2. BÖLÜM
2.1 Kuramsal Bilgiler
2.1.10. Türkiye’de Uzaktan Eğitimin Gelişimi
Este museu em Belo Horizonte possui tanto instalações que utilizam as tecnologias discutidas, assim como possui um próprio tour virtual (FIG. 51), contemplando alguns dos aspectos já analisados em outros museus.
Além do museu em Belo Horizonte, existe uma outra unidade no Rio de Janeiro, cuja semelhança se dá em termos de dimensões, organização do espaço e material exposto (FIG. 51 e 52). O museu é tão estanque que permite que seja simplesmente reproduzido de maneira semelhante em dois locais diferentes. Tal abordagem nos permite questionar se ambos museus conseguem promover a mesma experiência, e se isso é também desejável. Capítulo 5
Quais são as vantagens de se ter dois museus idênticos em locais diferentes? Somente um museu pouco dinâmico e totalmente pré- determinado pode organizar experiências semelhantes.
No vídeo promocional do museu, a apresentadora afirma que a tecnologia é o passaporte para a viagem ao museu das tecnologias, u m e s p a ç o p a r a a c i ê n c i a , memória, tecnologia e diversão. Esta afirmação nos remonta à afirmação de Flusser de que a tecnologia é o nosso estilo, e levanta a questão de que, se vista como estilo, a tecnologia traz mais danos que benefícios ao espaço do Museu das Telecomunicações. No espaço físico, as atividades do museu são iniciadas a partir do uso de um acionador (FIG. 53), que quando apontado para o sensor localizado próximo à instalação, inicia a atividade relacionada àquele posto. Embora este acionador seja interessante,
leve e fácil de carregar, ele funciona como qualquer outro equipamento de guia, os chamados audio guides. Qual é o limite para que estes equipamentos de guia audiovisual não reduzam a interação espontânea social ao promover uma experiência mais individualizada do museu? Em qual medida, no espaço do Museus Contemporâneos e o Uso das Tecnologias
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FIGURA 53 – Acionador das atividades no Museu das Telecomunicações em Belo Horizonte
Fonte: Autora, 2010
FIGURA 51 – Captura da visita online do museu das telecomunicações, retirada do museu localizado no Rio de Janeiro
Fonte: OI FUTURO [2011]
FIGURA 52 – Saguão do Museu das Telecomunicações em Belo Horizonte Fonte: Autora, 2010
Museu das Telecomunicações, o ganho da informação supera a possibilidade da experiência mais coletivizada?
Ao mesmo tempo que o museu busca uma ambiência aparentemente avançada, sugerindo uma idéia futurista, o uso da tecnologia não ultrapassou os limites da interação simples, e o controle do usuário, ou a sua participação no processo, se dá ao acionar tais efeitos ou não.
N a v e r s ã o d a I n t e r n e t , a navegação pode ser feita de duas maneiras, a partir dos pontos circulares que se encontram no espaço físico recriado online, ou em pontos identificados no mapa de localização. Assim, não existe o “caminhar” pelo museu, somente uma série de renderizações entre um hotspot e outro (FIG. 54). Como já explicitado anteriormente, a versão online não oferece uma camada extra, não acessível na visita geográfica. Assim, a versão online acaba sendo uma redução da visita do espaço geográfico, que em si, já é extremamente limitada.
Em uma das instalações (FIG. 55), pequenas telas exibem vídeos, que, da maneira como são dispostos no museu, poderiam também ser assistidos online. Ao contrário, os vídeos não podem ser acessados. No fim, a visita virtual é uma visita pela representação do espaço arquitetônico e não do acervo.
Capítulo 5
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FIGURA 54 – Hotspot para acionar as renderizações no tour virtual
Fonte: OI FUTURO, 2010
FIGURA 55 – Vídeos no Museu das Telecomunicações em Belo Horizonte Fonte: Autora, 2010
O museu das Telecomunicações ilustra em diversos detalhes o fetichismo da tecnologia e a crença de que ela pode, por si só, trazer uma nova experiência dentro do espaço do museu. O fato da inserção de tais elementos tecnológicos ainda serem novidade garantem um frisson na visita ao museu. É importante refletir que este fator também tem um período limitado de ação, e logo as novas tecnologias não serão mais novas, e sim parte do nosso dia-a-dia como pode ser constatado, por exemplo, no museu Virtual de Ljubljana. As primeiras gerações nascidas neste período de profusão da Internet já não participam com tanta euforia destes espaços.
De maneira empírica, isso pôde ser constatado no Centro Nobel da Paz, quando grupos de estudantes visitando o museu não permaneceram mais que trinta segundos na instalação “Papel de Parede”, curiosos com o barulho produzido pela alavanca. Ao entender como o mecanismo funcionava, os visitantes logo perderam o interesse. Tal atitude aponta para a necessidade de avançamos para além das ferramentas como fim, utilizando-as como meio.
5.3 Manifestos a favor de um museu diferente: Marinete, Mauraux,
Price
Alternativa ao museu “tradicional” é questão central para diversos profissionais. A crítica ao museu do século XIX acontece de maneira expressiva no Manifesto de fundação do Futurismo de Filippo Tomaso Marinetti, publicado na primeira página do Le Figaro de 20 de fevereiro de 190929. Segundo Marinetti, museus
são cemitérios, idênticos pela “[...] promiscuidade sinistra de tantos objetos desconhecidos entre si”30. São locais onde a “eterna e inútil admiração do
passado” diminui os indivíduos. Ele afirma também que frequentar museus é negativo para os artistas. Desta maneira, os artistas deveriam ignorar o passado das artes e suas convenções e se preocupar com a vida vibrante e Museus Contemporâneos e o Uso das Tecnologias
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29 CHIPP, Herschel. Theories of Modern Art: A Source book by Artists and Critics, 1986.
30 CHIPP, Herschel. Theories of Modern Art... 1986. p. 287.” In the sinister promiscuosness of so many objects unknown to each other”.
barulhenta da cidade burguesa industrial31.
Admirar uma imagem antiga é colocar nossos sentimentos em uma urna funerária ao invés de arremessá-los em jatos de ação e produtividade. Você consumirá então sua melhor força nesta admiração inútil do passado; do qual você sairá forçosamente exausto, diminuído e pisoteado?32
Le Corbusier, por sua vez, proclama o fracasso do museu em seu ensaio de 1925 “Other Icons; The Museum”, a t r i b u i n d o - o a o f a t o d e s u a incompletude33: “O MUSEU É RUIM
P O R Q U E N Ã O C O N TA TO D A A HISTÓRIA. ELE ENGANA, ILUDE, ELE É UM MENTIROSO”34. Para ele, o
museu de arte decorativa do século XIX ilustra tal afirmação, e opõe seu conteúdo ao que considera o museu ideal.
André Mauraux, na década de 1950, já propunha o Musée Imaginaire (Museu Imaginário), que não possuía imagens originais, mas fotografias com as quais a comparação entre todas as obras de arte mundial poderiam ser feitas, não como uma substituição do museu tradicionalmente conhecido, mas como uma alternativa35 (FIG. 56).
Capítulo 5
169 31 CHIPP, Herschel. Theories of Modern Art... 1986. p. 281.
32 CHIPP, Herschel. Theories of Modern Art... 1986. p. 287. “To admire an old picture is to pour our sentiment into a funeral urn instead of hurling it forth in violent gushes of action of productiveness”. You will thus consume your best strength in a useless admiration of the past from which you will come out exhausted, lessened and trampled”. 33 STORRIE, Calum. The Delirious Museum, 2007, p. 149.
34 CORBUSIER in STORRIE, Calum. The Delirious Museum, 2007, p. 149. Ênfase do autor. “THE MUSEUM IS BAD BECAUSE IT DOES NOT TELL THE WHOLE STORY. IT MISLEADS, IT DISSIMULATES, IT DELUDES, IT IS A LIAR”.
35 MERAZ, F., & MANUEL, J. La expresión de una línea museística singular ... 2008, p. 276.
FIGURA 56 – Uma amostra do museu
Imaginário de Malraux, composto de fotografias das obras importantes