2.5. BİLİM-SANAYİ İŞBİRLİĞİ KAPSAMINDA TEKNOLOJİ GELİŞTİRME
2.5.1 Doğrudan Destekler
2.5.1.6. Türkiye’de Risk Sermayesi Uygulaması
Considerações Finais
Desfechos em saúde bucal eram, historicamente, mensurados por intermédio de critérios puramente clínicos baseados na percepção do profissional de saúde, os quais eram incapazes de determinar, através destes meios, o real impacto das doenças orais e de seus tratamentos na rotina diária dos indivíduos. Nos últimos 20 anos, no entanto, alguns indicadores baseados nas percepções dos pacientes e de seus familiares têm sido desenvolvidos e adaptados para várias culturas como métodos de avaliação do efeito das desordens orais e da necessidade de tratamento destes indivíduos (Locker, 2004). Critérios clínicos são, inegavelmente, importantes, porém os impactos funcional, emocional e social dos desfechos odontológicos na vida dos indivíduos são igualmente relevantes e, portanto, não podem e não devem ser mais ignorados (Feu et al., 2010). Desta forma, quando indicadores de qualidade de vida são utilizados juntamente com os tradicionais métodos clínicos, uma avaliação mais abrangente do impacto das condições bucais sobre as mais variadas dimensões do bem estar dos indivíduos se torna possível e factível (Lawrence et al., 2008).
Devido às suas repercussões de caráter físico e também funcional aliados ao seu enorme componente psicossocial, a ortodontia é uma das especialidades odontológicas que requer a aplicação de medidas de qualidade de vida (de Oliveira & Sheiham, 2003). O assunto é de especial interesse quando abordamos a população adolescente (Marques et al., 2009). A adolescência é um período de transição que marca o desenvolvimento humano. Representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamentos e privilégios típicos da infância e aquisição de características e competências que o capacitem como adulto (Kail & Cavanaugh, 2012). Durante este período, a aparência física tem um significado importante, uma vez que a formação da identidade pessoal depende do relacionamento do indivíduo com o seu próprio corpo (Smolak, 2004).
Adolescentes portadores de más oclusões severas, normalmente, apresentam um impacto negativo na qualidade de vida devido, principalmente, aos efeitos adversos desta condição bucal no bem estar emocional e social destes indivíduos (Dimberg et al., 2014). Seus familiares também são negativamente afetados (Abreu et al., 2015). Uma aparência desfavorável pode estigmatizar uma
pessoa através de estereótipos negativos criados por seus pares (Seehra et al., 2011). Indivíduos estigmatizados se sentem inseguros em relação aos outros, pois imaginam que estes os veem com hostilidade e desprezo o que dificulta relacionamentos sociais e afetivos. Desta forma, o efeito adverso de expressões pejorativas sobre características físicas na auto-estima de um indivíduo jovem pode ser devastador (Badran, 2010).
O desejo por tratamento ortodôntico pelos adolescentes é motivado, principalmente, pela preocupação pessoal destes com relação à sua aparência (Miguel et al., 2010). A procura por terapia com aparelho fixo pode também ser encorajada pelos responsáveis destes indivíduos. Pais e familiares, indubitavelmente, se preocupam com a aparência de seus filhos e ainda também levam em consideração as futuras consequências sociais de uma má estética facial (Prabakaran et al., 2012). Diante do que foi exposto anteriormente, torna-se coerente acreditar que, entre indivíduos jovens, existe uma demanda crescente por tratamento ortodôntico (de Almeida & Leite, 2013). Portanto, a investigação sobre os seus efeitos não pode ser relegada.
Os resultados apresentados nesta tese e em outros trabalhos publicados pelo nosso grupo de pesquisa mostram que o primeiro ano de tratamento ortodôntico tem um impacto considerável na qualidade de vida de adolescentes (Abreu et al., 2014a) e de seus familiares (Abreu et al., 2014b; Abreu et al., 2014c). Diferente às nossas expectativas e ao que havia sido relatado na literatura nos últimos anos (Chen et al., 2010), quando adolescentes foram avaliados, não se observou alterações significativas nos domínios de sintomas bucais e limitações funcionais. Uma deterioração destes dois domínios seria esperada, pois é compatível com o desconforto provocado pela colagem do aparelho fixo (Zhang et al., 2008). Os adolescentes participantes de nossa pesquisa, pelo contrário, apresentaram uma melhora significativa nos domínios de bem-estar emocional e bem-estar social o que contribuiu para um impacto positivo na qualidade de vida destes indivíduos (Abreu et al., 2014a). Repercussões positivas também foram observadas nas suas famílias (Abreu et al., 2014b; Abreu et al., 2014c).
Nosso grupo de pesquisa não tem a pretensão de afirmar que este assunto já está esgotado. Pelo contrário, o estudo da associação de desfechos ortodônticos e qualidade de vida é um assunto vasto que ainda deve ser muito explorado. Nossa
intenção é mostrar que os resultados encontrados em nossos trabalhos são relevantes e possuem aplicabilidade prática.
Inicialmente, estas informações podem ser usadas pelo ortodontista na sua rotina clínica, na motivação dos seus pacientes e na orientação destes com relação ao que eles podem esperar em termos dos aspectos físicos, emocionais e sociais do tratamento ortodôntico (Abreu et al., 2013). Conhecimento sobre os efeitos da má oclusão e da terapia ortodôntica na qualidade de vida é essencial para o estabelecimento de estratégias terapêuticas que contribuem para a cooperação e aderência dos adolescentes ao tratamento (Costa et al., 2011).
Estas informações também podem ser úteis para o odontopediatra e para o clínico generalista que conduzem tratamentos em adolescentes. Pacientes jovens podem ter uma capacidade maior de se adaptarem ao desconforto provocado pelos dispositivos ortodônticos. Portanto, estes profissionais deveriam se sentir estimulados a encaminhar seus pacientes para o tratamento ortodôntico o mais precocemente possível evitando que a busca pela terapia ocorra apenas na fase adulta.
Por último, mas não menos importante, é a contribuição que os dados, aqui apresentados, podem ter para a formatação de políticas de saúde pública. Baseando-se na alta prevalência da má oclusão entre a população brasileira, a Portaria 718 da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério da Saúde elege o tratamento ortodôntico com aparelho fixo como um dos procedimentos odontológicos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) (Ministério da Saúde 2010). No entanto, tomadores de decisões e os organizadores de serviços de saúde devem também saber que a má oclusão tem um efeito adverso na qualidade de vida de adolescentes e que o tratamento para esta anomalia repercute de forma positiva no bem estar destes indivíduos e de seus familiares. Conscientes dos benefícios que o tratamento ortodôntico proporciona, a implantação definitiva dos mesmos parece viável aos programas de saúde bucal coletiva (Hebling et al., 2007). Planejamento de gastos e alocação de recursos, para estes programas, poderão ser realizados com um maior embasamento e, consequentemente, com maior eficácia (Feu et al., 2010).