindo-se do planejamento, gerenciamento e controle de todas as atividades de ensino que envolvem a formação e pós formação do pessoal. A partir de então, o DEPENS tem se dedicado a atender aos interesses da Aeronáutica Brasileira, juntamente com o Estado Maior da Aeronáutica – EMAER.
Figura 11: Gráfico Comparativo – Currículo da AFA – 1987 e 2002 –Aviação
Fonte: Histórico Curricular da AFA – de 1974 a 2010. Adaptado pela autora.
Apesar de as informações contidas na figura 11, não deixar claro o impacto causado na Área de Exatas, uma vez que a alteração curricular se deu pelo remanejamento entre disciplinas das Exatas com as disciplinas administrativas, em contrapartida é possível observar que o campo técnico-especializado perdeu espaço enquanto as atividades complementares e administrativas do curso subiram consideravelmente. Os reflexos das adaptações curriculares na Área das Ciências Exatas e inclusas no Campo Geral, seguem expressos na tabela 5 foi organizada para demonstrar a situação da referida área.
Tabela 5: Adaptações dos Currículos entre 1988 a 2002
Disciplinas Excluídas Tempos Incluídas Tempos
Desenho Técnico Resistência de Materiais Química/Química Aplicada Álgebra Linear Eletricidade Geometria Descritiva 32 45 60 45 54 47 Antropologia História Militar Metodologia da Instrução Metodologia Científica Economia Brasileira Técnica de Instrução
Administração Geral da Aeronáutica Adaptação e Cultura
Adaptação a Idioma
Português de Aviação Militar
30 52 20 45 52 50 30 15 125 35 Total 283 Total 454
Fonte: Histórico Curricular da AFA – de 1974 a 2010 – CFOAv - Instrução Científica. Adaptado pela autora. 0 27,3% 34,3% 15,7% 22,7% 2,5% 31,1% 15,6% 18,6% 34,7% 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 1988-2002 1983-1987
As preconizações contidas na PDN e as diretrizes do DEPENS, que estabeleciam as alterações nos currículos da AFA, mostravam certa incoerência, uma vez que a PND destacava, em seu texto, a complexidade trazida pela guerra da modernidade, enquanto as resoluções em relação ao ensino da Aeronáutica levavam à retirada, tanto de tempos de instrução dos ensinamentos técnico-especializados do currículo do CFOAv, quanto de disciplinas da Área das Ciências Exatas, consideradas imprescindíveis para o aprendizado dos equipamentos de alta tecnologia que os alunos ali operam.
[...] observamos que as determinações da Doutrina vigente e da Lei de Ensino da Aeronáutica, que se comprometem a honrar as definições do papel constitucional da Força Aérea Brasileira e do emprego operacional descrito na atual Política de Defesa Nacional, não encontram condições objetivas para ser contempladas nos programas curriculares existentes na Academia da Força Aérea, encaminhando a formação acadêmica a um desempenho profissional burocrático, comprometendo tempos de aulas das disciplinas técnico-especializadas militares, o que concorre para uma contradição entre o que se define na Lei e o que se pratica na formação dos futuros oficiais (GODOY, 2008, p.01).
Entretanto, os impactos nos Currículos da AFA seriam sentidos a partir de 2004 com a implantação do Curso de Administração.
Apesar de não constar do Histórico Curricular da AFA, ocorreram diversas adaptações curriculares entre os anos de 1988 a 2002. Sobre essas adaptações, Oliveira (2004, p.163) explica que a AFA, “busca de maneira incansável a organização curricular adequada, mas não espera sedimentar os processos de formação estabelecidos” e, segundo sua opinião, a frequência de tantas mudanças curriculares impossibilita a verificação dos resultados, tanto os positivos, como os negativos, isto é, o que deveria o ser preservado e o que mereceria ser modificado. Nesse sentido, Demo (2008, p.62) corrobora as ideias de Oliveira (2004) assim relatando:
[...] conclui-se que há um considerável distanciamento da possibilidade de desenvolvimento do trabalho proposto para a validação dos Currículos da AFA, pois nunca houve tempo suficiente de um mesmo Currículo, para se poder desenvolver um projeto assim.
Nessas condições, a partir de 1996, repete-se a mesma situação do período anterior a 1974, “os oficiais aviadores, intendentes e de infantaria, formados pela Academia da Força Aérea Brasileira não possuem um currículo igual de turma para turma, pois, a cada ano, um ajuste é realizado, uma disciplina é inserida e outras são retiradas” (OLIVEIRA 2004, p.163).
Outra resolução do DEPENS sobre o meio de ingresso na Academia foi o de realizar, em 1993, o primeiro concurso específico para o quadro de Intendência e de Infantaria, uma vez que até 1982, o concurso era somente para a aviação e, caso desligado no voo e tivesse interesse, o cadete poderia ser aproveitado em um desses dois cursos.
Em 1996, a Academia passou a receber a primeira turma de cadetes femininas no curso de Intendência. Naquele ano, o Corpo de Cadetes da Aeronáutica era constituído por “534 cadetes, sendo 358 aviadores, 127 intendentes e 49 infantes[...] dentro da turma de intendência do 1º ano, elas constituíam aproximadamente 37% do total de cadetes intendentes” (TAKAHASHI, 2002, p.142).
Até 2002, as únicas mulheres que compunham o quadro oficial de carreira na Aeronáutica eram as formadas no curso de Intendência e, nesse mesmo ano, resolveu-se, através da Portaria 556-T/ GC3, de 30 de julho de 2002, incluir no quadro de aviação, cadetes do sexo feminino. As questões que envolvem, o acesso estendido às mulheres ao ensino militar, podem ser melhor entendidas se consideramos as palavras de Baquim (2009, p.38)
[...] estender o acesso ao ensino militar a grupos tradicionalmente alijados desse sistema como (mulheres, negros e homossexuais, por exemplo) envolve questões relacionadas ao próprio processo de reestruturação produtiva, que veio acompanhado de alterações políticas e econômicas e desembocou na grande massa de trabalhadores que ocupa uma vaga no “exército industrial de reserva”. Também é fato que, a partir da própria Revolução Industrial, as mulheres passaram a compor esse exército, inchandosuas bases e pressionando os diversos setores econômicos e sociais, na tentativa de compartilhar um espaço de trabalho antes destinados apenas aos homens.