2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.12. Bağımlılık
2.12.1. Sosyal Medya Bağımlılığı
Conclui-se, portanto, sobre a legalidade da concessão do instituto da tutela antecipada no processo de execução, pois o mesmo cumpre os requisitos para concessão de tal instituto, que além do periculum in mora, exige-se a prova inequívoca da verossimilhança das alegações apresentadas pelo requerente.
Salta aos olhos, observando as hipóteses legais de título executivo e suas exigências específicas, o fato de que os documentos apresentados como título executivo atendem a essa última exigência da prova inequívoca da verossimilhança das alegações.
Em resumo, apesar de o processo de execução ser instrumento eficaz, tanto quanto possível, para obtenção do débito pleiteado, ressalta-se que na prática, há previsões de incidência da morosidade. Nesse contexto explica-se a necessidade de utilização da tutela antecipada como instrumento imprescindível para garantir a efetividade do processo. Portanto, a execução e a tutela antecipada podem conviver de forma harmônica, quando se fizer necessário, para garantir a efetividade jurisdicional.
O argumento de que não cabe antecipação de tutela dentro do processo de execução por não haver expressa previsão deste instituto dentro do livro de execuções e tão somente no processo de conhecimento, se esvai quando se observa o artigo 598 do CPC, segundo o qual: Aplicam-se subsidiariamente à execução as disposições que regem o processo de conhecimento".
A previsão de aplicação subsidiária ao processo de execução da legislação do processo de conhecimento exige a caracterização de dois pressupostos: a lacuna na lei do processo de execução e a compatibilidade entre a aplicação da norma e a função e estruturas próprias do processo de execução. Vejamos a lição de Arruda Alvim:
51 MARINONI, Luiz Guilherme. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. 12ª Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. p. 206.
"toda vez que se tratar de `arrancar' do Livro do Processo de Conhecimento um instituto, pretendendo que haja uma lacuna no livro do Processo de Execução, há que se verificar: primeiro, se existe realmente lacuna; segundo, se o instituto que se pretende usar é compatível com aqueles princípios que informam, estruturam e traçam o perfil do Processo de Execução, pois se não houver compatibilidade, apesar da lacunosidade não poderá haver aplicação subsidiária, devendo, então, a referida lacuna ser suprida por princípios inerentes e próprios ao processo de execução"52
Ademais disso, além da previsão de aplicação subsidiária das normas do processo de conhecimento no processo de execução como justificativa da aplicabilidade do instituto antecipatório em questão, fala-se ainda da utilização da tutela antecipada como forma de concretização do direito fundamental à tutela efetiva, de forma que sua utilização se impõe sempre que necessária independentemente da sua expressividade em texto legal. Assim ensina o professor Marcelo Lima Guerra:
É importante esclarecer que as medidas antecipatórias, quando destinadas a eliminar periculum in mora, caracterizam-se como autêntica concretização do direito
fundamental ao processo devido, insculpido no inc. XXV, do art. 5o, da CF. Ora, uma das
principais características da especial força jurídica (positividade) que o moderno constitucionalismo reconhece aos direitos fundamentais consiste na sua aplicabilidade
imediata. Por tal característica se deve entender que, no atendimento concreto do juiz a
exigências que se lhe revelam indispensáveis para concretizar um dado direito fundamental pode (e deve) ocorrer independentemente e mesmo contra a lei infraconstitucional.53
Dessa forma, conclui-se pela possibilidade de utilização do instituto da antecipação de tutela, em quantos momentos forem necessários, quando esse for utilizado para sanar os danos advindos da demora do processo e garantir a celerização da tutela jurisdicional.
Prevalecendo a possibilidade de utilização da tutela antecipada no processo executivo, faz-se necessário estabelecer quais são os limites da sua utilização dentro do mesmo.
Ora, se considerarmos que dentro das premissas da antecipação de tutela existe a proibição de que a concessão dos efeitos antecipatórios implique em irreversibilidade, também se admite a impossibilidade de que, uma vez suprimido a suspensão trazida pelos embargos, não se poderá alcançar os atos de alienação. Tal conclusão diminuiria muito a
52 Arruda Alvim, Análise das principais inovações do sistema e da estrutura do Código de Processo Civil in RePro, n. 3, p. 24.
53 GUERRA, Marcelo Lima. Antecipação de tutela no processo executivo. Disponível na Internet: <http://www.mundojuridico.adv.br>. Acesso em 18 de setembro de 2014.
utilização dessa antecipação dentro dos interesses comuns aos processos de execução, pois qualquer ato só poderia chegar até a avaliação dos bens.
Nesse sentido, o princípio da irreversibilidade das tutelas antecipadas dentro do processo de execução é relativizado, de forma que sua aplicação é realizada de forma moderada, possibilitando a realização dos atos de penhora, mas os fazendo de tal forma que, obtendo o executado a procedência nos embargos, o retorno ao status a quo.
No caso do presente estudo, argui-se a necessidade de utilização de tal instituto dentro do processo de execução, especificamente nos casos em que algo obste o andamento célere do processo e postergue a sua efetivação, impondo uma morosidade que não lhe é característica. É perfeitamente possível a antecipação da tutela, nos moldes da execução forçada, nos casos de suspensão dos efeitos da execução por imposição de embargos, permitindo a execução provisória do julgado.
Mais especificamente, abordaremos a possibilidade de utilização dos atos de penhora em tutela antecipada nos processos de execução, de forma que poderá ser exigido o depósito de parte do capital, usufruindo o credor, mediante caução de parcela da renda. Nesse caso, assim feito, a medida antecipatória teria sua utilidade para o credor e ainda resguardaria o eventual direito do embargante.