3. TOPLUMSAL BĠR KATEGORĠ OLARAK GENÇLĠĞĠN ORTAYA ÇIKIġI
4.1. Türkiye‟de Ulus Devlet Yapılanmasının Ġdeolojik Temelleri
4.1.2. Türkiye‟ de Ulus Devlet Yapılanmasının Milliyetçi Karakteri
Quem poderia imaginar que Laura, simples, cheia de graça, meiga, bonita e simpática guardava tanto rancor e uma aversão intensa que a fez se tornar tão maquiavélica. No início da narrativa da telenovela, Laura apresentou elementos de bondade e vontade em querer ajudar quem estivesse próxima a ela. Sempre prestativa, procurava estar presente em todas as ações em que a protagonista Maria Clara Diniz estivesse, para poder ajudá-la no que fosse preciso. Fazia-se de amiga para poder tirar proveito da vida pessoal e profissional de Maria Clara Diniz.
encontrado por ele para surpreender o público através da simpatia e de suas apreciações. Laura conseguiu, ao longo da narrativa, assumir a estrutura da telenovela de acordo com o que foi estabelecido pela consciência de Braga, como sendo o centro irradiador das imagens e pontos de vista da trama. A personagem foi concebida monologicamente e se fez representar, aparentemente, por uma diversidade de vozes individuais e unidades estilísticas, cujo sentido veio do diálogo. Para Bakhtin, a possibilidade do sentido estava relacionada à ação responsiva da personagem (Apud Bezerra:2008:192b).
No início de sua vingança, Laura se emprega na produtora de Maria Clara, a empresária de sucesso. Ao entrar para trabalhar, começa a executar o seu plano de ação e passa a ter fortes elementos de vingança, inveja e de ódio em seus pensamentos. O único objeto de desejo e de motivação dela era arruinar a vida da protagonista principal. A sua transformação estava somente nas ações em triunfar a qualquer preço e causar prejuízo aos personagens que estivessem atrapalhando a concretização dos seus planos.
Laura não queria apenas tomar tudo de Maria Clara, queria ser a própria Maria Clara Diniz. Na linha de pensamento de Bakhtin sobre construção de personagens, podemos dizer que Gilberto Braga, ao construí-la não se limitou a fazer uma análise das peculiaridades caracterológicas da personagem e entre personalidade de caráter e de tipo e temperamento que passam a ser visíveis no plano psicológico. Essas ações tinham elementos valiosíssimos e de observações e peculiaridades artísticas particulares do autor na sua construção (Bakhtin: 2010:13a).
O desencadeamento da motivação de vilania de Laura e a razão do seu ódio por Maria Clara situam-se no fato de ser a filha da verdadeira musa da canção de verão. Maria Clara Diniz ficou rica e famosa por ser conhecida como a musa desta canção. Ela acreditava que a música Musa de verão fora composta por seu ex-noivo Wagner em sua homenagem, mas não era verdade. Por outro lado, Laura e a sua mãe, em outro espaço, levavam uma vida bastante modesta e simples e por ter presenciado sua mãe ser humilhada injustamente, Laura, alimentava o desejo de vingança desde criança por Maria Clara Diniz.
Na tentativa de destruir a personagem Maria Clara Diniz, Laura tem ajuda do personagem Marcos32, seu amante e cúmplice. Laura teve parceiros fixos que serviram para atender seus desejos e necessidades. Seu único objetivo: vingar-se dela. Unidos começam a
trabalhar na empresa produtora de shows de Maria Clara Diniz, respectivamente, como assistente e motorista. Numa seqüência gradual de constituição e transformação a personagem Laura adquire habilidades necessárias para execução de suas ações e aos poucos se torna amiga íntima participando ativamente do cotidiano de Maria Clara Diniz.
Além da ajuda de Marcos, depois ela se une a Renato Mendes. Estes comparsas foram inseridos por Braga no percurso de Laura com o intuito de ajudá-la a conseguir atingir os seus objetivos. Segundo a teoria de Bakhtin, neste contexto, observamos um cronotopo de costume. Os dois personagens formaram com Laura um ponto de enlace de forma compartilhada, cada um a sua maneira. Em Celebridade, (2003/04), Braga optou em não trabalhar somente com um personagem vilão. O autor preferiu trabalhar com dupla de vilões,
talvez seja porque a sociedade “exigia” à época que nós devêssemos viver de forma
compartilhada.
Laura, desde o seu percurso narrativo, teve ajuda de algum personagem. Os encontros aconteciam, às vezes, em encontros pré-estabelecidos em lugares específicos como
se fosse um encontro de “estrada”, no exemplo de Bakhtin (Bakhtin: 2010:211-281b). Estes
eram os lugares preferidos para os encontros casuais dos personagens e para Braga criar plots de ação, ganchos, resolver conflitos e iniciar outros conflitos que poderiam ocorrer através
dos “pactos” entre os personagens. Gilberto Braga colocou esses encontros na ação narrativa
dos personagens Renato e Laura com base nas experiências e costumes da vida cotidiana real em sociedade, principalmente, porque os jovens não se relacionam mais afetivamente como
antes e “namoram” mais como nos tempos de outrora, hoje eles ficam ou têm apenas
namoricos, claro, isso depende do comportamento e interesse de cada indivíduo.
Os personagens, Laura, Renato e Marcos foram concebidos como personagens jovens. Pela teoria bakhtiniana, no cronotopo de estrada, simbolizando espaços de passagens que significam na construção de personagens, podem também simbolizar os costumes representativos das mais diversas classes sociais, tais como, faixa etária, nacionalidades, religiões, de espaço, economias, entre outras. Laura estava separada pela hierarquia e pelos espaços sociais de outros espaços diferentes dos freqüentados pela protagonista Maria Clara Diniz, por isso, elas se chocaram e se entrelaçaram para diferentes destinos. Mas cada uma delas, assim como na vida real, buscava sua individualidade e tinham que provar a todo
singulares da sua existência e compreendeu um contexto axiológico inteiramente distinto no mundo real e ficcional da personagem (Bakhtin: 2003:13).
Gilberto Braga não só estabeleceu o lugar das duas personagens se encontrarem, onde podiam e queriam e, também, nos grupos de personagens aos quais elas pertenciam, já que fora desses não poderiam ter identidade. Segundo os conceitos de Bakhtin sobre o processo de construção de personagens, nessa representação os personagens tiveram tamanha autoridade para o autor, que este não pode não perceber o mundo concreto apenas pelos olhos da personagem, nem deixar de vivenciar apenas de dentro os acontecimentos da vida delas (Bakhtin: 2003:15).
As artimanhas de Laura para conseguir atingir os seus objetivos caracterizavam-se por cometer as maiores atrocidades. A personagem demonstrou desde o inicio da narrativa toda sua capacidade, habilidade e competência para atuar em qualquer campo profissional. Inteligente, dotada de uma sagacidade, de raciocínio lógico e rápido para planejar suas ações de maldades as quais iam muito além de uma pessoa do mundo real. Era exatamente esta sua capacidade de ação, uma das suas maiores qualidades para conseguir o objeto desejado.
Gilberto Braga, ao construir as maldades de Laura, retirou fragmentos da realidade para compor a verdade da personagem, às vezes, os fragmentos satisfizeram as necessidades da vilã que foram desprovidos de conexões pragmáticas. O autor fez uma analogia das vilanias da personagem na modalidade polifônica combinando com várias vozes. Foi pela polifonia de passagem que ocorreram a combinação de vários propósitos individuais, já que o objetivo artístico de Braga era o de combinar diferentes propostas. Ou seja, as motivações dos acontecimentos e das ações da personagem dependeram de outras razões. No percurso narrativo de Laura, foi percebido em determinado momento um estado da realidade e de multiplicidade de planos de acordo com o objetivo de sua época.
Relacionando com fatos da vida real, podemos citar o concurso de Gari da prefeitura do Rio de Janeiro com o concurso de celebridade da personagem Laura. Fica definido que ambos os acontecimentos, tanto na realidade, como na ficção televisiva, tinham em comum a estabilidade, a posição e o reconhecimento social. Os indivíduos que se candidataram ao cargo de Gari no Rio de Janeiro almejavam a estabilidade que o emprego público podia oferecer. Laura queria poder e poderes, dinheiro, posição e estabilidade. A
vilania e a ambição desmedida dela para conseguir esses elementos eram marcadas pelo poder de ludibriar e destruir quem estivesse atrapalhando os seus planos. Já a vilania e ambição dos garis eram desencadeadas pelo salário baixo e pelas condições de adaptação em trabalhar debaixo de um forte calor de mais de 40º graus33.
Nesse sentido, o todo dramático foi monológico, a criação de Braga não foi como o todo de uma consciência que assumiu de forma objetiva outras consciências, mas como o todo da interação entre várias consciências, dentre as quais nenhuma se converteu definitivamente em objeto de outra. Ou seja, a interação não deu ao contemplador a base para a objetivação de todo um evento, segundo o tipo monológico comum, mas fez dele um participante (Bakhtin 2010:18-19a).
A frieza de Laura decorre de uma obsessiva perseguição à Maria Clara. A personagem não tinha hesitações e conflitos; não apresentava qualquer traço de humanidade que fosse comum a qualquer pessoa real. Nenhuma das suas ações incluiu sentimentos negativos de que não iria conseguir atingir seus objetivos; a dúvida não fazia parte de seu vocabulário, como convinha ao personagem monológico melodramático.
Laura tinha comportamentos antiéticos e amorais. Ela era um estímulo aparente de personagem de bom caráter, mas não era. Suas práticas de ação foram direcionadas com qualidade, às vezes, excepcionais e diferenciadas. Uma das vilanias de Laura com relação à protagonista Maria Clara aconteceu quando ela colocou drogas no carro da modelo para incriminá-la. Laura buscava, inutilmente, alternativas para demonstrar passagem do modo monológico para o polifônico para se tornar uma possível heroína.
Laura acreditava ter sido vítima das circunstâncias. A força dela veio da sua determinação, da simplificação de suas características psicológicas: um ser de muita ação e de nenhum conflito na sua trajetória de crueldades rumo à consecução de seu objetivo. A sua motivação para se tornar vilã foi a vingança e a ambição, sustentada em se apoderar dos bens e da vida de Maria Clara Diniz, numa seqüência de atos criminosos para alcançar riqueza, poder e dinheiro.
No final da trama, ela tem perda de bens e prestígio. Isto foi associado à renúncia ao bem maior, àquele que representou algum tipo de apoio e até, de certo modo, solução para seus problemas, o amor. Deste amor, nasceu o filho, situação que ela escondeu para evitar que as suspeitas sobre a autoria de um crime, assassinato de Lineu, presidente e dono do grupo Vasconcelos, recaísse sobre a pessoa amada. Laura poderia ter sua ação limitada à reaquisição de bens desviados de sua família. Mas, sua investida prosseguiu e se prolongou na vingança pessoal contra Maria Clara Diniz, a quem odiava e a quem quis destruir. A vilania de Laura foi bastante objetiva mais do que a recuperação dos bens perdidos.
A renúncia da mãe em prol do filho, a morte, o assassinato, a culpa em cima da pessoa amada, a perda dos bens, o amor, são temáticas que seguem as raízes do melodrama. O melodrama em uma obra de teledramaturgia é atemporal. Gilberto Braga tem consciência deste processo e o aplicou conscientemente dos dois modos, o monológico principalmente e o polifônico em alguns momentos de passagem. Com base nestes conceitos de Bakhtin, podemos considerar que o autor conseguiu reunir na sua telenovela pontos contraditórios que fugiram à realidade, mas que agradaram ao público.
3.4.5 - As motivações de vilania do personagem Renato Mendes
Renato Mendes foi um personagem que se caracterizou por ser bonito, charmoso, sedutor, manipulador e carismático, vulgar e de má índole. Mau caráter circulava num mundo das sofisticações e das aparências e, também, se identificava com o submundo da prostituição e do crime. Construído no modo monológico por Braga, foi capaz de prender dramaturgicamente a atenção da sociedade fictícia em que viveu, graças a interpretação do ator Fábio Assunção. Este trouxe um realismo para a criação do personagem, que estava em desacordo com os usos e costumes do cotidiano do público. Os telespectadores ficaram maravilhados com o seu desempenho na construção do personagem. O Ator concentrou em si todo o processo de criação, colocando seus pontos de vista, formação, cultura, vida social, entre outros.
O processo de constituição de Renato estava marcado pela falta de ética e da moral. Esse sofreu gradualmente transformações de conduta deixando marcas de vilania ao se confrontar com a protagonista principal Maria Clara Diniz. Suas ações eram direcionadas para conseguir o seu objeto de desejo: dinheiro, poder e poderes, e se tornar presidente do Grupo Vasconcelos. Talvez Gilberto Braga tenha sido influenciado pelos acontecimentos reais como a com a Operação Anaconda, da Policial Federal34, quando descobriram um forte esquema de corrupção, de formação de quadrilha, de grampos telefônicos, de contrabando, entre outros elementos. Essas questões quem sabe contribuíram para a construção de algumas ações de comportamento do personagem Renato Mendes. As relações de Renato Mendes com o mundo real da Operação Anaconda apresentou no seu processo de criação elementos de identificação que lembram ações do esquema que foi desmontado pelos policiais, tais como: corrupção, roubo, formação de quadrilha, trapaças, subornos, entre outros. De certo modo, como personagem de ficção Renato Mendes estava sempre presente em alguma ação ilícita que poderia lhe trazer algum ganho.
Renato Mendes foi o vice-presidente da empresa de comunicação Vasconcelos, ambicioso e inescrupuloso trabalhava como editor da revista Fama, sobrinho de Lineu Vasconcelos, que sonhava um dia assumir a presidência do Grupo Vasconcelos. Pensando nisso, Renato se envolve com Laura, que vê nele um aliado a mais para destruir Maria Clara Diniz, a estrela do Grupo. Renato quando percebe que está sendo usado por Laura arma uma vingança: com imagens comprometedoras nas mãos, ele a chantageia, os dois se casam por conveniência contra a vontade da vilã.
Podemos pensar, talvez, Braga ao construir o personagem Renato Mendes, levou em consideração alguns elementos que marcaram a vida do empresário Roberto Marinho, jovem, transformou a partir do jornal, o Globo em um grande complexo de comunicações e de organização de rádio e televisão. Fazendo relação com Marinho e Renato Mendes, percebemos semelhanças entre eles. Renato Mendes queria poder e dinheiro, Mas Marinho
conseguiu dinheiro e “poder” em função da dedicação ao seu trabalho. Ao contrário, Renato
queria apenas posição e reconhecimento social. Marinho desde jovem já havia conseguido. Renato, só pensava em se dar bem, foi mau caráter e amoral, suas ações eram em cometer maldades e falcatruas para poder atingir o seu objeto de desejo. Marinho agia dentro dos valores e princípios morais seguindo normas e leis impostas pela sociedade. Renato queria ser proprietário do Grupo Vasconcelos de comunicação35. Marinho era o proprietário de empresa de rádio, de televisão e de jornais. Gilberto Braga ao construir Renato Mendes de acordo com Bakhtin, compreendeu que o personagem fazia parte do universo histórico de sua época, no seu lugar no grupo social e a sua posição de classe (Bakhtin:2003:191).