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3. SANAT VE DOĞA

3.1 Sanat ve Doğa Etkileşimi

protestos estudantis como o Movimento do Livre Discurso (Free Speech Movement), em 1964. Os

estudantes da New Left promoveram várias manifestações juvenis e tomaram as ruas dos EUA178 com

ampla pauta de protestos: contra o segregacionismo179 no sul do país; a corrida armamentista nuclear da Guerra Fria; o bloqueio a Cuba e a Guerra do Vietnã, a fim de uma nova sociedade americana. Todas as manifestações foram reprimidas violentamente pelas autoridades policiais. A grande manifestação dos yippies, que ocorreu em Chicago em agosto de 1968, influiu nos rumos da política norte americana devido ao confronto sangrento entre estudantes e a polícia que favoreu o candidato conservador R.Nixon.180

A música popular representou um elo entre as duas alas da contracultura norte americana. Em 1963, o músico e compositor Bob Dylan181 lançou “Blowin in the Wind” canção considerada a “trilha

sonora dos movimentos de protestos”182 pela igualdade dos direitos civis: “Quantas estradas deve um

homem percorrer / Até que o considerem um homem?/ (...) /A resposta. meu amigo, está soprando ao vento/”. B.Dylan e a cantora Joan Baez participaram das grandes passeatas como a de Washington, bem como seu amigo, o beat A.Ginsberg - que figurou em filme (vídeo clip) de uma das canções de

B.Dylan. Em 1965, B.Dylan lançou outra canção de grande impacto “Like a Rolling Stone”: “Que tal é/

Estar sozinho, sem casa alguma?/ Um completo desconhecido, uma pedra que rola?/. A letra desta

canção reflete o espírito dos anos 1960 e é semelhante às “Derivas” dos Situacionistas. John Lennon

também se aproximou da contracultura da New Left, sofrendo perseguição do governo americano. Em 1972, os Lennons lançaram o manifesto Nutopia, um país conceitual e sem território.183

178 Durante os anos 1960 as rebeliões estudantis ocorreram em vários campi Universitários; nas manifestações em massa pelos direitos civis, em Washignton, 1963; na marcha de 20 mil contra a Guerra do Vietnã, em Washignton, 1965; e na Marcha de 50 mil sobre o Pentágono, 1967.

179 Martin Luther King é considerado o fundador da moderna democracia americana a qual “incorporou uma massa de excluidos” e teve início nos movimentos pela igualdade dos direitos civis. Cf. A LONGA JORNADA NOITE ADENTRO. Revista Veja, ano 41, no. 45, p. 85-86, nov. 2008.

180 Nesta manifestação os policiais se alinharam, apontaram as armas para os manifestantes e avançam gritando: “kill, kill, kill”. O confronto foi transmitido pela televisão e teve grande repercussão na opinião pública influindo diretamente nas eleições presidenciais. Cf. GOFFMAN, Ken; JOY, Dan. Contracultura através dos tempos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

181 Robert Allen Zimerman nasceu em 1941 numa pequena cidade em Minnesota. Filho de família judia, na adolescência trabalhava na loja de materiais elétricos do pai. Adolescente rebelde que fugiu várias vezes de casa, Dylan aos vinte anos cantava nos bares de Greenwich Village, composições que combinavam uma leitura da tradicional música Folk norte americana com o recente Rock, além da influência do Blues negro. Cf. No direction Home - Bob Dylan, 2005, EUA/Inglaterra, direção Martin Scortese.

182 MUGGIATI, Roberto. O som da fúria. Revista Cult, São Paulo, n. 152, ano 13, p.67-69, nov. 2010.

183 Segundo os Lennons: “Anunciamos a criação de um país conceitural Nutopia. A cidanania obtida com o reconhecimento de Nutopia. Nutopia não possui

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A outra ala da contracultura norte americana, os Hippies184, descendentes diretos da Geração

Beat185, representamos primeiros “drop outs”186 que criaram um estilo de vida alternativo à sociedade, rejeitando por completo o mainstream American way of life. Como se sentiam incapazes de transformar

o sistema, os Hippies procuraram se posicionar à margem dele através da “sociedade alternativa”, de

cunho utópico, onde as pessoas pudessem viver em comunidades - como as comunas rurais, tribos indígenas ou cooperativas anarquistas do século XIX - em harmonia e livres de conflitos. Defendiam a vida simples, sem apego aos bens materiais com costumes próprios; favoráveis à paz, pregavam a tolerância entre as pessoas e o amor livre; procuravam a expansão da mente através do uso de drogas alucinógenas particularmente a maconha e o L.S.D187; rejeitavam as religiões de origem judaico-cristã e seguiram outras como o zen-budismo e o hinduísmo, além das ciências ocultas, astrologia, alquimia, interpretação de runas e tarô188. O psicodelismo - ou a cultura da droga - foi comum tanto aos Hippies quanto à New Left, e surgiu a partir das experiências de Aldous Huxley e Alan Watts, em investigar a consciência com objetivo de recuperar o “valor de tradições culturais desprezadas”, a partir do método de “cultivo sistemático de estados de consciência anormais”, objetivando o estudo das camadas nebulosas da consciência” 189. A partir da contribuição do Dr.Thimothy Leary, o psicodelismo tornou-se para os Hippies e para os yippies um “rito sagrado de uma nova era”190 que deturpou a tese inicial. O psicodelismo tornava-se uma prática comportamental ou uma “moda”191. O movimento dos hippies

influiu em várias áreas, como por exemplo na ciência no trabalho de F.Capra: “Enquanto eu prosseguia

com minhas pesquisas na UC de Santa Cruz, fui me envolvendo na contracultura tanto quanto minhas obrigações acadêmicas o permitiam, levando uma vida um tanto esquizofrênica – parte

184 Os hippies surgiram nos EUA no início da década de 1960, o termo derivaria das palavras hip que significa quadril, e que no meio musical do jazz teria a conotação de algo como sábio ou iniciado; e da palavra hipster que designa as pessoas brancas que se envolvem com a cultura negra. O movimento teve grande concentração no estado da Califórnia, especialmente na cidade de São Francisco, cujo distrito Haigh-Asbury ,em meados dos anos 1960, tornou-se um epicentro de difusão deste estilo de vida. Os hippies se notabilizaram pelo pacifismo, pela recusa dos valores tradicionais e pela coexistência dos movimentos de libertação e os protestos da Nova Esquerda. A estética e comportamento dos hippies foram mundialmente difundidos através do musical Hair, de 1968 e do filme Easy Riderde 1969. O maior acontecimento de difusão da contracultura e da estética hippie foi o festival de música Woodstock of life, de agosto de 1968, que reuniu cerca de 500 mil jovens. Representativo da importância da música para a revolução cultural jovem dos anos 1960 e 1970, Woodstock aconteceu numa fazenda no interior do estado de Nova York, reunindo Hippies, drop-outs, a Nova Esquerda e jovens em geral apreciadores do Rock de Janis Joplin, Jimmy Hendrix e outros. Foi o maior festival de música da história até então e nos seus três dias de duração transcorreu em ordem e sem violência. Algumas frases Hippies: “faça amor, não guerra”, “deixa tudo rolar”, “o poder da flor” e “hoje é o primeiro dia do resto de sua vida”, foram incorporadas ao vocabulário da juventude. Cf. PONTES, Jose; CARNEIRO, Maria Lúcia. 1968, do sonho ao pesadelo. São Paulo: O Estado de S. Paulo, 1968; Cf. ZAPPA, Regina; SOTO, Ernesto. 1968: eles só queriam mudar o mundo. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 2008 e Cf. CARANDELL, José Maria. A constestação juvenil, Salvat Editora: Rio de Janeiro, 1979.

185 Jack Kerouac jamais admitiu que a Geração Beat tivesse originado os hippies, contudo os estudiosos são unânimes sobre a afiliação.

186 A expressão Drop out (cair fora) foi um lema para a juventude que desejava romper com os padrões da sociedade. Ser um “drop out” significava o primeiro passo para se tornar um hippie.Cf. ZAPPA, Regina; SOTO, Ernesto. 1968: eles só queriam mudar o mundo. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 2008, p. 259.. 187 LSD - abreviatura de Lyserg-Saeure-Disethylamid , composto químico que foi sitentizado pelo Dr.Albert Hoffman, nos laboratórios Sandoz, na Suíça, 188 O misticismo religioso foi uma das principais características das comunidades hippies, de múltiplas tendências: budismo tibetano e indiano, parapsicologia, realismo mágico, discos voadores, astrologia, bolas de cristal vodu etc. Cf. MACIEL, Luis Carlos. Anos 60. Porto Alegre: L&PM, 1987, p. 98.

189 ROSZAK, Theodore. A contracultura: Reflexões sobre a sociedade tecnocrática e a oposição juvenil. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1972, p.164 190 PAES, Maria Helena Simões. A década de 60: Rebeldia, contestação e repressão política. São Paulo: Editora Ática, 1997, p. 23.

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do tempo como pesquisador em nível de pós-doutoramento, e parte como ‘hippie’.”192 Na literatura, como no trabalho do escritor norte americano R.Brautigan193. E também na Ecologia, uma vez que o pensamento “flower power” e a busca pela natureza contribuiu na formação dos “sujeitos ecológicos”194.

Apesar dos Hippies não terem um projeto para a “sociedade alternativa” - que levaria em consideração

necessidades tecnológicas imprescindíveis à vida humana como os avanços da medicina - sua visão de mundo questiona o modelo da sociedade capitalista tardia.195

A opção de vida dos Hippies incluía moradias alternativas, como as casas comunitárias dos Diggers de São Francisco196 - onde o dinheiro era socializado para as despesas - e acampamentos de comunidades como a Drop City (1965-1979).

A Drop City [Fig.7] foi a primeira comunidade hip criada a partir do movimento artístico Drop Art de Gene Bernofsky e Clark Richert, que, para poder “viver a Drop Art”197, adquiriram uma fazenda perto de Trinidad, Colorado, em 1965. Eles construíram habitações que levavam em consideração a economia de meios, com materiais reciclados como: papelão, madeira, lona e sucata de automóveis, utilizando o princípio estrutural da geodésica de R. Füller. Considerada fruto da cultura marginal por Frampton198, a Drop City está inserida no fenômeno de “bairros de lata”, construções precárias que reciclavam o metal de latões de gasolina199, que surgiram em larga após a Segunda Guerra, em “quase

todos os países industrializados” e também em países da América do Sul, incluindo o Brasil, justamente por conta da “rápida urbanização” e da desigualdade social presenciada ali, conforme C.Jencks200. Outros exemplos desse tipo de periferia são as Borgates romanas povoadas por imigrantes

192 CAPRA, Fritjof. Sabedoria incomum. São Paulo: Editora Cultrix, 1988.

193 O autor que vivenciou as comunidades hippies e levou para sua literatura sua vivência.Cf.BRAUTIGAN, Richard. Pescar Truta na América.São Paulo: Marco

Zero, 1991.

194 CARVALHO, Isabel C. M. A invenção ecológica: narrativas da educação ambiental no Brasil. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2ed., 2002, p. 57.

195 Aqui capitalismo tardio na perspectiva de Fredric Jameson. Ver: JAMESON, Fredric. Pós-modernismo: A lógica cultural do capitalismo tardio. São Paulo: Ed. cultura e Sociedade, 2000.

196 O nome é uma homenagem aos originais Diggers, ingleses liderados por Gerard Winstanley (1609-1676). Os Diggers de São Francisco foram um subgrupo da grande comunidade dos hippies e seus líderes foram o escritor Barry Miles, o dramaturgo Peter Berg e o ator Peter Coyote - hippies mais próximos à New Left - pois segundo Peter Berg eles eram “muito mais orientados para o social do que para a revelação mística (hippie)”. Sediados no distrito de Haigh-Asbury, e preocupado com o número de jovens que afluíam aquele distrito da cidade, sem condições mínimas de abrigo e alimentação, resolveram distribuir refeições gratuitas, conforme anúncio que publicaram no jornal contracultural San Francisco Oracle: “comida livre no parque de Ashbury todo dia, às quatro da tarde.

Traga uma cuia e uma colher. É livre porque é de vocês. Os Diggers”. Apud. MAIO DE 68 MAIO DE 68. Organização Sérgio Cohn e Heyk Pimenta. Rio de

Janeiro: Beco do Azougue, 2008, p.188.

197 A Drop Art promovia happenings inspirados no artista e pintor Allan Kaprow, e experimentos musicais de John Cage. Seus happenings que consistiam em “pintar pedras e deixá-las cair” de um telhado a fim de poder observar a reação dos pedestres. Os estudantes compraram uma fazenda no sul do Colorado e lá implantaram a comunidade que prosperou. No final de 1968, tensões e conflitos na comunidade afastaram seus fundadores que saíram da Drop City para fundar outra comunidade a Criss-Cross. A Drop City foi abandonada nos anos 1970 e o lugar ficou conhecido como a cidade dos ‘domos fantasma’. Cf. ZAPPA, R.; SOTO, E. Eles só queiram mudar o mundo. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Ed., 2008, p. 259-262.

198 FRAMPTON, Kenneth. História Crítica da Arquitetura Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1997, p.347.

199 Segundo Jencks, na França, esses bairros eram denominados “bidonvilles”, de bidons (latões de gasolina) construídos por operários da construção civil mal pagos, na Grécia se desenvolveram à volta de Atenas, na América do Sul e Brasília construídas por migrantes; no Perú conhecido como Barriadas. Cf. JENCKS, Charles. Movimentos Modernos em Arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 1985, p. 87-88.

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de toda a Itália201 e as Barriadas peruanas, que foram objeto de concurso internacional PREVI202, promovido pelo governo peruano e pela ONU e que contou com a participação de arquitetos como: J.Stirling, A.Eyck, Candilis, Josic e Woods, representantes do grupo Metabolistas e C.Alexander. A proposta de C. Alexander consistia em “células de moradias estreitas e alongadas”203, passíveis de serem ampliadas e remodeladas pelos usuários, com partes essenciais como cozinhas, quintal e dormitórios como alcovas, separados por cortinas de tecido; tal projeto antecedeu seus Patterns- a“espécie de Neufert ecologista”204-onde o usuário tem papel principal. Para C.Jencks, o PREVI diferentemente das políticas que procuram combater as invasões, foi a única que manteve o pobre no sítio205.

7 - Drop City, Colorado, 1969. Fonte: SCOTT, 2010, p.159.

201 As borgates iniciaram à época fascista, quando houve grandes reformas na Via Della Conciliazione, no Vaticano, e expulsaram a população mais pobre do centro. No imediato Pós Segunda Guerra, imigrantes, desempregados e camponeses que se transferiam para a cidade de Roma, ocuparam as borgates e, nos anos 1960, foram transformadas em uma mistura de bairro dormitório e “bairro rural”, com grandes conjuntos habitacionais modernos -“limpos e anônimos, de pequenos comerciantes de feira, funcionários de baixo escalão, professores de primário” - que compartilhavam espaço com a “miséria dos casebres” com hortas no quintal. Cf. POMPA. Maria Cristina. Uma geografia social e afetiva da metrópole. In. PASOLINI, Pier Paolo Pasolini Alí dos olhos azuis. São Paulo: Berlendis &Vettecchia, 2006, p. 8-15.

202 O PREVI ( Projetos Experimentais de Vivendas) foi promovido pelo governo peruano e pela ONU para solucionar os acampamentos de uma invasão de uma grande área de terras devolutas, de Lima, Peru. Os acampamentos provisórios das Barriadas foram substituídos por conjuntos habitacionais construídos com várias técnicas construtivas. No total treze equipes de arquitetos peruanos e mais treze equipes de arquitetos internacionais como James Stirling, Aldo Van Eyck, Candilis, Josic e Woods, representante do grupo Metabolistas e Crhistopher Alexander participaram do concurso.Sobre o PREVI Cf. Projeto experimental

de vivenda. Disponível em www.domusweb.it/en/architectures/previ-the-metabolist-utopia/

203 O arquiteto vienense Christopher Alexander (1936-) participou de alguns congressos do TEAM X, foi professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Berkeley.O projeto da Barriada originou suas propostas de Pattern, sob influência do penamento Zen e “vontade de recuperar ao valores das arquiteturas populares”. Cf. MONTANER, Josep Maria. Depois do movimento moderno: arquitetura da segunda metade do século XX. Barcelona: Gustavo Gilli, 2009, p. 133. 204 Ibidem.

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Benzer Belgeler