Marka Sadakat
TRAFİK VE KASKO SİGORTALARINDA HASAR SÜREÇLERİNE İLİŞKİN MÜŞTERİ ALGILARINI ETKİLEYEN FAKTÖRLER (UŞAK İLİ ÖRNEĞİ)
2. TÜRKİYE’DE TRAFİK VE KASKO SİGORTALAR
A importância do santuário, do sacerdócio, e do culto para o judaísmo do I séc. da E.C. não pode ser subestimada no estudo da Cristologia das origens, como mostrada pela Carta aos Hebreus. Se considerarmos que, em sua grande maioria, a religiosidade do mundo
Mediterrâneo do século I não pode ser imaginada sem um santuário e, conseqüentemente, de todo um grupo de oficiantes e uma maquinaria adequada, compreenderemos a preocupação de nosso autor em legitimar a relevância do Cristianismo primitivo sob a ótica do sumo sacerdócio de Jesus. Trata-se de uma explicação necessária visto que o Cristianismo por ele professado é uma religião que exercita um culto que prescinde de um sacerdócio visível e sem uma prática sacrificial aparente (cf. por ex.: Jo 4.21-24; At 7.49-50; Rm 12.1).
Deve-se lembrar que o Santuário de Jerusalém fora concebido como o lugar em que a Terra toca o Céu, onde a Divindade transcendente se manifestaria. Por conseguinte, o Santuário é uma réplica da Criação, que leva em conta principalmente o Céu. Mircea Eliade escreveu:275
A simples contemplação da abóboda celeste é suficiente para desencadear uma experiência religiosa. O Céu revela-se infinito, transcendente. É por excelência o ganz andere diante do qual o homem e seu meio ambiente pouco representam. A transcendência revela-se pela simples tomada de consciência da altura infinita. O “muito alto” torna-se espontaneamente um atributo da divindade. As regiões superiores inacessíveis ao homem, as zonas siderais, adquirem o prestígio do transcendente, da realidade absoluta, da eternidade. Lá é a morada dos deuses; é lá que chegam alguns privilegiados, mediante ritos de ascensão; para lá se elevam, segundo as concepções de certas religiões, as almas dos mortos. O “muito alto”é uma dimensão inacessível ao homem como tal; pertence de direito às forças e aos Seres sobre- humanos. Aquele que se eleva subindo a escadaria de um santuário, ou a escada ritual que conduz ao Céu, deixa então de ser homem: de uma maneira ou de outra, passa a fazer parte da condição divina. Não se trata de uma operação lógica, racional. A categoria transcendental da “altura”, do supraterrestre, do infinito revela-se ao homem como um todo, tanto à sua inteligência como à sua alma. É uma tomada de consciência total: em face do Céu, o homem descobre ao mesmo tempo a incomensurabilidade divina e sua própria situação no Cosmos. O Céu revela, por seu próprio modo de ser, a transcendência, a força, a eternidade. Ele existe de uma maneira absoluta, pois é elevado, infinito, eterno, poderoso. (...). E, visto que o Céu existe de maneira absoluta, um grande número de deuses supremos das populações primitivas são chamados por nomes que designam a altura, a abóboda celeste, os fenômenos meteorológicos; ou são chamados muito simplesmente de “Proprietários do Céu”, ou “Habitantes do Céu”.
Destaque-se principalmente os elementos que levam o ser humano diante da imensidão celeste à consciência do transcendente, isto é, “o muito alto”, o inacessível. É lá que habitam os deuses, a que somente alguns privilegiados chegam, não sem preencher certos quesitos. Por conta dessa tomada de consciência e da concepção de um imaginário divino, o ser humano intenta superar sua humanidade e contactar a deidade; quer superar sua limitação e contemplar o ilimitado; subir ao céu, se é impossível à primeira vista, então, aproximar o céu da terra. O santuário terrestre possui esta função, fazer disponível o indisponível. Mediante uma arquitetura interpretativa, ritos e pessoal especializado, o ser humano busca
experimentar o habitat da deidade. Entende-se que encontrar a Deus é encontrar a si mesmo, descobrir-se, recuperar a sua identidade perdida.
O santuário jerusalemita atende às essas prerrogativas (embora o autor de Hebreus opte pelo Tabernáculo). Deus tem seu habitat no céu. Junto dele estão os seus servidores celestes, os anjos. Apesar de transcendente, o ser humano deseja chegar à presença de Deus, pois, com Ele está a vida. Viver eternamente é viver diante de Deus, viver diante dele é ser considerado justo. Por conseguinte o santuário terrestre abre a porta do celeste, aí é o limiar da intersecção entre terra e céu. Mas nenhum ser humano pode entrar em sua presença imediata, a menos que atenda um programa ritualístico. E mesmo assim, tal aproximação é fugaz, só acontece uma vez por ano e somente a uma pessoa é permitida, ao sumo sacerdote. Essa aproximação se faz mediante sua entrada na área mais sagrada do santuário, após derramamento de sangue de uma vítima sacrificial, garantia de não ser morto ele mesmo na presença da deidade.
4.1.1. Santuário Terrestre espelho do Santuário Celeste
Tradicionalmente, o universo era concebido como tripartido, ou seja, céu, terra e regiões inferiores. O céu é o lugar da habitação de Deus, a terra é o da habitação da humanidade e as regiões inferiores é o lugar dos mortos (cf. Sl 115.16-17). Embora o imaginário varie entre uma “tenda” e uma “barreira” que retém as águas superiores,276 nos ateremos ao céu como
um santuário, do qual o terreno é réplica.
Flávio Josefo descreve a relação entre o céu e o tabernáculo (Antiguidades Judaicas 3.7.179-187):
Pode-se maravilhar dos prejuízos que os homens nos causam, e que professam perceber o nosso descaso para com a Deidade que eles pretendem honrar; pois se alguém considerar o fabrico do tabernáculo, e observar o vestuário do sumo sacerdote, e daqueles vasos que fazemos uso em nossa ministração sagrada, achará que somos injustamente reprovados por outrem: pois se alguém sem prejuízo, e com juízo, contempla estas coisas, perceberá que cada uma foi feita de modo a imitar e representar o universo. Quando Moisés dividiu o tabernáculo em três partes, e deixou duas delas aos sacerdotes, lugar acessível e comum, ele denotava a terra e o mar, estes sendo de geral acesso a todos; mas ele separou a terceira divisão para Deus, porque o céu é inacessível aos homens. E quando ordenou doze pães para estarem sobre, ele denotava o ano, como é dividido em muitos meses. Ao ampliar o candelabro em setenta braços, ele secretamente imitava o Decani, ou setenta divisões dos planetas; e como as sete lâmpadas sobre os castiçais, ele se referiam ao curso dos planetas, de que esse é seu número. (...). Segue-se as significações dos componentes do vestuário do sumo sacerdote:
Já a vestimenta do sumo sacerdote sendo feita de linho, significava a terra; o azul denotava o céu, sendo como relâmpagos as suas romãzeiras, e no barulho dos cincerros se assemelhava ao trovão. E o efod mostrava que Deus fez o universo de quatro [elementos]; e para o ouro entrelaçado, suponho que se relacionava ao esplendor de todas as coisas que são iluminadas. Ele também indicou que o peitoral devia ser colocado no meio do efod, para se parecer com a terra, porque ela está no centro do mundo. E o cinturão que estava em volta do sumo sacerdote, significava o oceano, porque ele rodeia e inclui o universo. Cada sardônica nos apresenta o sol e a lua; eu entendo que era a natureza dos botões sobre os ombros do sumo sacerdote. E para as doze pedras, se entendemos que sejam os meses, ou se entendermos que seja o número dos signos daquilo que os gregos chamam de Zodíaco, não estaremos errados em seu significado. E a mitra, que era de cor azul, parece-me significar o céu; pois como poderia o nome de Deus ser escrito sobre ela! Isto também era ilustrado pela coroa, também de ouro, por causa desse esplendor com que Deus é agradado.
Os dois textos acima fazem parte da ampla descrição de toda aparelhagem cultual araônica. No primeiro texto, digno de nota é a declaração que o “céu’’ é inacessível aos homens. No segundo, percebe-se a relação de culto e criação sugerida por Gn 1. Quanto ao nome de Deus escrito sobre a mitra do sacerdote (cf. Ex 28.36-37; Lv 8.9), conforme Jubileus 36.7, Deus criou o universo por intermédio do seu Nome. As formulações representativas do céu fundamentam a tese de que a celebração do culto, principalmente o “Dia da Expiação”, era de alguma forma a restauração do universo que foi maculado pelo pecado.277 Por sua vez, o
‘’céu’’ que é inacessível passa a ser acessível atendidas às prescrições cultuais. Por conta disso, o Templo de Jerusalém é o lugar utilizado por Deus para santificação da Terra (Jubileus 25.26).
Mas há um dado ulterior, no período do Judaísmo do Período do 2º Templo o céu também é concebido como um Templo, conforme demonstrou Martha Himmelfarb.278 Ocorre
uma alteração, isto é, gradativamente o imaginário do templo foi-se deslocando para o âmbito celeste. Enquanto Isaías ainda vê Yahweh sentado sobre um elevado trono fixado em Jerusalém (Is 6.1), Jeremias, mais tarde, se torna capaz de fazer a ousada declaração da crença no Templo como inexpugnável: “Não vos fieis em palavras mentirosas dizendo: ‘Este é o Templo de Yahweh, Templo de Yahweh, Templo de Yahweh!’” (Jr 7.4). Em Ez 10.18-22, a Glória Divina sai do Templo no trono móvel para o povo exilado. Esses dois profetas eram sacerdotes (Jr 1.1; Ez 1.3), o que de certo modo, surpreende tal postura em relação ao Templo. O Trito-Isaías vai além ao declarar: “Assim diz Yahweh: O céu é meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me haveis de fazer, que lugar para o meu repouso?” (Is
277 Margareth BARKER, Atonement: The rite of healing, p. 1. 278 Ascent to heaven in Jewish and Christian apocalypses, p. 10.
66.1). Portanto, uma reflexão que relativiza o templo terrestre estaria na base da expressão da literatura do período, que permite viajar ao céu, o verdadeiro Templo de Deus.
O Segundo Templo nunca será apto a emergir da sombra retirada da Glória de Deus. A arca e os Querubins se foram. No período do Segundo Templo, sob a influência de Ezequiel, aqueles que estão insatisfeitos com o comportamento do povo e especialmente de seus sacerdotes encaram o templo não o lugar próprio para a habitação de Deus, o lugar onde o céu encontra a terra, mas antes como uma mera cópia do verdadeiro templo localizado no céu. É esta dessacralização do templo terreno em favor do celeste que abre o caminho para a subida de Enoc no Livro dos Vigilantes. A primeira ascensão na literatura judaica é deste modo uma viagem ao verdadeiro templo.279
Exemplo dessa representação do céu como santuário (tabernáculo/templo), arquitetado sobre o terrestre, se acha no 1 Enoc 14. Neste, narra-se a viagem de seu herói ao céu, onde contempla duas casas.280 A primeira é ao mesmo tempo quente e gélida. Deus está
na segunda casa. Enoc, trêmulo e cheio de temor, contempla “a Grande Glória” sobre um trono sublime, cuja descrição visa provocar reverência. Diante dele nenhum anjo, dos milhões que existem ali, ousa se aproximar. Tal texto se constrói à base do que se sabe do santuário terrestre, mas também de modo que o santuário seja entendido ser o modelo daquele. Depois de contemplar o trono divino, prosternado, Enoc não ousa levantar os olhos. Então, recebe uma ordem de Deus para que se aproxime. Enoc é chamado por Deus de “homem justo” e “escriba de justiça” (1 Enoc 14.8-15.1). O caráter templário do céu só admite à presença de Deus quem for por ele autorizado, seja anjo, seja humano. A declaração de Deus a Enoc de que ele é ‘’homem justo’’ (alusão a Ez 14.14,20) nos conduz a outro aspecto decorrente, o consentimento divino que fundamenta sua permanência diante dele. Esse consentimento é a evidência de que Enoc é feito sumo sacerdote. Ele tipifica a o exercício de um sacerdócio celeste, concepção em voga no judaísmo do I séc. Portanto, ocorre uma inversão na visão comum do santuário inspirado na contemplação do céu, ou seja, o céu é o verdadeiro templo, e o templo terreno é a contraparte daquele.