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1.3. İŞGÜCÜ PİYASASI POLİTİKALARI

2.1.2. Türkiye’de AİPP’lerin Tarihsel Gelişimi

Embora em pequeno número, a frequência dos dados ressalta usos que quebram a hegemonia referencial do item nos períodos visitados e contrariam o princípio de arbitrariedade na língua, ou seja, sinalizam motivações no uso do item. Por exemplo, na categoria de “inclusão”, com 8.8% das ocorrências nos dois períodos, registram-se exemplos de usos do item mesmo com valor, inteiramente, fora do seu uso habitual como dêitico/fórico. Na carta 48, observa-se um bom exemplo:

(106)

carta, que Vossa Senhoria omandou juntar por despacho de 8 doCorrente oque ele satisfes: estacartaposto que ao principio fose or

ganizada com algum equivoco, toda avia oseo contesto decida do empenho do Juis afavor dodamnador. Hé publico, que o Juis receando, que oSuplicante apublicase, fizera todas asdeligênciaspara ahaver asi, epor que naõ ocon- seguio pasou ainsultalo por diferentes modos. Aconden- naçaõ está apelada para aCamara, e este juis que está de- mas, naõ deve asistir adecidaõ emrazaõ mesmo dames- cionada carta, queo constitue emsuspeita, ordenandose porconsequinte, que va prezidir aCamara naoCasiaõ do- conhecimento o-outro Juiz (C 48 fl. 2 , DC, GJSC, 1800).

Nesse caso (106), o item não faz referência a uma palavra do texto, porém, estabelece uma relação coesiva no eixo sintagmático como conectivo, podendo ser substituído por inclusive ou até. Aqui, o item afasta-se de sua característica dêitica/fórica, propiciando ao

autor realçar uma informação, em favor de sua intenção. Trata- se de um uso motivado do ponto de vista icônico. O uso do item mesmo nesses contextos pressupõe uma escala/sequência de argumentos, na qual a informação introduzida por ele é destacada, constituindo-se a mais importante da escala, como declarou Ducrot (1983) 37.

Em algumas ocorrências, esse valor de inclusão passa a impressão de ter evoluído do valor do item como reforço enfático.

Continuo a análise focalizando mais uma vez um uso estendido do item, reafirmando o caráter icônico no uso da expressão. Na carta 129, uma exposição de motivos datada do início do império, aparece uma ocorrência do item mesmo que vale a pena comentar por ser a única em todo o corpus:

(107)

OComandante, para ser a Camara, Composta dePa- rentes, e amigos, aexecuçaõ do Juis Joaõ Roiz Ser- mento, eoprimeiro Viriador Joaõ de Souza Martins. Terceiro pelo qual procedimento

o Antecesôr de Vossa Excelência fasendo respeitar as Imperias ditirminaçoes, reprehendemos, aspramentes a Ca

mera por officio de10 de outubro doanno paçado, pel- la oposiçaõ feita amim Contra aLei.

Quarto, que o Antecessor de

Vossa ExcelênciaCompilio com amiaços deprisaõ por officio de10 do mes a Sima, ao Camandante José Ferreira

para este me entregar aRegencia que Sem iSso o naõ faria, únido com aCamaraParenta, eami- ga.

Quinto que Senaõ fosse Ae-

nergia, eCostancia do Ex Presidinte, naõ medari- aõ poSse domeo Posto, eperpetrariaõ huma re voluçaõ Completa, a pezar deque Só por elles a- gentes, ealguma parte de Satelitos; toda via a-

sim mesmo naõ seçoes dequererem iludir, a

thé mesmo (quem tal diria!) o Ministro de

Sua Majestade Imperial , e por isso que desde o anno paçado que tramaõ subornos, a fim denaõ haver outra

(C 129, Fl.2, DI, 1827)

Na ocorrência (107), “toda via a-sim mesmo naõ seçoes dequererem iludir”, o item mesmo revela mais uma das suas possibilidades de uso fora do seu escopo prototípico, ou seja, como uma conjunção. Nessa situação de uso, assim mesmo tem valor idêntico a apesar de.

37

Para Ducrot (1983) e colaboradores, palavras como mesmo, dependendo do contexto em que estão inseridas, funcionam como operador argumentativo, classificando os enunciados de acordo com a sua força, em uma escala argumentativa.

Associando-se a assim, o item mesmo promove uma articulação concessiva, ligando informações que se opõem no texto, mas que se complementam funcionalmente.

No trecho analisado, o autor, objetivando ser o mais informativo possível, no primeiro momento, reconstrói com uma série de argumentos, toda uma situação adversa contra ele articulando-a, posteriormente, através de assim mesmo, com uma informação que ele considera importante e imprescindível para atingir sua intenção comunicativa. Estudiosos funcionalistas costumam explicar essa informação suplementar, introduzida concessivamente, sob a ótica do princípio da informatividade e relevância (TRAUGOTT e KÖNIG, 1991).

Apesar de ser a única manifestação do item nos textos analisados, sua ocorrência no corpus 2 já anuncia a predisposição do item a novos contextos de uso acionada pelas necessidades comunicativas e cognitivas dos usuários da língua.

Antes de finalizar esse detalhamento descritivo de usos e funções da expressão mesmo nos períodos colonial e imperial, focalizo, a seguir, dois exemplos significativos de uso do item em estudo, embora, quase inexpressivos, em termos de ocorrências nas cartas oficiais, de acordo com os percentuais apresentados pelas categorias. Falo dos usos do item como reforço, correspondentes no quadro categorial proposto, como reforço enfático e reforço contextual. Proponho a leitura atenta das ocorrências, a seguir:

(108)

os da Praça alem deserem mais civilizados,

eabonados todos tem fiadores a dezerçaõ, sem os quaes os não deixo

sahir daprisão, edesta sorte experimento menos dezerçoens; eSuposto Vossa Senhoria mediga que os capazes seauzentarão tal vez que isso proceda deVossa Senhoria não praticar com afactura das recrutas o que Eu aqui pratico,- que he ordenar

de baixo deprizão aos Pays deFamilias aque pessoalmente aprezentem os

Filhos que tiverem; desta sorte foi nesta Praça cento etantas reclu tas sem que fosse necessario prender hum unico Pay por todos com

parecerem, efaria mais seos houvesse; isto mesmo he o que Vossa Senhoria deve

praticar nessa cidade, eno cazo que os Pays não obedeção castigalos

conforme lheparecer justo:( C39, DC, JCM,1780)

Em (108) o uso de mesmo aparece desempenhando uma ação dêitica, reforçando o demonstrativo isto. Muito embora não seja esta uma opção frequente no corpus analisado, apresentando apenas 2.4% das ocorrências na categoria de reforço contextual, o reforço é uma função prototípica do item, como palavra mostrativa, ressaltando, principalmente, outros demonstrativos e localizações espaciais e temporais.

No trecho selecionado, um relato de opinião, em que o autor procura convencer um colega a mudar a prática de recrutar jovens para o serviço militar, usando uma série de

argumentos, o item mesmo coloca-se como reforço anafórico, confirmando e referindo-se a tudo que foi exposto anteriormente e recuperado pelo demonstrativo isto.

Entretanto, sendo o reforço uma característica original do item, estranha-se o baixo percentual de uso flagrado nas cartas, principalmente, nos textos coloniais. Essa restrição verifica-se também, com a categoria de “reforço enfático”, na qual o papel do item é reforçar pronomes pessoais. Destaco, a seguir, duas ocorrências (109) e (110) dessa manifestação do item na carta imperial 121, que, apesar de extensa, é reproduzida na integra para facilitar a compreensão do texto:

Vossa Excelência medetremina lhemande huma informaçaõ, da indule, Custu mes, enclinaçons dos Indios destas duas Villas do Conde, e Alhandra de q. sou Commandante, aSim Como táo bem do terreno mais proprio - para o seo adiantamento eas Couzas que tem inutilizado os Esforços

para a Sivilizaçáo delles, sobreo que informo aVossa Excelência Conforme omeo pensar. O Custume ordinário destes Indios em todo tempo

hé furtar, beber Agoardente, por Cujo motivo vivem em abati

mento etudo proçedi Osiozidade em que vivem, elles naõ temem, num respeitaõ aninguem saõ muito mudavês na sua Conduta emuito

inconstantes em todos os seos progetos, não há quem vigie sobre eles para os domar einclinalos a sivilização. Estes Indios teriaõ milhor comportamento seviveçem de baxo

dedesiplina deoutra Naçaõ aquem elles temesem. Governados pue outro Indio seo semilhante nunca já mais poderaõ –

ter milhoramento; por que quem vio hum vio todos, aconduta de

hum hé detodos, domesmo modo aOsiozidade; apreguiça emais inclinaçóns, etudo quanto fazem eObraõ hé pegado às ramas do seo gentilismo: dos Derectores naõ fazem Cauzo, ese querem fazer oseo elles Indios se rrebelaõ contra ele;

o terreno mais proprio para o seo milhoramento esivilizaçaõ- hera empregallos na Marinha, ou no serviço das Tropas

(109)eas Cauzas que tem avido para naõ serem sivilizados, saõ

elles mesmos (110) por que só procuraõ por si mesmo abaterem-se em todas as suas aSsons, eomodo que tem devida. Saõ

muitos imCnostantes, e histante, e histante mudaõ depan-

Riçer, enelles naõ sepodi fazer Confidencia, por que so olhaõ – para intereçe decarne e Agoardente; poderaõ ter adian

tamento nas Suas Villas seforem governados com hum ju- go pezado que os obrigue atrabalhar, vigiando sobre elles- aSim como os Misionarios nos Seos principios; a

o contrario nunca já mais paSaraõ doque. Saõ, é hé oque Posso informar aVossa Excelência Deus Guarde aVossa Excelência muitos annos. (C.121, DI, FCS, 1826)

Na ocorrência destacada (109), eas Cauzas que tem avido para naõ serem sivilizados, saõ elles mesmos, o item apresenta-se flexionado e posposto ao pronome pessoal “elles”

mostrando os índios como os responsáveis pela impossibilidade de serem civilizados. A função de mesmo nesse contexto é, sobretudo, de reforçar a palavra, promovendo um efeito além do fato, mas não está ligado a esse pronome do ponto de vista sintático. É visto, assim, como anafórico uma vez que faz referência a “índios” (Apothéloz e Chanet 2003, p.56).

Em (110), por que só procuraõ por si mesmo abaterem-se em todas as suas aSsons, o item mesmo aparece posposto ao pronome “si”, ligando-se à ele como reflexivo, referindo- se aos índios do ponto de vista sintático.

Constituindo usos peculiares do termo, esperava, do ponto de vista da frequência, uma recorrência acentuada do item mesmo nessas funções, confirmando sua afinidade funcional com a forma latina metipse38. Não é o que ocorre no corpus 2.

Nos contextos históricos analisados, a comunicação linguística não se fazia em português39, o que pode ter influenciado a baixa recorrência do item como reforço. Além disso, o material linguístico analisado, apesar de apresentar características coloquiais, pertence à modalidade escrita da língua. E como se sabe, o reforço é caracteristicamente um uso da oralidade.

No português atual, os usos do item como reforço são motivados pelo contexto interativo oral como ficou comprovado na pesquisa do corpus 1.

Creio que a insuficiência de dados do item com intenção de reforço nas referidas cartas pode estar relacionada com o contexto histórico de produção da época, indicando, portanto, “retração” temporária dessas funções, nunca, porém, o seu apagamento.

Não pretendo no espaço deste trabalho contemplar essa hipótese. No entanto, conhecer esses detalhes mostram que o dinamismo da língua comporta diferentes processos de estabilidade e evolução das formas linguísticas. Ora mostra-se circunscrita e limitada, ora, expande-se e avança em novas direções, determinadas pelas circunstâncias socioculturais.

4.2.3.2 MESMO: AS MOTIVAÇÕES SOCIOHISTÓRICAS E CULTURAIS

38

Retomando o quadro teórico. Salum (op.cit.) explica que a partícula met foi reforço do pronome pessoal e ao seu lado usou-se também, ipse dando origem a metipse e metipsimu (latim) indicando identidade e ênfase nas línguas românicas. Portanto, o reforço é uma questão que se insere no âmbito da evolução dos demonstrativos, dos dêiticos, anafóricos, e catafóricos, relacionados por origem. (cf. Salum, 1981 p. 90).

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