1. KUVVETLER AYRILIĞI TEORİSİ
3.1. Cumhurbaşkanlığı Hükümet Sisteminin önceki Türk Anayasaları ile
3.1.6. Türkiye Büyük Millet Meclisi’nin Bilgi Edinme ve Denetleme Yetkisi
O documento eleitoral da coligação Vitória do Povo, denominado de “Plano de Governo: 2007-2010: Agenda para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, com a data de outubro de 2006, é composto por 47 páginas e dividido em três partes principais: Apresentação, Princípios Políticos e as propostas de governo, denominadas de “Políticas para o desenvolvimento”.
As “Políticas para o desenvolvimento” dividem-se em dezessete temas: Planejamento, Administração Tributária, Meio Ambiente, Política Econômica, Política Rural, Segurança, Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, Saúde Pública, Turismo, Habitação, Saneamento Básico, Mulher, Pessoas com Necessidades Especiais, Terceira Idade, Infância e Juventude. Para cada tema é apresentado um conjunto de ações. O quadro abaixo mostra o número de ações propostas em cada tema.
Quadro 3: Programa de Governo Vilma
Programa de Governo Vilma
Tema Quantidade de ações propostas 1 Planejamento 14 2 Administração Tributária 6 3 Meio Ambiente41 18 4 Política Econômica 16 5 Política Rural 69 6 Segurança Cidadã 7 7 Educação cidadã 14 8 Cultura 17 9 Ciência e Tecnologia 6 10 Saúde Pública 9 11 Turismo 5 12 Habitação 7 13 Saneamento Básico 3 14 Mulher 6
15 Pessoas com necessidades
especiais 3
16 Terceira Idade
4 17 Infância e Juventude
9
Fonte: elaboração da autora42
Ao longo dessa parte do documento, são apresentados problemas existentes no Rio Grande do Norte e na conjuntura nacional. Mostra-se o que já vem sendo feito em seu governo e apresentam-se propostas de ações para solucionar tais problemas.
Agora, vamos observar como as propostas mais trabalhadas no HGPE de Vilma aparecem em seu PGD:
Programas sociais:
No PGD de Vilma, esse tipo de política futura se aproxima da temática “Política Rural”, que foi a mais destacada no documento, contendo 69
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Desse tipo de política foram consideradas as 15 obras em Recursos hídricos (envolvendo adutoras, barragens, perfuração dos poços, dentre outros) e três projetos voltados para 1) Gerenciamento da Biomassa e 2) Gestão de Recursos Naturais.
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Baseado em (Plano de Governo: 2007-2010: Agenda para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, 2006).
propostas de ação que se distribuíram em diferentes setores. Vejamos como é montado no PGD de Vilma esse tipo de Política
O Governo Vilma implementou importantes ações desenvolvimentistas em comunidades rurais, através do Programa Desenvolvimento Solidário, em parceria com o Banco Mundial.
Destinado ao combate à pobreza no campo, no Governo Vilma, o programa Desenvolvimento Solidário superou a marca de R$ 66 milhões investidos desde 2003. Volume que ultrapassa o investimento registrado pelo programa em todo o governo anterior.
O programa garante a sustentabilidade de famílias que vivem no meio rural em 151 municípios, deixando de fora apenas Natal e as cidades que recebem royalties da Petrobras. Em pouco mais de três anos de atuação, o Desenvolvimento Solidário beneficiou mais de 73.600 famílias em todas as regiões do Rio Grande do Norte, ao financiar 1.940 projetos produtivos, sociais e de infra-estrutura.
O Governo Vilma reestruturou a EMATER, tornando-a mais forte e mais adequada para o cumprimento de sua missão. A EMATER - RN marca presença no Desenvolvimento Rural do Estado através da Assistência Técnica e Extensão Rural Pública, gratuita e com qualidade para 97.000 agricultores familiares (jovens, mulheres pescadores, quilombolas, assentados da reforma agrária e outros), em 2.072 comunidades rurais distribuídos em 164 municípios do Estado.
Ações Propostas:
É indispensável, para a ocorrência simultânea do desenvolvimento social e da segurança alimentar, considerar as características específicas da sociedade rural do nosso Estado com a implementação de:
A. Programas de estímulo ao agronegócio, construção de novas estradas e novas ferrovias, fortalecendo a agroindústria, incentivando a formação e dinamizando as cadeias produtivas e os arranjos produtivos locais;
B. O Governo Vilma vai ampliar o Programa Desenvolvimento Solidário, fortalecendo a agricultura familiar e a economia solidária;
C. O agronegócio (agropecuária, agroindústria, piscicultura, carcinicultura, apicultura, hortifrutigranjeiros, extrativismo mineral, entre outros), ao lado do turismo, pode ser um instrumento de promoção do desenvolvimento de comunidades específicas, por meio da criação de tecnologias de produção, reserva estratégica de alimentos, banco de sementes, criação de animais de pequeno porte e aves caipiras; bem como, da abertura de mercados para produtos típicos de determinadas localidades, passando pelos
processos de caracterização, identificação de valor mercadológico, processamento e comercialização da cultura local;
D. Estimular articulações intermunicipais como, por exemplo, as associações e os consórcios de municípios, para diagnosticar os principais problemas rurais de suas respectivas microrregiões, planejar ações de desenvolvimento integrado e captar os recursos necessários à sua execução; E. Reforma agrária - Um dos aspectos importantes de qualquer proposta de desenvolvimento rural deve-se também referir à reformulação da estrutura fundiária do território, importante fator para o combate a pobreza existente no meio rural. É fundamental que haja uma reversão do quadro atual, e execução de estudos e programas estratégicos voltados para essa questão como a Reforma Agrária. (Plano de Governo: 2007-2010: Agenda para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, 2006).
Cabe aqui fazer uma observação. No que se refere ao tema da Reforma Agrária, o documento apresenta mais uma série de propostas que se mesclam com projetos já realizados, como é o caso de projetos para a fruticultura, que aparece como subtema de planos para o incremento do agronegócio, mas não é apresentada nenhuma ação futura, apenas ações já concretizadas.
Mais interessante ainda é perceber que o programa Mesa Solidária, que foi referido no segundo turno do HGPE não consta no PGD, demonstrando a dinâmica de modificações das propostas durante o período eleitoral, com vistas à conquista do eleitorado. No HGPE, a apresentação desse programa ocorre em meio ao contexto em que Garibaldi apontava a possibilidade de Vilma querer acabar com o Programa do Leite. O programa aparece, assim, como um acréscimo ao PGD, como estratégia de defesa ao ataque de Garibaldi que tentou agendar esse tema.
Essa estratégia evidencia o caráter volátil das propostas em período de campanha. Mais do que ser um conjunto de projetos elaborados a serem defendidos no HGPE, o programa de governo têm um caráter pragmático, que faz com que ele se modifique de acordo com a conjuntura eleitoral. Nesse caso, o que se apresenta ou o que se omite não é uma questão de escolha ideológica, mas estratégica, que leva em conta o campo de luta e o movimento do adversário. Obviamente, o acréscimo do Mesa Solidária ao
programa de governo no HGPE não contradiz o programa “ampliado” da candidata do PSB, mas demonstra a fragilidade em defini-lo unicamente sob uma abordagem técnica segundo a qual um programa de governo é um projeto articulado, que tem um conjunto de ações que se conectam,(LEITE & FONSECA, 2008).
Saúde
Embora tenha sido uma das proposições mais referidas no HGPE, o tema da saúde não apresentou tantos projetos em relação a outros setores, como cultura ou meio ambiente. No documento, essas políticas aparecem da seguinte forma:
Em síntese, deve-se reforçar que a política pública para a saúde não pode e nem deve ser planejada isoladamente dos demais setores que prestam serviços básicos à população e, mais ainda, precisa ser pensada, implementada e acompanhada por todos os municípios que compõem o Rio Grande do Norte, com a participação popular.
Torna-se fundamental que seja empreendida a partir de amplas campanhas de sensibilização de todos os cidadãos e, principalmente, das diversas categorias de profissionais que atuam nessa área – médicos, odontólogos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, dentre outros – para as novas concepções de atendimento integral à saúde, que enxergam o homem na sua totalidade.
O Governo Vilma vem implementando gradativo aumento de recursos para reconstruir a infra-estrutura da saúde pública, do Programa Saúde da Família, e sua boa administração tem permitido ainda melhorar as condições de trabalho dos profissionais da saúde e melhorar o atendimento à população.
AÇÕES PROPOSTAS
A proposição básica consiste no direcionamento das ações do Governo Vilma visando, prioritariamente:
A) Instalar mais 10 Policlínicas, nas cidades-pólo;
B) Implantar unidades do SAMU – Serviço de Atendimento Médico de Urgência, em todas as regiões;
C) Implantar o Hospital da Mulher, em Natal e Mossoró; D) Implantar o Hospital de Trauma-ortopedia, em Natal; E) Ampliar a rede Farmácia de Todos, com mais 50 unidades;
F) Instalar unidades da Central de Distribuição de Medicamentos – UNICAT, em todas as regiões;
G) Implantar Programa de Interiorização de Recursos Humanos da Saúde, contemplando a alocação de médicos, enfermeiros e dentistas, para cada município;
H) Promover a reforma administrativa das Unidades Regionais de Saúde Pública – URSAP, para que as mesmas possam operar com autonomia técnica, administrativa e financeira, utilizando a prática de auditorias permanentes; Desenvolver ações conjuntas com a Secretaria Municipal de Saúde de Natal, para equacionar os problemas do atendimento de urgência, e a superlotação do Hospital Walfredo Gurgel - Clóvis Sarinho.
O fato das políticas para a saúde terem sido pouco tratadas no PGD e terem tido bastante expressividade no HGPE, também demonstra o caráter estratégico das propostas eleitorais, que aparecem no HGPE de acordo com a necessidade de serem demonstradas. O tema da saúde foi bastante atacado pelo seu adversário no HGPE, especialmente durante o debate televisivo ocorrido no segundo turno da campanha, quando o candidato do PMDB questionou a saúde do estado, dizendo que a situação era caótica e que seu governo não tinha construído nenhum hospital43.
Isso também evidencia que a apresentação de propostas no HGPE para uma determinada área não depende da quantidade de projetos pensados pela equipe de campanha para este ou aquele setor, mas daquilo que o marketing julga necessário ser discutido, que, via de regra, leva em conta as ações do adversário e o cenário que se forma durante a competição eleitoral.
Cultura
O incentivo à cultura é algo que não aparece no HGPE de Vilma, diferente do que está no seu PGD, que conta com um número razoável de projetos a serem implementados. Vejamos como é tratado esse tema no documento:
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Naquela ocasião, Vilma respondeu relatando obras realizadas na saúde como a construção de uma UTI Pediátrica, um Centro de Tratamento de Queimados e a recuperação de hospitais como o de Parnamirim, que segundo ela estava abandonado e foi recuperado. (Vide Tribuna do Norte, “Garibaldi e Wilma debatem na InterTV Cabugi” 26/10/ 2006 )
Política cultural é a ação do poder público ancorado em operações, princípios e procedimentos administrativos e orçamentários. Esta política é orientada para melhorar a qualidade de vida da população através de atividades culturais, artísticas, sociais e recreativas. Precisa ter um escopo amplo por se tratar de uma ação voltada para todo o Estado e não para alguns segmentos da sociedade. Esta ação de governo quase sempre está pautada por uma preocupação em conservar o patrimônio cultural e oferecer atividades de artistas consagrados. Ou seja, ao proporcionar à população o acesso aos bens culturais, o Governo Vilma preocupa-se mais com a democratização da cultura. Nessa direção, atualmente, são promovidas atividades que valorizam, principalmente, os produtos da elite cultural.
O Governo Vilma vai continuar implementando uma política de cultura voltada para a Democracia Cultural, com base no estabelecimento de alguns princípios:
A) Reconhecer o pluralismo e a diversidade culturais, respeitando as diferentes identidades e formas de expressão; B) Levar em conta que o poder público não produz, nem deve tentar produzir cultura, ou seja, não deve impor pautas, estéticas, gestos literários ou orientações culturais, mas deve considerar a autonomia das diversas manifestações culturais; C) Compreender a participação da sociedade como princípio constitutivo do processo de formulação de políticas culturais.
D) Garantir infra-estrutura para atividades culturais comunitárias;
E) Definir canais e formas de debate e participação nas decisões culturais, como conselhos, fóruns etc..;
F) Resgatar as culturas de comunidades esquecidas, raízes e heranças culturais;
G) Integrar-se aos debates e intervenções relativos ao desenvolvimento municipal, estadual ou regional (consórcios, câmaras, orçamento participativo, fóruns etc..);
H) Estimular a formação cultural da população e dos agentes culturais (bibliotecários, funcionários, trabalhadores e agentes de centros e casas de cultura);
I) Estimular a apropriação cultural de espaços públicos (praças, ruas, pontos de ônibus, metrôs etc..);
J) Descobrir, mapear e estimular o trabalho experimental das comunidades locais e de artistas não consagrados.
AÇÕES PROPOSTAS
1. A Política cultural do Governo Vilma é orientada para melhorar a qualidade de vida da população através de atividades culturais, artísticas, sociais e recreativas.
2. Garantir a liberdade e a diversidade da produção artística e intelectual, fomentando sua produção, distribuição, circulação e comercialização.
3. Instituir o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial;
4. Construir o Teatro de Natal, com 2.5 mil lugares; 5. Ampliar as atividades de intercâmbio cultural;
6. Dinamizar o funcionamento das Casas de Cultura, com intercâmbio;
7. Manter a Revista Preá, ampliando sua tiragem e melhorando sua distribuição;
8. Reativar o jornal O GALO;
9. Reconhecer o pluralismo e a diversidade culturais, respeitando as diferentes identidades e formas de expressão; 10.Implantar um Programa de Bibliotecas comunitárias;
11. Resgatar as culturas de comunidades remanescentes, raízes e heranças culturais (quilombolas e Indígenas);
12.Reorganizar os museus, como lastro para as atividades turísticas;
13. Aumentar a renúncia fiscal prevista na Lei Câmara Cascudo;
11. Construir mais 50 Casas de Cultura;
14. Estação Central de Apoio a Cultura Popular (Museu – Restaurante – Loja – Escritório de apoio aos artistas);
15. Reformar o prédio centenário do Grupo Escolar Augusto Severo, na Ribeira.
16. Realizar Concurso Público para a EDITAM.
17. Instituir o Fundo Estadual de Cultura. (Plano de Governo: 2007-2010: Agenda para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, 2006).
Como podemos perceber, embora no HGPE as políticas futuras voltadas ao incentivo da cultura tenham sido muito pouco tratadas, não é o que acontece no PGD, que apresenta propostas para serem implantadas. A única referência feita no HGPE é o complexo Cultural da Zona Norte, que seria implantado no lugar do Presídio João Chaves.
Um detalhe na apresentação dos princípios estabelecidos para implementação de políticas para a cultura merece um destaque. Segundo o documento, um dos princípios desse conjunto de políticas é “estimular a apropriação cultural de espaços públicos (praças, ruas, pontos de ônibus, metrôs etc.)” O que parece é que essa proposta foi copiada de um outro estado que dispõe de sistema metroviário, já que o Rio Grande do Norte não possui metrôs. Detalhe que sugere pouca atenção dada a estudos pra essa área.
Pouco tratadas no HGPE, as políticas voltadas para a temática de saneamento aparecem no PGD da seguinte forma:
O Governo Vilma pretende dar um tratamento mais especial, para as ações políticas que tratam das questões relacionadas ao saneamento básico e a saúde pública.
O estímulo ao desenvolvimento de soluções integradas no âmbito municipal e consorciadas (compartilhadas) no âmbito regional ou intermunicipal é importante para que se consiga viabilizar mais áreas de tratamentos e disposição final, que resultem no incentivo à prática da redução, reutilização, reciclagem e preciclagem, propiciando incentivos financeiros para os municípios que equacionarem seus problemas de gestão sanitária e ambiental e perdas de receitas para aqueles municípios que não mantém as estruturas adequadas de saneamento.
O programa de Adutoras, executado pelo Governo Vilma nos últimos anos em parceria com o governo federal, foi o principal responsável pela melhoria desses índices no interior do Estado. Mesmo assim, existem ainda as regiões de Mato Grande e Alto Oeste que enfrentam problemas de oferta e abastecimento de água.
O saneamento ambiental, por sua vez, deverá ser intrinsecamente constitutivo da política de desenvolvimento econômico e social. Em sentido amplo, saneamento ambiental significa níveis crescentes de salubridade ambiental, por meio de abastecimento de água potável, sistema de esgoto, gerenciamento de resíduos sólidos, líquidos, gasosos e energéticos, drenagem de águas plúvio- fluviais, controle de vetores de doenças transmissíveis e de educação sanitária e ambiental.
O Governo Vilma adotará uma política de parceria com os municípios, tanto no saneamento ambiental quanto na administração dos recursos hídricos.
AÇÕES PROPOSTAS
Nossa proposta visa, através da concessão onerosa, atingir o índice de 70% (setenta por cento) das residências situadas nas sedes dos municípios, até dezembro de 2010.
Vamos concluir em 2007 a Estação de Tratamento de Natal, visando despoluir o rio Potengi.
No tocante aos grandes centros urbanos - Natal e Mossoró – a proposta visa atingir a universalização do saneamento básico, a ser realizada em parceria com os municípios e com a identificação de metas anuais a serem cumpridas referentes ao número de domicílios a serem interligados com a rede. (Plano de Governo: 2007-2010: Agenda para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, 2006).
O que se percebe é que não há relação entre as propostas que aparecem no HGPE e o número de proposições no PGD. As políticas menos destacadas no HGPE (Cultura e Saneamento) estavam contidas no Programa de Governo elaborado pela equipe de campanha. Se olharmos para as políticas de incentivo à cultura, vamos observar que os números de propostas são bem razoáveis, o que poderia ter sido trabalhado no HGPE. O saneamento, no entanto, condiz com as poucas propostas discutidas no seu programa de governo (apenas 3 propostas).
Importante percebermos que no seu PGD existe uma grande atenção para as políticas rurais, que é refletida no HGPE sob diversas formas: programas sociais (principalmente os programas Desenvolvimento Solidário e Luz para todos), políticas de educação, habitação, dentre outras.
De uma maneira geral, o PGD de Vilma não tem um novo grande projeto para o quadriênio seguinte, mas destaca a continuação dos projetos desenvolvidos na sua gestão, em especial os que compõem o programa Desenvolvimento Solidário, estratégia que foi mantida no seu HGPE. Essas observações sugerem o baixo grau de discussão dos projetos no HGPE que, via de regra, é destinado às camadas populares da sociedade.
No entanto, no que concerne à discussão desses projetos com os empresários do setor industrial, há um dado que merece ser destacado. Durante a campanha eleitoral, a candidata se reuniu com um grupo de empresários na Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) para discutir propostas de campanha com representantes desse grupo. Segundo matéria veiculada no jornal Tribuna do Norte44, nesse encontro, a governadora foi cobrada por medidas para alavancar o desenvolvimento social e econômico do Estado, e propôs melhorias para a área de infraestrutura. Nessa ocasião, o presidente da FIERN, engenheiro Flávio Azevedo, afirma que a elaboração de projetos de infraestrutura é o aspecto que mais preocupa a classe industrial em relação ao futuro da economia do Rio Grande do Norte, e afirmou: "Financiamento não é problema, o que não existe é acesso aos recursos financeiros". O presidente da Fiern, ao cobrar a
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priorização de projetos por parte da candidata, destaca a importância dos mesmos para essa área. Usando o exemplo da Costa Rica, afirmou que "com os projetos prontos aparece a hora de usar e trazer recursos públicos". Nessa ocasião, Vilma de Faria disse aos empresários sobre a disposição do governo para dialogar sobre o assunto, ajudando-os sobretudo no que se refere às questões tributárias voltadas para os setores de panificação, pesca, carcinicultura e de água mineral.45 Isto revela o caráter organizativo do Estado em relação às diferentes classes e frações de classe que compõem o bloco no poder, que é capaz de unir os seus diferentes interesses políticos (POULANTZAS, 2000).
Aqui, podemos perceber a importância da apresentação do programa de governo para a classe empresarial para além do HGPE, fato que demonstra a necessidade que essa classe tem de saber se os seus interesses serão atendidos pelo governo que se inicia.
O que podemos ver é que o HGPE de Vilma assemelha-se com aquilo que está em seu PGD - no sentido de estar sempre enfatizando os projetos que já foram e/ou que estão sendo viabilizados - mas sem as explicações técnicas que este contempla. Mais do que projetos para serem implementados em caso da eleição da governadora, o documento aproxima- se mais de um roteiro destinado à equipe de marketing do que um guia de ação para ser implementado em caso de uma vitória eleitoral.