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Türkiye’de 80’lerde Sanatın Dönüşümü ve 90’larda Sanat

5. TÜRKİYE SANATINDA DOĞA VE EKOLOJİ

5.1 Türkiye’de 80’lerde Sanatın Dönüşümü ve 90’larda Sanat

odisséia no espaço” de Stanley Kubrick [Fig.10] e “Barbarella”, de Rovert Vadim [Fig.11]. Para ele, os filmes são representativos da mudança nas cenas cultural e arquitetônica, de então. Segundo R. Banham, “Kubrick quase alcançou a cultura visual viva de agora”252, pois apesar das cenas

“psicodélicas” - numa alusão à extensa sequência apenas com cores em movimento na parte final do filme, o restante do filme é como “Pompeia re-escavada, o tipo de coisa que Richard Hamilton tinha em seu “Man-machine and motion”253. Segundo ele, a ambiência de metal polido, botões, plástico e

interruptores, sugerem uma arquitetura de equipamentos: “hardware”. Já o filme “Barbarella”, ao contrário, é “pós-hardware” e um precursor do pensamento ambiental. R.Banham destaca a nave espacial revestida de pele, o ninho do anjo revestido de musgo, cenas com membranas plásticas transparentes, e outras características que refletem novo pensamento arquitetônico, em “ambientes sensíveis de uma sorte ou de outra e assim tem sido a arquitetura ‘underground’ nos últimos três anos”,254 uma arquitetura mais amigável ou “software”.

Neste contexto, o marco simbólico da Revolução Cultural e Contracultural dos jovens foi o Maio de 68 na França255 , que para o filósofo E.Morin abriu uma “brecha” na sociedade ocidental, quando o

“espírito do tempo mudou” e a “civilização do bem estar”256 cedeu lugar ao período de incertezas e

dúvidas na década 1970.

251 Artigo publicado originalmente na revista New Society, em outubro de 1968. In. BANHAM, Reyner. Design by choice. London: Academy Editions, 1981, p. 133-136.

252Ibidem. 253Ibidem. 254Ibidem.

255 O Maio de 68 foi, dentre todos os movimentos de Revolta Estudantil dos anos 1960 e 1970 pelo mundo o que teve maior repercussão e caráter mais complexo, adquirindo diversas interpretações no tempo. Foi um movimento sem precedentes: 1 milhão de estudantes envolvidos; 10 milhões de trabalhadores grevistas; bancos fechados, ocupações em trezentas fábricas; ocupações em centrais elétricas e de gás; enfrentamentos, passeatas e barricadas pelas ruas; lixo acumulado por toda parte; o Teatro Odeon ocupado para as assembleias estudantis; e a Universidade de Sorbone fechada por um mês e meio. Ele teve início em um corriqueiro episódio de desentendimento entre estudantes de letras e a Universidade de Nanterre, localizada no subúrbio de Paris, cujo motivo, aparentemente, fora a norma que proibiu a presença masculina nos alojamentos femininos. Porém a discussão tomou corpo. Os estudantes inconformados ocuparam o prédio da administração da Universidade no episódio conhecido como “22 de março”. Os estudantes “furiosos” como se auto denominaram não cederam a repressão policial e liderados por Daniel Cohn-Bendit - alemão descendente de judeus, que foi definido como uma “uma figura ao mesmo tempo meta-anarquista e meta-marxista- tinham como lema “é proibido proibir” e como principais reivindicações: igualitarismo, reformas nas instituições e liberdade. A revolta estudantil adquiriu vulto a partir do apoio de professores, artistas como o pintor Picasso e o escultor Calder, jornalistas, sindicatos dos trabalhadores de fábricas, além de cineastas, que interromperam a realização do Festival de Cannes. Em 10 de maio ocorre a “noite das barricadas” quando vinte mil estudantes enfrentam a polícia utilizando o calçamento das ruas de Paris como arma; nesta noite 1960 carros são incendiados. Em 13 de maio os trabalhadores decretam greve geral de 24h. A França para. Em 30 de maio, o então presidente Charles De Gaulle dissolve a Assembleia Nacional e convoca eleições gerais. Em junho, tudo volta à normalidade e De Gaulle consegue firmar o triunfo de direita nas eleições. Cf. SAMUEL, Albert. A Revolta dos estudantes. Revista Civilização brasileira, ano IV, no. 19 e 20 , mai.ago, 1968 e PONTES,Jose; CARNEIRO, Maria Lúcia. 1968, do sonho ao pesadelo. São Paulo: O Estado de S. Paulo, 1968, p. 20.

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10 - Filme 2001 uma odisséia no espaço, 1968. Fonte: KAlLIPOLLITI, 2010, p.2 11 - Filme Barbarela, 1968.

No início do Movimento de 22 de Março, em Nanterre257, veio à tona o texto “A miséria

estudantil [...]” de dois anos antes, que “funcionou como uma espécie de detonador”258. Os estudantes- com seus lemas “é proibido proibir” e “imaginação no poder” tinham, como principais reivindicações, a liberdade contra o autoritarismo na Universidade; reformas nas instituições e recusa da sociedade

tecnocrática. Foi um movimento sem precedentes e a “única revolta estudantil (que) por um processo

de deflagração em cadeia, atingiu primeiramente toda a juventude e depois toda a sociedade”259, motivada por influências diversas, porém centradas no ideário utópico, do marxismo ocidental, da revolução cultural maoísta, anarquismo e existencialismo. A Internacional Situacionismta participou de

um dos Comitês de Ação260 para a tomada de decisões, os quais inovaram implementando a hierarquia

horizontal dentro do espírito da democracia participativa.

Para o filósofo-sociólogo H.Lefebvre, então professor da Universidade de Nanterre, o Maio de

68 tem relação direta com o pensamento de H.Marcuse e destaca sua presença “nos meados de maio”

e que “inúmeras operações ideológicas se desenvolveram em tôrno dele”261. H. Lefevbre destaca o livro do filósofo alemão: “Marcuse dá aval de seu nome e de seu prestígio, pois acaba justamente de demonstrar, em One Dimensional Man, como a racionalidade erigida em corpo de doutrina científica entra na ordem da sociedade industrial desenvolvida”262. O filósofo E.Morin, que corrobora a opinião de H. Lefevbre, classificou Maio de 68 [Fig.12] como um movimento pluridimensional263, difícil de ser

257 Em seu manifesto declararam: “Lutamos porque nos recusamos a ser: mestres ao serviço da seletividade do ensino, cujas vítimas são os filhos das classes

trabalhadoras; sociólogos que procuram argumentos para a consolidação do Sistema; psicólogos cuja função é se preocuparem com os interesses empresariais e conseguiram um bom comportamento por parte dos trabalhadores, e cientistas para que os resultados obtidos na investigação sejam utilizados em restrito proveito e benefício dos industriais”. Cf. CARANDELL, José Maria. O protesto estudantil. Rio de Janeiro: Salvat Editora do Brasil, 1979, p. 134.

258 Daniel Cohn Bendit principal líder do Maio 68. Apud. Marietta Baderna. Cf. Situacionista:Teoria e prática da revolução. Internacional Situacionista: São Paulo, Coleção Baderna, Conrad Editora do Brasil, 2002.

259 MORIN, Edgar. O jogo em que tudo mudou. In. Maio de 68, organização Sérgio Cohn e Heyk Pimenta. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008, p. 29. (grifo nosso)

260 O Comitê Internacional Situacionista, membros da I.S. participaram ao lado dos estudantes do “Conselho pela manutenção das ocupações” assinando em conjunto o texto “Dirigido a todos os trabalhadores”, de 30 de maio de 1968. Cf. Situacionista: Teoria e prática da revolução. Internacional Situacionsta. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2002, p. 148.

261 LEFEBVRE, Henri. Lefebvre fala dos Estudantes, da explosão de Maio em França e de Marcuse. Revista Civilização Brasileira, ano IV, n. 19 e 20, Mai/ago, p.91-98, 1968

262 Ibidem.

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Benzer Belgeler