BÖLÜM 2: FARKLI ÜLKELER BAZINDA VE TÜRKİYE’DE EVSİZLİK
2.4. Türkiye’de Evsizlere Yönelik Kurumsal Hizmetler
Além da observação participante, em sua vertente de pesquisa-ação, uma segunda metodologia qualitativa empregada baseou-se na realização de entrevistas semi- estruturadas.
Entrevistas são descritas por Marconi e Lakatos (2006, p. 197) como “um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional”. Para Cervo e Bervian (1996), na mesma linha, a entrevista tem como objetivo coletar dados para a pesquisa, por meio do interrogatório do informante. De maneira análoga, Sampieri et al (2006, p. 381) afirmam que “o objetivo das entrevistas é obter respostas sobre o tema, problema ou tópico de interesse nos termos, na linguagem e na perspectiva do entrevistado”.
5 A Teoria das Restrições é uma filosofia de administração de negócios introduzida por Eliyahu M.
Goldratt, no seu livro A Meta, de 1984. Ela propõe um processo de melhoria contínua, partindo da idéia de que toda organização (ou sistema) tem - em um dado momento no tempo - pelo menos uma restrição que limita o desempenho do restante do sistema em relação a seus objetivos. Esse elemento precisa ser identificado e minimizado.
As entrevistas podem ser classificadas como padronizadas - ou estruturadas - e despadronizadas - ou não-estruturadas (Lakatos, 2006). Sampieri et al (2006) menciona ainda a possibilidade de uma entrevista ser semi-estruturada, quando “se baseia em um guia de assuntos ou questões e o pesquisador tem a liberdade de introduzir mais questões para a precisão de conceitos ou obter maior informação sobre os temas desejados”.
A Tabela 7 apresenta as vantagens e limitações no uso de entrevistas.
Vantagens Limitações
• Pode ser utilizada com todos os segmentos da população: analfabetos ou alfabetizados, de modo a fornecer uma amostragem muito melhor da população geral;
• Há maior flexibilidade, podendo o entrevistador repetir ou esclarecer perguntas, formular de maneira diferente; especificar algum significado, garantindo de esteja sendo compreendido;
• Oferece maior oportunidade para avaliar atitudes, condutas, podendo o entrevistado ser observado naquilo que diz e como diz: registro de reações, gestos etc.;
• Dá oportunidade para a obtenção de dados que não se encontram em fontes
documentais e que são relevantes e significativos;
• Há possibilidade de conseguir informações mais precisas, podendo ser comprovadas, de imediato, as discordâncias;
• Permite que os dados sejam quantificados e submetidos a tratamento estatístico.
• Dificuldade de expressão e comunicação de ambas as partes; • Incompreensão, por parte do
informante, do significado das perguntas, da pesquisa, que pode levar a uma falsa interpretação; • Possibilidade de o entrevistado ser
influenciado, consciente ou inconscientemente, pelo
questionador, pelo seu aspecto físico, suas atitudes, idéias, opiniões etc.; • Disposição do entrevistado em dar as
informações necessárias; • Retenção, pelo entrevistado, de
alguns dados importantes, receando que sua identidade seja revelada; • Pequeno grau de controle sobre uma
situação de coleta de dados; • Demanda de muito tempo e
dificuldade de ser realizada.
Tabela 7: Vantagens e Limitações no Uso de Entrevistas Fonte: Adaptado de Marconi e Lakatos (2006, p. 200).
Considerando as vantagens e desvantagens da aplicação da técnica de entrevistas, apresentadas na tabela acima, entende-se que, no caso desta pesquisa, a flexibilidade é um ponto interessante, dado o caráter inicialmente exploratório do estudo. Por meio das entrevistas semi-estruturadas, foi possível coletar uma gama de informações sobre a possibilidade de aplicação do método da Corrente Crítica nos projetos de parada de produção de plataformas, as quais não seriam acessíveis mediante aplicação de outra técnica.
Em relação às desvantagens das entrevistas, a mais evidente foi a falta de tempo dos entrevistados, devido a seus papéis fundamentais nas organizações pesquisadas. É válido ressaltar que se buscou, a todo momento, minimizar as desvantagens, por meio da adoção de alguns procedimentos sugeridos por Cervo e Bervian (1996, p. 136):
Planejamento da entrevista, delineando-se cuidadosamente o objetivo a ser alcançado;
Aquisição, sempre que possível, de conhecimento prévio sobre o entrevistado; Marcação com antecedência do local e horário para a entrevista, sabendo-se que qualquer transtorno pode comprometer os resultados da pesquisa;
Criação de condições adequadas, isto é, uma situação discreta para a entrevista;
Escolha do entrevistado de acordo com a sua familiaridade ou autoridade em relação ao assunto escolhido.
As entrevistas foram realizadas no segundo semestre de 2008, com diretores e gerentes de projetos de uma empresa da área de Petróleo e de uma consultoria especializada em paradas programadas. Os diálogos foram gravados e transcritos, para posterior análise. Tiveram como base um roteiro de questões que se encontra no ANEXO 1 dessa dissertação. Foram realizadas, no total, 6 entrevistas, com duração aproximada de 1 hora.
O número de entrevistas não pôde ser maior pela dificuldade de conseguir agenda com profissionais desta área. De qualquer maneira, em cada entrevista foram
seguidos os preceitos recomendados pelos manuais de pesquisa (cf. FREYSSINET- DOMINJON, 1997), quais sejam:
não-diretividade (o entrevistador evita direcionar respostas de acordo com seu
próprio interesse);
neutralidade (o pesquisador parte de perguntas e hipóteses de investigação a
fim de comprová-las ou não, sem efetuar julgamentos de valor sobre as posições dos entrevistados);
empatia (procura-se estabelecer uma relação de confiança e respeito entre
entrevistador e entrevistado, para que a entrevista flua melhor);
contextualização dupla (explica-se ao entrevistado do que trata a pesquisa e
como transcorrerá a entrevista e procura-se saber dele o máximo de informações que poderiam gerar viés em suas respostas).
Por se tratar de entrevistas semi-estruturadas, foi possível, algumas vezes, intervir nas respostas dos entrevistados, provocando-o com novas perguntas, a fim de conseguir informações mais adequadas para o cumprimento dos objetivos da pesquisa. Apesar dessa flexibilidade, procurou-se estabelecer um padrão, segundo as diretrizes propostas por Marconi e Lakatos (2006, p. 201-203), a saber:
Contato inicial – “o pesquisador deve entrar em contato com o informante e estabelecer, desde o primeiro momento, uma conversação amistosa, explicando a finalidade da pesquisa, seu objeto, relevância e ressaltar a necessidade de sua colaboração”;
Formulação de perguntas – “as perguntas devem ser feitas de acordo com o tipo da entrevista”: padronizadas ou não padronizadas;
Registro de respostas – “As respostas, se possível, devem ser anotadas no momento da entrevista (...) o uso de gravador é ideal, se o informante concordar com sua utilização”;
Término da entrevista – “a entrevista deve terminar como começou, isto é, em ambiente de cordialidade, para que o pesquisador, se necessário, possa voltar e obter novos dados”.