2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.10. Türkiye’de Sosyal Medya Kullanımı
Chegamos a tal ponto do trabalho, após termos analisado as tutelas de urgência dentro do contexto do código de processo vigente e do projeto do novo código de processo civil e as características do processo executivo, partiremos agora para o estudo da antecipação de tutela dentro do processo de execução.
Em corrente doutrinária diversa, Sergio Shimura conceitua o título executivo como o documento ou o ato documentado, tipificados em lei, que contêm uma obrigação líquida e certa e que viabilizam o uso da ação executiva. 47
Conforme exposto, na teoria, considerando a natureza do processo de execução, não haveria necessidade de concessão de tutela antecipada em processo desse tipo. Ocorre que, na prática, observa-se a configuração de óbices à celeridade processual, de forma que, eventualmente, a necessidade de respostas céleres à tutela de um direito, enseja na necessidade de aplicação do referido instituto.
A concessão da tutela antecipada dentro do processo executivo, principalmente por se tratar de antecipação dos efeitos dentro de um processo de cognição sumária, deve exigir, além da certeza do título judicial, a verossimilhança das alegações. De forma que caberá ao juiz analisar, dentro dos limites da razoabilidade e da proporcionalidade, sopesando fatores de tempo e segurança, a necessidade de proteção imediata do direito.
Se o juiz entender que é necessária a antecipação desses efeitos, deverá analisar se o pronunciamento de deferimento trará para a outra parte algum prejuízo que seja desproporcional, devendo respeitar o principio da reversibilidade da tutela antecipada.
46 MARINONI, Luiz Guilherme. Técnica processual e tutela dos direitos. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 28.
Portanto, a parte poderá requerer tutela antecipada quando entender que o seu direito necessita de proteção, de modo que se torne efetivo o cumprimento do pedido ao final do processo, evitando que ônus do tempo de duração do processo lhe traga danos irreparáveis, fazendo com que o tempo não se torne um fator oneroso apenar para o autor.
Ressalta-se que a antecipação da tutela se trata de um adiantamento para o autor daquilo que somente ocorrer ao final do processo, evitando prejuízos maiores que o autor possa suportar. Portanto, concluem-se que o instituto da tutela antecipada e o processo de execução possuem uma ligação mitocondrial, os dois são instrumentos que garantem a efetividade do processo, devendo conviver harmonicamente, possibilitando, quanto tanto possível o alcance dos resultados a que se pretende.
A execução pode ser provisória ou definitiva. Trata-se de execução definitiva quando fundada em título extrajudicial ou em sentença transitada em julgado. Por outro lado, é provisória quando se baseia em sentença ainda não transitada em julgado, seja por estar pendente de recuso ou por se tratar de sentença antecipatória dos efeitos de tutela.
Cumpre salientar que a execução provisória está determinada no nosso ordenamento nos artigos 587 a 590 do CPC e que a decisão que defere o pedido de antecipação de tutela deverá ser regida dentro desses ditames. A execução desse tipo de sentença deverá ser realizada em apenso e nos mesmos moldes da execução definitiva, com algumas exceções. 48
Há de se destacar que existem diferenças substanciais entre a execução de decisões que antecipam tutela e a execução provisória de sentença não transitada em julgado,
Naquela, em situações especialíssimas, ponderando-se os bens em jogo 49, pode-se ter execução definitiva e completa, com ou sem a exigência de caução. Outra diferença, pensamos, está na possibilidade de se intentar embargos do devedor em sede de execução provisória. No caso da antecipação de tutela, a execução “provisória” não comporta embargos, sob pena de se tornar inócua a própria finalidade da antecipação, já que os embargos tem o condão de suspender a execução.50
48 Dispõe o art. 588, que: “A execução provisória da sentença far-se-á do mesmo modo que a definitiva, observados os seguintes princípios: I - corre por conta e responsabilidade do credor, que prestará caução, obrigando-se a reparar os danos causados pelo devedor; II – não abrange os atos que importem em alienação do domínio, nem permite, sem caução idônea, o levantamento de depósito em dinheiro; III – fica sem efeito, sobrevindo sentença que modifique ou anule a que foi objeto da execução, restituindo-se as coisas no estado anterior”.
49 Execução e Antecipação de tutela: princípios comuns e sua aplicação visando a efetividade do processo, texto publicado na obra “Processo de Execução”, sob coordenação de Sérgio Shimura e Teresa Arruda Alvim Wambier, RT, pág. 536;
50 Mesma é a opinião de Cassio Scarpinella Bueno in Execução Provisória e Antecipação de Tutela, Saraiva, 1999, pág. 350.
A “defesa” do executado, nos casos de antecipação de tutela, deverá ser oposta no processo de conhecimento, através de agravo de instrumento.
Esclarecendo, o legislador poderá, obedecendo todos os limites que lhe são impostos, deferir a antecipação de tutela, podendo inclusive exigir caução para a execução de tutela antecipada, se entender necessário quando a antecipação dos efeitos possa gerar consequências irreversíveis ao executado, conforme se extrai dos incisos II e III do artigo 588 do CPC.
Assim, não há que se falar em imposição de limites à execução da tutela antecipada. Ao revés, tal decisão de deferimento é dotada de exequibilidade, devendo ser adotada os ditames que regem a execução, com o objetivo de se alcança a maior efetividade possível à antecipação de tutela. Seria contraditória a possibilidade de concessão da tutela antecipada, dentro do mesmo ordenamento, e não admitir a sua executividade imediata.
Portanto, quando falamos em execução da tutela antecipada, na verdade estamos nos referindo à efetivação da mesma e não ao seu processo executório. Foi exatamente com essa intenção que o legislador colocou a tutela antecipada fora do processo executivo, de modo que a mesma não ficasse dependente dos tramites da execução.
A execução da tutela antecipada deverá considerar a sua realização através de meios executivos adequados de modo que a proteção do direito seja realizada de forma efetiva, não importando a definição se a decisão da tutela antecipatória se trata de título executivo ou se a mesma deve ou não se submeter a execução propriamente dita.
A despeito da existência da contradição de que a sentença de um processo que exige uma cognição exauriente não pode ter seus efeitos antecipados e que uma sentença de um processo de cognição sumária permita execução, não se admite que a formalidade dos conceitos processuais permita a prejudicialidade da prestação jurisdicional efetiva. Assim, poderá o juiz, analisando a necessidade de proteção ao direito, determine a execução imediata de uma decisão que antecipe os efeitos de uma futura decisão. Nesse sentido, versa Luiz Guilherme Marinoni:
Atualmente, diante das novas regras dos arts. 273, § 3.°, e 475-0, III e § 2.°, do Código de Processo Civil, não pode haver mais duvida de que a decisão que concede a tutela antecipada pode levar a integral realização do direito e, assim, a uma
“execução completa”, embora fundada em cognição sumaria ou exauriente e não definitiva, E bom frisar, porem, justamente pela razão de que isto faz parte da ideia
de “pesos e contrapesos” inerente ao sistema, que a efetivação da tutela antecipada
pode ser suspensa ou limitada, nos termos do art. 558 do Código de Processo Civil.51
Tal flexibilização é útil nos casos de execução imediata da sentença que antecipa os efeitos da tutela em casos de possibilidade de concessão de recurso que suspende os efeitos da execução, permitindo a executividade dessas decisões e garantindo a maior efetividade judicial, garantindo de forma mais rápida a atuação da decisão.